Colmeia

Espaço arejado e limpo, onda a baixaria não entra
 
InícioPortalCalendárioFAQBuscarMembrosGruposRegistrar-seConectar-se

Compartilhe | 
 

 Coisas do arco da velha

Ir em baixo 
Ir à página : Anterior  1, 2, 3, 4, 5  Seguinte
AutorMensagem
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Mais uma discussão da treta   Ter Mar 10, 2009 11:16 pm

.
MAIS UMA DISCUSSÃO DA TRETA


Ferreira Fernandes

Há dias, um comentador futebolístico disse que Paulo Bento, porque fez a equipa jogar bem com o Benfica e descarrilou contra o Bayern, tinha "falta de carácter".

A expressão deu uma discussão desgraçada num programa de conversadores de futebol. Em defesa de Paulo Bento, alguém disse que era uma indecência, que podiam acusá-lo de tudo, mas nunca de "falta de carácter"! Um das razões porque gosto de futebol é que chuta a semântica para ela ser discutida em lugares impensáveis. Agora, também gosto de política, que igualmente chuta: José Lello acusou Manuel Alegre de "falta de carácter" e logo saltaram os alegristas exigindo que Sócrates se demarque de Lello. Pare-se o país e referende-se: Alegre tem falta de carácter? Sim ou não? Eu acho que o "não" ganhava, e não é porque partia com o famoso milhão de votos de avanço. É que o povo saberia responder que Lello não sabe exprimir-se. É possível acusar-se Manuel Alegre de bom ou de mau carácter, conforme as opiniões de cada um. Mas que lhe falta cunho ou marca (pssst, José Lello: carácter) é que é simplesmente tolice. |

In DN

Laughing

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Regras para vir nas capas   Sex Abr 03, 2009 11:19 pm

.
Regras para vir nas capas



por FERREIRA FERNANDESOntem4 comentários

Há quem estude, conquiste bolsa, entre em Harvard, seja descoberto pelo gabinete de Obama, levante-se às seis, passe horas a fazer pareceres para Timothy Geithner, regresse a casa às 23 e, depois, nem ganha um bilhete para a cimeira de Londres.

Deixa-te disso. Enrola um lenço palestiniano ao pescoço, vai levantar o bilhete à organização altermundialista, salta para a rua londrina, abre o peito - o que lembra Goya e as barricadas da Comuna de Paris (sem os riscos) - e, sobretudo, fica de olho nos fotógrafos que interessam (são os das agências, Reuters, AP...) A ti, meu - não o das pestanas queimadas, mas o das sobrancelhas zangadas para o flash -, serão reservadas as capas dos jornais. Tu, meu, percebeste o mundo. Um dia, vais ver, todas as áreas do mundo serão assim, até a grande área do futebol. O estádio ignorando quem marca golos. Mas a multidão, eufórica, aplaudindo os fiteiros que inventam gestos esquisitos para celebrar golos. Os outros marcam-nos; mas eles, que nem um chuto sabem dar, são o espectáculo. Um dia, o faz-de-conta toma conta disto tudo, vais ver.

In DN


_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Britânica tem gémeas 13 dias após descobrir que estava grávi   Sab Maio 23, 2009 10:52 pm

.
Britânica tem gémeas 13 dias após descobrir que estava grávida



Sentindo-se especialmente cansada, Sally Giles, de 34 anos, procurou o médico em Setembro do ano passado e foi, desde logo informada, de que poderia estar com um problema de tireóide.

Para tentar confirmar o diagnóstico, o médico fez exames de sangue e urina, mas quando os resultados chegaram, Sally recebeu a notícia de que estava grávida de pelo menos 20 semanas.

Como se não bastasse o choque, dias depois a mulher fez um ultrassom e descobriu que estava grávida de gémeos. Emma e Kate nasceram de cesariana 13 dias depois, pesando cada uma 900 gramas.

Em entrevista à BBC, a britânica contou que estava a tomar a pílula anticoncepcional quando descobriu a gravidez.

Apesar de ter engordado um pouco, disse que não chegou a aumentar a medida do vestuário: "No dia que descobri que estava grávida estava a usar roupas normais e não havia nada que me fizesse suspeitar estar grávida".

In Msn


_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Assassina inspirava-se em Agatha Christie   Sab Maio 23, 2009 11:05 pm

.
Assassina inspirava-se em Agatha Christie



Irão

Uma mulher foi acusada de matar seis pessoas numa cidade próxima de Teerão, capital do Irão. A polícia diz que ela confessou ter-se inspirado em romances policiais.

A polícia iraniana acredita ter prendido a primeira mulher a cometer assassínios em série no país. Segundo o jornal britânico "The Guardian", a suspeita, que tem 32 anos, revelou ter-se inspirado em romances policiais escritos por Agatha Christie.

Mahin, como foi identificada, é acusada de matar seis pessoas numa cidade próxima da capital iraniana. A polícia alega que ela confessou ter escolhido cuidadosamente as suas vítimas, a maioria mulheres mais velhas. Ela tentava não deixar nenhuma evidência dos crimes.

A sua motivação, segundo reportagem do "Guardian", era financeira, para sanar dívidas acumuladas. Ela asfixiava as vítimas e roubava tudo o que tinham com elas.

A polícia não revelou se a suspeita se inspirou em alguma obra especifica da escritora. Apesar de ela ter conseguido despistar os investigadores em relação aos crimes, acabou por ser presa devido a transgressões no trânsito.

In Msn Noticias


_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: O Bloco partido e o Partido bloco   Qui Jun 11, 2009 11:30 pm

.
O Bloco partido e o Partido bloco

por Ferreira Fernandes
10 Junho 2009



A ultrapassagem do PCP pelo Bloco de Esquerda baralha as contas nacionais.

A contradição que há nos nomes dos dois partidos explica a importância do novo dado. O PCP - "o Partido", como se diz dentro de casa - é um bloco. O BE - "o Bloco", como dizem os seus - está, de essência, partido. O Bloco é partido e o Partido é um bloco. Um é inamovível: confirme-se com o Avante (4/6/2009) que se insurge por a RTP lembrar Tiananmen. Dele, do PCP, pode falar-se de uma rocha - e isso está longe de ser um elogio político. Já o BE tem dias. Há nele revolucionários (vindos do PSR e da UDP) que deram o salto para o "Estado burguês" sem nunca o verbalizarem - o que torna frágil e provisória qualquer mudança. Desses, a ver vai-se. Mas há também assumidos sociais-democratas de esquerda e, para eles, sopram os ares do tempo: o PS vai ver neles o que o PSD vê no CDS. Muleta que merece oferendas. Não vai ser namoro público, mas seguir 24 horas por dia Miguel Portas, era capaz de dar boas manchetes políticas. O Partido, que é um bloco, contenta-se com os seus nichos de mercado (fornecerá Mários Nogueiras para professores, juízes, polícias…) E o Bloco, que está partido, une-se quando cheirar a Governo?

In DN

Laughing

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Hipopótamo à solta   Dom Jun 21, 2009 12:27 pm

.
Hipopótamo à solta
Torre de Moncorvo


O bicho vagueou durante mais de nove horas pelo centro urbano

Um hipopótamo fêmea, com cerca de três toneladas, andou à solta pelas ruas da vila de Torre de Moncorvo, na madrugada da passada quarta-feira. O bicho vagueou durante mais de nove horas pelo centro urbano e várias estradas daquele concelho.

Tudo aconteceu quando a viatura que transportava o animal, chamado Margarida e pertencente ao “Circo Cláudios”, se despistou na EN102, a 5 quilómetros de Torre de Moncorvo, com o animal preso no interior do reboque do camião.

Para remover o veículo foi necessário retirar o hipopótamo, mas quando nada o fazia prever, o bicho começou a andar pela estrada. Levou mais de 9 horas para chegar à zona urbana da vila, depois de ter percorrido uma zona de subida acentuada, até ao local onde o circo estava instalado.

O animal selvagem foi sempre acompanhado de perto pelos tratadores e militares da GNR. Entretanto, com o cansaço e sede, o animal parou e foi nessa altura que um dos tratadores tentou incentivar o hipopótamo a continuar a caminhada.

Segundo o alferes Mendes, da GNR, “o animal ficou parado e não respeitou o tratador, acabando mesmo por mordê-lo”. A situação deixou o homem ferido com alguma gravidade, pelo que teve que ser assistido no hospital.

“Na sequência desta situação, acabei por disparar numa das ancas do hipopótamo para o imobilizar, mas o tiro não lhe provocou ferimentos graves, dada a espessura da pele do animal”, explicou o oficial.

Durante o “passeio”, o animal destruiu uma viatura pertencente à companhia de circo e danificou uns portões de ferro, já que se encontrava “em stress”, segundo adiantou a mesma fonte da GNR.

Jornal Nordeste, 2009-06-21
In DTM

Laughing Laughing

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Romy

avatar

Mensagens : 5711
Data de inscrição : 23/08/2008

MensagemAssunto: Moscas mortas   Seg Jun 22, 2009 4:51 pm

.
Moscas mortas

por FERNANDA CÂNCIO
19 Junho 20097




No período de graça, nada há no ser amado que não deslumbre: até matar uma varejeira à mão


Obama está a dar uma entrevista de TV na sala oval - se não é na sala oval faz de conta - quando aparece uma mosca gorducha. Ninguém quer aparecer na TV com uma mosca, bzzz-bzzz, às voltas. E, zás, Obama dá-lhe uma palmada. E gaba-se, com um sorriso feliz: "Foi bastante impressionante, não foi? Matei a sacaninha." Apontando para o bicho de pernas para o ar na alcatifa, acrescenta: "Querem filmar? Está ali."

