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Romy

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MensagemAssunto: "É dever do PR não empossar um governo minoritário"   Dom Abr 03, 2011 4:35 pm

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"É dever do PR não empossar um governo minoritário"

Hoje

Depois de 23 anos de diplomacia, Ana Gomes tornou-se conhecida dos Portugueses pelo protagonismo na Embaixada da Indonésia, no auge da Luta de Timor pela Independência. Fez depois um interregno na carreira para aderir ao PS de Ferro Rodrigues, um partido de acordo com os ideais de esquerda que lhe animam permanentemente o discurso, sempre frontal e crítico.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1821332

Em entrevista a João Marcelino, director do DN, Ana Gomes marca de forma inteligente a fronteira com o actual PS mas mão deixa, num momento de crise e combate político, de ser solidária com o líder, José Sócrates, ainda recentemente reeleito com cerca de 93% dos votos socialistas.

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RMaria

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MensagemAssunto: Sociólogo acusa PSD de "irresponsabilidade política"   Dom Abr 10, 2011 11:17 am

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Sociólogo acusa PSD de "irresponsabilidade política"

Hoje


O sociólogo defende que a crise que Portugal e a Europa atravessam resulta do que diz ser um ataque especulativo do dólar ao euro, manobrado pelas agências de rating. E destaca que, caso o PEC IV tivesse sido aprovado, o País poderia ter ganho tempo para negociar outras soluções ao nível do financiamento, inclusivamente fora do âmbito europeu, não sendo obrigado a pedir assistência externa nas condições em que o fez.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1827006

Em entrevista a João Marcelino, o sociólogo de Coimbra distinguido internacionalmente lamentou ainda a acção de Aníbal Cavaco Silva, que diz não ter sido capaz de criar um entendimento entre os diferentes partidos que permitisse evitar a crise política.

Para Boaventura de Sousa Santos, o PSD foi irresponsável ao recusar o PEC IV, levando a um cenário de eleições antecipadas, mas não retira responsabilidades também ao executivo socialista, criticando a atitude de José Sócrates ao negociar o documento directamente com Bruxelas. Segundo o sociólogo, o secretário-geral do PS terá de sair para se encontrarem outras alternativas de governação, e aponta António Costa como sucessor à liderança do Partido Socialista.

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MensagemAssunto: Entrevista a José Rentes de Carvalho    Qua Abr 13, 2011 2:46 pm

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Entrevista a José Rentes de Carvalho


«Desde miúdo que minto como o diabo. Ninguém deve acreditar em mim»

Um desarranjo temporário provocado pelo ar condicionado do lobby do Hotel Marriott: nariz entupido. O ritual da escrita, esse, dispensa descongestionantes.\"La Coca\", romance de 1994 relançado com a chancela da Quetzal, foi apresentado esta semana em Lisboa. Prestes a completar 81 anos, José Rentes de Carvalho actualiza diariamente o seu blogue, ingere a contragosto a dose de legumes que a mulher recomenda, e mantém o português afinado. Um português holandês, que não voador. Vem sempre de carro de Amesterdão, onde vive desde 1956, até Trás-os-Montes.

Como vai a recuperação da casa do seu avô, em Estevais?

Vai bem. Foi construída por ele, sozinho, só com um carpinteiro que o ajudou a pôr uma trave no rés-do-chão. Os meus pais viveram naquela casa uns 30 anos e à boa maneira portuguesa pinta-se uma vez, caia-se uma vez e depois não se faz mais nada. Achei que, por respeito ao meu avô, devia renovar a casa. E renovar uma casa e não morar nela não tem jeito. Ando de lá para cá.

Vem muitas vezes a Portugal?

Cinco ou seis vezes por ano. Vivo três meses em Amesterdão e três em Trás-os-Montes.

Traz muita coisa para estas estadas?

Trago. Faço quatro viagens de 2200 quilómetros.

Não vem de avião?

Não, sempre de carro, com uma grande tralha. A minha mulher traz sempre muita roupa com ela. Livros, coisas que não há em Portugal e levo da Holanda, e coisas que não há na Holanda e levo daqui.

O que é que não dispensa?

Coisas especiais, holandesas.

Para comer?

Sim, sim. Para lá vão chouriças, alheiras, pão-de-ló, bolo-rei.

O emigrante prende-se sempre pelo estômago.

É certo. É a saudade.

Sente muitas saudades?

Não, já tive. Saudades a sério foi quando fui obrigado a sair de Portugal. Estive 14 anos fora e vinha à fronteira de Miranda e não podia entrar. Isso é terrível.

Depois de se instalar na Holanda, em 1956, nunca pensou em voltar?

Não. Quando se deu a Revolução tive muitos convites para vir e tive de dizer uma coisa aborrecida. Vocês desculpem-me mas eu não acredito que a Revolução seja aquela que devia ser, portanto não vou. E esperei 30 anos e parece que de facto não foi a Revolução que devia ter sido.

E visita-nos logo na semana em que o FMI chegou a Portugal.

Mas esta desgraça que está a acontecer agora já era previsível poucos anos depois da Revolução, sobretudo quando Mário Soares disse que podendo entrar na Europa íamos chupar aquela teta ao máximo. Pois chupámos, e agora pagamos. A gozar a vida sem trabalho não se vai lá.

Ainda trabalha muito na sua escrita?

Todos os dias.

É muito metódico?

Não, não sou. Sou muito aleatório. A única coisa que faço com regularidade para não perder a mão é o meu blogue.

Vê agora a reedição do \"La Coca\".

O \"La Coca\" é um livro mais de memórias e da estranheza de ter conhecido pessoas que eram um bocado bandidas mas românticas. Com a ganância do dinheiro foram do contrabando do whisky e do tabaco para o contrabando da droga.

Há sempre muito de si nos seus livros.

Mas eu minto muito. Desde miúdo que minto como o diabo, ninguém deve acreditar em mim. As minhas confissões são uma chapa de aço. De vez em quando surpreendo-me porque sei que estou a mentir a mim próprio, e acho graça.

Qual foi a maior mentira que já contou?

Ai, não digo. São todas terríveis.

A sua mulher também as ouve?

Também.

Já o deve conhecer de ginjeira.

Ela sabe que estou a mentir mas não faz perguntas. Já estamos juntos há 46 anos. Somos bons camaradas.

Que retrato faz uma holandesa de Portugal quando cá vem?

Vem a Portugal desde 64. Como qualquer bom holandês é organizada, metódica, trabalhadeira e acha que isto é um país cómico e estranho. Quase sentimos vergonha por tanta gentileza. Atrás dela há um desespero, um tédio, uma aflição. As pessoas estão sempre preocupadas com o dinheiro.

Na Holanda não sente nada disso?

Não. Lá desaparecem as inquietações. Fica só a saudade.

Que guarda de melhor de lá?

Não guardo nada de bom, porque aquilo que eles têm já eu tinha. Era pontual, já achava que as mulheres eram iguais aos homens, que para ganhar era preciso trabalhar. O que me aborrece a mim com os holandeses é que eu sou pontual mas eles esperam que eu, sendo português, chegue atrasado.

Tem um trajecto especial até chegar à Holanda. Brasil, Nova Iorque, Paris.

Ah, isso, tive uma vida deliciosa, cheia, mas que não recomendo a ninguém.

Porque não?

Porque fiz muitas coisas más. Andei metido com gente criminosa, salvei-me a tempo. Imagine que eu tinha uma escala de amizades que ia dos bandidos aos presidentes.

Óptima matéria-prima para escrever.

É, se nos conseguirmos salvar desse mundo. Na Bélgica tinha uns amigos da máfia italiana.

Mantém amizades cá?

O Francisco José Viegas e uma gente da lavoura. Poucos.

Escritor, jornalista, professor. É verdade que chegou a cursar Direito e Românicas ao mesmo tempo?

Eu na verdade não estudava. Andava à procura. Achei que a universidade não era para mim e acabou por ser 30 anos da minha vida, como ganha-pão.

Quando soube o que queria fazer?

Por volta dos 30 anos. Nessa altura vi- -me de um dia para o outro pai de três filhas num país estranho.

Que fazem as suas filhas?

Uma está num departamento de um grande banco contra a fraude. A outra é advogada e a terceira é artista gráfica, de topo. Trabalha para o Hermitage em Sampetersburgo.

Nenhuma escreve?

Não, não. Lêem os livros do pai mas eu acho que não gostam.

Não?

Não. Se o meu pai escrevesse livros eu também não quereria lê-los. E elas conhecem outro homem, em chinelos.

Para holandesas talvez as memórias de Trás-os-Montes digam pouco.

As memórias interessam mais ao neto e à neta, holandeses, claro. Sou o único em casa que fala português.

Quem está fora muitos anos por vezes sente o português preso.

Acha que eu tenho dificuldade?

Nenhuma, daí querer saber como o exercita.

Quando fui para França, o meu francês era tão bom que ao pedir o visto no consulado o senhor disse-me que os franceses não precisavam de visto. O francês foi durante quase dez anos a minha língua-mãe. Fui para a Holanda, onde passei a falar holandês.

Língua nada fácil, dizem.

Pois não. Os alemães dizem que não é língua; é um mal de garganta. Lá falava inglês e escrevia em português mas de repente comecei a sentir que as palavras fugiam de mim. Falo holandês, escrevo em holandês, mas penso em português. Não quero perder as raízes.

E como mantém a boa forma aos 80?

Tenho uma mulher fanática da educação física e do ioga, e eu na ginástica levava sempre zero. Digo uma coisa que ela não gosta: \"A única ginástica que faço é pegar nas alças dos caixões dos amigos que faziam ginástica.\" São teorias tolas, claro. Ela gosta de legumes e a mim irritam-me os legumes, mas lá vou aguentando aquilo.

Jornal i, 2011-04-13
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MensagemAssunto: "Vamos ter de nos tornar uma economia mais flexível"   Dom Abr 17, 2011 10:14 pm

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"Vamos ter de nos tornar uma economia mais flexível"

por DN.pt
Hoje

Para Manuel Sebastião, ex-administrador do Banco de Portugal na equipa de Vítor Constâncio, ex-economista do FMI, actual presidente da Autoridade da Concorrência, a moeda europeia, o euro, "não corre perigo".

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1832183

Também não tem a certeza de que estejamos a assistir a um ataque especulativo por parte do dólar. Confia em que Portugal "vai ultrapassar mais este problema", e conseguir corresponder aos programas que no final serão aprovados em Washington e Bruxelas. Quando fala da concorrência, debruça-se mais tempo sobre a questão que está na ordem do dia: os combustíveis, "que reflectem exactamente os preços internacionais à saída da refinaria ou à importação" e é taxativo quando analisa a diferença entre os preços de Portugal e Espanha: "São exclusivamente ditados pela diferença de impostos." E isso é com os políticos...

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MensagemAssunto: 'Se não for presidente da AR, depois avaliarei"   Dom Abr 17, 2011 10:20 pm

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'Se não for presidente da AR, depois avaliarei"

por DN.p
tHoje

Fernando Nobre não esclareceu na entrevista à RTP se renunciará ao cargo de deputado do PSD caso não seja eleito presidente da Assembleia da República. E assumiu que é um homem de esquerda.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1832737

Assumindo o que disse ao semanário "Expresso", apesar de ter admitido que não soube passar a mensagem, Nobre deixou uma resposta para depois das eleições.

"Eu nunca quis ser deputado nem presidente da AR. Só quis ser Presidente da República. Eu não exigi nem negociei nada. Passos Coelho fez-me uma proposta que depois de uma semana de reflexão decidi aceitar. O que disse a Passos Coelho na altura foi que falarei com ele e ajuizarei melhor qual o melhor lugar para desempenhar", referiu, acrescentando: "Se não for eleito presidente da AR, avaliarei qual é o lugar mais adequado. Não é pressão política. Sou adulto e responsável. Eu estou em missão por Portugal. Se for eleito, e não venha a ser nomeado presidente da AR, na altura certa ajuizarei o lugar mais adequado para mim e para servir Portugal"

Nobre reforçou depois o seu "desapego por qualquer poder". "Sempre disse que não queria nenhum cargo político. Quando Passos Coelho me lança a proposta de encabeçar a lista por Lisboa e que o meu nome seria proposto para a AR, fiquei espantado. Mostrou um arrojo especial e um desafio para mim. Pela primeira vez poderia estar nesse lugar um cidadão livre".

