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 Coisas do arco da velha

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Romy

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MensagemAssunto: Coisas do arco da velha   Qui Set 04, 2008 2:11 pm

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DE FUTEBOL ELE SABE DIZER: COMPRO!

Ferreira Fernandes

No princípio do mês, o xeque Suleiman Al-Fahim comprou um clube inglês, o Manchester.

Está bem, foi só Manchester City, que está para o Manchester United como o Futebol Benfica, digno clube, mas de bairro, está para o glorioso SLB. O xeque desatou a passar cheques. Comprou Robinho ao Real Madrid por tantos milhões que desviou a rota do rapaz para o Chelsea. Depois, o xeque anunciou a sua lista de encomendas: Messi, Torres... Um depenicar enfastiado de quem escolhe, não compra por atacado. Quis Van Nistelrooy e não fez preço, mandou um cheque em branco. Com tanta promessa de compra, o Manchester City já podia considerar-se o maior do mundo. Só faltava ser o maior da cidade. Por isso ele quer comprar Cristiano Ronaldo. Se bem se lembram, o Real Madrid quis comprar o português pela maior soma jamais dada por um futebolista. Pois o xeque disse: "Dou o dobro." Sempre gostei do frenesim do futebol, mas para uma agitação destas qualquer sessão de Bolsa faz melhor.

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MensagemAssunto: Re: Coisas do arco da velha   Dom Set 07, 2008 4:59 pm

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OS PORTUGUESES E AS ELEIÇÕES AMERICANAS



João Miranda
investigador em biotecnologia
jmirandadn@gmail.com

As eleições americanas despertam na opinião pública portuguesa um interesse que, por vezes, ultrapassa o interesse pela política interna.

Os portugueses não se limitam a seguir e a analisar as eleições americanas. Tomam partido. São militantes. Tentam convencer e ganhar votos. Difamam os candidatos adversários. Repetem a propaganda dos partidos americanos. Temos casos que oscilam entre o paroquial e o cómico, como o caso do jornal A Capital, que em 2004 declarou o seu apoio a John Kerry (sem grande impacto no resultado final), ou o caso do especialista em assuntos americanos de um canal de televisão que, em vez de fazer reportagens, faz tempos de antena de Barack Obama.

O argumento de que o presidente dos Estados Unidos tem uma grande influência em todo o mundo não chega para justificar este interesse. Os portugueses não vão conseguir influenciar o mundo através do presidente dos Estados Unidos. A opinião e o voto dos portugueses não conta. Quanto muito os portugueses poderiam influenciar o que se passa no mundo influenciando a política externa do seu próprio país. Só que os portugueses não se interessam pela política externa do estado português. O interesse pelas eleições americanas, ao criar uma sensação ilusória de poder e influência, funciona como um substituto para a falta de influência de Portugal e da Europa no mundo.

Barack Obama é o candidato preferido dos portugueses. A popularidade de Obama em Portugal é um reflexo das diferenças políticas entre Portugal e os Estados Unidos. As preferências dos portugueses são condicionadas pelo facto de estarem, em termos políticos, à esquerda dos americanos e pela forma como a informação sobre os Estados Unidos cá chega. A informação é filtrada pelos jornalistas americanos, que estão à esquerda da sociedade americana, e pelos jornalistas portugueses, que estão à esquerda dos seus colegas americanos. O resultado destes filtros é uma visão alienada e paroquial da política americana.

A barreira informativa entre os Estados Unidos e Portugal tende a criar uma série de equívocos. Alguns intelectuais portugueses, sobretudo os que estão mais à esquerda, projectam os seus valores e os seus interesses no eleitorado americano e esperam que este se comporte de acordo com esses valores e interesses. Quando o eleitorado americano não se comporta como o esperado, os intelectuais de esquerda concluem, como concluíram quando George Bush foi eleito e reeleito, que os americanos são estúpidos. Estes intelectuais cometem um erro básico: tentam analisar as eleições americanas sem se darem ao trabalho de compreender o contexto político e cultural em que elas ocorrem. Em vez de produzirem análises objectivas e imparciais, limitam-se a expressar os seus desejos.

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MensagemAssunto: Insólito   Sex Set 19, 2008 12:52 pm

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Vale Prados, Milhão
Bragança


Octogenário não existe enquanto cidadão

Um idoso de 81 anos residente em Vale de Prados, Bragança, viveu toda a vida sem Bilhete de Identidade. Casou, foi pai, avô e bisavô, vota porque tem cartão de eleitor, mas não recebe reforma porque não consta dos ficheiros.

Benjamim Manuel Fidalgo tem a certeza que nasceu no Brasil há mais de 80 anos. O pai trouxe-o com um mês de vida para Vale de Prados, um lugarejo junto a Milhão, em Bragança, onde sempre viveu. O seu registo de nascimento nunca terá sido efectuado em Portugal e o idoso não sabe, sequer, se o foi no Brasil. Não é um cidadão, porque oficialmente nunca nasceu, \"mas sou baptizado\", garante o idoso.

A falta de Bilhete de Identidade (BI), um cartão que permite aos cidadãos fazer prova dessa titularidade, sempre lhe fez falta, mas antigamente conseguia contornar melhor essa lacuna, tanto que foi chamado à inspecção para o Serviço Militar Obrigatório.

O grande problema é que sem BI não pode pedir a reforma. Apesar das várias tentativas para conseguir o documento ao longo dos anos na Conservatória do Registo Civil de Bragança. \"Tantas, tantas como de terra há neste chão\", esclarece o idoso, passaram tantos anos que até já lhes perdeu a conta. \"Já me fartei de ir a Bragança, gastei bô dinheiro, nunca adiantei nada\", lamentou.

Agora que já não tem forças para trabalhar tudo é mais difícil sem a reforma, que não pode sequer requerer. Não fora a pensão da mulher e o apoio que a Segurança Social dá a um filho deficiente passaria fome \"na certa\". Os rendimentos são escassos para um agregado de quatro pessoas. Com ele vive mais um filho adulto, mas não tem trabalho. A casa onde residem foi-lhes dada pela Segurança Social, porque o casebre onde viviam não tinha as condições mínimas para um deficiente. Benjamim Fidalgo tem um Cartão da antiga Caixa de Previdência, para onde diz ter feito descontos, mas o seu nome não consta dos ficheiros da Segurança Social, como confirmou Catarina Domingues, daqueles serviços. Antigamente era possível ter cartão da caixa sem possuir o Bilhete de Identidade porque existiam \"os contribuintes não identificados, com a informatização ficaram de fora sistema \".

Glória Lopes in JN, 2008-09-18
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MensagemAssunto: PS, os costumes e o voto   Sab Set 20, 2008 11:27 pm

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O PS, OS COSTUMES E O VOTO



João Marcelino
Director

1. Diz o líder da bancada parlamentar do PS, Alberto Martins, que o partido não está ainda em condições de votar o projecto do Bloco de Esquerda e de Os Verdes sobre o casamento homossexual. E não está porque essa questão não fez parte do contrato eleitoral proposto aos portugueses nas últimas eleições.

Este argumento consubstancia um caso de rematada hipocrisia.

Do contrato eleitoral do PS com os portugueses, que mereceu maioria absoluta, também fazia parte o compromisso da não subida de impostos, entre outras cláusulas, e todos sabemos o que aconteceu.

A verdade é bem mais prosaica, e é esta: a um ano das eleições, o PS não quer polémicas à volta dos costumes.

Este é o tempo de tentar atrair uma parte do "outro" eleitorado do centro (leia-se do PSD) e, nesse sentido, aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo traria desgaste. Não interessa assumi-lo agora, mesmo que até seja simpático à maioria dos deputados do partido, como o demonstra a revolta, liderada por Paulo Pedroso, contra a eventual disciplina de voto.

Um dia, o PS há-de apadrinhar um projecto semelhante, de preferência sem ser a reboque desta esquerda fracturante cujo crescimento, também baseado na "modernização" de alguns costumes, tanto incomoda neste momento os objectivos eleitorais do PS.

2. Depois de tudo o que se sabe, e se calhar de outro tanto que não se sabe, é duvidoso que Manuela Ferreira Leite (MFL) pudesse assumir o nome de Pedro Santana Lopes como candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

A notícia de que o ex-primeiro-ministro está envolvido num processo de eventual abuso de poder com certeza que resolve este dilema e abre as portas a uma decisão solitária de Fernando Seara. Agora só depende dele trocar o quase certo (de Sintra) pelo incerto (de Lisboa, onde há uma clara maioria de esquerda).

E Seara quererá?