E filmam mesmo. E mais, passam mesmo a cena na TV. A coisa vai parar ao YouTube num piscar de olhos - o tempo que leva a matar uma mosca. O mundo fica extasiado com a pinta do Presidente - a matar uma mosca. Os pivots dos principais canais americanos descrevem o gesto como "fixe", "felino", "ninja", em suma, qualquer coisa de fantástico. Uma pessoa olha para aquilo e pensa: por que carga de água estou a olhar para isto? Por que raio alguém passa isto na TV e - não despiciendo, em nome de quê (liberdade de aparvalhação?) o Presidente aceitou que isto fosse para o ar? Há alguma coisa de relevante no facto de o Presidente dos EUA, como qualquer pessoa não budista nem fanática dos direitos dos animais, dar um piparote numa chata duma mosca? É o facto de o fazer ele próprio em vez de chamar um segurança para lhe dar um tiro? É porque o faz com grande à-vontade e se ri? É porque é bizarro e inédito ver-se tal coisa na TV, e o que é bizarro e inédito, por mais destituído de interesse, tem de passar na TV?

Bom, imagine-se a cena com o presidente não se sabe se reeleito do Irão, aquela simpatia de pessoa. Está Ahmadinejad a dar uma entrevista, por exemplo a propósito do que se passa nas ruas do Irão, onde gente é perseguida, espancada e morta por protestar contra ele, e esborracha uma mosca. Dir-se-ia "ele mata aquela mosca com a indiferença com que manda atirar sobre as multidões", ou coisa parecida. Um torcionário a executar uma mosca durante uma entrevista: todo um programa. E Bush? Bush, o bronco, o homem que invadiu o Iraque, que fez Guantánamo e Abu Ghraib, a matar uma mosca e a rir-se da proeza? E Palin, a tonta evangélica caçadora de alces? E Clinton, o cínico aldrabão adúltero de queixo tremeluzente e voz rouca? E Obama daqui a uns anitos? Pois.

Esta coisa do amor do povo é tramada - como o amor em geral, de resto. No período de enamoramento, nada há que o ser amado faça que não deslumbre - até matar uma varejeira com a mão. Uns tempos depois e aparecem os defeitos: "Viram como ele matou a mosca com a mão e nem sequer a foi lavar, ficou ali sentado? Que nojo." Ou: "Que pessoa insensível e casca grossa, olhem o exemplo que dá às crianças, matar assim um animal e rir-se por cima." E no fim: "Quer tanto saber daquela mosca como de nós. Só pensa nele"; "É mesmo típico, mata uma mosca e pensa que fez uma grande coisa"; "Aposto que fez questão de que aquilo passasse na TV para mostrar ao povo que é uma pessoa normal, mata ele as suas próprias moscas, pffff." Isto tudo com a mesma mosca morta. E talvez a mesma pessoa.

In DN

Laughing Laughing Laughing Laughing
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Romy

avatar

Mensagens : 5711
Data de inscrição : 23/08/2008

MensagemAssunto: A loira, Pacheco e Menezes   Seg Jun 22, 2009 5:11 pm

.
A loira, Pacheco e Menezes

por Ferreira Fernandes
Hoje



Em 1995, no congresso da sucessão de Cavaco, Luís Filipe Menezes atacou o eixo "sulista, elitista e liberal". O erro de atacar metade do país levou à maior pateada que um partido político já deu a um dos seus e acabou com Menezes a chorar.

Quando a frase foi dita, uma câmara mostrou José Pacheco Pereira, sorrindo. Desde aí, o duelo LFM/JPP é das nossas animações políticas e tem desfecho recorrente: ganha sempre o mesmo, o que tem lastro.

Este fim-de-semana, uma surpresa. LFM deu uma entrevista ao jornal i em que diz que JPP "é a loira do PSD". E explica que ele é como a Anita Ekberg, loira sueca e actriz banal, mais recordada em La Dolce Vita do que o genial realizador Fellini e o seu colega de cena, o grande Mastroianni.

A frase é de bom marketing e a explicação esperta. A surpresa que escrevi acima não está aí: LFM foi esperto como o costume. O insólito é JPP ter-se zangado com o jornal por ele ter usado a frase "Pacheco Pereira é a loira do PSD" no título, coisa que qualquer jornal faria.

À luz do episódio, se LFM quiser passar a ganhar os duelos com JPP, proponha como arma o que este conhece pouco: jornais.

In DN

Laughing Laughing Laughing Laughing
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Romy

avatar

Mensagens : 5711
Data de inscrição : 23/08/2008

MensagemAssunto: Dez razões para não perder ainda a esperança no Irão   Seg Jun 22, 2009 5:22 pm

.
Dez razões para não perder ainda a esperança no Irão



por Leonídio Paulo FerreiraHojeComentar

1. A coragem de Shirin Ebadi, Nobel da Paz, que apanhada fora do seu país nesta época de protestos nas ruas afirma que "a calma só regressará se as eleições forem anuladas e um novo escrutínio organizado". A advogada garante ainda que dentro de poucos dias estará de regresso a casa em Teerão, ao "marido, à família e aos amigos" (apesar de ter a certeza de que será detida e saber que o co-fundador do Centro dos Defensores dos Direitos Humanos, Abdolfattah Soltani, foi preso).

2. A firmeza de Mohammad Khatami, o ex-presidente admirado por meio mundo, que anunciou desde o primeiro momento apoiar as exigências de recontagem dos votos de Mir Hossein Mousavi, o candidato derrotado no dia 12 por Mahmud Ahmadinejad (apesar de um irmão seu, secretário-geral do maior partido reformista e casado com a neta do ayatollah Khomeini, ter sido já detido).

3. O espírito rebelde de históricos do regime, como o ayatollah Ali Montazeri, que foi delfim de Khomeini (apesar de se arriscar a ser punido como durante os seis anos que passou em prisão domiciliária).

4. A arte de Abbas Kiarostami, o realizador que em filmes como Dez ou O Sabor da Cereja (Palma de Ouro em Cannes) revela a sensibilidade da sociedade persa, insistindo em filmar no país (apesar de a sua obra não ser exibida nos cinemas de Teerão ).

5. A persistência de uma comunidade judaica, que até tem direito a um deputado (apesar de Ahmadinejad negar o Holocausto e defender o desaparecimento de Israel).

6. A vigília espontânea em Teerão pelas vítimas dos atentados terroristas do 11 de Setembro em Nova Iorque (apesar de os Estados Unidos serem o "Grande Satã" ).

7. O humor de Marjane Satrapi, que no autobiográfico Persépolis, tanto em banda desenhada como na versão animada, relata o que era a ditadura do xá e o que foi o entusiasmo popular pela Revolução (apesar de acusada de demonizar o Irão por Mohammad Marandi, professor de Literatura na Universidade de Teerão).

8. Os sete mil anos da civilização persa, que soube adoptar o islão sem abdicar da sua identidade nacional, e cuja produção cultural está representada por excelentes peças no Museu Gulbenkian (apesar de muitos artistas terem optado pelo exílio a partir de 1979 por considerarem inaceitáveis os limites dos ayatollahs).

9. O sorriso de optimismo da iraniana que surgiu na primeira página do DN e nos jornais do mundo inteiro no dia a seguir às presidenciais (apesar de o hijab colorido que lhe cobria parte do cabelo ser o máximo de feminilidade tolerado).

10. O passado irreverente de Ali Khamenei, que, conta-se, quando não estava a estudar o Alcorão ou preso nos calabouços do xá, tocava tar, um instrumento persa de corda, e fumava cachimbo com tabaco holandês (apesar de hoje o Guia Supremo ser visto como o chefe de fila dos conservadores).

In DN

Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Vem aí a batalha do vinho leve   Ter Jun 23, 2009 11:41 pm

.
Vem aí a batalha do vinho leve

por Ferreira Fernandes
Ontem



Bruxelas vai resolver um dos dois mistérios que habitam uma garrafa de vinho comum.

O porquê dos 75 centilitros, que são mais do que um homem bebe razoavelmente, vai continuar a fazer as delícias dos empregados de restaurante que ficam com o meio palmo do tinto deixado na mesa - as inteligentes garrafinhas de 37,5 continuarão a ser minoria... Mas a escalada do grau alcoólico vai parar. Em 15 anos, subiu 2 ou 3 por cento de teor alcoólico. 14 graus que, ontem, eram só de exagerados vinhos marroquinos, são comuns em Bordéus; até os nossos verdes, tão leves antigamente, não se encontram a menos de 12 graus. A causa é uma das provas do aquecimento global: mais temperatura, mais açúcar nas uvas, o que fermenta mais álcool. Um absurdo que contradiz as campanhas contra o consumo exagerado de álcool. Os produtores do Novo Mundo, australianos e americanos, já há muito utilizam métodos técnicos para diminuir o álcool, mas os regulamentos europeus impediam esse uso. Agora, já há legislação preparada para mudar. Preparem-se para o habitual combate: tradicionalistas contra o bom senso. Vencerá o que tem de ser.

In DN

Embarassed Rolling Eyes

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Fantômas

avatar

Mensagens : 5780
Data de inscrição : 12/09/2008

MensagemAssunto: Política com p pequenino   Qui Jun 25, 2009 11:55 pm

.
Política com p pequenino

por Pedro Marques Lope
Ontem



Um conjunto de cidadãos portugueses resolveu intervir politicamente.
Nada de mais meritório. Portugal sofre de um evidente défice de pessoas dispostas a fazer política. Ainda bem que cidadãos tão proeminentes resolvem fazer/dizer alguma coisa.