"Passos Coelho pediu-me uma resposta rápida. Pedi-lhe uma semana para pensar. Foi uma semana muito dificil, inclusive junto da minha familia. E depois acabei por aceitar", disse.

O ex-candidato à Presidência da República garantiu depois que não é nem será filiado no PSD e que na próxima semana vai reabrir a sua página do Facebook. E também assumiu que é "um homem de esquerda".

Nobre admitiu ainda que aceitaria o convite de qualquer partido caso lhe fosse oferecido o cargo de presidente da AR: "Teria aceite se tivesse confiança no líder. Para mim são importantes as relações pessoais".

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MensagemAssunto: Presidente não pode impor soluções aos partidos   Dom Maio 01, 2011 11:55 am

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Presidente não pode impor soluções aos partidos

Hoje


Na primeira entrevista após a derrota nas eleições presidenciais, Manuel Alegre diz que não é possível fabricar soluções antes das próximas eleições, e que o presidente da República não pode impor soluções aos partidos no quadro da Assembleia da República antes de ser conhecida a vontade dos eleitores.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1841384

Convidado de João Marcelino no Gente que Conta, a histórico líder socialista defende que o PS ainda pode ganhar as próximas eleições, sublinhando que, apesar das exigências da troika, não é indiferente que o próximo Governo venha a ser liderado por José Sócrates ou Pedro Passos Coelho.

Manuel Alegre diz ainda que a querela entre PS e PSD tem enfraquecido a posição negocial de Portugal e que há "questões pessoais que inquinam as relações políticas", reforçando que "quem se quiser entender com o Partido Socialista tem que se entender com este Partido Socialista, liderado por este secretário-geral".

Sobre as presidenciais de Janeiro, que perdeu para Aníbal Cavaco Silva, Manuel Alegre admite que foi difícil digerir a derrota e que acreditou ser possível chegar a uma segunda volta. Em relação a Fernando Nobre, que também correu a Belém, diz que Pedro Passos Coelho cometeu um erro político grave ao prometer-lhe o lugar de presidente da AR. Elogiou ainda Teixeira dos Santos, o ainda ministro das Finanças, que na sua opinião fez "um trabalho considerável pelo Governo e pelo País".

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MensagemAssunto: Zona euro não estava equipada para reagir à crise   Dom Maio 08, 2011 11:31 am

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Zona euro não estava equipada para reagir à crise

por DN.pt
Hoje

O português nomeado para embaixador da União Europeia nos Estados Unidos da América admite que a União Económica Monetária não tinha os mecanismos necessários para reagir à crise financeira, mas que está agora a atacar o problema na sua raiz: a falta de competitividade das economias europeias.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1846747

Em entrevista no Gente que Conta com João Marcelino, director do DN, o ex-chefe de gabinete de Durão Barroso na Comissão Europeia sublinhou a importância de regulamentar a actividade das agências de rating que, revela, têm melhor imagem nos EUA do que na Europa.

Numa conversa que atravessou vários temas da actualidade, o embaixador em Washington comentou a morte de Osama Bin Laden considerando-a uma vitória de Barack Obama e dos Estados Unidos da América, mas refere que o mundo deve continuar vigilante e empenhado na luta contra o terrorismo.

Quanto à situação do País, Vale de Almeida mostrou-se optimista: admitiu que Portugal está a passar por um período complexo mas promissor, que pode significar uma oportunidade para implementar as alterações e reformas de que o Estado precisa, acrescentando que o País tem "uma classe política responsável" e "actores institucionais" capazes de garantir uma resposta à crise.

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MensagemAssunto: "Defendo a existência de um governo com maioria"   Sex Maio 13, 2011 3:59 pm

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"Defendo a existência de um governo com maioria"

Hoje

O seu nome surpreendeu quando o líder socialista o anunciou no último congresso para ser cabeça de lista pela capital. Ferro Rodrigues estava num exílio parisiense e tornou-se imediatamente o emblema do regresso dos pesos pesados em torno da actual liderança para suster o regresso do PSD ao poder.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1850820

Ferro Rodrigues não entende a violência do debate político em plena: "Transformou-se o ambiente de campanha e de debate numa situação de agressão e de ataques de carácter. O que é mau para a democracia e para o País, principalmente neste período de crise. Até já ouvimos um importante dirigente do PSD a comparar Sócrates com Hitler!" E entende que terá de haver um entendimento entre os dois maiores partidos. "Defendo a existência de um governo com maioria na Assembleia da República há muito tempo. Antes das eleições de 2009 disse-o numa entrevista, de que nem todos gostaram no PS, que achava aconselhável já então fazê-lo. O que aconteceu, infelizmente, foi a impossibilidade de construir com partidos como o Bloco de Esquerda e o PCP uma alternativa sólida e credível. Se for liderado pelo PS - que muito dificilmente terá maioria absoluta como parece -, dificilmente poderá deixar de contar com o PSD."

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MensagemAssunto: Carolina Almeida, 43 anos natural de Mirandela alinha pelo PS   Sab Maio 14, 2011 3:50 pm

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Mirandelense é Cabeça de Lista Fora da Europa
Mirandela



Carolina Almeida, 43 anos natural de Mirandela alinha pelo PS

Mirandelense é Candidata pelo Círculo Fora da Europa
Carolina Almeida é originária da Freguesia de Navalho, concelho de Mirandela, tem 41 anos. É casada e mãe de dois filhos. Com 3 anos de idade emigra para o Brasil com seus pais onde se licencia em Direito, com pós-graduação em Direito Processual Civil.

Em 1989, é aprovada no concurso de acesso aos quadros externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e ingressa funções no Consulado Geral de Portugal em São Paulo onde, ainda hoje, é assistente do chefe de posto consular.

Activista associativa na comunidade portuguesa, particularmente na região de São Paulo, foi directora da “Casa de Portugal de São Paulo” e do “Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo”. Na década de 90, foi uma das fundadoras do “Movimento Jovem Luso-Brasileiro” e na mesma época assinava uma coluna voltada para os jovens luso-descendentes no jornal “Portugal em Foco” como também apresentava um programa radial dedicado à comunidade portuguesa na “Rádio Mundial”.

Nestas eleições para às próximas legislativas portuguesas 2011, foi convidada pelo Partido Socialista para ser candidata a deputada pelo círculo “Fora da Europa”. Razões mais que suficientes para que o Notícias de Mirandela a entrevistasse. Nesta pequena entrevista conhecemos uma emigrante que não esquece a sua terra natal, embora com poucas lembranças assume-se como Mirandelense e não esquece a sua família ainda a viver na aldeia de Navalho. Não se revela uma mulher de esquerda, mas defende o Governo de José Sócrates.

Notícias de Mirandela- Conte-me um pouco das recordações que tem de Mirandela?

Carolina Almeida - Eu nasci numa pequena freguesia de Mirandela que se chama Navalho. No Navalho morava a minha avó materna. Eu morei no Cachão, até os 3 anos de idade. Vim para o Brasil na companhia dos meus tios, que efectivamente me criaram. Eu tenho duas irmãs que residem em Mirandela e outra que reside em Valpaços. Como vim muito pequena, tenho poucas recordações da minha terra natal.
“nunca perdi a sensação de pertencer a Mirandela”

NM -) Vi no seu Facebook, quer da campanha quer pessoal, que faz questão de dizer que é de Mirandela, de que forma se sente Mirandelense?

CA-) Mesmo morando em São Paulo – Brasil deste muito pequena, nunca perdi a sensação de pertencer a Mirandela, de pertencer a Portugal, como todo o emigrante.

NM-) Fale-nos um pouco do percurso da sua vida.

CA-) Cheguei a São Paulo aos 3 anos de idade, fez todos os meus estudos na cidade de São Paulo. Tirei o curso de Direito. Em 1989 ingressei no quadro de funcionários do Consulado Geral de Portugal em São Paulo. Eu tinha então 19 anos. Trabalho no Consulado desde então.

NM-) Como surgiu este convite para se candidatar a Deputada pelo círculo fora da Europa?

CA -) O meu trabalho implica em contactos directos com várias autoridades de Portugal. O Partido Socialista, que me convidou a ser cabeça de lista pelo Círculo fora da Europa, já conhecia o meu trabalho junto às Associações Portuguesas e junto ao Consulado, razão pela qual me escolheram.

NM- )Nas últimas eleições legislativas, o resultado do PS no seu círculo foi absolutamente desastroso, não tendo elegido nenhum deputado. Qual o seu objectivo? E como pensa consegui-lo?

CA-) Eu trabalho no Consulado de Portugal em São Paulo há muitos anos. Sou bastante conhecida na comunidade portuguesa local e acho que desta vez poderemos ter uma votação expressiva.

NM-) Considera-se uma mulher de Esquerda?

CA-) A minha candidatura é independente. Não sou filiada a nenhum partido. Fui escolhida pelo PS. Fiquei honrada com o convite e espero corresponder às expectativas.

NM-) De modo, pretende pautar a sua intervenção política, como Deputada?

CA-) Eu pretendo defender os interesses dos imigrantes. Para defender esses interesses é necessários saber que interesses são esses. Não é um deputado residente em Portugal que saberá identificá-los. Só quem já passou pela experiencia da emigração é capaz de saber o que um emigrante deseja.
“ Não é uma crise de Portugal, é uma crise da zona euro”

NM-) Como vê o actual estado do país?

CA-) Portugal passa agora por uma grande crise económica. Não é uma crise de Portugal, é uma crise da zona euro. Estão na mesma situação a Irlanda e a Grécia. Qualquer que fosse o partido, chegaríamos a esta crise. Acho que o PS, com a experiência que já teve nos últimos seis anos, é capaz de identificar os problemas a serem resolvidos e procurar as melhores soluções. Confio no José Sócrates, confio no PS e quero fazer parte desta equipa que vai reerguer Portugal desta crise.
“esta crise só será resolvida por um grande líder como José Sócrates.”

NM-) Como entende que o futuro do país possa melhorar com um governo PS?

CA-) Acho que o Governo PS precisa terminar o seu trabalho. Não vejo nenhum candidato da oposição com capacidade para enfrentar esta crise. Acho que esta crise só será resolvida por um grande líder como José Sócrates.

NM-) Considera que um Governo de Maioria Absoluta pode favorecer o futuro político de Portugal?

CA-) É essencial que se consiga a maioria na Assembleia, mesmo que para isso sejam necessárias alianças com outros partidos.

NM-) Caso seja eleita, assumirá o cargo?

CA-) Claro que sim.

NM-) Caso sim, deverá ser uma mudança completa na sua vida, como encara essa mudança?

CA-) Um emigrante está sempre pronto para o novo. Não tem medo de enfrentar novos desafios. Estou pronta para esta nova fase da minha vida.

NM-) O seu eleitorado é vasto, são todos os portugueses emigrantes fora da Europa, como pensa fazer chegar a sua mensagem ao eleitorado?

CA-) O emigrante, esteja ele onde estiver, tem essencialmente os meios anseios e os mesmos problemas. O mundo virtual permite que as minhas propostas cheguem a todos os emigrantes, residentes nas mais diversas comunidades.

NM -) Tem Facebook, Twitter e um blog, é adepta das novas tecnologias? Como vê estes meios de comunicação de hoje em dia? Considera importante a utilização destes, na vida política?

CA - ) Como disse, o mundo virtual hoje em dia é fundamental na divulgação de propostas dos candidatos. Não precisamos estar em todo lado, mas precisamos estar conectados diariamente. O mundo de hoje é digital. O candidato que não entender isto sairá em desvantagem.