A mediática visita do autarca de Sintra à última Festa do Avante!, toda cheia de sorrisos e palavras de apreço para a organização político-cultural do PCP, leva-me a crer que sim. Seara quer, sobretudo se as sondagens lhe mostrarem uma janela de oportunidade. Neste momento, MFL não pode aspirar a conseguir um candidato mais forte do que ele para enfrentar António Costa.

Pois... tinha Santana, se quisesse engolir um sapo. Mas, desde agora, para alívio de Pacheco Pereira e de todos os outros elementos que suaram para a levar a assumir o PSD, já não tem essa necessidade. Ora aí está uma notícia oportuna! Só se tornará numa notícia francamente má se Seara não quiser avançar. Aí, MFL vai perceber o que sofreu Marques Mendes nas últimas autárquicas quando teve de se desenrascar com Fernando Negrão...

Francisco Pinto Balsemão não concorda com a forma como se financia o serviço público de televisão e entende que os canais estatais deveriam, em toda a Europa, concentrar-se na transmissão de programas de alta qualidade. Só tenho uma dúvida: isso significaria que os privados, em consequência, poderiam dedicar-se de forma ainda mais frequente e brutal a executar cidadãos pobres de espírito, à frente das respectivas famílias, em programas como o Momento da Verdade?

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MensagemAssunto: De volta   Qua Out 08, 2008 4:22 pm

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AÍ ESTÁ ELE, DE NOVO!

Baptista-Bastos
Escritor e jornalista - b.bastos@netcabo.pt

Por mais que me custe interromper o alarido assanhado e obstrutivo por aí disperso, continuo a dizer da pátria, dos costumes e da fancaria.

Falava dos ziguezagues da política, sob o modesto pretexto de criticar as suas tentações para a irresponsabilidade. Ia no ponto e vírgula. Eis que surge a campanha pró-município. Não é fatalidade: é farsa. Se a esquerda parece uma daquelas escorrências do Miguel Sousa Tavares, a que ele chama artigos, a direita representa-se como hilariante comédia de Gervásio Lobato. Vivemos numa atmosfera de absurdo e dissimulação. Manuela Ferreira Leite concedeu, austera e firme, o nihil obstat à ressurreição de Santana Lopes. Nada a dizer: é lá com eles. Especialmente com Pacheco Pereira, mentor político e ideológico da presidente do PSD, e crudelíssimo crítico de Santana, pelo qual nunca disfarçou o maior dos desprezos. O Pacheco deve estar espavorido. Ou perdeu crédito, ou foi exautorado ou, simplesmente, ignorado e colocado ante um facto concluído. Na assombrosa epopeia da nossa história cómico--política, Santana Lopes sempre passou de nome funerário à refulgente virtude de condestável. Pessoalmente, estou deveras preocupado com o Pacheco e seu destino. Não é que ele seja só testa. Notoriamente, possui mais do o que caracterizava o seu homónimo da Correspondência de Fradique Mendes; mas não deixa de ser um produto de Portugal: sujeito, portanto, às oscilações do meio e à natureza que o impulsiona para astuciosos avanços - ou o remove para tormentosos recuos. O Pacheco, nesta cruzada de purificação que empreendeu, já há anos, Santiago o proteja!, perdeu estrondosamente. E Santana é, novamente, o estrénuo vencedor. Atrás dele, uma corte solene, leal e inabalável, detestada pelo Pacheco. Santana tem amigos e muitas amigas. O Pacheco nem, sequer, instantes de amizade. Caso a dr.ª Manuela Ferreira Leite houvesse em atenção os seus avisos, as coisas seriam como são? Infere-se que abstraiu o conselheiro e decidiu por si própria ou após outro aconselhamento. Mas esta solução contraria o austero espírito da senhora que, propriamente, não traz a foto de Santana próximo do coração. Santana cultiva a frivolidade, aprecia a noite, é um courreur à femmes. A dr.ª Manuela é pessoa de recolhimento, dada ao agasalho do silêncio, contrária à agitação, à festa. Que determinou a alteração da senhora, ao designar Santana como candidato ao município de Lisboa? A dr.ª Manuela cedeu às instigações da "visibilidade" e ilustrou a tese de que a política desconhece a ética e a função próprias. Como muito jornalismo circundante. Haja Deus e haja Freud! No momento. Os amigos presentes. Sempre. No meio do alarido, dezenas de mails, telefonemas, cartas e sinais de respeito e afecto.

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MensagemAssunto: Seis milhões de euros na sucata   Qui Out 09, 2008 4:01 pm

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Seis milhões de euros despejados na sucata



KÁTIA CATULO
ORLANDO ALMEIDA

Lisboa. Passagem superior pedonal de Alcântara desmontada

Custou seis milhões de euros e serviu durante quase duas décadas para ligar as estações de comboios de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar, em Lisboa, mas está agora transformada num monte de sucata depositado nas instalações da REFER - Rede Ferroviária Nacional - na Avenida de Ceuta. "A estrutura foi especificamente concebida para aquele projecto e não pode ser reutilizada noutro espaço", explicou fonte da empresa.

A passagem superior pedonal de Alcântara foi desmontada em finais de Setembro e agora os utentes terão de esperar mais quatro anos por uma alternativa. O projecto "Nova Alcântara", anunciado em Março pelo Governo de José Sócrates prevê, entre outras obras, que até 2012 esteja concluído o enterramento da Linha de Cintura e a construção de uma única estação - Alcântara Rio - com acesso subterrâneo.

Mas José Godinho, presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, gostaria que o plano fosse mais ambicioso e contemplasse também o soterramento da linha de Cascais até à zona da Avenida Infante Santo. "Seria a melhor solução para libertar aquela área dos comboios."

O que já não tem solução, esclarece José Godinho, é a travessia pedonal que, ao longo de 17 anos, assegurou a ligação entre as duas estações de comboios: "A estrutura foi inaugurada em Setembro de 1991 e custou na altura 1,2 milhões de contos [seis milhões de euros] pagos pelo Estado. Desde o início defendi que esta seria uma obra inútil."

Os elevados custos de vigilância e de manutenção foram as principais razões para o autarca prever o fracasso do projecto: "Após a inauguração da obra, a REFER contava gastar 41 mil contos [205 mil euros] por mês para manter e vigiar o espaço, mas ao final de três anos desistiu--se de assegurar o policiamento permanente." A estrutura deixou de ser utilizada e acabou por degradar-se.|

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MensagemAssunto: Nada mais cínico que a ingenuidade   Sex Out 10, 2008 4:53 pm

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NADA MAIS CÍNICO QUE A INGENUIDADE



Ferreira Fernandes

Uma empresa vai construir um parque infantil no Jardim da Estrela.A Câmara de Lisboa dará contrapartidas: placas que publicitam a empresa e a possibilidade de esta utilizar o parque (em condições que estão legisladas).

O vereador Sá Fernandes, que tem o pelouro dos jardins, garante que o espaço nunca será fechado ao público. Já o presidente da Junta de Freguesia da Lapa afastou a hipótese: mecenato, está bem; contrapartidas, não. Há dias, num debate americano, quando Joe Biden falou de aumentar impostos, a sua adversária Sarah Palin deu uma resposta extraordinária: "Na classe média da América, que é onde Todd [o marido de Sarah] e eu temos vivido toda a vida, isso não patriótico." Um colunista do New York Times pegou na frase e perguntou: "Governadora Palin, se pagar impostos não é considerado patriótico no seu bairro, quem é que paga o colete à prova de bala que protegerá o seu filho quando ele for para o Iraque?" Coletes para soldados e parques infantis, tal como almoços, não os há grátis. Acho eu, e só deixarei de achar quando vir um presidente da junta a capinar jardins fora do período eleitoral (dentro já não é grátis).|

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MensagemAssunto: Bom dia Paraíso   Dom Out 12, 2008 5:35 pm

BOM DIA, PARAÍSO!

Nuno Brederode Santos
Jurista - [google]brederode@clix.pt [/google]

Não é de hoje nem de ontem que os sexagenários se refugiam, no seu soturno convívio, na cansada graçola de que, daí para a frente, o seu destino é perderem a identidade, em caso de atropelamento.

Tenhamos sido o mais desenvolto e transpirado na estiva dos trabalhadores do porto de Lisboa, ou o melhor professor de Filosofia dos liceus deste país, os jornais dirão "sexagenário mortalmente atropelado na Avenida da Índia". Mas o que eles calam - entre várias outras coisas que fazem muitíssimo bem em calar - é que a idade lhes rouba também o nocturno e o onírico. Esse mundo que, mesmo fugido ao território da vontade, nos alça em deuses fazedores, criadores do que ninguém controla ou condiciona. De tal modo que tem de ser a imaginação vigil a preencher esse vazio. Não vou por isso dizer que sonhei, mas, mais humilde e honestamente imaginei, o que se segue - reivindicando contudo o mesmíssimo estatuto de inimputabilidade do sonho, o que nem sequer Freud questionou.