Claro está que as pessoas que assinaram o documento não são propriamente figuras que, neste importante momento, sentiram o chamamento da política. Também ninguém poderá negar que, pelo desempenho de elevados cargos públicos ou associativos, não tenham a sua quota-parte de responsabilidade no actual estado do País.

Mais, duvido que a esmagadora maioria dos signatários não tenha pertencido a inúmeros conselhos de "sábios" com responsabilidade nestes e noutros investimentos públicos. Outros tiveram importantes tarefas executivas e, outros ainda, já decretaram há tanto tempo o fim do País que até espanta que ainda percam o seu precioso tempo a recomendar o que quer que seja.

Apesar de demonstrarem a sua vontade de fazer política, mostram um certo desfasamento sobre aquilo que se vai dizendo nos últimos anos. De facto, a lista de prioridades - reforma da administração pública, da justiça, do ensino, fomento à inovação, melhor alocação de recursos, entre outros - não é propriamente algo que já não tenha sido dito uns milhares de vezes e não esteja no programa de qualquer dos partidos portugueses.

Mas uma coisa é dizer que é preciso fazer alguma coisa sobre estes problemas, outra é fazer propostas concretas. Esperava-se que os ilustres signatários explicassem, pela rama que fosse, como se poderia fazer para melhorar o aproveitamento escolar, como se reformaria a administração pública, como apoiar as empresas, como reformar o Ministério Público. Mas... nada, rigorosamente nada. Nem sequer uma pequena medida que tornasse essa parte do documento diferente do discurso de um militante de qualquer juventude partidária.

Qualquer semelhança com um discurso do tipo "para quê fazer uma estrada quando se pode fazer duas escolas" não é simples coincidência. Então, das duas uma: isto significa falta de tempo ou é a politiquice do costume.

Os subscritores do "Apelo à Reavaliação dos Grandes Investimentos Públicos" não concordam com a prossecução de três investimentos: Auto-estradas, TGV e novo aeroporto.

Ou melhor, apelam a que se estudem melhor os dossiês e que se reúna uma espécie de comissão de sábios nacionais e internacionais que decida qual é, de facto, o seu interesse nacional. Presume-se que a parte dos nacionais se deva a um qualquer ataque de modéstia, bem estendido.

Depois destes sábios - gente independente do poder político e económico, como é claro - derramarem a sua sabedoria e sendo as suas decisões tão clarividentes que gerariam um amplo consenso nacional, tudo se resolveria a contento de todos. Já agora e como se estaria com a mão na massa, porque não aproveitar para que estes resolvessem o nosso défice educacional, os problemas do serviço nacional de saúde, a eficiente alocação de recursos, a reforma administrativa, os problemas da justiça ou a ineficiência do Cristiano Ronaldo na Selecção Nacional?

Não se nega, como é evidente, a necessidade de recorrer a especialistas na matéria, mas a pergunta que pode e deve ser feita é: quem, na opinião destes senhores, deve designar os especialistas que devem estudar estes investimentos públicos ou outras questões relevantes? Os subscritores? Um referendo especial para escolher os ditos especialistas? A Comissão Europeia? À sorte?

Será que aqueles senhores querem afirmar que as decisões - que foram feitas por vários Governos - que aconselham estes investimentos foram realizadas sem recurso a técnicos especializados?

Se assim é, era bom que o dissessem para que nós portugueses pudéssemos avaliar a inconsciência de praticamente todos os governantes de há uns anos a esta parte.

Mas, de facto, a verdadeira dimensão política do texto está relacionada com a capacidade de escolher. No fundo, quer-se substituir a legitimidade de um Governo democraticamente eleito (seja ele qual for) por uma espécie de Governo de inteligentes.

Ninguém melhor que os portugueses conhece o resultado de escolhas baseadas num suposto conhecimento superior a cargo de iluminados.


In DN

Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Romy

avatar

Mensagens : 5711
Data de inscrição : 23/08/2008

MensagemAssunto: Sondagem dá vitória ao PSD   Sex Jun 26, 2009 11:07 pm

.
Sondagem dá vitória ao PSD

por Ferreira Fernandes
Ontem



Há uns meses (antes das europeias), Manuela Ferreira Leite ironizou sobre a necessidade de fazer "um intervalo de seis meses na democracia..." Logo uma matilha se lhe lançou às canelas, como se MFL fosse parva. Na verdade, ela não disse nem queria dizer o que se lhe atribuía. Dessa matilha não faziam parte só alguns do PS, mas também gente do Centro e da Direita. Esses tempos, repito, eram antes das europeias. Não se via, então, futuro em MFL, e nada como o malogro previsível para açular críticos. Nesses tempos, ela era trôpega de ideias, rezingona de feitio e castanha escura de cartazes... Não ia lá, enfim. Entretanto, aconteceu o que aconteceu e passámos a nova era (depois das europeias). E não é que MFL se tornou grácil e brilhante? Anteontem, na entrevista à SIC, ela disse: "Esta crise foi um abalozinho de terras." Ela, em assunto que é perita, falou assim da maior crise financeira mundial desde 1929. Ela, que na entrevista exigia a linguagem da verdade, falou assim porque lhe dava jeito apoucar o Governo. E ela, que falou assim anteontem, passou ontem sem críticas. Tomem isso como uma sondagem dando a vitória ao PSD, no Outono. Mas mera sondagem.

In DN

Laughing
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Romy

avatar

Mensagens : 5711
Data de inscrição : 23/08/2008

MensagemAssunto: Criar casos   Sex Jun 26, 2009 11:23 pm

.
Criar casos

por Alberto Gonçalves




A pequena Maddie. A pequena Joana. A pequena Esmeralda. Agora, a pequena Alexandra. Independentemente das histórias, algumas trágicas, os portugueses deram em se apaixonar por "casos" do género.

O último envolve uma menina russa, que um juiz retirou dos pais de criação (nacionais) e devolveu à mãe verdadeira ("biológica", no jargão da moda).

Fez bem? Fez mal? Evidentemente não tenho, nem poderia ter, qualquer opinião na matéria. Por feliz coincidência, o resto do país opina por mim, e opina com particular virulência sobretudo desde que um vídeo mostrou a mãe ("biológica") a desferir umas palmadas na filha. Ao que parece, em Portugal acha-se escandaloso que a educação de uma criança possa incluir o ocasional tabefe, atitude que explica o nível educativo das nossas crianças mas que não é o ponto.

O ponto é que coisas assim constituem um inegável abono para as audiências das televisões, que farejam cada "caso" a fim de o transformar numa prolongada novela, e para as consciências dos cidadãos, que se aliviam de uma curiosa vocação justiceira. Problemáticos são os tempos mortos, já que as televisões e os cidadãos ainda se restringem aos "casos" arrancados (literalmente) à realidade.

A alternativa é inventar "casos" a partir do nada. Sugiro um concurso. Escolhe-se uma criança órfã, por exemplo a pequena Maria, e seleccionam-se, num casting, os diversos casais concorrentes à paternidade (incluindo um par gay para evitar acusações de discriminação). Dentro de casas distintas e simuladas em estúdio, a pequena Maria vai sendo criada por um casal à vez durante períodos fixos e em regime rotativo. Através de chamadas de valor acrescentado, sms e e-mails, os espectadores votam no casal que desejam eliminar, guiados pelos consensos contemporâneos em volta do "amor", da "compreensão" e do "voyeurismo". Depois de uns anos nisto, ganha o casal que escapar às sucessivas eliminações, presumivelmente aquele que mais estimulou a "criatividade" da pequena Maria e melhor a ensinou a espatifar um telemóvel no crânio de uma docente.

Naturalmente, a pequena e criativa Maria será o prémio dos vencedores. O gozo de decidir vidas alheias será o nosso.

Políticos de proximidade

Quinta-feira, 28 de Maio

Na perspectiva de certos políticos, como Manuela Ferreira Leite, o fim, real ou apenas desejado, da era dos comícios é uma boa notícia. Na perspectiva dos cidadãos, nem tanto. Por tradição, os comícios realizam-se num espaço circunscrito, a que só comparecem fanáticos ou desgraçados capazes de trocar a própria mãezinha por uma merenda e uma excursão de autocarro. Fora desse universo melancólico, a vida prossegue normalmente e o cidadão comum consegue levar uma existência relativamente alheia a disparates.

Infelizmente, a pacatez tem os dias contados face à última voga do marketing político: a "proximidade". Embora tenha tido o bom senso de organizar o seu maior comício do lado de lá de Badajoz, o PS lembra a importância da "proximidade". O PSD defende a abordagem de "proximidade". Os demais partidos praticam-na com afinco. A "proximidade" é a resposta trivial a uma trivial conclusão: se as pessoas não vão até à propaganda, a propaganda vai até às pessoas. E vai pela Internet, entupindo as caixas de e-mail com puro lixo, ou, num país onde a vasta maioria da população não passa os dias colada a um computador, vai pelas ruas.

De uma forma ou de outra, o aborrecimento é garantido. Não sendo exactamente inéditas, as reportagens da presente campanha eleitoral constituem um manual da arte de maçar transeuntes. Nunca vi tanta criancinha beijada, tanto café invadido, tanta feira perturbada, tanto folheto distribuído, tanto incauto assediado por sumidades partidárias que, apostadas em duplicar a tortura, se anunciam ao som de bombos. Caso a "proximidade" aumente, não faltará muito para que as sumidades arrombem portas e os bombos ecoem na nossa sala de estar.