NM - ) Deixe uma palavra aos emigrantes portugueses residentes fora da europa.

CA -) Espero poder contar com o apoio de todos. No dia 5 de Junho, vote no PS, ajude a eleger uma emigrante para a Assembleia da República. Não vote em lista que possui deputados residentes em Portugal. Um emigrante deve votar em outro emigrante. Só assim poderá ter a certeza de que seus direitos serão realmente defendidos.
Perguntas de Algibeira

• NM-) Qual o último livro que leu?

CA-) Comer, Rezar, Amar de Elizabeth Gilbert

• NM- ) O seu destino cidade ideal para férias?

CA-) Brasil: Caraguatatuba – Litoral Norte de São Paulo
Portugal: Mirandela ou Aveiro

• NM- ) Qual o seu prato favorito?

CA-) Comida portuguesa em geral. Adoro arroz de marisco

•NM -) Qual a sua citação favorita?

CA-) “Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.” Clarice Lispector

• NM -) O seu clube?

CA - ) Lusa, sempre !

• NM -) Samba ou Fado?

CA - )Os dois, não sou capaz de escolher apenas um

• NM -) Amália Rodrigues ou Roberto Carlos?

CA -) Amália

• NM -) Qual a figura que inspira a sua vida?

CA - )Florbela Espanca, uma mulher à frente do seu tempo.

Rui Tulik - in Noticias de Mirandela, 2011-05-13
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MensagemAssunto: Direcção do PSD cai se Passos não for primeiro-ministro   Dom Maio 15, 2011 4:40 pm

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Direcção do PSD cai se Passos não for primeiro-ministro

Hoje


O ex-ministro da Economia do executivo de José Sócrates defende que o líder do Partido Social-Democrata não aguentará uma derrota nas eleições legislativas do próximo mês de Junho.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1852419

Em entrevista ao Gente que Conta, programa conduzido por João Marcelino, director do DN, Manuel Pinho acusou ainda o PSD de recusar alianças e usar no seu programa eleitoral uma linguagem de uma "agressividade sem paralelo".

O economista, que já trabalhou para o Fundo Monetário Internacional, defende que a unidade política é condição essencial para o sucesso do plano de resgate acordado com o FMI, União Europeia e Banco Central Europeu, e diz esperar que seja escutado o apelo à união feito pelos ex-presidentes da República e pelo actual presidente que, na sua opinião, está a fazer "o melhor que pode".

Para Manuel Pinho, a origem dos problemas de competitividade de Portugal está na entrada para a moeda única e a forma como foi concretizada a própria adesão ao euro. Em relação à economia portuguesa, defende que a redução da taxa social única tal como foi proposta pelo PSD não terá um impacto significativo no sector exportador e que as privatizações podem desmembrar empresas estratégicas para o Estado, que são "bandeiras nacionais" no estrangeiro.

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MensagemAssunto: «Muitos portugueses não têm outra hipótese senão emigrar»   Qua Maio 18, 2011 4:24 pm

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Entrevista a Frei Sales Diniz
Emigração



«Muitos portugueses não têm outra hipótese senão emigrar»

Fundada em 1962, a Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) actua actualmente junto das dioceses do país, dos imigrantes residentes em Portugal e das comunidades portuguesas dispersas pelo mundo.

Mas nasceu para responder às necessidades do grande número de portugueses que saia de Portugal nos anos 60. Quando se aproximam os 50 anos da sua criação, a OCPM vê-se novamente a braços com uma grande vaga de emigração portuguesa, com novos contornos.
Em entrevista a O Emigrante/Mundo Português, frei Francisco Sales Diniz, director da Obra, afirma que “os emigrantes de outros tempos não são os emigrantes de agora”, e lamenta que muitas pessoas não tenham “outra hipótese senão emigrar”…


A Obra Católica Portuguesa das Migrações completa 50 anos de actividades em 2012. O que levou há sua criação?

A Obra Católica Portuguesa das Migrações nasceu para dar resposta às necessidades do grande fluxo migratório que saia de Portugal nos anos 60. Já havia um trabalho de envio de sacerdotes para os países de emigração, mas não havia propriamente um trabalho estruturado. Foi dentro do patriarcado de Lisboa que nasceu a Obra, como um meio de envio de sacerdotes e foi ai que se foram estruturando nas diversas comunidades portuguesas, particularmente na Europa. Nos Estados Unido e no Canadá existia uma emigração mais antiga e já tinha um trabalho feito de estruturação das comunidades.

Em quantos países está presente a Obra?

São muitos. É muito diverso, porque cada país é um mundo diferente e consoante a emigração ser mais antiga ou mais nova, as coisas funcionam de forma diferente. Nós temos sempre, em todos os países, uma função de apoio, mas em alguns, a igreja já está estruturada e totalmente dependente das dioceses e praticamente a única relação que têm connosco é pedirem-nos algum sacerdote ou material de apoio. Como por exemplo no Canadá, os Estados Unidos e a Venezuela.
Continuamos particularmente a apoiar a Europa, a África do Sul e um pouco a Austrália – apesar da emigração para esse país ter parada há alguns anos e lá termos apenas uma comunidade estruturada com um sacerdote. A Europa continua a ser o grande pólo de relação e trabalho, particularmente a Suíça, a Alemanha, a Bélgica, o Luxemburgo, a França, a Holanda - que teve uma emigração quase parada e agora voltou a «explodir» - e a Inglaterra - um fenómeno novo e onde temos que alargar o trabalho porque são cada vez mais os portugueses a trabalhar naquele país.

Ao longo dos quase 50 anos da OCPM, o que mudou na Emigração portuguesa?

Mudou muita coisa. Os emigrantes de outros tempos não são os emigrantes de agora. Muita gente emigrou fugida de um sistema político e social e muita gente emigrou em situações de quase extrema pobreza. Temos que lembrar as situações de pobreza que se viviam em Portugal antes de 25 de Abril de 1974. Naquela altura, na maior parte dos casos, emigravam os homens e as mulheres ficavam com os filhos. Muitos estavam anos fora, poupavam e depois vinham para organizar a sua vida, enquanto outros chamavam mais tarda as famílias.

Actualmente, a emigração é completamente diferente. Emigram tanto homens como mulheres, muitas vezes, mesmo a nível familiar a mulher até já vai à frente, algo que era impensável noutros tempos. Depois, temos uma emigração muito jovem. Jovens que acabam o seu período de formação, cursos universitários e profissionalizantes, não encontram trabalho em Portugal e vão para outros países à procura de soluções.
Vemos também neste momento - e penso que é um dos grandes dramas da actualidade - a emigração de muitas famílias, completas e relativamente jovens. Pessoas que estão a perder os seus empregos, que têm compromissos económicos, que compraram apartamentos, casas, têm dívidas e para não perderem as suas coisas vêm-se obrigadas a emigrar. Neste momento, muita gente emigra para não perder o que já tem.

Quem emigra para começar uma vida, vai para outro país e não deixa nada para trás, vai construir. Mas uma pessoa que sai do seu país, que deixa uma vida que já está construída e de um momento para o outro vê desmoronar-se, vive um stress enorme a tentar arranjar trabalho num outro país e a ver as coisas perderem-se cá. E vemos que muita gente que emigra, já não vai a pensar regressar. Vão para construir a vida noutro país. Existe uma diferença muito grande nesta questão.

Ao nosso nível, vivemos num mundo muito mas descristianizado. Noutros tempos toda a gente procurava a Igreja, os portugueses eram essencialmente católicos, hoje já não. Muitos procuram-nos porque as nossas missões têm uma base de apoio que os pode ajudar, mas já não é com aquela afluência antiga, em que a maioria dos emigrantes procuravam as missões para construir comunidades enormes. Mas continua muita gente a procurar o nosso apoio, particularmente na questão das famílias novas com crianças em idade escolar e idade de catequese. Porque apesar de não frequentarem a Igreja, os portugueses continuam a enviar os filhos à catequese.

O que pedem os portugueses que batem «à porta» das missões portuguesas?

Depende muito dos países. Em Inglaterra, porque e um país quase exclusivamente anglicano, muita gente procura porque gosta de por os filhos na escola católica e para isso, precisam ter uma relação com uma comunidade porque precisam de um documento assinado pelo padre. Notamos isso muito em Londres.
Pedem todo o tipo de ajuda, desde questões de documentação, ajuda a encontrar casa, trabalho, para servirmos de intérprete quando é preciso ir às instituições, existem muitos pedidos nas missões para este tipo de apoios. Pedem-nos muita ajuda na questão dos idosos. Em alguns países como a Alemanha e a França, há muitos portugueses na terceira idade, que por vezes ali trabalharam uma vida inteira e têm reformas pequenas. Sonharam vir para Portugal mas como têm lá um bom sistema de saúde já não conseguem vir e procuramos dar-lhes apoio.

Que problemas afectam actualmente os emigrantes portugueses?

Existem muitos problemas. Ultimamente, confrontamo-nos com uma realidade que se calhar não existia noutros tempos: nas nossas comunidades não temos só portugueses, temos pessoas de língua portuguesa e isso às vezes cria alguns conflitos. Porque apesar de falarmos todos a mesma língua, as culturas e a forma de ver as coisas são diferentes. Um dos maiores problemas é sempre a questão material. As pessoas às vezes chegam até nós com a expectativa de ajuda e nós não temos subsídios, vivemos da solidariedade dos cristãos.

Através do trabalho das missões têm a percepção de que se estará a emigrar tanto agora como nos anos 60 e 70?

Acho que neste momento estamos com um nível de emigração comparável aos anos 60 e 70. Está a sair muita gente. Nos anos 60 e 70 conseguia-se contabilizar e agora, infelizmente, não se consegue. O espaço Shengen, as fronteiras abertas, impossibilitam que haja uma contabilidade.
Mas nós, através de algumas informações que nos chegam, defendemos que nos últimos dois a três anos estão a emigrar uma média de cem mil pessoas por ano. Em França, através de um estudo sobre a religiosidade dos portugueses, o número de novos inscritos nos consulados e a abertura de contas no banco, calcula-se que em média, estejam a entrar 20 mil portugueses por ano. É muita gente. E se pensarmos que estão a emigrar muitos mais para Inglaterra e para a Suíça... Muitos universitários estão a ir para a Suíça e lá têm trabalho.

Para onde emigram os portugueses actualmente? Há novos «destinos de emigração» para os portugueses?

É interessante vermos os destinos dos fluxos migratórios, mas também a origem dos fluxos e a razão. Há muitos anos que se emigra para Inglaterra, mas tem realmente aparecido uma nova vaga. No que toca a novos países de destino, destaca-se Angola, que está a ser um fenómeno. Mas temos que ter consciência que por ser uma ex-colónia, muita gente que está ir para lá tinha relações ou raízes anteriores à independência. Calcula-se que estejam cerca de cem mil portugueses em Angola.
A emigração para a Holanda tem sido um fenómeno interessante. Pelas informações que temos, está a voltar a haver uma chegada regular de portugueses em busca de trabalho. Para a Holanda tinha praticamente terminado a emigração (portuguesa) já há alguns anos. Tínhamos duas missões (Amesterdão e Haia), aliás, tínhamos até três, mas uma já tinha fechado. Estávamos agora para fechar uma das outras e integrá-la num projecto mais alargado de apoio a emigrantes de diversas proveniências, mas estamos a ver como vamos fazer porque estão a chegar pessoas e a procurar as missões.

Além de Angola, o forte da emigração está a ir para os países tradicionais: Inglaterra, Suíça, França, Holanda, Luxemburgo e também um pouco para a Alemanha. Sobre Espanha, não temos muitos dados, nunca houve uma estruturação pastoral (portuguesa) em Espanha. Andorra é uma situação especial, onde as pessoas estão relativamente bem integradas e não há relatos de problemas. Mantemos uma relação com eles e quando precisam de alguma coisa comunicam-nos, principalmente para as festas. A Obra é muito contactada por causa das celebrações nas festas das comunidades, ou por altura da comunhão e do crisma. Gostam que lá vá um padre português, ou um bispo.