Aconteceu então que acordei com aquela antiquíssima vontade de tomar café. Lavei-me (mas não muito, porque a água deixou de correr na pendência do sacramento), vesti-me (mas não muito, porque do último fato já só me restavam as calças) e desci ao jardim público. Bebi no quiosque meio café aguado por quinze cêntimos e fui sentar-me no meu banco habitual, munido de um cartuchinho de papel pardo com os salvados do milho que compro ao mês. Sentei-me e, enquanto os pombos afluíam de todos os lados, pus-me a pensar, prazenteiro, na extraordinária fortuna que a Fortuna reservou à minha geração. Talvez não tenhamos sido melhores do que as outras. Mas, que raio!, investimos nas incertezas (sem qualquer pulsão de jogadores de casino); suámos brio e privámo-nos de muitos dos deleites sem alma que o quotidiano oferecia ao preço da uva mijona; e alguns - tantas vezes os melhores de entre nós - deram o sangue. Tudo isto porque - fôssemos da esquerda católica, ou da laica, ou comunistas, ou libertários - tínhamos o crânio povoado pelos fantasmas difusos, mas estimáveis, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, do fim da exploração do homem pelo homem, das mãos dadas sem olhar a quem, do amor como irmão gémeo da razão - enfim, da vida como festa a ser fruída.

Estava eu nisto quando, da minha esquerda, oiço uma voz: "Como está? Já não se lembra de mim? Sou o Varela, o sem-abrigo que, na Rua 4 de Infantaria, dormia e tomava conta, durante a noite, do Citroën Dyane do seu amigo Luís…" "Ó sr. Varela, está bom?", tropecei eu, que o não reconhecera. Já o Varela, que trazia um pacotinho igual ao meu, deitava alpista aos pombos, quando me tocaram o braço direito. Era um senhor andrajoso e afável, sobraçando outro magro pacote de milho, a perguntar se podia sentar-se do outro lado do banco. Que sim, claro, entaramelei eu - e ele sentou-se. E atirou-me: "Posso-me apresentar? Eu sou o Américo. Tive mais cortiça que ninguém e na companhia dos petróleos nada se fazia sem o meu consentimento. Mas isso foram outros tempos…" "Ah", disse eu, no esbugalho de olhos que as pálpebras ainda aguentam, "muito gosto"…

E então conversámos os três, distribuindo, com a parcimónia dos tempos, o milho pelos pombos, que já nos trepavam pelas calças. Falámos da vida, do destino e da cidade, de vista cansada e hemorróidas, de flores, pinguins ameaçados e economias emergentes. Depois, por sugestão do Varela, cada qual torceu o papo ao seu pombo e lá fomos - naquela ternura inconfessada e a fingir frieza com que o Claude Rains tomou o braço do Humphrey Bogart, a fechar o Casablanca - até ao meu quintal, para uma cabidela alternativa de que só o Américo sabia a receita.

Foi bom, foi solto, distendido, irresponsável. Os amanhãs não cantaram, mas os ontens não pesaram. No fim, talvez o Américo tenha contido uma lágrima pelo charuto perdido, o Varela pelo charro e eu pelo cigarro, mas não mais do que isso.

E eu dei comigo a pensar, mas sem gozo nem rancor: como é possível que o empenho generoso de tantos tenha falhado, tão dolorosamente e durante tanto tempo, para agora, em menos de duas décadas, a pura inépcia de um bando mundial de yuppies, que restauraram o blazer (mas também a peúga branca) e cuja cabecinha jamais foi visitada por um qualquer conhecimento que a aritmética não possa exprimir, vir entregar-nos, de bandeja, a liberdade, a igualdade, a fraternidade, o fim da exploração, as mãos dadas sem olhar a quem… etc. A propriedade, não a tendo Proudhon abolido, exauriu-se e, com isso, a igualdade e a fraternidade instalaram-se, de seu natural. A liberdade acabou feita: talvez pelo desinteresse, mas aí está. Exploração, não tem como nem para quê. E eis que a vida virou festa a ser fruída. (Ainda que um tanto à custa dos pombos.) Qual quê! Nem Criação nem Big Bang. Nem Deus nem Darwin. Viva a escola de Chicago!

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MensagemAssunto: Marcadas para a vida   Sab Nov 22, 2008 4:11 pm

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MARCADAS PARA A VIDA



CÉU NEVES (Texto)
RODRIGO CABRITA (Foto)

Numa discussão meses antes, o marido de Célia matou o cão e disse-lhe que era para não a matar a ela. Mas avisou-a de que seria tão fácil fazê-lo como fez com o animal. Ela já tinha escondido facas, já se escondera com os filhos, mas não descobriu a arma que ele guardava no quarto.

No dia 17 de Outubro de 2000, ele não veio jantar. Ela só teve tempo de "arrumar a cozinha e tratar dos três filhos". O homem chegou e mandou-os para a cama. A filha mais nova viu o pai pegar na arma e gritou: "Não mates a mãe, não mates a mãe!" Nada o demoveu. Disparou três tiros sobre a mulher, que "perdeu os sentidos". A mais velha tentou puxar a mãe para a porta. Ela não quis fugir "por causa dos pequeninos". A mais nova pôs-se entre o pai e a mãe. Célia afastou a menina, sem a noção de que tinha a arma apontada ao pescoço. Milésimos de segundo depois, sentiu um tiro por debaixo da orelha. "Morri!"

Foi o que pensou depois de ouvir o tiro, mas ouvia gritos. E, logo de seguida, sentiu um grande vazio. Esteve 52 dias em coma no Hospital dos Covões, Coimbra, entre a vida e a morte. Morte que ela já tentara por várias vezes dado não saber como sair do tormento em que se transformara a vida de casada, 12 anos de agressões e insultos.

Célia Pescada recuperou a vida, mas não o corpo. O projéctil atingiu-a na coluna e lesionou-lhe a medula na quinta vértebra, perdendo a sensibilidade e a capacidade de controlo dos músculos situados abaixo da lesão. No seu caso, apenas mexe a cabeça e a parte superior do braço. Movimenta-se numa cadeira de rodas eléctrica, que comanda com o queixo. Tem dois sticks bucais para atender o telefone e escrever no computador, dado pela TVI. Falta-lhe a Internet.

Esteve um ano no Hospital de Alcoitão, Cascais. "Sabia que não ia andar mais, mas fiquei com esperança na recuperação das mãos. Quando me disseram que não as ia recuperar, caiu-me o mundo." Morreu pela segunda vez! Tetraplégica, estava posta de parte a hipótese de voltar a casa. Não podia tratar dos filhos (de cinco, seis e 11 anos na altura da agressão) e os pais eram velhos para tomar conta dela. A solução foi ir para um lar. Já não poderia acompanhar o crescimento dos filhos, ajudá-los a estudar, dar-lhes o beijo de boa noite. "Chorei lágrimas de sangue."

A tentativa de homicídio de que foi vítima a 17 de Outubro de 2000 foi o culminar de noites e dias de sofrimento. Conheceu o marido aos 16 anos, numa feira em Pataias, Leiria, onde ambos os pais montavam tenda. Foi o primeiro e único namorado. Casou aos 17 e teve a primeira filha aos 18. O rapaz "era bem-parecido", mas com um passado de brigas, "coisas de rapazes", desculpavam-no.

Ele não se fixava num emprego, foi operário fabril e pedreiro. Bebia e tinha amantes. "Oito dias antes de ter a minha filha, apareceu bêbado e partiu tudo na cozinha. Fez-me sair da cama para ir limpar, e às escuras, para a minha mãe não dar por nada", lembra Célia com voz sumida, efeitos da lesão. A menina acabara de nascer quando o pai foi preso por ter brigado com um GNR. A mulher continua: "Fiquei com uma filha de 11 dias nos braços. Ainda não tinha feito um mês de parto e fui trabalhar para uma fábrica de mobílias."

Viviam num barracão junto à casa dos pais da Célia, onde fizeram uma cozinha e uma casa de banho. As zangas acabavam sempre com os móveis e electrodomésticos partidos, com insultos, gritos e tareia. E os três filhos a assistir. Uma vez, ele emborcou-lhe uma panela de sopa com feijão na cabeça. Ela recuperou os sentidos e foi limpar... Os vizinhos e família fingiam que não viam, inclusive as mulheres com quem ele andava. "A primeira vez custou-me muito. Eu em casa dos meus pais e ele na dos dele com outra mulher. Quando vi que não havia nada a fazer, deixei andar. " E ainda chegou a andar "à porrada" com elas. Apanhou por isso.