Se o exercício pretende envolver os cidadãos na "coisa pública", o exercício é contraproducente. Enquanto os candidatos guardavam distância, ainda era possível ao povo julgá-los merecedores do voto. Já é altamente improvável que o povo vote no candidato que acabou de o abalroar na mercearia: dado o nível médio dos políticos nacionais, o respeito é directamente proporcional à ocultação. É por isso que a aposta na "proximidade" promete elevar a abstenção a novos recordes, altos até para os padrões de uma eleição "europeia", mas admissíveis numa sociedade civilizada e livre.

Claro que a tendência é gravíssima para quem tomar Cuba ou o Irão como modelos democráticos. Carlos César, Imperador de Ponta Delgada, toma. Em prol de uma "democracia útil, genuína e sólida", o sr. César não pede a revogação de uma classe política inútil, plástica e invertebrada: pede o voto obrigatório, e pede, para os infractores, "penalização em termos fiscais ou em termos de benefícios ou acessos a serviços públicos". Ou seja, "em termos" de "proximidade", o sr. César teria imenso a ganhar se ninguém o visse ou ouvisse, e as suas elaborações teóricas não saíssem da profundeza das furnas.

O prestígio de certas instituições

Sábado, 30 de Maio

Até assistir às reacções ao "caso" Dias Loureiro/BPN, eu não imaginava a relevância do Conselho de Estado, que na minha ignorância tomava por um pechisbeque constitucional. Só comecei a fazer uma ideia ao ouvir meio mundo pedir em coro a remoção voluntária ou induzida do conselheiro em causa.

Munidos de umas histórias que saíram na imprensa e dos testemunhos de ex-parceiros, é legítimo acreditarmos que o dr. Loureiro se tenha metido em valentes improvisos financeiros. Eu acredito, você acredita, o dr. Vital Moreira está absolutamente (ele não faz por menos) convencido disso e, não contente com a demissão do homem, exigiu posições imediatas do PSD acerca da "roubalheira do BPN".

Mesmo que a indignação colectiva não passe de uma fezada acerca das eventuais trapaças do dr. Loureiro, que por enquanto tribunal algum julgou, aparentemente a fezada é lei e o tribunal dispensável. Aqui não há presunções de inocência, cautelas da Procuradoria-geral, críticas à violação do segredo de justiça, insinuações de cabalas, ataques ao sensacionalismo mediático, apelos à civilidade, invocações do bom nome dos envolvidos, relatórios da ERC contra as carências éticas de "telejornais", etc.

Em se tratando da incomensurável responsabilidade do cargo de conselheiro de Estado, a suspeita chega e sobra para, a bem do prestígio institucional, condenar politicamente um sujeito e empurrá-lo rumo à porta, ou, nas palavras oficiais do PS, constatar com "satisfação" que "a democracia funcionou". Já quando o sujeito ocupa cargos irresponsáveis e integra instituições desprestigiadas, nenhuma suspeita importa: a democracia pode seguir disfuncional à vontade que o PS e pelos vistos o país também ficam satisfeitos.

Seria pois ridículo enxotar um primeiro-ministro, digamos, a partir de julgamentos de carácter. Embora a continuidade do eng. Sócrates no eminente Conselho de Estado me pareça motivo para um mal-estar generalizado que, talvez por distracção, ainda não notei.

Longe dos ouvidos, perto do coração

Quando lhe perguntavam o clube, o meu pai, que nunca viu um jogo de futebol, respondia sempre: os do Norte. A resposta correspondia a um enorme rigor geográfico. Se, por exemplo, tivesse de escolher entre o Sporting e o Porto, o meu pai escolhia o Porto. Se a opção fosse entre o Porto e o Braga, optava pelo Braga. Entre o Braga e o Chaves, o Chaves. E por aí fora, até chegar ao Sport Clube Melgacense (de Melgaço), um caso de paixão se acaso o meu pai chegasse a saber da respectiva existência.

Eu também reconheço a influência geográfica. Os critérios é que são pragmáticos e não sentimentais. Quando gostava de bola, "torcia" pelo Benfica.

Desde que deixei de gostar, "torço" pelo clube mais remoto. Quanto maior a distância, menor a possibilidade de me ver incomodado pelos festejos dos adeptos. Dado que moro em Matosinhos, prefiro o Trofense ao Leixões, a Académica ao Trofense, o Benfica à Académica, o Setúbal ao Benfica, etc. Na próxima época, darei vivas ao Olhanense. Não quero ser antipático, mas não quero ser incomodado. Infelizmente, não evito ser ingénuo: na prática, o Porto é sempre campeão e não há maneira de fugir ao pandemónio que anualmente irrompe a dez minutos cá de casa

In DN

Laughing Laughing
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Romy

avatar

Mensagens : 5711
Data de inscrição : 23/08/2008

MensagemAssunto: A Anita era mais bonita   Dom Jun 28, 2009 3:57 pm

.
A Anita era mais bonita

por Alberto Gonçalves
Hoje



Pior que tudo, os partidos não se limitam a insultar as pessoas: torturam-nas sem piedade

Luís Filipe Menezes deu uma entrevista ao jornal I em que compara Pacheco Pereira a Anita Ekberg no Dolce Vita, de Fellini, e lhe chama (a Pacheco Pereira, não a Anita Ekberg) a "loira do regime". O I distorceu um nadinha o epíteto e pôs em manchete o dr. Menezes a acusar Pacheco Pereira de ser a "loira do PSD", o que pelos vistos é ainda mais grave. Pacheco Pereira, que entretanto também dera uma entrevista ao I, decidiu que o I não é sério e tentou impedir a sua publicação (da entrevista, não do I).


Acredite-se ou não, este foi um dos principais acontecimentos políticos da semana, o que diz menos sobre a semana do que sobre a política que temos. Para começar, e embora cuidadosamente elaborada durante dias a fio em gabinetes de Gaia, a boutade do dr. Menezes é fraquinha. Depois, a reacção de Pacheco Pereira é insondável. Estou até hoje por perceber se Pacheco Pereira se irritou devido às limitações artísticas da donzela em causa, e se ficaria mais satisfeito caso o tivessem comparado a uma estrela de renome, género Marilyn, ou a uma actriz de talento, género Judy Holliday.

A verdade é que não sabemos porque é que Pacheco Pereira amuou. Sabemos que amuou com o I e que, surpreendentemente, procedeu segundo o método dos dirigentes desportivos que abomina. No mundo da bola, qualquer notícia desagradável a um clube suscita o inevitável blackout, no qual o clube corta relações com o órgão dos "media" em causa. A esta hora, é garantido que não haverá nenhum jornalista do I numa certa biblioteca da Marmeleira.

Pacheco Pereira tem iniciado inúmeros textos com a frase "Se Portugal fosse um país a sério…". Sigo a deixa: se Portugal fosse um país a sério, gente com pretensões de influência não se sujeitaria ao ridículo. Se Portugal fosse um país a sério, as pessoas cultas e racionais não se atribuiriam tamanha pompa. Se Portugal fosse um país a sério, um sujeito inteligente não sairia assim enxovalhado do confronto com a sumidade que, em curtos meses, quase demoliu o PSD. Se Portugal fosse um país a sério, uma associação de senhoras loiras já teria protestado junto do dr. Menezes e do I a comparação a Pacheco Pereira. A minha mãe, por exemplo, anda inconsolável.


São Obama (mas um dia deixarão de ser)
Quinta-feira, 25 de Junho

Milagres? Sem dúvida. Peritos confirmaram que, do além-túmulo, Nuno Álvares Pereira reparou o olho avariado de uma senhora de Ourém. E peritos diferentes juram que Barack Obama incitou a sublevação no Irão. É certo que aqui o milagreiro está vivo. Mas nem parece. Desde que tomou posse, Obama empenhou-se na exibição de respeito pela teocracia local, o que à primeira vista não era uma deixa para rebeliões. Definitivamente, os milagres não seguem regras terrenas e não são para qualquer um. Quando Bush condenava o regime dos aiatolas, os iranianos nem tossiam e os ocidentais achavam atroz a interferência num país soberano. Quando Obama procura seduzir Ahmadinejad, os iranianos irrom- pem a pedir a cabeça deste e os ocidentais acham a interferência, ainda que imperceptível, óptima.

Como diz o colunista canadiano Mark Steyn, Obama consegue a proeza de inspirar em simultâneo os manifestantes nas ruas e os guardas que os prendem. Steyn, porém, é um cínico e um descrente. Por mim, prefiro acompanhar os devotos e acreditar que Obama é capaz de tudo, mesmo que aparente tentar o seu exacto oposto. Se calhar, os santos agem por vias assim crípticas e inexplicáveis. Se calhar, Nuno Álvares Pereira também pretendia cegar a tal senhora de uma vista e acabou a curar-lhe a outra. O que importa, afinal, não é a intenção: é o desfecho dos milagres. E a nossa ilimitada fé neles.


Desmontar a tenda
Sexta-feira, 26 de Junho

A capacidade de adaptação do eng. Sócrates é infinita. Em poucas horas, conseguiu analisar o que havia para analisar na compra da TVI pela PT, a tempo de impedir um negócio que considerou de "interesse estratégico" (para a PT) sob o argumento de que o Governo não pode permitir suspeitas de interferência na linha editorial da estação. Isto é tanto mais espantoso quanto, um ou dois dias antes, no Parlamento, o eng. Sócrates garantira nunca ter ouvido falar do assunto e acrescentara que o mesmo era coisa de privados, na qual, assaz escrupulosamente, o Estado que detém uma (curiosa) golden share na PT nem morto se meteria.