Recebem muitos pedidos de informações de pessoas que querem emigrar?

Ainda há pouco tempo, contactou-nos um casal jovem que tinha acabado os seus cursos na Universidade de Coimbra e estava a pensar casar. Foram para a Suíça e uma semana depois, estavam a trabalhar. Recebemos muitos pedidos de informações sobre as missões, onde podem contactar portugueses. Muitos perguntam se existem outras instituições que os possam apoiar e ajudar. Esses são quase sempre gente com mais conhecimentos e que está habituada à internet.
Mas para além desta emigração temos que ter consciência que existe a emigração dos mais pobres, da mão-de-obra não qualificada, principalmente para a construção e para a agricultura. E uma emigração sazonal. Recorde-se as situações que houve na Holanda não há muito tempo e aqui na vizinha Espanha. Por exemplo, não podemos esquecer o Sul de França, na agricultura, onde existem também situações dramáticas de exploração.

Numa intervenção feita na reunião plenária do Conselho das Comunidades Portuguesas, em Março, chamou a atenção para as redes de exploração de mão-de-obra não qualificada, afirmando que “geralmente são portugueses a explorar portugueses”…
São portugueses a explorar portugueses ou redes portuguesas que depois fazem a angariação e que os levam até aos países, são os intermediários. Nós encontramos muita gente, portugueses que estão no exterior e têm empresas e utilizam os seus próprios compatriotas.
Conheço muito bem a emigração da Califórnia, é um mundo português. Percorremos aquelas cidades e não há uma onde não haja comunidade portuguesa. Mas chegamos ali e os trabalhadores portugueses dizem que o pior patrão é o português.

Continuo a defender que Portugal - não só o Estado mas também as pessoas - tem muito a aprender com a emigração chinesa, é uma emigração muito solidária. Por exemplo, em Toronto onde são mais de um milhão, têm uma associação que, quando chega uma família nova, cada pessoa dá-lhe um dólar. Esta associação está assim estruturada. Portanto, quando chega a nova família, esta já tem a sua loja, a sua casa, tudo preparado para a receber. Nós, portugueses, a resposta é quase sempre «eles que trabalhem que eu também trabalhei». É preciso criar uma solidariedade, as missões procuram fazer isso mas chegam a um pequeno número de emigrantes, não chegam a todos.

Os dados oficiais apontam para a existência de 4,5 a 5 milhões de portugueses na diáspora. Defende que esse número não está correcto e que os portugueses (e descendentes) no estrangeiro são quase tantos quanto os que residem em Portugal. Em que se baseia?

Os números que apresentam são dos registados nos consulados, mas a maioria dos emigrantes que conheço não tem registo consular porque não é obrigatório. Vou à Califórnia no final de Maio e estarei lá 15 dias a visitar duas comunidades. Vou fazer um pequeno inquérito sobre essa questão, vou perguntar às pessoas se estão ou não registadas no consulado. Na Califórnia, onde residem centenas de milhares de portugueses, se houver dez por cento - e estou a dar uma percentagem muito elevada - de pessoas registadas no consulado, já é muito.
As pessoas não têm relação com o consulado e cada vez fecham mais consulados. Para quem está, por exemplo, no meio do vale de São Joaquim, o consulado é em São Francisco. São quatro, cinco horas de viagem para cada lado, para chegarem ao consulado, só para se registarem. Ninguém vai. Mesmo a nível de Europa, vemos que entre os números de registos nos consulados e as estimativas dos países sobre os números de emigrantes, há um desfasamento enorme.
Nos Estados Unidos, estão registados nos consulados cento e tal mil. Mas entre portugueses e luso-descendentes, têm lá mais de dois milhões de pessoas. Há cidades onde 80 a 90 por cento da população é de origem portuguesa: Newark, Fall River, New Bedford. Na Califórnia, em Hilmar, uma pequena cidade com cinco ou seis mil habitantes, só dois por cento não são portugueses. Mas também chegamos a Turlock, uma cidade ao lado, com cerca de 80 mil habitantes, e quase 50 por cento são portugueses. Não estão contabilizados, mas são uma realidade.

É uma realidade estatística «escondida» por Portugal?

Até o conceito de Emigração querem mudar, precisamente como uma forma de baixar a estatística. Como o facto de não quererem (em Portugal) reconhecer que as pessoas que estão nos países da União Europeia são emigrantes. É que o número de emigrantes manifesta a incapacidade do Estado português em criar condições de fixar os seus, condições de trabalho e condições de vida. Perante os parceiros da União Europeia, é uma má imagem de marca. Continuo a dizer que o Estado português não tem verdadeiramente interesse em fazer um retrato real da nossa Emigração, precisamente por causa disso.

Na sua opinião, o que é preciso que o Estado faça em termos de apoio às comunidades portuguesas?

A nossa rede consular deveria ser muito mais alargada. Os consulados não deveriam ser apenas para burocracia, deveriam servir também para uma dinamização das nossas comunidades, para os apoiar mesmo a nível económico. Numa situação de crise actual, quando se fala que é preciso aumentar as exportações, seriam um bom meio, por exemplo, para se promover nas comunidades, os nossos produtos. Para a dimensão do nosso país, temos talvez a melhor rede mundial para podermos crescer economicamente a nível de exportações, e não a aproveitamos. Uma rede importadora e consumidora.
É preciso estar mais próximo das pessoas e não gastar às vezes milhões em coisas que não levam a lado nenhum. O consulado virtual, criado com esta tentativa de reduzir o número de consulados, não serve de nada, foi um desperdício de dinheiro. Em algumas das nossas missões está lá a máquina, parece uma máquina de multibanco e não resolve problema nenhum. O Governo dos Açores criou algo que é um bom modelo, a RIAC, Rede Integrada de Apoio ao Cidadão, que não funciona apenas nas ilhas, abriram um espaço em Lisboa e estão a abrir nas comunidades. Onde o que se resolve numa Loja do Cidadão em Portugal, qualquer português lá pode resolver.

O meio associativo é uma «ferramenta» mal aproveitada?

Acho que é, mas essa é outra das problemáticas do ser português. Quando se criam associações, quase sempre ficam presas aos fundadores. As associações vão envelhecendo e os mais velhos não são capazes de se abrirem aos mais novos nem de se irem actualizando em relação à mentalidade dos mais jovens. Uma grande parte das associações culturais portuguesas espalhadas pelo mundo, são envelhecidas, agarradas a formas do passado. Mas para subsistirem têm que se abrir a outras «dimensões». Mas penso que seriam importantes, não só na questão cultural, mas também de apoio aos nossos cidadãos, apoio social e a jovens. Algumas têm sido importantíssimas em relação ao ensino da língua portuguesa.

O ensino da língua portuguesa é outra «ferramenta» importante?

O ensino da língua portuguesa é algo em que se deve continuar a investir, e bastante. Na Europa o ensino do português começou nas missões e foram estas que pressionaram consulados e embaixadas o que levou a que se fosse consolidando o ensino do português ligado ao Ministério da Educação. Noutros tempos, os portugueses quando emigravam, alguns tinham vergonha da sua língua. Hoje já estão a perceber que o mundo é global, já percebem a importância de se saber mais do que uma língua e já percebem a grandeza da língua portuguesa, a nível mundial. É algo a investir com força. Se Portugal tem tanta gente lá fora e tem recebido tanto dos seus emigrantes, também tem que dar alguma coisa.

Na reunião do Conselho das Comunidades Portuguesas disse ainda que Portugal tem o dever de receber bem quem chega, mas tem igualmente o dever de acompanhar os seus que saem. Que relação tem Portugal - governantes e sociedade civil - com os seus emigrantes?

Acho que as coisas estão a mudar. Noutros tempos, o emigrante dava muito nas vistas, quando chegavam tinham mais dinheiro, nas festas gostavam de pagar a bebida, etc. Isso criou um estigma.
Hoje as coisas estão a mudar, apesar de sentir que alguns emigrantes quando cá vêm não se sentem acolhidos. Mas penso que não há falta de acolhimento, é que agora as pessoas já têm tanto dinheiro, o carro já é igual. Conheço um emigrante que me disse que já não voltava à sua terra porque lá «está tudo rico, já ninguém precisa de nada». Nas paróquias onde há um grande número de portugueses emigrados e que vêm no Verão, temos procurado promover a festa do emigrante. Uma festa de acolhimento e partilha, um dia dedicado a eles, e tem sido positivo. É preciso contribuir para ultrapassar o estigma que foi criado noutros tempos em relação aos emigrantes, mas estes também têm que ter uma atitude diferente.

Portugal vai continuar a ser um país de emigrantes?

Nos próximos anos, sim. Está na massa do sangue do português, faz parte da identidade portuguesa. Este país é muito pequeno e o ser humano gosta de grandes horizontes. E com a situação em que o país está, penso que nos próximos anos vamos assistir a muito mais gente a sair de Portugal. Muitas pessoas não têm outra hipótese senão emigrar.

Ana Pinto, Mundo Portugues, 2011-05-17
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MensagemAssunto: "Objectivo é ser o próximo primeiro-ministro de Portugal"   Dom Jun 12, 2011 10:48 pm

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"Objectivo é ser o próximo primeiro-ministro de Portugal"

Hoje


Na semana em que dois candidatos se perfilam para lutar pela liderança do Partido Socialista, após a demissão de José Sócrates do cargo de secretário-geral, Francisco Assis, o primeiro a avançar oficialmente, não esconde a ambição de vir a liderar um governo socialista na próxima legislatura.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1876137

Em entrevista a João Marcelino, director do DN, no Gente que Conta, Franciso Assis, revelou que tomou a decisão de se candidatar a secretário-geral do PS só depois de saber que António Costa não ia nesta eleição. E sublinhou que não faz uma avaliação negativa da governação socialista dos últimos seis anos só porque o partido perdeu as eleições legislativas do passado dia 5 de Junho.

Assis, que foi o mais jovem autarca do País ao dirigir a câmara municipal de Amarante quando tinha apenas 24 anos, quer trazer "gente nova para a primeira linha" do Partido Socialista e admite que havia já um desgaste da governação do PS, o que explica a decisão do eleitorado em atribuir maioria aos partidos de direita. E não admite ser o candidato da continuidade contra António José Seguro, que vinha mantendo uma discreta oposição à liderança de Sócrates.

Referindo-se à actualidade nacional, o candidato a líder do PS defende que o problema da economia portuguesa reside na falta de qualificações e pede entendimento entre as várias forças políticas para uma reforma séria do sistema judicial. Em relação ao Governo PSD/CDS-PP, deseja-lhes "melhor sorte" do que ao Partido Socialista e acusa o partido de Pedro Passos Coelho de ter abordado mal a questão do Presidente da Assembleia da República, cargo que foi oferecido ao ex-candidato a Presidente da República, Fernando Nobre.

In DN


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MensagemAssunto: Louçã veria hoje 'com outros olhos reunião com a troika   Dom Jun 19, 2011 11:41 pm

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Louçã veria hoje 'com outros olhos reunião com a troika'

por DN.pt
Ontem


Quinze dias depois das eleições, nas quais o Bloco de Esquerda (BE) perdeu cerca de 270 mil votos e metade dos seus deputados (passou de 16 para oito), Francisco Louçã responde nesta entrevista a muitas das críticas que se têm ouvido, dentro e fora do partido de que é coordenador.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1882404

Em resumo, fica implícito que hoje se reuniria com os elementos da troika e explícito que entende ter perdido muitos votos com essa decisão. Em nome da coerência política, há, no entanto, algo que não aceita: que o BE se torne aliado "deste PS", que Francisco Louçã entende como um partido comprometido com os grandes interesses económicos e pouco socialista.