"Casal assassino"

Maria (nome fictício) trabalhava de dia e de noite para pagar as contas. Trabalhava por ela e pelo companheiro. Era à noite que ia deixar e buscar o menino a casa de um familiar, pelo que a criança andava sempre doente. Chegava tarde e cansada das limpezas. Já não suportava os maus tratos. Rejeitava o marido na cama. Chegou a dormir no sofá, para ele não a "forçar". Ele insultava-a, dizia que ela tinha amantes. Agarrava-a com violência e cedia. Quando não cedia, ele violava-a.

Maria tem uma voz meiga. As frases saem- -lhe aos soluços. Conta que descobriu um vídeo em que estava o companheiro com outra mulher, um caso que todos conheciam, menos ela. "Na minha cama, com os meus peluches, quando o meu filho lá estava." Ele desfez-se em lágrimas e em desculpas. Ameaçava matar-se e ela chegou a ler-lhe a Bíblia para o demover. "Ficava com medo de que ele se matasse, sentia remorsos. Então... resolvi regressar." Mas ficaram a dormir em camas separadas.

Maria, 26 anos, casou aos 23 com um homem que conhecia desde os 18. No namoro, foram rosas, mesmo quando se juntaram. Os cardos vieram com o casamento, quando ele entendeu que ela lhe pertencia. Era muito ciumento, não a podia ver com ninguém, nem sequer com a família mais próxima. Aguentou quatro anos. Até ao dia em que foi parar ao hospital coberta de sangue por ter apanhado várias facadas. Ficaram conhecidos pelo "casal assassino". Soube então que ele se esfaqueara.

A jovem tinha escapado da faca de cozinha no dia anterior, acabando por pedir socorro a um familiar. Chegou do trabalho e foi buscar o menino, mas precisava de voltar a casa para ele assinar os papéis do divórcio. "Já não voltei!"

Encontrou-o em casa. Ele falou-lhe com palavras mansas. Queria uma oportunidade. Maria soluça ao lembrar-se: "Dei banho ao miúdo, o jantar, o menino disse que queria leite com bolachinhas. O pai quis levar o copo à cozinha. Achei estranho, nunca o fazia, pensei que era para agradar. Quando voltou, nem vi a cara dele. Tapou-me a boca e começou a esfaquear-me. Eu a dizer-lhe para parar. O menino a chorar. Não sei como consegui forças para ir para a porta do vizinho, a gritar 'socorro, socorro!' Não me lembro de mais nada." Furou o pulmão, tiraram-lhe a vesícula e, mais tarde, parte do intestino devido a complicações pós-operatória. Tem muitas dores e cansa-se com facilidade.

Não acreditava que era vítima

Lurdes (nome fictício), 47 anos, chegou a pensar que ele lhe batera na cara com um pau, tão maltratada ficou. Mas não. Ela sabe que foi esbofeteada vezes sem conta. Os hematomas nunca mais desapareceram, sente dores, dormência e uma grande comichão.

Desculpou os insultos, a humilhação permanente, a primeira agressão. Não desculpou a segunda, há um ano. Também deu tareia, mas levou muito mais e por alguém interessado em deixar-lhe marcas definitivas na face. Cinco anos de vivência em comum e que pioraram depois de terem casado, em 2005. Mais uma vez se repete: parece que o casamento confere propriedade ao marido.

Lurdes é jurista e diria há uns anos que seria impossível passar por tanto. Aliás, afirmava não compreender as mulheres que se sujeitavam a isso. E justifica: "A seguir, ele ficava muito meu amigo, do tipo de se pôr de joelhos. Muita gente perguntava--me porque não o deixava, e eu não sei explicar. Empenhei-me a cem por cento na relação, ele dizia que gostava de ter um filho, eu queria esse filho..."

Atirou-se do segundo andar

O medo de Joana (nome fictício) era tanto que nem pensou que podia morrer. Numa discussão anterior já ele a tinha atirado de um 1.º andar. Desesperada, atirou-se de um 2.º andar para fugir do marido. Foi no dia 20 de Outubro de 2006, ainda estava combalida da tareia do dia anterior. O companheiro disse-lhe: "Vais perder o teu trabalho para o resto da vida!" Fechou a porta da entrada e pôs a música alto. Ela não acreditou, respondeu: "Está bem, mas espera, que vou acabar de tomar banho." Mas vê-o agarrar numa faca da cozinha, foge para a casa de banho, ainda tem tempo de pegar na garrafa que ele tinha e que julga ter ácido sulfúrico, pelo menos fez grande efervescência quando o derramou na sanita. Abre a janela e atira-se!

"Se fosse gritar por socorro, ele podia arrombar a porta. Fecho a porta e atiro-me. Peço socorro. É ele que me vem buscar A minha vizinha diz-lhe que estou muito mal e que é melhor chamar o 112, e ele responde que não o fará. Ela acaba por telefonar. Chega a polícia e o 112. Não me lembro de mais nada."

Levaram-na para o Hospital São Francisco Xavier, onde lhe revelaram que partira os tornozelos e fracturara uma vértebra. E o médico pergunta-lhe: "Caiu de pé?" Perante o sim, diz: "Se tivesse caído de cabeça, não sobreviveria." Esteve 45 dias internada no Hospital Amadora-Sintra. Joana, 28 anos, viveu quatro anos com o companheiro, com quem tem uma filha. E nunca mais irá ficar como antes, sobretudo do pé direito. Move-se com uma canadiana e tem dores. E ainda vai fazer pelo menos mais duas operações para tirar os parafusos dos pés.

Tudo o que havia a fazer

Susana fez tudo o que de legal podia fazer para não se tornar em mais uma vítima de violência doméstica. E sublinha-se o legal porque um agente chegou a dizer ao pai dela que o melhor era arranjar uns "amigos para atirar o rapaz ao rio". Este tinha transformado a vida da rapariga num pesadelo, desde que ela o deixou. Hoje, a família está revoltada com o sistema.

Susana Coelho, 29 anos, conhecia o jovem há muitos anos antes de namorarem. Mas só sou-be depois que ele agredira um rapaz numa fes-ta e batera na primeira namorada. Namorou três anos e meio, mas no primeiro ano ele estava na Alemanha. "Estava tudo bem, se fosse à ma- neira dele. Era possessivo, desconfiado, tornava-se violento", conta. Numa das discussões, ele embirrou que não ia a um casamento. Mas ela foi e ele apareceu na festa e fez um escân- dalo.

Susana acabou o namoro em Fevereiro de 2001. Viveu num terror até 28 de Junho, dia em que ele lhe atirou ácido sulfúrico que lhe queimou 42% do corpo. Ela tinha apresentado várias queixas, uma das quais por ele lhe dar uma cabeçada. A polícia respondeu-lhe que nada podia fazer "por não o apanhar em flagrante delito". E, no próprio dia da tentativa e homicídio, ele tinha sido chamado a depor. "Fiz tudo o que estava ao meu alcance e… nada o deteve", lamenta.

Susana tinha 22 anos quando o pior pesadelo que podia imaginar aconteceu. Era escriturária e regressava do trabalho para a casa dos pais, uma zona de vivendas junto à cidade de Viseu onde parece reinar a harmonia e tranquilidade.

"Ele tinha o carro parado à porta. Eu parei o carro e ele disse-me para eu sair porque tinha umas coisas para me devolver. Ainda lhe disse se ele não tinha vergonha do que fizera, que não queria nada. Como não saí, ele foi ao carro e tirou uma coisa, era a garrafa com o ácido sulfúrico que me jogou", conta Susana.

A rapariga treme ao lembrar o que sofreu há sete anos, quando os tecidos da cara e do corpo se iam desfazendo à medida que o ácido sulfúrico escorria. E das dores horrendas que pensava que não conseguia suportar. Perdeu 50% de visão num dos olhos. Esteve internada três meses na unidade de queimados dos Hospitais Universitários de Coimbra, onde teve acompanhamento psicológico. E tomou uma decisão: "Não me fechar em casa."

Agressores estão bem

O tribunal de 1.ª instância condenou o ex-namorado de Susana a dez anos de prisão e ao pagamento de uma indemnização de 66 mil euros, pena agravada para 12 pelo Tribunal da Relação de Coimbra. Beneficiou do novo Código Penal e saiu a meio do cumprimento da pena.

O ex-marido de Célia foi condenado a sete anos e quatro meses de prisão e ao pagamento de uma indemnização de 200 mil euros.

Nem uma nem outra viram a cor do dinheiro. Os dois homens cumpriram parte da pena, saíram e refizeram as vidas, o agressor de Célia, com uma ucraniana; o de Susana, com a primeira namorada. O primeiro regressou para a casa dos pais, onde vive com os dois filhos menores. O segundo emigrou para França.