Agora a sério: o que é que passou pela cabeça do eng. Sócrates? Acharia ele que ninguém repararia no negócio? Que José Eduardo Moniz seria despachado sem que o gesto tresandasse a estratégia censória? Que silenciar um "telejornal" incómodo a três meses das eleições resolveria os seus problemas? Que os eleitores estão anestesiados a ponto de não detectarem os propósitos políticos da manobra? Que uma única alma engoliu a candura com que confessou ignorar toda a história ou os motivos que, em desespero de causa, usou para a reverter? Que é legítimo recorrer a meios públicos de modo a arruinar um bom negócio (consta) e ilibar o Governo?

Por acaso, Manuela Ferreira Leite saiu-se bem da entrevista à Sic. Não precisava. Face ao desnorte que acometeu o eng. Sócrates, por comparação qualquer criatura pareceria um estadista de renome e um primeiro-ministro inevitável: eu, você, o Pato Donald ou um sobrinho deste. A nossa democracia já assistiu a alguns fins de ciclo. Hoje, tudo indica que assiste pela primeira vez ao fim de um circo, onde os trapezistas caem sem rede e os ilusionistas esgotaram os truques. Só aqueles senhores responsáveis pela comédia é que ainda se esforçam por divertir o público. Com sucesso.

Evitar confusões
Sábado, 27 de Junho

O Presidente da República acedeu aos pedidos de quatro dos cinco partidos e separou as datas das eleições legislativas e autárquicas. Para o PS, a separação exigia-se em nome da "clareza democrática", da "verdade democrática" e do "rigor das escolhas". O Bloco também referiu a "clareza democrática" e, com menor clareza, a "partidarização do efeito de contaminação". Para o PCP, marcar as eleições em simultâneo desvalorizaria ambas. Para o CDS, trata-se de "duas campanhas que não devem ser misturadas". Falando em nome próprio, o dr. Mário Soares resumiu: seria "uma confusão para os eleitores".

É interessante notar que as rebuscadas mesuras dedicadas pela classe política à democracia não se estendem aos cidadãos que a compõem e justificam. Se os partidos acham sagradas as instituições democráticas, tomam a população por um vastíssimo bando de tontos, incapaz de perceber a diferença entre os deputados da nação e os caciques da província. Muitas vezes, concedo, a distinção é difícil, para não dizer impossível, mas esse não é o ponto. O ponto é que, de acordo com os argumentos ouvidos por Cavaco Silva, a simultaneidade de "legislativas" e "autárquicas" arriscaria convencer alguns eleitores da Gafanha da Nazaré de que os autarcas indígenas ambicionavam formar Governo e o eng. Sócrates decidira tentar uma carreira na junta de freguesia lá da terra.

Pior que tudo, os partidos não se limitam a insultar as pessoas: torturam-nas sem piedade. Eleições afastadas significam campanhas prolongadas, ou seja, semanas e semanas de arruaças, perdão, arruadas e barulho em geral. A factura que isto representa no bolso dos contribuintes é realmente o mal menor: a respectiva sanidade mental é que não promete recuperação.

Entretanto, resta consolarmo-nos com a certeza de que teremos tempo para alcançar a complexidade dos programas nacionais e locais, que os profundos debates a realizar nas duas instâncias serão esclarecedores e que os transeuntes distinguirão perfeitamente entre o candidato a S. Bento que lhes oferece dois beijinhos e um porta-chaves e o candidato à câmara que, quinze dias depois, lhes oferece dois beijinhos e uma esferográfica.

Loucuras

Está encontrada a princesa Diana deste Verão, apenas com uma inclinação um bocadinho mais criativa, uma intimidade um bocadinho mais nebulosa e o sexo um bocadinho mais dúbio. Hesitei entre escrever "sexo" e "espécie", dado que nem sempre Michael Jackson me parecia humano. Se era, não gostava de o ser. No interior da cabeça e no exterior do corpo que a suportava, tudo fez para adquirir a dimensão dos seus heróis unidimensionais, cujas estátuas lhe enfeitavam o jardim: Batman, Super-homem, Homem-aranha, etc. Só as referências bastam para diagnosticar a demência que cedo afectou uma criança de facto talentosa e a transformou na aberração tecnicamente adulta que o mundo inteiro conheceu e meio mundo admirava. Apesar de uma ou duas canções bonitinhas dos primórdios, enquanto artista o falecido não me provoca qualquer comentário. Já a veneração global de um caso clínico e triste deveria suscitar abundantes ensaios sociológicos ou psiquiátricos. Dedicar a um louco a loucura que por aí vai é, além de cruel, um sinal do estado da humanidade e, vá lá, uma única razão racional para Michael Jackson ter fugido dela toda a vida.


In DN

Laughing Laughing Laughing Laughing
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Dresden foi de novo apagada agora do mapa da UNESCO   Seg Jun 29, 2009 10:49 pm

.
Dresden foi de novo apagada agora do mapa da UNESCO

por Leonídio Paulo Ferreira
Hoje



Mesmo sem bomba atómica, Dresden competiu durante seis décadas com Hiroxima e Nagasáqui para o título de mártir da Segunda Guerra Mundial.

Foi preciso uma comissão de historiadores alemães, convocada em 2004 pelo Governo, para fixar em 25000 as mortes causadas pelos bombardeiros britânicos e americanos que de 13 a 15 de Fevereiro de 1945 arrasaram o centro da "Florença do Elba". Até então, falava-se de cem mil e académicos com simpatias nazis especulavam que teria sido meio milhão, cavalgando a suspeita de que o bombardeamento em vésperas da derrota hitleriana não passou de uma vingança dos Aliados. Óbvio é que a cidade ficou tão destruída que a reconstrução dos monumentos se arrastou até 2005, quando a Frauenkirchen voltou a dominar o cenário barroco que se ergue junto ao rio Elba. Mas, há quatro dias, Dresden foi de novo apagada do mapa, neste caso da lista do Património da Humanidade. Nunca a UNESCO tomara uma decisão destas num país europeu.

A culpa é de uma ponte que tem o mérito de resolver os congestionamentos, mas perturba o enquadramento idílico de um trecho de 18 quilómetros do Elba. Várias vezes a UNESCO ameaçou com a punição, mas mesmo assim o projecto avançou. Num referendo, em 2005, 67,9% dos habitantes pronunciaram-se a favor, o que animou os governantes de uma cidade que quer sair da letargia dos anos da RDA. Aliás, parte da responsabilidade na demora em reerguer a grande igreja luterana do século XVIII cabe ao regime comunista, que insistia em fazer das ruínas uma denúncia da barbárie anglo-americana, o que dava jeito nessa época de Guerra Fria. Após a reunificação de 1990, Dresden assumiu-se como pólo tecnológico, atraindo investimentos como a fábrica transparente da Volkswagen. Não se repete o esplendor dos reis da Saxónia, mas, ao contrário do resto da Alemanha oriental, a cidade tem prosperado, fixando jovens, sinal de que não perde gente para Frankfurt ou Hamburgo.

São 888 os locais Património da Humanidade, espalhados por 148 países. Portugal conta com uma dezena, como os Jerónimos, e mais uns tantos no estrangeiro de traça nacional. E se é consensual que o selo da UNESCO atrai turistas e financiamentos, os habitantes de Dresden preferem minimizar o impacto negativo da opção pela ponte. Uma maioria respondeu numa sondagem que passava bem sem o título da UNESCO, mas a cidade ficou já excluída de uma verba governamental de 150 milhões de euros para o património mundial. E quanto aos turistas é rezar para que não se irritem com este cartão vermelho do organismo da ONU. Por muito que em Dresden haja quem se irrite com as burocracias para defender a Disneylândia barroca, é provável que a Frauenkirchen por lá continue mesmo quando já não houver fábricas de carros e se calhar nem carros para atravessar pontes com quatro faixas.

In DN


_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Pode faltar-nos tudo, menos notícias   Dom Jul 05, 2009 4:57 pm

.
Pode faltar-nos tudo, menos notícias

por Ferreira Fernandes
Hoje



Ao contrário da crise dos cobertores de linho, porque já não se cultiva linho galego no Minho, a crise dos jornais não é por falta de matéria-prima. Em Portugal, a informação está sempre a pingar e é estapafúrdia, isto é, feita do melhor material que há para uma notícia. Vejam só dois dias, quinta e sexta, da semana que acaba.

Um conselheiro de Estado é feito arguido. Um ministro deixa banzada e de braços caídos a tradutora gestual do parlamento. Um presidente da assembleia geral de um grande clube, declara para o microfone: "Se não estivesse a falar para uma rádio, diria que estou-me cagando..." E a mais internacional das nossas artistas diz que renuncia à nacionalidade portuguesa.

Em só dois dias. Em todo o mundo, o sonho dos jornalistas é gritar: "Parem as máquinas!" Como nos filmes, as rotativas param e publica-se a nova e estrondosa notícia. Pois, em Portugal, esse grito tornou-se um bocejo - o que mais há são novas e estrondosas notícias. Na Finlândia (onde, tirando o liceal que todos os anos mata sete colegas, as únicas novidades são os novos modelos da Nokia) já devemos ser um case study nas faculdades de jornalismo: "Ele há um país do Sul em que, cada dia, se escolhe entre quatro ou cinco manchetes..." Se o ministro Manuel Pinho ainda mexesse, andava pela Europa a propor a deslocalização das empresas jornalísticas para cá. Slogan: "Portugal, o lugar onde a última notícia é sempre falsa: já não é última."