"O que é facto é que para muitas pessoas o BE devia ter expressado os seus pontos de vista junto desses delegados das instituições [que nos concederam o empréstimo: Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia], e a nossa atitude não foi compreendida e isso prejudicou-nos do ponto de vista eleitoral. Poderíamos ter tomado uma atitude diferente, certamente. Essa crítica foi-nos expressa de uma forma muito clara, por muitas pessoas. Nós registamo-la, reconhecêmo-la e respeitamo-la. A nossa atitude não foi compreendida por uma grande parte do eleitorado", diz.

In DN

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RMaria

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MensagemAssunto: «Ganhámos um deputado para o distrito»   Seg Jul 04, 2011 12:48 pm

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Entrevista a Silvano
Distrito de Bragança



«Ganhámos um deputado para o distrito»

O presidente da Comissão Política Distrital do PSD, José Silvano, faz o balanço das Eleições Legislativas e aponta baterias às Autárquicas 2013, onde o partido quer reforçar o número de municípios laranja.

Em entrevista ao Jornal Nordeste, o responsável fala da pacificação da estrutura partidária e da necessidade de pôr fim às “divergências funalizadas” na Concelhia de Bragança, para não condenar a vitória autárquica na capital de distrito.


Jornal Nordeste (JN) – O resultado que o PSD teve no distrito de Bragança, nas Eleições Legislativas, pacifica o partido?

José Silvano (JS) – Quando há um objectivo comum, nós ultrapassamos facilmente as diferenças e foi o que aconteceu. É evidente que nós queríamos, e o presidente da distrital queria, ter uma pessoa do distrito a encabeçar a lista dos deputados, porque quando vinham do exterior e eram impostos ao distrito, eram corpos estranhos, pessoas que depois nunca mais ligavam ao distrito e que, mesmo na campanha, nem sequer se identificavam com os valores da região. Com o Dr. Francisco Viegas foi exactamente o contrário. Ele já conhecia muito bem o distrito, pois a sua família está implantada na região. Tem valores e raízes que são transmontanos e, nos sítios por onde passámos e na própria estrutura distrital, as pessoas nutrem simpatia e admiração por ele.
Tenho de reconhecer, publicamente, que o nosso cabeça de lista foi uma agradável surpresa. Não tenho dúvidas que ganhámos um deputado para o distrito.

“Nos três [municípios do PS] onde não há lugar a recan­didaturas, vamos jogar com toda a força”

JN – Após a escolha de Francisco José Viegas para o Governo, acha natural que Adão Silva também seja chamado para outras funções?

JS – Quer um, quer o outro são pessoas com qualificações e experiência de vida e profissional, suficientes para serem membros do Governo. Acho que são duas pessoas que estão em excelentes condições de ajudar o distrito, tanto no Governo, como na Assembleia da República. Tudo farei, como presidente da Distrital, para aproveitar as qualidades de um e do outro, para os pôr a preparar as próximas autárquicas em vários concelhos, a mobilizar esses concelhos à volta dos temas em que eles são mais fortes.

JN – Aliás, na noite das eleições, Francisco José Viegas anunciou logo que o próximo passo é ganhar as Autárquicas...

JS – As Autárquicas dependem de muitos factores, nomeadamente, da credibilidade dos candidatos que se apresentem. Penso que está um bocado do trabalho feito, pois o PSD está implantado fortemente em todos os concelhos, mas falta a segunda parte e não podemos extrapolar o resultado das Legislativas automaticamente para as Autárquicas, porque haverá mais dificuldades e será difícil ganhar em todos os concelhos.

JN – Onde é que a vitória pode ser mais fácil? Em que concelhos?

JS – Teoricamente serão todos os seis concelhos onde o PS tem poder. Na actual legislação não há muitos candidatos, quer do PS quer do PSD, que sejam recandidatos. Tirando Vinhais, Miranda do Douro e Alfandega da Fé, há três municípios do PS onde os autarcas não se podem recandidatar. Freixo é o último mandato, tal como Moncorvo e Vila Flor. O PSD tem cinco que não podem,pois Carrazeda de Ansiães é o único com condições de recandidatura. Sem conhecer os candidatos alternativos do PS, esses seis municípios socialistas vão ser objecto de força para mudar, e nos três onde não há lugar a recandidaturas, vamos jogar com toda a força.

“Ou acabam essas lutas e alguém cede, ou põe-se em causa a conquista da Câmara de Bragança nas próximas eleições autárquicas”

JN – Na questão das portagens na Auto-Estrada Transmontana, vai defender uma moratória de sete anos, tal como foi proposto por Francisco José Viegas durante a campanha?

JS – Penso que todas as Câmaras, quer do PS quer do PSD, percebem que deve haver uma moratória de sete ou oito anos que nos ponha em igualdade com as regiões que já têm auto-estradas há vários anos. E mesmo assim já não vamos compensar situações anteriores.

JN – Enquanto líder da distrital, como é que gere as divisões na Concelhia de Bragança? Sabemos que há dois blocos, um mais virado para Adão Silva e Paulo Xavier, e outro com Jorge Nunes...

JS – Sou presidente da Distrital e, portanto, estou mais preocupado com o distrito do que com as Concelhias, mas digo-lhe que no distrito não há divisões. Mesmo a facção que disputou as eleições da Comissão Política Distrital contra mim, presidida pelo Dr. Telmo Moreno, esqueceu por completo as divisões. Hoje temos todos um bom relacionamento e defendemos o mesmo interesse, que é o PSD ganhar. Mas sinto que em alguns locais, nomeadamente no concelho de Bragança, existem algumas divergências “funalizadas”. Quer isto dizer que são pessoas do partido umas contra as outras por causa de interesses comuns relacionados com a Câmara Municipal ou com o partido.
O que eu entendo é que, ou acabam essas lutas e alguém cede, ou põe-se em causa a conquista da Câmara de Bragança nas próximas eleições autárquicas. Têm de parar enquanto é tempo se querem ganhar a Câmara. E nós para ganhar a Câmara temos de engolir alguns sapos e acabar com essas divergências. O PSD tem demonstrado que onde esteve unido ganhou sempre e onde houve divisões perdeu sempre. Portanto, a capital de distrito só pode ser ganha se houver união. E se eu continuar a ser presidente da distrital, ou acabam as divisões ou toma-se uma medida, porque não se pode pôr em causa a vitória na Câmara de Bragança daqui a dois anos.


João Campos, Jornal Nordeste, 2011-07-04
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MensagemAssunto: "Primeiro-ministro não honrou propostas eleitorais"   Seg Jul 04, 2011 5:32 pm

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"Primeiro-ministro não honrou propostas eleitorais"

por DN.pt
Ontem

António José Seguro, candidato à liderança do Partido Socialista, acusa Pedro Passos Coelho de não ter cumprido as promessas eleitorais ao prever a criação do novo imposto extraordinário, que será tributado aos contribuintes no subsídio de Natal.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1895702

Em entrevista ao Gente que Conta, conduzida por João Marcelino, director do DN, o candidato à liderança do PS faz uma leitura do programa de Governo e diz não encontrar qualquer ambição para contrariar a tendência recessiva da economia portuguesa, apenas uma "tradução" das medidas impostas pelo memorando da troika. No entanto, garante que sob a sua liderança o PS assumirá todas as responsabilidades decorrentes da assinatura deste acordo.

Referindo-se em concreto à sua candidatura a secretário-geral do principal partido da oposição, Seguro garantiu que as suas diferenças são com o primeiro-ministro de Portugal e não com o seu rival interno, Francisco Assis, e admite que, do passado recente do PS, "a única coisa que interessa é aprender com os erros, para não os repetir".

Sublinhando que a sua candidatura "não foi cozinhada nos corredores do poder em Lisboa", António José Seguro destacou ainda que a sua moção de estratégia, "O Novo Ciclo", significa "uma nova forma de fazer política no interior do PS e uma nova forma de fazer política também na sociedade portuguesa".

In DN

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MensagemAssunto: "É preciso saber quem manda"   Sex Jul 08, 2011 10:14 pm

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"É preciso saber quem manda"

por João Céu e Silva (DN) e Paulo Tavares (TSF)
Hoje


O superministro nos governos de António Guterres é bastante crítico quanto à duplicidade de critérios com que as agências de 'rating' iludem os investidores ao classificarem os mercados e as economias soberanas. Como militante socialista, a sua opção para suceder a José Sócrates é clara: António José Seguro

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1901049

Surpreende-o a classificação imposta a Portugal pela Moody's?

Mais do que surpreendido, fiquei estupefacto! Porque parecem-me absolutamente conflituantes os interesses que a Moody's efectivamente representa e que justificam que estas agências de rating sejam independentes. Não haja ilusão sobre esse aspecto, nem sobre ser o interesse público que guia as suas posições.

A situação na Grécia e em Portugal mostrou bem a urgência dessa clarificação?

Até bem antes do que aconteceu nestes dois países e nesta crise. Essa clarificação falhou e continua a falhar. A clarificação dessa situação é fundamental para entender quais são as manifestações do interesse público dessas instituições e das que estão nesse domínio por interesses privados.

Até porque há demasiadas decisões que rodam em torno das opiniões das agências!

A questão dos ratings deve ser abordada do ponto de vista de princípios e não casuisticamente. Não se pode estar sistematicamente a verificar uma ausência de regras, é preciso afastar este tumor para a credibilidade do próprio sistema e dos contribuintes.

Pela primeira vez, houve uma unanimidade nacional e europeia a condenar esta decisão da Moody's. Estes protestos são consequentes?

Sim e são mesmo necessários. Até porque, sendo os protestos agudos e violentos em torno da clarificação, não é certo que o problema se resolva de uma vez só ou por proclamações. A verdade é que este tema tem de ser posto na agenda urgentemente para que os investidores estejam seguros de que as regras de conflitos de interesses serão respeitadas.

O Governo respondeu à altura?

Sim. Não só o Governo como a sociedade portuguesa no seu conjunto, de forma unânime, violenta e objectiva.

O próprio Durão Barroso não deixou passar em branco!

Teve uma tomada de posição que, tal como a do Presidente da República, é extremamente importante e significativa. Tenho a certeza de que o presidente da Comissão Europeia falou em nome do seu cargo e das instituições europeias. Situação que é inédita, principalmente porque foi uma posição tão forte, clara e imperativa. Tal como a de Cavaco Silva, que foi bastante inequívoco ao exprimir a sua posição. Reacções que não podem deixar de pesar nas novas respostas que se impõem.

Não está na hora de se criar uma agência de rating europeia?

É uma hipótese que tem sido falada, designadamente nas últimas horas. Os modelos a adoptar são vários e devem ajustar-se ao que se pretende fazer de modo a recredibilizar o papel destas agências.

A Moody's, ao colocar Portugal quase no 'lixo', está a colocar o País perante uma "tragédia grega"?

Considero forçada - e esforçada - essa tentativa de equivalência entre o caso grego e o português porque, na nossa situação, só é caso na medida em que têm vindo a acontecer estas distorções das regras do jogo. Considero que o importante é a reconstrução de um edifício de regulação e de acompanhamento da evolução da situação, de forma a tornar credível o sistema de avaliação com que se faz a actividade no mercado de capitais. Para isso, há que alterar regras e é preciso saber quem manda em quê e de que maneira se manda. Há uma grande reforma a fazer para que o mercado de capitais funcione com regras de mercado e a linha mestra terá de ser a separação dos conflitos de interesses, para além de que as autoridades políticas que têm a representatividade popular devem ter o papel principal.

Ainda acredita na teoria do bom aluno?

Conta muito ainda mas é importante avaliarmos a correlação de forças que, no domínio económico e financeiro, não tem evoluído nos últimos anos a favor das posições europeias e da sua visão dos problemas. Temos um Governo com credibilidade e bastante empenhado em cumprir o plano desenhado pela troika.

O discurso sobre política europeia deste Governo é suficiente?

Existe uma política e uma prática que envolve o PS, o PSD e, num plano diferente, o CDS/PP no que respeita a essa visão europeia.