Susana não pode sentir-se mais revoltada: "Eu é que fiquei com as mazelas, tanto psico- lógicas como físicas, e ele está cá fora e a fazer uma vida normal", justifica, sublinhando: "Não recebo a indemnização porque dizem que ele não tem por onde pagar, mas, se não tem por onde pagar, não deveria sair da prisão. Mas que fique ciente de que não há valor que pague o que ele fez, sempre disse que preferia que ele ficasse toda a vida na prisão do que receber um cêntimo. É embuste, porque não deu a indemnização nem cumpriu os 12 anos estipulados."

A Célia recebe uma pensão por deficiência de 300 euros, 85% dos quais são para o Lar Residencial de Alcobaça, onde vive. E ainda tem de pagar os medicamentos, sobra-lhe quase nada. "Pelo menos, ele devia ser obrigado a pagar os medicamentos!"

Os agressores de Maria, Lurdes e Joana aguardam o desfecho dos processos judiciais. Fazem a vida normalmente. As cinco mulheres tentam viver a vida normalmente...

Indemnizações por pagar

"Ao fim e ao cabo... não sei se não fui culpada. Lá está... continuo a culpar-me. Deveria ter tomado a decisão de o deixar há mais tempo. Mas como ele fazia chantagem... dizia que se ia matar", justifica Maria. Um ponto comum às quatro mulheres vitimadas, à excepção de Susana. Eles fazem com que elas se sintam culpadas. E elas culpam--se por não terem sabido reagir. E os desfechos judiciais não as deixam mais conformadas.

AJoana manteve as duas patroas como empregada doméstica. Saiu de uma casa de abrigo e alugou uma casa. "Voltei a viver. A minha filha está bem, mais calma e tranquila."

Na vida de Maria está tudo muito fresco. Só chora. Vive com o filho numa casa de abrigo.

Lurdes arranjou emprego. Quando o processo judicial terminar, fará dele bandeira para apoiar outras vítimas de violência.

Célia diz que é mais feliz no lar do que quando estava em sua casa. "Só tenho pena de ter dado este desgosto aos meus pais." Sente-se bem tratada, tem "um anjo-da-guarda", o Quinzinho, de 46 anos, e que tem síndrome de Down. É as pernas e as mãos dela, como ela foi os seus olhos antes de ele ser operado à vista. Participa nas festas, mascara-se no Carnaval, vai ao cinema e a discotecas, passeia. Coisas que nunca fez antes.

Susana foi reconstruindo a face aos poucos, ainda "tem coisas para fazer", fartou-se à 12.ª operação, há três anos. Mas há 15 dias fez uma pe-quena cirurgia e acabou por fazer mais uma correcção. Se tivesse dinheiro, faria "maquilhagem definitiva" para reconstruir as sobrance-lhas. É administrativa no VISprof - Centro de Formação da Associação de Escolas de Viseu através do POC, programa ocupacional financiado pelo Prodep (Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal) para quem recebe subsídio. Gosta do trabalho e do ambiente. O contrato está a acabar.

Susana tem namorado, o que não imaginava que voltasse a acontecer: "Pensava que só me queria alguém que tivesse o mesmo tipo de problema do que eu ou que fosse muito especial", justifica. Encontrou a tal pessoa muito especial.

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MensagemAssunto: O tempo é dos espíritas   Seg Nov 24, 2008 11:43 pm

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O TEMPO É DOS ESPÍRITAS



Ferreira Fernandes

OThe New York Times, ontem, descobriu uma das poucas profissões de vento em popa.

Encolhendo a mais material das coisas, o dinheiro, empedernidos materialistas (e até funcionários da Bolsa de Wall Street) recorrem a astrólogos e às cartas do tarot. Desde que se anunciou a crise, triplicaram os clientes do Além. Quando os economistas parecem tão aluados, é normal que as pessoas comuns recorram a quem vê mais longe e sabe ler as cartas astrais. Ao reputado jornal, disse Tori Hartman, psíquico de Los Angeles: "Quando já não se acredita em quem lhe vendeu a casa nem em quem lhe emprestou dinheiro, vai-se a um espírita para ter uma perspectiva diferente..." O que não me parece verdade. Vai-se ao professor Karamba da América não em busca de diferente mas do mesmo, em grau mais colorido, que foi dado pelos governantes: certezas voláteis. Assim como assim, já que deixaram de fazer sentido de um momento para o outro as taxas quantificáveis ao centésimo (exemplo da soberba científica dos economistas), passa-se a ouvir gente tão enganada mas ao menos com turbante. Não é preciso uma bolinha de cristal para adivinhar: o tempo é dos médiuns.


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MensagemAssunto: Os homens, esses conhecidos   Dom Nov 30, 2008 9:29 pm

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OS HOMENS, ESSES CONHECIDOS



Ferreira Fernandes
Jornalista - ferreira.fernandes@dn.pt

Ontem, a TVI repassou o filme O Tesouro de Natal, com Arnold Schwarzenegger.

Este faz de pai dedicado ao trabalho, que se esquece de comprar o brinquedo que o filho pediu ao Pai Natal. Assunto costumeiro em Hollywood, aqui tratado em comédia. Na véspera do Natal lá está Schwarzenegger, ele e uma multidão, às portas da loja de brinquedos para comprar o Turbo Man pedido pelo miúdo. Pais enregelados e também com a consciência pesada por não se terem lembrado mais cedo. Um funcionário zeloso aguarda pelas 9.00 certas e abre as portas. A multidão atropela-o e não só em sentido figurado: como é comédia, vê-se o homem no chão, com a marca de uma sola de botas na cara. Foi filme e deu ontem.

Voltando à vida real, anteontem foi a Sexta-Feira Negra (Black Friday) em Valley Stream, no estado de Nova Iorque, perto da grande cidade. Na verdade, foi Sexta-Feira Negra por toda América - o dia seguinte ao feriado de Acção de Graças. Ao contrário do que se pode supor, o termo Negra está lá para festejar: nesse dia, as contas dos comerciantes passavam do vermelho para o preto. Na Black Friday, os descontos são enormes, os stocks desaparecem e o ano comercial compõe-se. Mas interessa-me é falar da Sexta-Feira Negra no centro comercial Wal-Mart, em Valley Stream.

Às três e meia da madrugada já havia uma multidão à espera. O centro comercial é vizinho de Brooklyn e Queens, bairros populares de Nova Iorque, e a Wal-Mart é empresa de produtos baratos. E os saldos cortavam os preços a mais de metade. Por todo o país os analistas económicos estava atentos: neste ano da calamidade, a Black Friday teria sucesso? Em Valley Stream, a resposta era claramente afirmativa. Para conter a multidão, havia uma barreira e um cartaz: "A Linha de Guerra começa aqui".

Dentro do Wal-Mart, dez empregados faziam também barreira, para pastorear a manada que estourava dentro em pouco. Às cinco em ponto, como no filme de Schwarzenegger, as portas abriram-se. Um dos empregados, Jdimytai Damour, de 34 anos, foi empurrado contra prateleiras. Não houve a câmara procurando o efeito anedótico, mostrando um homem estrebuchando sob as consequências inesperadas dos saldos, não era um filme. A realidade, ao contrário do que dizia Marx, repetida, não é necessariamente comédia: Damour ficou esmagado, morto. Foi o primeiro morto da longa história, já com décadas, da Black Friday.

O filme de Schwarzenegger mostra em brincadeira o que é capaz um pai para cumprir o "espírito natalício." A agência Associated Press disse que a multidão se recusou a sair do centro comercial de Valley Stream, mesmo quando foi anunciada a morte do empregado. E continuaram a comprar. O Turbo Man é bom para crianças pequenas. A um filho adolescente eu oferecia-lhe mais a notícia dos saldos em Valley Stream.

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MensagemAssunto: PORTUGAL É DOS PAÍSES COM MAIS AUTO-ESTRADAS NA EUROPA   Dom Nov 30, 2008 11:41 pm

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PORTUGAL É DOS PAÍSES COM MAIS AUTO-ESTRADAS NA EUROPA



ANA SUSPIRO

Somos campeões mundiais em extensão e crescimento da rede de auto-estradas desde 1990. Mesmo sem as novas concessões, Portugal já está entre os países que mais investiram e que têm maior número de km por habitante e área. Mas os dados da União Europeia e OCDE mostram que se investe pouco em manutenção

Rede nacional vai crescer 50% até ao ano 2012

Todos os estudos e comparações o mostram - Portugal tem uma das maiores redes de auto-estradas da União Europa a 15, ao nível de quilómetros por habitante e por área. Esta realidade, apresentada num recente estudo de tráfego feito pela TIS a pedido da Brisa, será mais expressiva em 2010 quando estiver concluído o novo pacote de concessões rodoviárias.