E, reparem, as notícias bombásticas que eu dei são secas. Todas elas podiam ser desenvolvidas, trazendo novas surpresas. Assim, o ex--conselheiro de Estado, em vez de confessar ou rebater as falcatruas, disse aos investigadores: "A sério? Muito me contam..." Ele andava naquele mundo de alguma alta finança e muita baixeza sem reparar. Quer dizer, aquela notícia serve não só os tablóides ("Apanhado o homem da massa da campanha do Presidente!"), mas também os jornais sérios que podem entrevistar psicólogos sobre os transtornos de memória nos políticos reciclados.

E o gesto do Manuel Pinho, se vale pela imagem, continua um mistério: "Mas que raio quis ele dizer?" É bom para o jornalismo tipo folhetim, cada dia, uma interpretação. Eu, que sou francófono, tenho uma: o ministro da Economia nunca saiu do seu sector, que são os números (em francês, números diz-se chiffres). Já a frase de Manuel Vilarinho ("se não estivesse a falar para uma rádio...") permite o jornalismo que explica tudo: ele, de facto, falava para a RTP. E o desejo de Maria João Pires em querer deixar de ser portuguesa permite o mais patriótico dos editoriais: "No momento em que renuncia à nacionalidade, ela revela-se profundamente portuguesa: quer subsídios."

Como vos dizia, Portugal é o paraíso de todos os géneros jornalísticos. Crise, então, porquê?

In DN

Laughing Laughing Laughing Laughing Laughing

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Fantômas

avatar

Mensagens : 5780
Data de inscrição : 12/09/2008

MensagemAssunto: PM escuta PR?   Qua Ago 19, 2009 10:24 pm

.
PM escuta PR?

por Ferreira Fernandes
Hoje



Estará o Palácio de Belém vigiado? Espero que melhor que a varanda do Palácio do Município. Estará Cavaco Silva a ser escutado?

Se sim, lá ficam sem argumentos os que defendem o aumento dos poderes presidenciais porque ninguém ouve o Presidente. Estou a brincar com coisas sérias? Estou, mas nada se comparado com o silêncio do Presidente depois de um jornal sério ter dito que um homem do Presidente disse que o Presidente estava sob escuta. Um homem? No sentido de ser humano que não o de carácter: assessor da Presidência que insinua um crime contra um símbolo da Nação e não dá a cara não é homem nem é nada. Um jornal sério? Sim, apesar de, nessa notícia, ao falar-se de "João Lobo Antunes", se pôr uma foto de "Nuno Lobo Antunes" e, linhas antes, chamar-lhe "António Lobo Antunes." E isso é grave? É, porque também há o Pedro, o Miguel e o Manuel, que também são irmãos e gente. E chamar toda a família para aqui tem algum jeito? Tem, porque quero que se saiba que estou estupefacto. Estupefacto? Sim, e ponha aí também a palavra suspeita. Suspeita? Sim, para se irem habituando: durante dois meses é a palavra que mais vão ouvir.

In DN

Laughing Laughing Laughing Laughing
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Lá por gostar dos seus livros não tenho de jantar com eles   Qui Ago 20, 2009 4:35 pm

.
Lá por gostar dos seus livros não tenho de jantar com eles

por Leonídio Paulo Ferreira10 Agosto 20092 comentários



Um deles forçou a amante a abortar, outro esfaqueou a mulher, outro rejeitou o filho deficiente. Chamam-se V. S. Naipaul, Norman Mailer e Arthur Miller e são nomes grandes da literatura, mesmo que a sua vida mereça crítica negativa. Mas nem sempre é fácil distinguir entre o homem e a obra. Que o digam os noruegueses, que inauguraram um museu em honra de Knut Hamsun, o seu Nobel que aplaudiu a invasão do país pelos nazis. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou só não foi fuzilado porque era um velhinho de 85 anos. Acabou por ir parar a um hospício. De orgulho, transformou-se em vergonha nacional, mesmo que os seus livros continuassem a ser vendidos. O mais célebre, Fome, tem edição recente na Cavalo de Ferro.

Para celebrar os 150 anos de Hamsun, a Noruega construiu um museu em Hamaroey, com a princesa Mette-Marit a inaugurá-lo. E emitiu um selo. O protesto chegou numa carta do director da Fundação Wallemberg, baptizada em memória do diplomata sueco que salvou milhares de judeus do Holocausto. Baruch Tenembaum afirmou estar "espantado e preocupado" com a homenagem ao colaboracionista. Mais tarde acrescentou: "Hamsun foi um grande escritor, e então? O que é mais importante - a arte ou a integridade? É um pouco como se alguém dissesse que como Hitler foi um bom pintor, porque não homenageá-lo?". Mas, como ironizou o Independent, "excepto, claro, que Hitler não foi bom pintor, enquanto Hamsun é um gigante da literatura".

Hamsun tinha 80 anos quando os nazis ocuparam a Noruega. Pró-germânico desde a guerra de 14-18 , reuniu-se com Hitler e terá oferecido a medalha Nobel a Goebbels. Não foi caso único de fascínio pelo fascismo entre os intelectuais: Ezra Pound trocou Roosevelt por Mussolini e acabou acusado de traição. E o francês Céline, que se juntara ao marechal Pétain no refúgio alemão, foi condenado a um ano de prisão e à perda de metade dos bens.

Mas a integridade não é algo de exclusivamente político. Pode ser também pessoal. Miller, que recusou denunciar colegas comunistas na América dos anos 50 (ao contrário de Elian Kazan, realizador de Há Lodo no Cais), negou-se a aceitar Daniel, que nasceu com síndroma de Down. Só quando o filho se tornou adulto o autor de A Morte de Um Caixeiro Viajante começou a visitá-lo. Mailer, por seu lado, esfaqueou a segunda mulher, Adele, mas esta não apresentou queixa e o autor de Os Nus e os Mortos casou mais quatro vezes. E Naipaul, Nobel em 2001, já descrito como crápula pelo ex-amigo Paul Théroux numas memórias , surge horrível numa recente biografia autorizada (!) . Admitiu ter perdido o interesse sexual na primeira mulher, recorrer a prostitutas mesmo casado e ter pago três abortos a uma amante antes de a abandonar por estar velha.

Destes escritores, Naipaul é aquele que prefiro... ler. O seu A Curva no Rio é excelente. E com esta polémica fiquei com vontade de descobrir Hamsun. Porque gostar do livro de alguém não quer dizer que se tenha vontade de jantar com ele.

In DN

Laughing Laughing Laughing

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Fantômas

avatar

Mensagens : 5780
Data de inscrição : 12/09/2008

MensagemAssunto: Atraso nos CTT impediu operações às cataratas   Seg Ago 24, 2009 3:01 pm

.
Correio Azul chega atrasado
Distrito de Bragança




Atraso nos CTT impediu operações às cataratas

Direcção clínica do centro Hospitalar do Nordeste, em Bragança, diz que, pelo menos, 80 pessoas deixaram de realizar operações às cataratas nos primeiros meses do ano devido a atrasos na distribuição do correio.

O Gabinete de Comunicação e Imagem dos CTT garantiu à Lusa desconhecer a situação e não ter qualquer reclamação nesse sentido, mas o director clínico do Centro Hospitalar do Nordeste (CHNE), Sampaio da Veiga, afirma terem sido os próprios doentes a comunicarem aos serviços hospitalares que não receberam as cartas a tempo.

\\"Começámos a ficar preocupados quando verificámos que estavam a faltar alguns doentes que já tinham feito todos os exames de preparação. Tentámos saber os motivos e a resposta foi que não tinham recebido a carta a tempo\\", afirmou.

De acordo com o director clínico, \\"nos primeiros cinco meses do ano, faltaram 80 doentes\\".

Segundo explicou Sampaio da Veiga, estes doentes fazem primeiro vários exames de preparação e alguns dias ou semanas depois são chamados para a operação às cataratas.

O director clínico garantiu à Lusa que a comunicação da data é feita \\"em correio azul e com, pelo menos, oito dias de antecedência\\".

\\"Tendo em conta que o Correio Azul deve chegar no dia seguinte, seria mais do que suficiente\\", considerou.

As 80 faltas equivalem a meio mês de operações que deixaram de ser realizadas sem possibilidade de substituir os doentes por outros em lista de espera.

O CHNE decidiu não formalizar queixa ou reclamação junto dos CTT e, em vez disso, reforçar os mecanismos de aviso aos utentes.

Segundo o director clínico, \\"agora, para além de enviarmos as cartas, telefonamos também na véspera da cirurgia a confirmar\\", embora, como disse, a solução nem sempre seja fácil.

A maioria da população é idosa e nem sempre tem telefone em casa ou usa o telemóvel, o que obriga o centro hospitalar a recorrer algumas vezes ao telefone público ou de amigos ou familiares.

O Gabinete de Imagem dos CTT informou a Lusa de que \\"não tem em Bragança nenhuma reclamação, nem nada para entregar\\" relativamente à referida correspondência.

Garante também que nesta região, o Correio Azul \\"segue os padrões de qualidade do resto do país, com 95 por cento de entregas dentro do prazo\\".

A empresa de Correios refere ainda que \\"não há nenhuma maneira de saber quando as cartas foram enviadas ou recebidas\\", o que só é possível de esclarecer no caso de serem registadas e com aviso de recepção.

O director clínico do CHNE, Sampaio da Veiga, alerta para as implicações para doentes afectados, que perdem a vez e têm de aguardar mais algum tempo até ser marcada nova cirurgia.

O tempo de espera para uma cirurgia oftalmológica diminuiu de mais de um ano para menos de quatro meses no CHNE com a abertura, em 2008, do centro de cirurgia de ambulatório, na unidade hospitalar de Mirandela.