Portugal está a cumprir seu papel?

Ainda há muito para se exercer no tempo que aí vem, até porque ninguém olha por nós melhor do que os próprios. Em relação à recente evolução de posição da sra. Merkel, a que nem se terá dado muita atenção, percebe-se uma alteração positiva no que respeita à compreensão ao mais alto nível de que a política e a existência do euro tem para a própria Alemanha interesses e benefícios inquestionáveis.

Que se beneficiou bem com o euro!

A Alemanha exporta 70% da sua produção para a Zona Euro! No entanto, nem sempre essa realidade tem sido muito patente em declarações dos responsáveis políticos. É um facto novo que a expressão pública desta posição alemã tenha uma abordagem mais efectiva - porque não bastam proclamações - e traduzida em acções.

Como vê a concentração de poder do Governo em superministérios?

A minha experiência entre 1999 e 2001 é baseada numa conceptualização que apontava para que os ministérios das Finanças e da Economia articulassem instrumentos de política macroeconómica com políticas microeconómicas, voltadas para as reformas estruturais e para a competitividade a nível empresarial.

Como é que se coordena um superministério desta dimensão?

Coordenando! Fazendo reuniões de forma regular, estabilizadas e aprofundamento de políticas.

Tinha uma experiência política que este superministro não tem!

Mas terá outras qualidades que eu não tinha, que compensam.

O ministro Álvaro Santos Pereira quer um acordo na Concertação Social em cem dias. É possível?

A Concertação Social permite uma participação decisiva e importante ao ministro da Economia. O fundamental é que corresponda a necessidades reais e não como resposta a um caderno burocrático.

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MensagemAssunto: "Chocou-me ouvir dizer: 'Lá vai este atrás do tacho'"   Dom Jul 10, 2011 10:38 am

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"Chocou-me ouvir dizer: 'Lá vai este atrás do tacho'"

Hoje


Foi o protagonista do primeiro grande 'caso' do novo Governo: um convite que acabou por não se concretizar para a Secretaria de Estado da Administração Interna fez o homem forte da TVI deixar a estação televisiva e ficar a meio caminho.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1903154

Bernardo Bairrão não receia o futuro, já foi sondado com várias propostas... mas ainda não consegue deixar de se referir à TVI no presente. Recusa-se a falar mais sobre um 'casamento' falhado, mas aceitou esclarecer algumas dúvidas.

Assumindo ter ficado "chocado" quando ouviu dizer "lá vai este atraz do tacho", o administrador volta a manifestar a sua discordância quanto à privatização do canal público de televisão: "Vender a RTP agora ao desbarato é só para passar uma mensagem".

Até porque, garante, "há grupos de media a mais em Portugal".

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MensagemAssunto: Migrações, uma década em revista   Qua Jul 27, 2011 10:32 am

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António Vitorino em entrevista
Emigração



Migrações, uma década em revista

O antigo Comissário Europeu António Vitorino considera que se deve afastar cenário de regresso em massa dos imigrantes, em Portugal, e sublinha papel da Igreja Católica, no terreno.

D.R.Agência ECCLESIA (AE)– Olhando para esta década do terceiro milénio os fluxos migratórios alteraram-se significativamente?

António Vitorino (AV) – Eu penso que há dados de continuidade e dados de mudança. Os dados de continuidade são que a pressão migratória se manteve mas, manifestamente a partir de 2008, a partir da crise financeira global, verifica-se uma diminuição dessa pressão migratória, quer dos fluxos legais quer dos fluxos ilegais. Isso corresponde aliás a uma das características dos fluxos migratórios no mundo contemporâneo. Eles são extremamente sensíveis às oportunidades de trabalho e quando há, naturalmente, uma retração da oferta de trabalho nos países mais desenvolvidos os fluxos migratórios também tendem a compreender esses sinais e retraírem-se.

Há um elemento muito importante de compreensão também. Embora haja essa retração, isso não significa que haja um retorno em massa, isto é, aqueles emigrantes que estão nos países desenvolvidos, designadamente no caso do continente europeu, nos Estados Unidos da América e no Canadá, embora atingidos muitas vezes em primeira linha pelo impacto negativo pela crise financeira não retornam ao país de origem. Isto é, tentam usar as suas reservas, a solidariedade familiar e da comunidade onde se inserem para passarem os períodos de crise à espera de dias melhores.

AE – Também no caso português?

AV – Sim, também no caso português. Houve uma retração nos fluxos migratórios, talvez aqui haja algumas destrinças a fazer, a comunidade brasileira continua a ser a mais importante, o ritmo de aumento manteve-se durante os primeiros tempos da crise e agora terá abrandado um pouco mais. Não houve contudo um retorno em massa.

AE – Que indexação têm estes fluxos migratórios à resolução dos problemas demográficos?

AV – É uma ilusão pensar que a imigração é a solução do envelhecimento demográfico que é um padrão muito preocupante em todo o continente europeu, e nalguns países em particular, entre os quais o português. É um elemento que pode contribuir para o rejuvenescimento da população mas não resolve…

Não é possível criar essa ilusão que esse rejuvenescimento se resume ao aumento de fluxos migratórios, se vir os censos, cujos números preliminares foram agora divulgados, chega-se à conclusão de que o aumento líquido da população portuguesa é, em quase 90%, fruto da imigração. O que significa que há um problema para além do fluxo migratório que é o próprio comportamento da sociedade portuguesa, no que diz respeito à diminuição da taxa de natalidade. E, portanto, uma política de rejuvenescimento da população, primeiro não produz efeito “ao virar da esquina”, estamos sempre a trabalhar em ciclos longos; em segundo lugar, tem a ver com os incentivos que são dados para que as pessoas possam ter filhos e garantir condições económicas e sociais para a educação desses filhos; em terceiro lugar, tem a ver com o combate cultural, muito da quebra da natalidade resulta do aumento do egoísmo e do fechamento dos agregados familiares e da desagregação de alguns agregados.

A questão do rejuvenescimento da população também passa pela alteração dos padrões culturais das pessoas: menos egoísmo, menos consumismo, maior realização pessoal na criação de uma família e na existência de crianças nas famílias.

AE – Voltemos a esse problema dos fluxos migratórios, mesmo do caso português.É assim tão significativa a saída de portugueses, nomeadamente para a Europa, nos últimos anos?

AV – Sim, tem-se verificado um aumento continuado. Eu tenho nesta matéria uma posição algo particular, na medida em que normalmente não tenho uma visão negativa desses movimentos, pelo contrário.

Posso mesmo dar-lhe o meu próprio exemplo, eu incentivo os meus filhos a que parte da sua formação académica e profissional seja feita no estrangeiro porque esse é o mundo em que eles vão viver. É preciso distinguir muito claramente o que é a emigração derivada das condições económicas, que era a esmagadora maioria dos emigrantes das década de 60 em Portugal, do que é hoje que, tendo uma base económica, designadamente a falta de oportunidades de trabalho para jovens licenciados em Portugal, gera um movimento circular porque nos meus contatos com os emigrantes portugueses, designadamente os qualificados que saem, é de que eles saem e isso vai enriquecer-lhes a sua vida profissional mas eles mantêm todos a firme convicção de que na primeira oportunidade regressam.

Portanto há uma diferença substancial no padrão da emigração hoje com aquela que era há 30 anos atrás. Hoje a emigração é de quadros muito mais qualificados o que ajuda também a fazer uma ideia diferente e uma imagem diferente do país no estrangeiro. São pessoas que vão e que se valorizam a elas próprias e que valorizam os países onde vão estar a trabalhar e que têm e mantêm uma ligação de retorno a Portugal.

Em resumo, eu não creio que as pessoas devam emigrar porque sim, mas há um aumento de emigração que temos de ver como uma oportunidade e não como uma fatalidade.

AE – Em todo o caso também há os que emigram porque precisam…

AV – Certo. Continua a haver emigração económica mas essa há desde sempre… Repare que houve uma altura que se calculava que cerca de 120 mil portugueses estariam a trabalhar na construção civil em Espanha. Foi uma altura em que houve um grande boom em Espanha e uma retração do investimento em obras públicas e em construção civil em Portugal.

Esses trabalhadores não eram qualificados e muitas vezes iam fazer trabalhos extremamente árduos em Espanha, que não os fariam em Portugal, onde esses trabalhos são destinados aos imigrantes de países terceiros.

AE – Agora cada vez menos, talvez…

AV – Creio que o que se está a passar é o regresso dessas pessoas por razões da crise económica também em Espanha. Muitos deles hoje aceitam trabalhos em Portugal, particularmente duros, que há uns anos não aceitariam…

Nesse sentido, não nego que em certo setores da atividade económica se gera uma concorrência aos mesmos postos de trabalho entre portugueses e imigrantes de países terceiros.

AE – Gera também uma maior tensão social?

AV – Não gera no sentido de dizer que tenhamos um problema generalizado nessa matéria, mas um potencial desse tipo de conflitos existe. Portanto, maior é a responsabilidade das autoridades públicas, dos serviços sociais, mas também da sociedade civil e das próprias comunidades de emigrantes nas políticas de integração da sociedade portuguesa nestes tempos de crise onde os fatores de atrito são potenciados.

AE – Os que já cá estão integrados e veem agora esta situação poderão ver um fim antecipado e inesperado?

AV – Eu espero que não, vamos ver. Sejamos extremamente claros, há maior tensão, pode haver concorrência direta aos postos de trabalho entre imigrantes e portugueses e isso tem de ser visto com muito cuidado e muita ponderação.

Convém recordar aos portugueses que esses imigrantes que estiveram a trabalhar em Portugal na última década contribuíram com os seus impostos e se hoje estão em risco social têm direito à proteção social em condições equiparadas à dos cidadãos portugueses. Portanto, eu acho que o Governo anterior tomou uma decisão acertada que foi de reduzir as exigências da prova de meios para efeitos de renovação das autorizações de permanência no território nacional tendo em linha de conta os impactos da crise nas comunidades de emigrantes e o valor da solidariedade não se distingue nem em função da território de origem, nem da nacionalidade nem cor da pele, é um valor de solidariedade humana.

AE – Pelo que se percebe será também uma tendência do atual Governo?

AV – Ainda é cedo para julgar, mas eu acho que sim. Portugal é um país que tem a felicidade, e sublinho bem esta expressão, a felicidade de não fazer da política de imigração uma arma de conflito político interno. E isso é um fator distintivo de Portugal em relação a muitos países europeus onde a imigração é um assunto de controvérsia interna e mais, essa controvérsia é um local de cultura onde medra a xenofobia, o racismo e a discriminação. Portanto eu espero que essa característica se mantenha no atual Governo.

AE – Qual é o papel que as associações e ordens religiosas têm na integração e no diálogo, seja pessoal com os imigrantes seja com as instituições que determinam as políticas de imigração?

AV – Nós temos também a felicidade de ter uma sociedade civil no seu conjunto e com especial destaque para a Igreja Católica e às instituições ligada a ela, que atribui uma relevância à questão da integração dos imigrantes, não só teórica ou retórica, mas estando presente no terreno.

Isso é referenciado às associações patronais, aos sindicatos que têm um papel muito importante, às autarquias locais e toda a sua rede e à própria Igreja Católica, na plataforma de integração aos imigrantes que eu coordeno na Fundação Calouste Gulbenkian e que congrega todas as fundações portuguesas.

O papel desempenhado pela Obra Católica tem sido muito importante, não apenas do ponto de vista de proteção social mas também do ponto de vista cultural, do ponto de vista do diálogo pela tolerância, diversidade e diálogo inter-religioso, porque é um elemento de integração dos imigrantes. Reconhecemos que muitos deles não têm a mesma religião que a maioria dos portugueses professa.

Este diálogo tem encontrado sempre na Obra Católica das Migrações não apenas um defensor mas também um ator ativo de promoção dessa tolerância, desse diálogo e dessa pluralidade.