O nosso país tem hoje uma rede de 2860 quilómetros de auto-estradas, das quais cerca de metade são pagos. Com o plano em curso de novas concessões, a rede irá crescer cerca de 50%, o correspondente a mais 1400 quilómetros de vias com perfil de auto-estrada. Este número inclui cerca de 100 km das concessões lançadas pelo anterior Governo e adjudicadas nesta legislatura (Grande Lisboa e Douro Litoral), mas o grosso da expansão é uma decisão do actual Executivo. O pacote de 10 novas concessões, num total de 2400 quilómetros, tem sido contestado, pela dimensão, mas também pelos custos.

Para José Manuel Viegas, presidente da TIS, é difícil explicar como é que um país com problemas em tantos sectores tem necessidade de construir tantas auto-estradas. O especialista em transportes lembra que há outras soluções de mobilidade mais baratas como as adoptadas em Espanha, onde as autovias, com menores exigências m termos de construção e traçado, coexistem com as autopistas. Tem sido o crescimento da taxa de motorização em Portugal o principal sustentáculo da progressão de tráfego nas auto-estradas. Mas a expansão, diz José Manuel Viegas, não vai continuar muito tempo porque o número de automóveis por habitante em Portugal está a aproximar-se da média da UE.

O Governo justifica o lançamento destes empreendimentos com as vantagens do investimento público e o seu impacto na economia, sobretudo no actual contexto. Por outro lado, frisa, muitas das novas vias beneficiam o Interior do país.

Voltando à realidade, quando comparamos Portugal com os outros países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) ou da Europa a 25, como fez o economista Avelino de Jesus, a conclusão é similar. Os dados para 2006 mostram que na UE a 25 Portugal tem uma média de auto-estradas por rede viária de 2,3% muito acima dos 1,2% da média, e que é o terceiro valor mais elevado depois da Espanha e Luxemburgo. A União Europeia tem 13 km de auto-estradas por 100 mil habitantes, quando Portugal tem 17 km. Por cá existem 20 km de auto-estrada por 1000 km2 do país, enquanto que a média da UE são 15 km. Olhando para o universo da OCDE, Portugal foi o segundo país que desde 1990 e até 2006 registou a maior expansão na rede. Mais significativo para este professor do ISG (Instituto Superior de Gestão) são os indicadores que relacionam a extensão da rede com a capacidade económica. Portugal é o segundo país com mais quilómetros (8,3 km) por mil milhões de dólares de PIB, apenas ultrapassado pelo Canadá.

Com estes dados poder-se-ia concluir que Portugal tem uma grande rede viária, mas a verdade é precisamente o contrário. Ao mesmo tempo que temos auto--estradas, também temos estradas a menos e investimentos muito pouco na conservação das que temos, realça Avelino de Jesus. Dados da OCDE mostram que em 2005Portugal foi o quarto país que mais investiu em novas vias (1985 milhões de euros). Já nos gastos com manutenção, caímos para 10.º lugar, com 177 milhões de euros.

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MensagemAssunto: Contra o paleopaleio nacional   Ter Dez 02, 2008 11:17 pm

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CONTRA O PALEOPALEIO NACIONAL



Ferreira Fernandes

Uma reportagem (no Público) diz-me que o restaurante em Foz Côa vindo com a miragem das gravuras paleolíticas fechou. Chamava-se Restaurante Paleocôa. Reabriu. Chama-se, agora, Snack-Bar Dois Manos. São notícias destas que me fazem acreditar no homem, a que alguns (entre os quais, pelos vistos, os donos do Restaurante Paleocôa) chamam Homo sapiens Lin., da classe dos Mamíferos, subclasse dos Placentários. E chamam isso não em reuniões sábias, a que não me oporia, mas ao pequeno-almoço. E ao almoço o que serviria o Restaurante Paleocôa? Bife de mamute? Batatas fritas fossilizadas?... Aquele restaurante fruto do Parque Arqueológico do Vale do Côa é a imagem perfeita do jeito português para lhe fugir o pé para a complicação pedante. Num museu português ler uma legenda obriga a curso de semiótica. Um estilista português entrevistado é ainda mais complicado que as suas patilhas. Uma escola portuguesa que ensina a melhorar o corpo chama-se inevitavelmente Faculdade de Motricidade Humana. Ponham os olhos no Snack-Bar Dois Manos: voltou a ter clientes e não só porque as suas francesinhas são boas. Tem um nome com que não nos engasgamos.

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MensagemAssunto: A crise que pague aos ricos   Qui Dez 04, 2008 1:20 pm

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A CRISE QUE PAGUE AOS RICOS



Ferreira Fernandes

A CNN desencantou uma velha e desconhecida senhora, Katherine McIntosh.

Mas ela posa com um ícone do século XX: A Mãe Migrante, uma foto tirada em 1936. A imagem de uma camponesa na Califórnia, olhar cheio de incerteza e dois filhos nos braços - um deles é Katherine, há 72 anos. Lembra ela que a mãe não quis dar o nome à fotógrafa: "Ela tinha vergonha da pobreza." De França, as agências, ontem, inundaram-nos também com fotos da crise. Nicolas Sarkozy visita um banco alimentar. Prateleiras pobres, produtos pobres, cenário certo para o Presidente francês lançar medidas contra a pobreza. A Depressão, grande ou pequena, está aí e lê-se nos gestos compungidos do bom actor que é Sarkozy… Mas seria injusto dizer que só os outros falam da realidade. Também em Portugal se falou de João Rendeiro que faliu o seu banco pedindo milhões para comprar acções que, em poucos meses, passaram de 3,2 € para 82 cêntimos. Menos 75%! O drama de um homem que mostrou não perceber nada da sua profissão. Felizmente, as nossas notícias falam da campanha de solidariedade nacional para que o homem não mergulhe na depressão. Cada país tem o drama que merece.

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MensagemAssunto: Enquanto for só conversa...   Qui Dez 25, 2008 1:38 pm

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ENQUANTO FOR SÓ CONVERSA...

Ferreira Fernandes

O Papa tem o direito de dizer que os heterossexuais estão em risco de desaparecer como a floresta amazónica.

Os que acham isso tolo têm o direito de lembrar que o celibato dos padres, esse, é que não só extinguiria os heterossexuais como todo o género humano. O Papa tem o direito em afirmar a sua verdade, a da Bíblia, onde união sexual é entre "homem" e "mulher", e só. Os anticatólicos têm o direito de lembrar os casos de papas homossexuais. Eu, com saudades da minha adolescência quando os filmes eram de cowboys que cavalgavam rumo ao pôr do Sol sem segundas intenções, tenho direito em dizer que me incomoda um filme em que dois cowboys se beijam. Dois cowboys da vida real têm direito de se beijar e dizerem estar-se nas tintas para os meus incómodos. O Papa, eu, os anticatólicos, os homossexuais militantes e os cowboys temos o direito de dizer o que queremos. Bom é que não tenhamos o poder para impor aos outros o que eles não querem. Seria bom também que toda esta liberdade de dizer tivesse em conta que há lugares em que homens e mulheres - que são o objecto da nossa conversa - são impedidos de ser aquilo que querem ser, homossexuais.

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MensagemAssunto: Vai ser um ano ímpar!   Qui Jan 01, 2009 4:27 pm

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VAI SER UM ANO ÍMPAR!

Ferreira Fernandes

Sim, há um ligeiro indício que me preocupa: um ano como este, 2008, que se inventa um segundo a mais, isto é, que retarda a sua saída de cena, um segundinho que seja, é porque suspeita que o que vem aí é mesmo mau.

Mas esse mau pressentimento é varrido pela boa notícia: todos os economistas, todos, prevêem um 2009 desastroso. Acho que estou a respeitar as leis da lógica: se todos os economistas se enganaram completamente sobre os dias de hoje, é provável, sendo unânimes sobre o dia de amanhã, voltarem a enganar-se. 2009 não pode ser a repetição da Grande Depressão, não pode ser a crise funda, não pode ser a deflação sem saída, não pode. A prova que não pode? Os economistas dizem que só pode. O pessimismo generalizado dos economistas é a minha luz ao fundo do túnel. Eles, este ano, só me deram boas notícias. Incapaz de apontar uma taxa euribor (quanto mais indexá-la!), confundindo CMVM com um jipe com tracção a quatro rodas, sempre me julguei um caso isolado de iletrado em economia. Até este ano. Agora sei que sou um ignorante, sou, mas tal como Alan Greenspan. Permita que lhe digo, caro leitor, o que há para dizer: 2009 vai ser um ano ímpar.

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lol!