Segundo Sampaio da Veiga, o novo espaço, que serve todo o distrito, permitiu duplicar o número de cirurgias, realizando-se actualmente dez por dia, graças também à contratação de mais três especialistas.


JN, 2009-08-24

Twisted Evil Rolling Eyes
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Falta um jantar a Louçã   Qui Set 10, 2009 3:55 pm

.
Falta um jantar a Louçã

por Ferreira Fernandes

Hoje



Quando o MES acabou (por lá passaram Sampaio e Ferro Rodrigues, entre outros) deu um jantar para anunciar: acabámos. O jantar limpou a cabecinha dos militantes, ajudou-os a fazer o luto de uma luta política, revolucionária, passando para outra, democrática (burguesa, diriam antes). Fez-lhes bem o jogo limpo: ontem íamos por ali, agora, vamos por aqui. Muitos deles foram depois ministros e patrões (o que antes combatiam radicalmente). Os que continuaram agarrados às antigas ideias chamarem-lhes vira-casacas, mas não puderam acusá-los de mentir na sua evolução. Não se passou o mesmo com o Bloco de Esquerda. Essencialmente, este é formado pelos trotskistas do PSR e os maoístas da UDP, correntes revolucionárias. Ora nem o PSR nem a UDP fizeram a proclamação política do seu fim, só deixaram estiolar as siglas. Mas Francisco Louçã apresentou-se no debate com Sócrates assim: "Sou socialista, laico e republicano." Então, quando é que deixou cair o "revolucionário"? Não tenho dúvidas de que, no fundo, tenha deixado, e que talvez venha a ser ministro num governo a que chamaria burguês há poucos anos. Mas parece-me que lhe falta, a ele que dá tanta importância à ideologia, que o diga na teoria, antes de ser definitivamente comprovado, na prática, que mudou.

In DN

Laughing Laughing Laughing Laughing

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Aníbal, José e Manuela no país dos inimputáveis   Qui Set 24, 2009 9:57 pm

.
Aníbal, José e Manuela no país dos inimputáveis

por João Miguel Tavares
22 Setembro 2009



Por vezes quando escrevo estes textos dou por mim a pensar se me terei transformado num dos velhinhos dos Marretas, a zurzir contra tudo e contra todos a partir do camarote.

"Serei hoje uma pessoa tão amarga que não consegue ver a bondade, o carácter e a competência nem dos que nos governam, nem daqueles que nos querem governar?", pergunto eu aos meus botões. Mas depois há semanas como a que passou, em que fico mais confiante quanto à minha sanidade mental - e muito menos confiante quanto ao futuro do País. Não, não sou eu que estou maluco. As elites que nos governam é que, de facto, parecem ter definitivamente pirado de vez.

Temos um José que durante mais de dois anos foi acossado por notícias inteiramente legítimas, algumas das quais colocando em causa a sua honorabilidade enquanto governante, mas que entende que não tem nada que dar explicações porque são tudo campanhas negras com o único objectivo de o destruir politicamente. Temos uma Manuela que cola cartazes por todo o País onde resplandece a palavra "verdade", mas que enfia nas listas dos deputados gente suspeita de comprar votos, e que ao ler uma reportagem fundamentadíssima sobre o tema (com militantes do PSD a darem a cara e a explicarem a arquitectura mafiosa das pequenas eleições partidárias) entende que tudo não passa de boataria eleitoralista, com o único objectivo - adivinhem - de a destruir politicamente. E agora temos um Aníbal que por intermédio do seu braço direito se entretém a sugerir a um jornal, a partir de um café na Avenida de Roma, que o seu palácio está a ser alvo de escutas - um palpite bizarro acompanhado de zero provas -, e que depois de ser apanhado com a boca na botija (ou melhor, no e-mail) aplica a sua técnica habitual: dizer que não tem nada a dizer sobre o assunto e depois dizer o suficiente para que se possa especular sobre ele durante várias semanas.

O Aníbal, o José e a Manuela são, em Setembro de 2009, os três políticos mais importantes de Portugal. Não são presidentes da junta. Não são os autarcas lá da terra habituados a fazer uns jeitinhos. Não são jovens arrivistas à procura de um lugar ao Sol. Vale a pena repetir: o Aníbal, o José e a Manuela são os três políticos mais importantes de Portugal. Ora, neste momento eles já nem sequer se limitam a estar envolvidos em actos de moralidade questionável. Eles não só estão envolvidos nesses actos como entendem que só têm de os justificar quando bem lhes apetecer e no timing que mais lhes convier. Isto já não é só inadmissível. Isto é o grau zero do descaramento e da inimputabilidade. Nem uma camioneta cheia de velhos dos Marretas teria escárnio suficiente para maldizer esta vergonha.

In DH

Rolling Eyes

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Meter-se com lobos para se queixar   Sab Out 24, 2009 4:40 pm

.
Meter-se com lobos para se queixar

por Ferreira Fernandes
Hoje



Foi, ontem, o artigo mais lido no site do El País. O título dizia tudo: "Jornalista, deixa de tremer, que se quiséssemos matar-te já estarias morto." O jornalista do El País foi visitar o Morro dos Macacos, favela do Rio mundialmente célebre desde que se apurou para os Jogos Olímpicos na modalidade de tiro a helicóptero policial. O título dizia tudo. O problema é que a reportagem não dizia mais do que isso. Na terça-feira passada, depois dos confrontos que fizeram dezenas de mortos, incluindo os polícias de um helicóptero abatido, o jornalista apareceu na entrada da favela. Apesar dos conselhos da polícia, ele entrou morro acima. Sozinho. Pouco depois, foi cercado por um bando armado: "A minha primeira reacção foi baixar a cabeça, levar as mãos à nuca e pôr-me de joelhos", escreveu o jornalista. O seu medo, natural, levou à frase dita por um bandido e que vem no título. Felizmente, os bandidos mandaram-no embora. E a reportagem resumiu-se ao medo do jornalista. Era previsível encontrar bandidos loucos e descrever o medo, também previsível, não podia ser justificação para meter-se pela favela dentro. Indo, só deu um ambiente exótico ao que teve para contar, o seu medo. Gosto de jornalistas que entrem nas histórias que contam, não gosto é que as ocupem.

In DN

Laughing

_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Romy

avatar

Mensagens : 5711
Data de inscrição : 23/08/2008

MensagemAssunto: Eu abaixo assinada, deploro   Sex Nov 20, 2009 8:43 pm

.
Eu abaixo assinada, deploro

por Fernanda Câncio
Hoje



Qualquer profissional sabe os riscos que corre quando critica os membros da mesma profissão. Há sempre um conflito de interesses entre a sua consciência - ou seja, aquilo que acha que é verdade e que deve ser dito - e o interesse de não arranjar problemas com "a corporação". Quando em Abril de 2009, num painel de debate da TVI24, disse que considerava não haver jornalismo de investigação no caso Freeport, mas notícias plantadas sob a forma de "informações" alegadamente (sublinhe-se o alegadamente) extraídas de um processo em segredo de justiça, estava bem consciente desse conflito de interesses e do risco que as minhas declarações implicavam, apesar de outros opinadores - caso de Ferreira Fernandes, neste jornal, utilizando a feliz expressão "milho aos pombos" e sublinhando serem os pombos "animais estúpidos" - terem dito o mesmo antes e depois.

Na SIC, no Expresso e no Correio da Manhã, as minhas opiniões tiveram direito a peças noticiosas. O destaque das três, porém, não foi a existência de jornalistas que criticam o jornalismo que se faz; foi a minha identificação como "namorada de José Sócrates". Considerando intolerável quer a devassa da minha vida íntima quer a redução da minha pessoa a sucursal de outra, apresentei queixa dos autores das peças ao Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas e à instituição que legalmente tem a função de fiscalizar a deontologia da profissão, a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas.

O CD (cujo parecer é de Julho de 2009 e, curiosamente, não foi noticiado) considerou "tecnicamente incorrecta e deontologicamente reprovável o enfoque e identificação da jornalista como sendo "namorada de" nos títulos e destaques das notícias, em análise, elaboradas pela SIC, pelo Correio da Manhã e pelo Expresso", relembrando que "a devassa da vida privada dos cidadãos por alguns meios de comunicação não é, por si, susceptível de transformar acontecimentos privados em públicos, nem a sua divulgação e conhecimento legitima que eles possam ser retomados por outros media". A Secção Disciplinar da CCPJ, porém, arquivou as queixas. Recorri para o plenário; o recurso foi indeferido. E porquê? Diz a CCPJ que era "de interesse público", identificar a relação, "que era pública" (a CCPJ não vê nisto contradição) por causa do "conflito de interesses" - a saber, o de ter "defendido publicamente" a pessoa de quem, segundo a CCPJ, sou "publicamente" namorada.

E que faz este órgão máximo e autorizado da deontologia jornalística para declarar "pública" uma relação cujos alegados membros nunca tornaram pública - ou seja, nunca declararam publicamente existir? Não se atrapalha: refere fotografias de paparazzi efectuadas à porta da minha casa como eventual "liberdade de informar", juntando-as aos autos (sim, juntando-as aos autos) e diz que a relação é "assumida" numa biografia de José Sócrates, inferindo ser o próprio biografado a assumir nela a tal da relação - o que é falso, mas a ser verdade não podia ter qualquer relevância na apreciação da queixa de outra pessoa e nas questões deontológicas a dirimir (até porque nenhuma das peças cita fontes no que ao alegado namoro respeita). Concluindo: aquilo que a CCPJ cita como provas da "publicidade da relação" ou é nulo ou é falso. O rigor continua na definição do "conflito de interesses". A CCPJ situa-o na "defesa do primeiro-ministro", sem mais. Esquece-se de explicitar por que carga de água dizer que não houve jornalismo de investigação no caso Freeport é "defender o primeiro-ministro". Acha a CCPJ que todos os opinadores que disseram o mesmo são namorados do primeiro-ministro? Ou só quem a CCPJ acha que não tem namoro com o PM pode criticar o jornalismo em Portugal? E, mais bizarro ainda: por que raio haveria conflito de interesse no facto de uma jornalista opinar sobre jornalismo, sejam quem forem as suas relações pessoais?