PTE/SN/OC

Agência Ecclesia, 2011-07-26
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MensagemAssunto: Valadares Tavares: Cortes nas estruturas do Estado deveriam chegar aos 25 por cento   Ter Ago 02, 2011 5:08 pm

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Valadares Tavares: Cortes nas estruturas do Estado deveriam chegar aos 25 por cento

Por Luísa Pinto, Sérgio Aníbal
01.08.2011 - 11:36


»Para Valadares Tavares, o corte de 15 por cento nos cargos dirigentes é um "objectivo modesto". E poder-se--ia ir até aos 25 por cento sem afectar os cidadãos
Para Valadares Tavares, o Governo pode ser mais ambicioso nos cortes


(Enric Vives-Rubio)

Luís Valadares Tavares diz que o Governo pode ser muito mais ambicioso nos cortes, poupando os funcionários públicos. Defende que o Memorando da troika "é muito rico" e está "bem feito", por apontar para as medidas essenciais, mas peca por ser pouco ambicioso. O ex-presidente do Instituto Nacional da Administração (INA) diz que o PRACE falhou rotundamente, por não ter uma visão nem ter elencado objectivos. E afirma que, como está praticamente tudo por fazer, não será difícil conseguir poupanças relevantes com cortes no desperdício e na ineficiência, integrando os serviços, o que não significa cortar nos funcionários públicos, "que podem ser motivados e readaptados".

Luís Valadares Tavares defende ainda que devia ser lançado um programa idêntico ao das Novas Oportunidades, mas específico para os funcionários públicos com menores qualificações. Isto porque 30 por cento dos trabalhadores do Estado têm o ensino básico como escolaridade, quando esse número deveria situar-se entre os cinco e os sete por cento.

Que avaliação faz dos compromissos que Portugal assumiu no memorando de entendimento no que se refere à reestruturação do Estado?

O memorando é muito rico e está muito bem feito, porque levanta um conjunto de questões muito importantes para o país, e para o Governo desenvolver uma visão moderna da administração pública. Desde meados dos anos 90 que houve a grande explosão das novas tecnologias, que permitiriam redesenhar e repensar muito a própria morfologia da administração pública. Foi o que se fez em todo o mundo, mas não se fez nada em Portugal. Aqui houve desenvolvimentos muito positivos na utilização de novas tecnologias, e toda a sociedade aderiu. Mas pergunto: quais foram as unidades da administração pública da via tradicional que foi possível extinguir, fundir, integrar, reduzir, pelo facto de surgirem esses novos instrumentos? Não conheço um único caso... Porquê? Porque falta uma visão.

E o PRACE não tinha essa visão?

Foi uma iniciativa interessante, mas eu diria que não corresponde a uma visão. Em primeiro lugar, porque não tem objectivos.

Qual é a percentagem de redução da despesa pública com a actividade da administração central que está prevista no PRACE?
O Governo defendeu não apresentar esse número para não condicionar as reformas a uma questão de números, à poupança...


Isso foi uma desculpa para não se comprometer com nada. Mas tem razão, não se deve fixar apenas por ele. Esse objectivo é importante, mas há muitos mais. Podia haver metas para maior celeridade no licenciamento, a maior satisfação dos cidadãos, ou, por exemplo, aumentar a percentagem das qualificações na administração pública, que neste momento é muito baixa.

A crítica que se tem feito ao PRACE é que ele não foi bem aplicado.

A minha crítica é que, em 90 por cento, existe um défice profundo de concepção, porque não tem uma visão, não tem objectivos. Só sei avaliar o sucesso de uma iniciativa comparando-a com os objectivos. A modernização da administração pública vai ser inevitável. Mas tem de haver uma visão para isso, e tem de haver objectivos.

Por onde se começa?

Primeiro, por definir uma política, com objectivos, uma visão da administração que passe por evitar o desperdício, reduzir despesa. O outro objectivo tem de ser melhorar a qualidade na rapidez do atendimento, e a proximidade em relação ao cidadão. Depois destes objectivos de política, temos de ter objectivos instrumentais, e a qualificação da administração parece-me um aspecto muito importante. Nós temos 30 por cento dos funcionários públicos com o ensino básico, e o normal seria ter entre cinco a sete por cento. Não percebo por que é que não se lança um programa do tipo Novas Oportunidades, específico para os funcionários públicos com menores qualificações, que aceitem readaptar-se. Nos que por alguma razão não cumpram estas motivações, avançava-se com rescisões amigáveis.

Neste ambiente de grande contenção de custos, é possível falar desse tipo de medidas? Rescisões amigáveis têm um custo imediato para o Estado, a aposta na formação também é importante, mas há entraves financeiros...

Todas estas intervenções têm obviamente custos, mas também trazem benefícios. Devíamos pagar esses preços de transição, e poupar noutras fatias. Por exemplo, outro problema muito grave na nossa administração é a não racionalização dos meios técnicos. Estive num centro de saúde na zona de Lisboa, nuns edifícios com vários pisos, onde se fazem 20 consultas de clínica geral por semana e tem vários funcionários administrativos. Esta afectação de meios, de espaço, com custos de segurança, iluminação, etc., de um prédio (não sei se é propriedade do Estado, se é arrendado), não é defensável.

Em contrapartida, há serviços onde há menos gente. A solução é a mobilidade, como avançou o Ministério da Agricultura?

Julgo que não funcionou, e que esses funcionários foram as vítimas. Desde os anos 90 que se cometem os mesmos erros, e um deles foi a convicção que se resolvia esse problema com um quadro de excedentes. Ou seja, pensava-se que quando acreditamos que há pessoas a mais em determinado serviço, as devemos colocar numa espécie de limbo, onde perdem direitos. O Memorando da troika fala de mobilidade, mas espero que seja da que obriga a que se perceba capacidades, competências, disponibilidade, motivações de cada trabalhador. Se verificarmos que está adaptado ao sítio em que está, deve ser bem tratado, deve ter prémios de desempenho - que infelizmente acabaram, mas devem ser repostos. Quando se verifique que as pessoas não estão motivadas para determinado serviço, deve haver rescisões por mútuo acordo. E, em outros casos, deve dar-se formação, e adaptar o perfil do funcionário a novos desafios, mas sem nunca estar com aquela figura traumatizante, e que não funciona, que é chamá-lo "excedentes". O conceito de administração moderna é tratar o problema de cada funcionário e de cada cidadão de forma personalizada.

No Memorando, diz-se que é preciso cortar 15 por cento nos cargos dirigentes, e esse assunto já passou pelo Conselho de Ministros. É um bom objectivo?

É um objectivo modesto. Poderíamos perfeitamente ter ido para os 20 ou 25 por cento, e não traríamos sacrifícios para os cidadãos. Até melhorávamos o serviço prestado. É preciso ir muito mais longe a racionalizar as despesas, a eliminar desperdícios. Até porque o Governo já nos disse que há um novo problema financeiro para resolver. A redução de 15 por cento nos cargos dirigentes trará uma economia estimada de 500 milhões de euros, o que me parece uma boa estimativa. No pós-memorando, surgiu um problema adicional de dois mil milhões de euros. O Governo foi muito expedito a arranjar mil milhões através de receita adicional, mas falta resolver o problema dos outros mil milhões. A minha proposta é que estes mil milhões de euros adicionais que, segundo o Governo, têm de ser obtidos, o sejam através da redução de desperdícios.

É possível uma redução de desperdícios sem uma redução significativa do número de funcionários públicos? A troika prevê uma redução de um por cento ao ano. É preciso mais?

Não sou a favor, neste momento, de reduções numéricas para além daquelas que estão no memorando. Os funcionários não têm culpa nenhuma. A redução do número de organismos gera muito mais poupanças. A boa notícia é que se alguém quiser pegar nesse assunto pode ter poupanças muito elevadas. A prova de fogo para este Governo é demonstrar que é capaz de ter uma visão para a administração pública e depois criar uma dinâmica de redução de desperdício e ineficiência, com resultados.

Na semana passada, o Governo comprometeu-se a reduzir drasticamente o número de organismos e a reduzir a despesa primária em dez por cento. Está no bom caminho?

Parece vir no bom sentido, mas já tem havido muitas surpresas neste domínio, pelo que convém aguardar. Importa dar a maior seriedade à preparação do próximo Orçamento do Estado, para 2012, pelo que é essencial estabelecer cenários credíveis, com base nos quais se estabelecerão as previsões das receitas e os limites das despesas públicas. A experiência mostra que, no passado, tem sido muito difícil controlar estas despesas: por exemplo, em 2010, o ano de todos os PEC, a despesa com a aquisição de bens na administração pública central aumentou 6,7 por cento!

Convém recordar que, no próximo ano, não é possível contar com a redução dos 10 por cento dos salários da função pública ou das pensões de aposentação, pelo que esta poupança de 10 por cento mencionada pelo Governo terá de ser obtida através de uma poupança próxima de 18 por cento através da redução do número de dirigentes, das despesas com contratações (bens, serviços e obras) e das contribuições sociais (subsídios, apoios, etc.). Ora, isso só será exequível sem impor reduções insuportáveis nestas últimas se houver grande contracção nas duas primeiras componentes, o que exige rápida redução da dimensão da administração pública em 2011 e em 2012.

Os prazos acordados com a troika não são muito apertados?

É fundamental que sejam estes prazos. Somos muito bons a mudar, mas detestamos mudar. Só vamos fazê-lo no final dos prazos, por isso os prazos são óptimos. E o Memorando é um bom guião.

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MensagemAssunto: Passos Coelho: "Há riscos na execução do Orçamento"   Qui Dez 01, 2011 11:56 pm

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Passos Coelho: "Há riscos na execução do Orçamento"

por DN.pt
Ontem


O primeiro-ministro considerou hoje que há um risco de o "declínio económico" em 2012 ser maior do que o previsto pelo Governo e admitiu que nesse cenário sejam adoptadas novas medidas de austeridade.

"Claro que há riscos no Orçamento, mas é cumprível. É por isso que em Dezembro vamos criar dispositivos que garantam a melhor execução do Orçamento", afirmou Passos à SIC, admitindo tratar-se do "orçamento mais difícil de executar da história da democracia portuguesa".

"O maior risco que nós enfrentamos nesta altura é o de declínio económico", afirmou Pedro Passos Coelho, acrescentando que se a recessão económica no próximo ano for superior aos três por cento previstos pelo Governo a meta do défice ficará posta em causa.

"Perante uma circunstância dessas, claro que nós teríamos de adoptar novas medidas. Não quero nesta altura dizer que medidas poderão ser. Julgo que não é a altura adequada para estar a falar disso", declarou o primeiro-ministro, que tinha sido questionado se podia garantir aos portugueses que em 2012 não vai apresentar, por exemplo, um imposto extraordinário sobre os subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do setor privado.

O líder do Governo referiu também que o objectivo a longo prazo do seu programa passa por reduzir "em duas legislaturas a despesa pública para 40 a 42% da riqueza gerada no país". E questionado sobre a abstenção do PS na votação do Orçamento, elogiou a postura de António José Seguro, notando, contudo, alguma "apreensão quando o maior partido da oposição tem menos firmeza na posição que adopta" - em alusão às polémicas internas entre os socialistas na votação no OE.

Sobre as divergências com Cavaco Silva, referiu que o Presidente da República tem todos os "poderes constitucionais" para um eventual veto ao OE: "O Presidente da República não foi eleito para representar o PSD e o Governo não foi eleito para representar o Presidente da República".

O primeiro-ministro desvalorizou ainda algumas críticas internas que têm surgido no PSD. "Não vivo com fantasmas, nem tenho medo de fantasmas internos", disse



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MensagemAssunto: "Governo não está focado nos problemas das famílias"   Dom Mar 25, 2012 2:44 pm

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"Governo não está focado nos problemas das famílias"

Hoje


Economista de formação e novo "chairman" do Banif, Luís Amado defende que, se há crítica a fazer ao Governo de coligação, é a falta de atenção aos problemas essenciais das empresas e das famílias portuguesas.

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2382915

Em entrevista ao Gente que Conta, conduzido por João Marcelino, diretor do DN, e Paulo Baldaia, diretor da TSF, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo socialista de José Sócrates afirma, no entanto, que Pedro Passos Coelho tem sabido honrar os compromissos do País, inspirando confiança e segurança. Mas admite que Portugal não pode correr o risco de uma eventual saída da zona euro, mesmo que essa hipótese não esteja totalmente afastada.

Acrescenta ainda que a zona euro irá viver sobressaltos até atingir a estabilidade, mas diz que a crise europeia está já a encaminhar-se para a sua resolução. Comentando a atualidade nacional, refere-se ao processo instaurado na Procuradoria-Geral da República aos membros do Governo socialista em que tomou parte dizendo que nunca viu nenhum cartão de crédito, nem foi contactado no sentido de prestar declarações.

Sobre a comissão de inquérito à venda do BPN, diz ser legítima. Sugere que a banca nacional não voltará a ser o que foi no passado e, questionado sobre uma eventual candidatura à Presidência da República, afasta liminarmente esse cenário.

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MensagemAssunto: "Estamos muito longe de ter um diagnóstico desta crise"   Dom Abr 15, 2012 10:20 pm

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"Estamos muito longe de ter um diagnóstico desta crise"

Hoje


O antigo líder da CGTP coordena o novo Observatório Sobre Crise e Alternativas, organismo que resulta de uma parceria entre o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e a Organização Mundial do Trabalho. E defende que falta uma análise sustentada da realidade portuguesa no que à crise diz respeito.

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2420588

Em entrevista ao Gente que Conta, conduzido por João Marcelino, diretor do Diário de Notícias, e Paulo Baldaia, diretor da TSF, Carvalho da Silva admite que há falta de perceção sobre o que está a acontecer em Portugal e critica a governação dizendo que "as receitas passadas para o futuro do País não têm saída".

Crítico também quanto à forma como foi conduzida a integração de Portugal na União Europeia, diz que o País tem "a pior postura" possível na relação com os restantes países-membros da UE, seguindo a agenda determinada pelos poderosos e tentando ser um bom aluno na procura de consensos que servem apenas os interesses dos maiores.

E afirma que, nos dias de hoje, é necessário "acabar com a ideia de que os direitos são regalias", reclamando que a democracia tem custos e é necessário ponderar até que ponto os direitos dos cidadãos podem ser reformulados.

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MensagemAssunto: "Governo achou que a passividade era eterna"   Seg Ago 06, 2012 4:12 pm

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"Governo achou que a passividade era eterna"

29 Julho 2012


O ministro da Saúde mais polémico da última década vê o atual governante para o sector com uma atitude de protesto contra mais cortes.

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2692352

"O que acontece é que o Governo, no início, se sentiu muito forte com a passividade dos portugueses e achou que era eterna. Mas não é, basta ver o episódio da greve dos médicos que teve a simpatia natural da população. Não por os grevistas serem médicos, mas por sentir que estava de certo modo a protestar contra as medidas de austeridade. Há uma transferência de protesto", afirmou numa entrevista ao jornalista João Céu e Silva.

Correia de Campos acha que, a continuar o ajustamento para além do aceitável, Paulo Macedo poderá deixar de ser o executor. "Paulo Macedo

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MensagemAssunto: António Costa abre porta ao PCP para Lisboa   Seg Ago 06, 2012 4:22 pm

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António Costa abre porta ao PCP para Lisboa

por Lusa, publicado por Ana Meireles
30 Julho 2012


A confirmar-se a recandidatura para a presidência da Câmara de Lisboa nas autárquicas de 2013, António Costa quer manter a coligação com os movimentos de Helena Roseta e Sá Fernandes e mostra abertura à participação do PCP.

Em entrevista à agência Lusa para assinalar o quinto ano da sua liderança da capital, que se regista na quarta-feira, o autarca admitiu que "se as eleições fossem amanhã" seria o candidato socialista na disputa da Câmara de Lisboa em 2013.

"Em condições normais serei naturalmente candidato: se estiver de boa saúde, se estiver de consciência tão tranquila quanto tenho estado quanto ao trabalho que tenho feito e se tiver condições para uma equipa e um projeto mobilizadores e bons para a cidade", reafirmou o autarca.

António Costa mostrou também a intenção de manter a coligação com os movimentos liderados por Helena Roseta (Cidadãos por Lisboa) e por José Sá Fernandes (Lisboa é muita gente), com os quais conseguiu a maioria no executivo da capital.

"Da minha parte, não há razão nenhuma para alterar uma equipa que funciona, por isso deve-se manter", afirmou.

Recordando que na maioria que lidera no executivo camarário apenas três dos nove vereadores são militantes do PS, António Costa elogiou o trabalho de uma equipa "muito plural".

"A experiência destes anos de trabalho com estas pessoas, que são independentes, como Manuel Salgado, Maria João Mendes, José Sá Fernandes, Helena Roseta ou Nunes da Silva, tem sido positiva. Nem sempre estamos todos de acordo uns com os outros relativamente a tudo, mas temos criado um quadro de governabilidade na câmara que é muito importante", considerou.

O autarca socialista deixa a porta aberta também à participação do PCP numa candidatura alargada nas autárquicas do próximo ano, uma hipótese discutida desde 2007 e que, da sua parte, "nunca esteve fechada".

"Têm sido as outras partes a fechá-la [a coligação], nunca eu. Mas não posso passar a vida a insistir naquilo que os outros não querem. A minha vontade é conhecida desde 2007 e não está alterada. A porta está aberta", disse o autarca.

Referindo-se ao trabalho do vereador do PCP na câmara, Rúben de Carvalho, António Costa recordou que tem havido "convergência em muitas das matérias", mas que em algumas situações o autarca comunista "faz questão de marcar a diferença" quanto à maioria.

"Pode ser que haja evolução [nas próximas eleições], mas não sei mesmo. Por mim tenho a porta aberta e continuará a estar. São precisos sinais de convergência, mas não notei nada nesse sentido", referiu.

No entanto, e devido à "situação complexa do país e da vida municipal", o autarca da capital mostrou-se mais concentrado "cumprir o mandato", antes de começar a pensar nas próximas eleições.

"Até as autárquicas temos muita coisa para fazer. Há um quadro legislativo novo com as empresas municipais, pode haver um novo quadro da lei das competências das autarquias, há a aplicação prática da lei dos compromissos... E obras que temos em mãos. Temos muita coisa para nos concentrarmos para começarmos a pensar nas autárquicas", defendeu.

António Costa foi eleito pela primeira vez como presidente da Câmara de Lisboa nas eleições intercalares de 2007 com 29,54% dos votos e cumpriu um mandato de dois anos, após o qual reconquistou a presidência da autarquia em 2009, em coligação com Helena Roseta e José Sá Fernandes, conseguindo assim uma maioria no executivo.

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MensagemAssunto: "Há um enorme risco de retrocesso social"   Dom Dez 30, 2012 10:59 am

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"Há um enorme risco de retrocesso social"

por Miguel Marujo
Ontem

Manuela Silva é economista e professora catedrática reformada. Em entrevista ao DN, que integra a edição especial de aniversário, analisa a presença da dimensão social no económico, num tempo de crise como o que hoje se vive. Transcrição na íntegra.

Deve garantir-se um espaço para o social nas políticas macroeconómicas e nas práticas económicas?

As políticas macro económicas serão sempre, em última análise, um conjunto de decisões e correspondentes medidas concretas de afectação de recursos, que se irá repercutir, directa ou indirectamente, no nível de rendimento e na sua repartição, com consequências sobre as condições e qualidade de vida das pessoas, o emprego e o desemprego, a coesão social, etc. É, pois, fundamental que as políticas macro económicas não percam de vista estas relações intrínsecas, nomeadamente no que se refere à definição dos objectivos que se propõem atingir. Esta será sempre a melhor via de garantir a devida articulação da economia com o social.

Temos, porém, de reconhecer que, com frequência, a ideologia reinante em muitas esferas de decisão política, nacionais e supranacionais, tende a erguer falsos muros de separação entre o económico e o social, reservando, para este último, o campo restrito da reparação dos danos causados por políticas macro económicas direccionadas para a prossecução, a qualquer preço, de equilíbrios financeiros os quais acabam como sendo considerados fins em si mesmos. Estamos perante opções políticas de fundo que importa não ignorar ou subestimar.

Neste domínio, a minha opção é clara: a política macro económica tem de ser concebida, executada e avaliada, tendo em conta objectivos sociais fundamentais, como sejam: o nível de rendimento e a correcção das desigualdades na sua repartição, a melhoria da saúde, da educação, da habitação e da segurança social dos cidadãos, as oportunidades de trabalho digno incluindo remunerações justas, o desenvolvimento sustentável dos diferentes territórios e seus recursos potenciais.

A empregabilidade social é um caminho possível para a inclusão de gente excluída ou desempregados de longa duração?

No actual contexto de elevado nível de desemprego, incluindo o desemprego de longa duração, como o que se verifica em Portugal, são de encorajar todos os esforços que possam promover novas oportunidades de aproveitamento do potencial de recursos humanos disponíveis e seu direccionamento para a satisfação de necessidades das populações, através do fomento de empreendimentos sustentáveis.

A empregabilidade social que visa promover a inclusão social é, certamente, uma iniciativa louvável, desde que o trabalho oferecido respeite os requisitos do trabalho decente, no que se refere a nas condições e a nível de remuneração e não contribua, por alguma forma, para a estigmatização das pessoas mais carenciadas e frágeis ou mesmo para as explorar.

A responsabilidade social tem sido mera propaganda empresarial ou é importante para outra ética nas empresas?

O conceito de responsabilidade social tem vindo a merecer um crescente interesse por parte da investigação e do ensino em gestão de empresas. Gradualmente, tem vindo a ser integrado na visão estratégica das empresas, na cultura e nas suas práticas, sobretudo no caso das empresas de maior dimensão.

Hoje, em Portugal, uma boa parte das empresas de certa dimensão apresenta o seu balanço social em conjunto com o respectivo balanço económico e ambos estes instrumentos são tidos em conta na avaliação do desempenho das empresas e dos seus respectivos gestores. Todavia, o perímetro deste conceito não está ainda bem definido e estabilizado. Para algumas empresas, a responsabilidade social traduz-se em donativos feitos a organizações de solidariedade social, em promover o voluntariado entre os seus trabalhadores, ou em organizar festas em ocasiões especiais.

Sem negar esta dimensão, que é uma forma de partilha de resultados, na expectativa de que dela resulte benefícios para a própria empresa, entendo que a responsabilidade social da empresa deve assumir contornos muito mais amplos, nomeadamente no que se refere ao como no tratamento justo dos respectivos trabalhadores, integrando neste preocupações de valorização pessoal dos mesmos e de conciliação do trabalho com a vida familiar, a transparência nas relações da empresa com clientes e com fornecedores, o escrupuloso respeito pela sustentabilidade ambiental, o incentivo à participação no desenvolvimento das comunidades em que está inserida.

No atual quadro de crise, é possível conciliar uma efetiva dimensão social no mercado laboral?

Considero muito negativo que a situação de crise sirva para justificar atropelos vários a direitos básicos das pessoas enquanto trabalhadores/as ou cidadãos e cidadãs, como, infelizmente, temos assistido nos últimos anos.

Com efeito, pesa sobre as nossas sociedades, ditas de desenvolvimento avançado, um enorme risco de retrocesso social, agravado por uma globalização não regulada e por um crescente poder financeiro que, perigosamente, se sobrepõe à democracia. O mercado laboral, em Portugal, é, neste contexto, uma presa fácil que merece, por isso, uma atenção vigilante por parte dos políticos, governantes, sociedade civil e da cidadania, em geral. O que está em causa é a resposta que, colectivamente, queremos dar à pergunta: que economia e que sociedade queremos construir?

In DN

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