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MensagemAssunto: Isto deve ser genético   Dom Fev 01, 2009 7:04 pm

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O GAJO ESTÁ MESMO METIDO, NÃO ESTÁ?

Ferreira Fernandes
Jornalista - ferreira.fernandes@dn.ptt

Isto deve ser genético.

Já quando foi da II Guerra Mundial não entrámos. Agora, temos a II Crise Mundial (depois da de 1929) e continuamos de fora. Isto digo eu, que leio os jornais. Os lá de fora e os cá de dentro. Os lá de fora, é a crise, a crise e a crise. Ontem, o Guardian tinha na primeira página a foto cinzenta com umas caras cinzentas como já não se viam na Europa desde os anos 30. Proletas britânicos, com cartazes britânicos: "Empregos britânicos para trabalhadores britânicos!" Solidariedade é palavra que já de si se soletra mal, com medo não dá de todo.

Já em Portugal, as capas, é sobre a telenovela: "A Carta". Argumento escrito por cá, em 2005, de autor anónimo, mandado para Inglaterra para lhe dar patine internacional, e reimportado em episódios. Como veio com a chancela Serious Fraud Office (SFD), que tomamos por departamento da BBC, é um sucesso. Desde aí, o País está suspenso como só esteve há muito, quando apareceu a "Gabriela". A questão que atravessa o País é: "ele" está mesmo metido? O nosso nível de julgamento foi moldado por Tonico Bastos. Desde essa primeira telenovela, continuamos gente simples.

Reparem, a nossa, essa de negar a crise, é uma forma como outra qualquer de reagir. O americanos, embalados pela esperança de Obama, readaptam a doutrina Monroe: "Os projectos americanos para as empresas americanas." O Governo espanhol deixa os seus cidadãos mais necessitados resgatar os fundos de pensões. A Rússia de Putin, herdeira dos planos quinquenais da URSS, traça um plano trienal de crise. Os povos, assustados pelo estrebuchar dos líderes, regressam à luta de massas: greve geral em França e esse chauvinismo já referido dos trabalhadores das refinarias britânicas... Quem podia ainda ter dúvida sobre a vastidão da crise convenceu-se com a notícia da semana: Bono, por estar a preparar um novo álbum, não foi a Davos. Quando o próprio messias faz pela vidinha, isto está mesmo, mesmo, mal.

Só nós nos opomos à crise. Não, não é opormo-nos dessa forma vulgar dos outros, que procuram soluções ou, pelos menos, se assustam. Nós combatemo-la da forma mais radical: negamo-la. Não venham cá com as vossas estatísticas, que nós temos a nossa curiosidade: o gajo está mesmo metido, não está?

Eu acho piada à táctica e consolam-me sempre provas de que somos um pouco originais. Um povo que já deu mundos ao Mundo há de ter alguma peculiaridade. Se alguns bascos pensam que são únicos por causa de um sangue RH negativo especial, talvez nós sejamos, como mais ninguém, imunes às crises, sei lá.

O meu problema é ler jornais lá de fora. Peço desculpa, mas a crise é mais do que universal, é também portuguesa. Por isso, peço: mesmo que o gajo não esteja metido, metam-no. Não podemos é estar mais tempo nesta telenovela. |

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MensagemAssunto: Vingança serve-se fria e cheira a Roquefort   Seg Fev 02, 2009 4:27 pm

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VINGANÇA SERVE-SE FRIA E CHEIRA A ROQUEFORT

Leonídio Paulo Ferreira
Jornalista - leonidio.ferreira@dn.pt

Não faz parte da elite dos queijos, mas La Vache qui rit tinha boa saída na Bagdad em vésperas de invasão.

Era dos raros produtos ocidentais nas prateleiras e o sucesso entre os iraquianos simbolizava o apreço pela recusa da França de Jacques Chirac em acompanhar os instintos de George W. Bush. Foi preciso a eleição de Nicolas Sarkozy para Paris e Washington reatarem a amizade, com os americanos felizes por verem no lugar de Chirac um líder que nas férias de 2007 até trocou a Riviera pelo New Hampshire. E depois, em Novembro, a visita oficial, com Sarkozy a entender-se às mil maravilhas com Bush, apesar de este não falar francês e um dia ter sido fotografado com uma cábula sobre a pronúncia do nome do homólogo (SAR-KOO-ZEE). Mas Bush, digam o que disserem as más-línguas, tem boa memória. E a 13 de Janeiro, uma semana antes de passar o testemunho a Barack Obama, promoveu uma lei que impõe 300% de taxas alfandegárias ao Roquefort, um dos mitos da gastronomia francesa. Afinal, o Presidente americano que insistiu em derrubar Saddam Hussein em 2003, contra quase todos, sabe que a vingança se serve fria. E que às vezes até cheira a esse queijo que o Washington Post descreve como "tendo odor a ovelha molhada, veios de fungos azuis e combinando na perfeição com pão de centeio e vinho tinto".

Por causa do Iraque e das armas de destruição maciça que nunca apareceram, Estados Unidos e França têm vivido uma caricata guerra gastronómica. Ao ponto de as french fries serem rebaptizadas de freedom fries para as tornar menos 'francesas', como se a palavra 'liberdade' não fosse reclamável pelo país que enviou o marquês de Lafayette combater pela independência americana e, em 1886, para celebrar a já velha amizade, ofereceu a Nova Iorque a mais famosa das estátuas. Não se ignore, porém, que por trás da política está a rivalidade económica. Quando o agricultor José Bové atacou um McDonald's em Millau, capital do Roquefort, a guerra do Iraque ainda não estava na ordem do dia. Mas a das tarifas aduaneiras sim, com o queijo a sofrer uma taxa de 100%. E agora, os 300% seguem-se ao embargo europeu à carne de vaca com hormonas.

Americanos e franceses têm tudo para acabar por se entender. Em duas guerras mundiais, a dívida a Lafayette ficou bem paga. E depois de Bush acompanhar Chirac na reforma, Obama e Sarkozy só terão que pensar no Iraque em termos de futuro. Sabe-se que os franceses estiveram de corpo e alma com o novo Presidente americano, com o Le Monde a divulgar uma sondagem que dava 68% dos votos a Obama contra apenas 5% para John McCain. E na sua tomada de posse, Obama não teve problema em que fosse servido um Sauvignon Blanc e um Pinot Noir, castas bem francesas, apesar de serem vinhos da Califórnia. É um daqueles casos em que ninguém se ficará a rir por último. Nem sequer a vaca. |

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MensagemAssunto: Sobre dúvidas e certezas   Sex Fev 20, 2009 6:08 pm

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SOBRE DÚVIDAS E CERTEZAS

Ferreira Fernandes

Aquela brasileira da Suíça já confessou: afinal, automutilou- -se.

Antes, mostrara o corpo marcado a canivete queixando-se de ataque xenófobo. Levado na curva, o Presidente Lula pronunciou-se, ficando agora envergonhado perante os suíços. Ele podia ter-se poupado ao vexame só com 8 reais, o preço do bilhete de cinema no Brasil. Se Lula tivesse visto o filme Dúvida e olhado Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, teria ficado com um curso sobre a imprudência das certezas. Outro assunto: aquele professor de Música de Gondomar que, entre outras culpas, viu provado o abuso sexual de uma menina foi condenado a 2 anos com pena suspensa. A sua advogada admite que ele cometeu mesmo aquele crime, mas ela, ao contrário de Lula, não tem certezas, tem dúvidas: não sabe se vai recorrer. Se impedirem o seu cliente de voltar à escola, recorre; se não, não recorre. Para ela ter a certeza de que aquele homem não pode entrar na escola bastaria talvez que a escola fosse, sei lá, a de uma sua filha. E para ela ter essa certeza mesmo sem ser aquele o caso, a advogada precisava de conhecer a imprudência de certas dúvidas. Para tal não há curso, nasce-se com isso ou não.

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MensagemAssunto: É muito chocolate!   Sex Fev 20, 2009 11:44 pm

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Comprou 37 mil dólares em chocolates e pôs conta no nome da escola



É muito chocolate!

Um jovem norte-americano de 18 anos comprou 37 mil dólares em chocolates e doces numa loja online e quando foi a altura de introduzir os dados da compra deu indicação da sua morada mas colocou o número da conta da escola em Middletown que frequenta.

Agora chega a parte mais amarga. Jad Holmes terá que ir a tribunal defender-se da acusação de fraude. Segundo as autoridades, a polícia foi logo avisada depois da loj suspeitar da compra.


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MensagemAssunto: Lagosta de 140 anos devolvida ao mar   Sex Fev 20, 2009 11:54 pm

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Lagosta de 140 anos devolvida ao mar



Uma lagosta cuja idade foi estimada em 140 anos foi devolvida ao mar, na costa de Maine, Estados Unidos da América, onde a apanha da lagosta é proibida, depois de ter vivido num aquário num restaurante em Nova York .

George, a lagosta gigante que pesa cerca de 9 quilos, fora apanhado há duas semanas e comprada pelo restaurante City Crab and Seafood por US$ 100.

A lagosta passou a viver no aquário do restaurante, onde foi adoptada como mascote e fotografada constantemente pelos clientes.

Mas o grupo de defesa dos direitos dos animais Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), segundo a BBC, organizou uma campanha para que o animal fosse devolvido ao oceano.

George fora pescado em águas canadianas e a sua idade foi estimada a partir de seu peso.

O restaurante afirmou que nunca teve intenção de servir a lagosta, sendo que ela seria usada apenas para atrair a atenção dos clientes.

Ingrid Newkirk, do Peta, elogiou a decisão do restaurante: “nós aplaudimos os donos do City Crab and Seafood pela sua decisão de permitir que este nobre ancião viva seus últimos dias em paz e liberdade.”

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MensagemAssunto: Vai um gelado de cobra?   Sab Fev 21, 2009 12:00 am

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Gelados de cobra no japão



Vai um gelado de cobra? ou prefere de frango ou de língua de boi?

Se comer gelados no Inverno é algo que nos faz tremer, comer gelados de cobra pode ser ainda menos agradável. Mas a verdade é que há gostos para tudo e no Japão há gosto para todo o tipo de gelado: de cobra, de caviar, de língua de boi, de asa de frango e de tudo o que se queira…

Na Cidade dos Sorvetes, em Tóquio, a imaginação não tem limites e entre os 500 sabores disponíveis pode escolher as variedades para incríveis que possa pensar. O gelado de cobra é uma das novidades e embora seja muito mau - quem experimentou diz que sabe a alho - não deixa de ser famoso e muito apetecido: por ano 2 milhões de pessoas visitam o parque e mesmo durante o rigoroso Inverno japonês há sempre muita gente a querer provar novos sabores.

Segundo os funcionários, os campeões de venda são os gelados de caranguejo, massa instantânea com sopa de pasta de soja (miso) e o popular chocolate.

A oferta é de facto requintada. Pode escolher gelados de pérola ou de caviar… e se gostar de carne e de peixe pode optar por gelados de língua de boi, de asa de frango assado, de lula, de polvo, de barbatana de tubarão ou de camarão.

Se for vegetariano tem gelados de alho, berinjela, inhame, abóbora, wasabi, tofu, soja fermentada, molho de soja, arroz e salada (com pedaços de pepino e alface). E para acompanhar a "refeição" tem gelados de cerveja e de vinho.

Produzidos em diferentes partes do Japão, estes gelados por testes rigorosos antes de serem colocados à venda. Por isso pode comer à vontade...

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MensagemAssunto: BRINCADEIRA (OU NÃO) DE CARNAVAL   Qua Fev 25, 2009 4:36 pm

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BRINCADEIRA (OU NÃO) DE CARNAVAL

Ferreira Fernandes

O chefe do Governo basco, Juan José Ibarretxe, foi a uma festa de Carnaval do seu partido, o PNV.

À entrada entregavam-se pontiagudas orelhas de plástico e Ibarretxe brincou de Mr. Spock, em homenagem à série televisiva Star Trek (Caminho das Estrelas). Ibarretxe fez a saudação dos habitantes do planeta Vulcano e discursou assim: "Vulcanianos e vulcanianas, outra galáxia [Espanha] quer controlar a galáxia basca." Brincadeira de Carnaval? Talvez. Mas também pode ser aquela função do Carnaval que, à pala de que ninguém leva a mal, permite fazer na quadra o que não se pode no resto do ano. A base histórica do PNV é racista, o seu pai espiritual, Sabino Arana, emprestava aos bascos uma superioridade sobre os restantes ibéricos. Um ideólogo recente, Xavier Arzallus, até reivindicou para o seu povo um raro sangue RH negativo. Depois das eleições, a 1 de Março, os nacionalistas podem deixar de ser maioria. Subir a fasquia das diferenças (galáxia contra galáxia) pode não ter sido brincadeira. Pode ter sido uma forma de dizer que no País Basco há uns puros e há outros de orelhas normais, simples filhos de imigrantes galegos e andaluzes. |


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MensagemAssunto: Um filho dos tempos que correm   Sex Fev 27, 2009 5:25 pm

UM FILHO DOS TEMPOS QUE CORREM


Ferreira Fernandes

Os tempos de crise são carburante para homens públicos originais: jornalistas, alegrem-se que não nos vai faltar assunto!

O presidente da Câmara de Kiev há de fazer filhotes também por cá, não tarda. Na capital da Ucrânia pode faltar pão e habitação mas animação, não. O presidente Léonide Chernovetski propõe fazer lotarias em que os prémios são os seus beijos ou, pelo menos, um passeio no seu Mercedes. Ou no Maybach, outro dos seus carros de luxo. Vai também lançar um disco com músicas populares dos anos 80. Aquilo que qualquer iluminado faz porque sim ou porque bateu com a cabeça em miúdo, um político original faz em nome dos seus eleitores. O pretexto de Chernovetski são as babouchkas, as pobrezinhas de Kiev, a quem ele promete tudo. Fazer com que os munícipes paguem para entrar nos cemitérios. E ameaça até "o ar que se respira" com taxas urbanas. Ele foi eleito em Maio do ano passado, muito antes de se saber que os seus antecedentes eram suspeitos. De facto, com o que hoje sabemos, a sua profissão já o indiciava como capaz de tudo: Léonide Chernovetski era presidente de um dos principais bancos da Ucrânia. |

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MensagemAssunto: C... P... L... (CRÓNICA PARA LAMENTAR)   Dom Mar 08, 2009 6:36 pm

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C... P... L... (CRÓNICA PARA LAMENTAR)

Ferreira Fernandes
Jornalista - ferreira.fernandes@dn.pt

Nunca houve tantos três pontinhos juntos nos jornais portugueses como esta semana. Os três pontinhos são um sinal gráfico que foi inventado por um génio do marketing, só pode. Com três sinaizinhos apenas se escrevem as reticências, dos sinais pequenos o que mais chama a atenção. Podem estar no meio do texto ou escondidas na frase mas é como se fossem impressas com luzinhas de acender e apagar.

O que o deputado José Eduardo Pereira disse ao deputado Afonso Candal não veio, com ou sem reticências, na transcrição oficial dos debates parlamentares. Mas os jornais - citando o que os próprios ouvidos apanharam no registo televisivo - garantem que foi dito aquilo que escreveram assim: "Vai para o c..." Já não garantindo, mas citando o testemunho de outros deputados, os jornais escrevem que também foi dito: "Filho da p..."

Os olhares dos leitores, pelas razões que atrás refiro, foram logo atraídos pelo valor anúncio daquele truque. Porque lhe chamo truque? É que, usando reticências, os jornais conseguiram, de forma primitiva mas eficaz, entrar em interactividade com os leitores. Foi como se lançassem um concurso (sem gastar dinheiro com prémios): "Que queria o deputado Pereira dizer com o seu 'c'? E com o seu 'p'? Aceitam-se palpites!" Espicaçados pelos mistérios, os leitores puseram-se a discutir à volta dos seus jornais.

O deputado Candal, a quem eram dirigidas as frases, havia falado antes de "clusters industriais". Tenho para mim que o agora célebre "vai para o c...." foi, tão-só, um inocente: "Vai para o cluster industrial." Por outro lado, diz-me quem frequenta a Assembleia, o deputado Candal é reputado pelos rodriguinhos dos seus discursos. Daí que eu, ao famigerado "filho da p...", traduza por "filho da parlamentar oratória". O dicionário Morais explica que as "reticências" podem ser a omissão não só de uma palavra, mas também de uma frase. Por isso, as minhas interpretações são plausíveis.

Outros, porém, quiseram ver, no "c..." e no "p...", em cada um, uma só palavra. E como o tema que se debatia no hemiciclo, na altura dos acontecimentos, era a energia eólica, optaram que, em vez de palavra, fosse palavrão. Tem lógica porque, palavras levando-as o vento, era necessário dar-lhes lastro, pô-las mais pesadas. Enfim, o debate está em aberto.

Colegas dos intervenientes, para pôr água na fervura, disseram que em vez de "vai para o c.", o deputado Pereira teria dito "bandalho". Não há nada a fazer, somos um povo de poetas, sempre à procura da rima. Mas, seja, fica bandalho. Presumo que bandalho, só. Porque se fosse "vai para o bandalho", não só não teria sentido como os jornais teriam escrito, como gostam, "vai para o b...".

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