Colher esta visão de uma relação, real ou percepcionada, meramente pessoal (o que é diferente de uma relação hierárquica, económica, etc.) como ferrete de suspeição permanente não é só uma intromissão intolerável na esfera privada e uma menorização obscena da pessoa atingida, da sua capacidade de julgamento e da sua liberdade. É um absurdo que, arvorado em princípio, prescreveria - como aliás faz (sem, aparentemente, se dar conta de incorrer na atitude que no mesmo parecer considerara ilegítima, isto é, a de "retomar" a devassa efectuada por outros) o parecer citado do Conselho Deontológico do Sindicato - a publicação de "declarações de interesses", em actualização permanente, de quem opina (e de todos os jornalistas, por maioria de razão) ao lado das colunas e das notícias, em rodapé nas TV, com listagens de amigos, familiares e amantes (sobretudo, claro, os clandestinos), presentes, passados e futuros, para não falar de quem lhes paga almoços, de quem lhes oferece presentes e, já agora, quando forem jornalistas, de quem lhes passa as notícias. A não ser, claro, que toda esta preocupação só diga respeito à minha pessoa e a CCPJ e o CD queiram, em concorrência com a chamada imprensa "do coração", conhecer, a par e passo, as vicissitudes da minha vida amorosa, mascarando esse voyeurismo com preocupações deontológicas. O que não é só sonso, deplorável, antiético e persecutório: é uma espécie de ilustração perfeita do infeliz estado a que chegou o jornalismo português.

In DN

Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Fantômas

avatar

Mensagens : 5780
Data de inscrição : 12/09/2008

MensagemAssunto: João Miguel Tavares, o amedrontado   Qua Dez 23, 2009 1:59 pm

.
João Miguel Tavares, o amedrontado

por Pedro Marques Lopes
Hoje



O João Miguel Tavares acha, e se ele acha está o assunto arrumado.

O João Miguel Tavares não gostou da minha crónica de dia 13 de Dezembro neste jornal e ontem decidiu dedicar-me uma das suas. Entre considerações sobre o meu estilo resolve enfiar, nas palavras dele, um barrete sobre algo que escrevi nesse artigo. É lá com ele. Como ele muito bem diz, é preferível enfiarmos os nossos próprios barretes.

O João Miguel Tavares acusa-me duma estratégia que ele chama de enguia e que, pelos vistos, não aprecia. Podia correr-me pior. Imagine-se que o impoluto denunciador da sociedade do respeitinho decidia escrever, no exercício da sua inalienável liberdade de expressão, que eu não tinha pago a sisa da minha casa? Ou que eu roubava em supermercados? Podia fazê-lo, não podia?

O JMT acha, e se ele acha está o assunto arrumado. Ele acha que pode achar tudo o que lhe vem à cabeça e torná-lo público.

Espero nunca ver a reacção dele quando alguém achar que ele tem cara de corrupto ou coisa pior, sem que para tal tenha a mínima justificação. Não lho desejo a ele nem a ninguém.

Num esforço de glosa absolutamente notável, o JMT chega à conclusão de que o meu artigo é, no fundo, uma defesa de José Sócrates contra os colunistas que o têm atacado. Confesso, neste ponto, esperava mais do JMT. Esta estratégia de tudo resumir a uma imaginária defesa dum político é muito rasteirinha, apesar de popular.

Segundo esta doutrina, não interessa se acho José Sócrates um mau primeiro-ministro, não interessa se acho o Governo mau ou se ataco constantemente as opções governativas. Isso não interessa nada. Se eu não disser que José Sócrates é um bandido ou pior sou um Sócratista.

O JMT prefere fazer análises de carácter, fundadas ou infundadas, e desconfio que não vai ficar por aqui. Muitos outros primeiros-ministros, ministros, presidentes e outros que tais se seguirão. Tudo gente de quem valha a pena dizer mal, bem entendido. Tem outra vez razão, o João: as pessoas não mudam a sua natureza.

Como de costume, JMT proporciona-nos momentos de grande humor - é uma das razões por que sou leitor assíduo. A culpa do País viver na mediocridade política e moral (gosto mesmo muito, muito, de gente que enche constantemente a boca de moral) é, em boa parte, existirem uns tipos que acham que se devem fundamentar as acusações que se fazem. Excelente. Eu cá era capaz de dar outras razões, mas ele não está, com certeza, interessado em ouvi-las.

O JMT acha que vive numa sociedade amedrontada e dá três exemplos, que são prova cabal da nossa asfixia. Podiam ser um bocadinho melhores, sobretudo no que diz respeito à parede entre Governo e magistratura. Fosse eu dado a conselhos e recomendava-lhe a leitura da Constituição para que percebesse melhor as relações entre esses dois órgãos de soberania. Mas, às tantas, a sociedade está tão amedrontada que até a Constituição é letra morta.

Devemos, de facto, viver em sociedades diferentes. Eu vivo numa em que os que mais acesso têm aos media se queixam de ver a sua liberdade cerceada enquanto dizem o que muito bem querem (graças aos deuses). Aliás, é patente o medo em que o JMT vive.

Na minha sociedade há quem pense que caluniar, injuriar ou insultar é um direito sem limites. Ou seja, acha-se que se pode fazê-lo sem "arranjar chatices" - nas palavras do João Miguel Tavares.

Na sociedade onde vivo, um colunista cheio de moral pode, baseado em meia dúzia de boatos e conversas de café, aferir do carácter de um qualquer cidadão.

Pode até ignorar factos e continuar a proclamar mentiras aos sete ventos apelidando-as de opinião...

In DN

Laughing Laughing
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Admin
Admin
avatar

Mensagens : 6697
Data de inscrição : 22/08/2008

MensagemAssunto: Psiquiatra que violou grávida já em julgamento   Dom Abr 18, 2010 10:06 am

.
Psiquiatra que violou grávida já em julgamento

por ALFREDO TEIXEIRA
Hoje


O psiquiatra conta com testemunhas conhecidas, como Júlio Machado Vaz.

O médico psiquiatra que em Novembro do ano passado foi detido por suspeitas de ter violado uma sua paciente, grávida de oito meses, vai começar a ser julgado esta terça-feira, nas varas criminais do Tribunal de S. João Novo, no Porto. O caso chocou a opinião pública quando o arguido, que também exercia a profissão no Instituto da Droga e Toxicodependência, foi detido pela Polícia Judiciária, no seu consultório na Foz. Por se tratar de uma violação, o julgamento decorrerá à porta fechada e será conduzido pelo colectivo de juízes da 1ª Vara, presidido por Manuela Paupério, a mesma juíza que condenou o "gangue da Ribeira", no processo "Noite Branca". São muitas as testemunhas que vão depor por videoconferência, nomeadamente médicos a quem a vítima, de 30 anos, residente em Trás-os- -Montes, recorreu antes e após os factos da acusação.

O arguido, João Vasconcelos Vilas Boas, de 48 anos, chamou também em sua defesa um conjunto de testemunhas, entre as quais o sexólogo Júlio Machado Vaz. A defender o psiquiatra estará o advogado Artur Marques, envolvido em outros casos mediáticos como os processos "Apito Dourado", "saco azul" (em que a sua cliente era a ex-autarca Fátima Felgueiras) e mais recentemente o "Face Oculta". Tudo indica que o psiquiatra irá confessar os factos, alegando ter agido num quadro de grande perturbação. Os vestígios de sémen encontrados na vítima durante os exames médico-legais não deixaram dúvidas às autoridades.

Os factos terão ocorrido em Maio de 2009 na clínica do médico, na Rua de Gondarém, na Foz. A mulher, grávida de 34 semanas, sofria de depressão e recorria a João Vasconcelos Vilas Boas, deslocando-se de Bragança para as consultas. Os abusos começaram quando o arguido começou a "massajar-lhe os seios e, exibindo-lhe o pénis erecto, disse-lhe para lho acariciar". De acordo com a acusação, o médico agarrou-a pelos cabelos e, "puxando-lhe a cabeça, tentou introduzir-lhe o pénis na boca". A mulher grávida ainda tentou fugir mas o arguido alcançou--a de novo, puxou-lhe as calças e conseguiu violá-la.

Em primeiro interrogatório, o juiz decretou a suspensão de toda a actividade profissional privada e pública do médico. A Inspecção- -Geral das Actividades em Saúde instaurou também um processo disciplinar ao psiquiatra, depois de uma inspecção ter detectado que o arguido continuava a dar consultas num Centro de Respostas do IDT (organismo público).

In DN


_________________
Os amigos? Perto! Os inimigos?Colados!!!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://colmeia.forumeiros.com
Conteúdo patrocinado




MensagemAssunto: Re: Coisas do arco da velha   

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
Coisas do arco da velha
Voltar ao Topo 
Página 2 de 5Ir à página : Anterior  1, 2, 3, 4, 5  Seguinte
 Tópicos similares
-
» VW New Beetle - O Presente Parte 3....
» Mega Promoção na loja Aminiatura!
» apresentação
» Olá
» Viva!

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Colmeia :: Cultura :: Diversos-
Ir para: