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RMaria

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MensagemAssunto: Conheça a Casa Matias: o queijo está-lhes no sangue   Dom Nov 20, 2011 12:09 pm

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Conheça a Casa Matias: o queijo está-lhes no sangue

por Rui Marques Simões
Hoje


Era a casa dos Matias - pais, avós, bisavós e demais antepassados de José - que todos os visitantes iam "em romaria" quando queriam comprar o "bom" queijo da serra da Estrela. Ao longo de "quase 200 anos", o saber passou de geração em geração. Ainda hoje, a família é sinónimo do produto mais famoso da montanha mais alta de Portugal. E os seus queijos Casa Matias continuam a sair de Carragosela (Seia) para o mundo.

José Matias, o director executivo da empresa, desfia com orgulho a história centenária do projecto familiar que se tornou uma pujante produtora de queijos, de vocação internacional. "É uma história com quase 200 anos, que vem do tempo dos meus tetravós, pessoas da serra da Estrela ligadas à produção de gado e queijo, numa lógica de auto-suficiência. Com o evoluir dos tempos, os queijos começaram a ser comercializados em pequenas feiras. E o grande salto dá-se há cerca de 50 anos, com o meu pai e a minha mãe (António e Rosa Matias), que, quando se casaram, decidiram iniciar uma vida na área dos queijos", recorda.

Então, "não era precisa qualquer comercialização, os queijos estavam vendidos por natureza: romarias de pessoas, de Lisboa, do Porto, de todo o País" vinham a casa dos Matias comprar queijos. Mas o projecto foi sabendo evoluir - uma constante ao longo dos tempos. A Casa Matias certificou o produto seguindo normas comunitárias, aliou-se a um intermediário que punha os queijos no mercado e, quando esse acordo se extinguiu (1998), autonomizou-se como marca.

Foi por essa altura que José Matias, recém-formado em Engenharia Agronómica, se juntou ao projecto dos pais (tal como a irmã, Rosa, directora-geral da marca, já fizera). "Quis continuar o trabalho da família e levá-lo mais além. Tinha uma força interior muito grande que me dizia que o caminho era por aqui", lembra. Na altura, esse sentimento foi encarado com cepticismo pelo pai António, que preferia outra vida para o filho e o fez começar por baixo ("a ordenhar ovelhas, a gerir a produção agropecuária"). Mas daí à gestão da queijaria foi um salto - como o pulo que a empresa haveria de dar sob a sua gestão, mais profissional e informatizada.

Hoje, 15% das vendas da Casa Matias já são para exportação (Brasil, Luxemburgo, Suíça, França, Espanha), mas José sonha em chegar aos 50% a curto-médio prazo, mesmo continuando a crescer a nível nacional. E tudo assentou na mesma filosofia. "Fiz com que os clientes acreditassem no projecto. Isto é mais do que um produto: é uma história, é uma arte, é uma cultura, é o saber fazer. Há que vendê-lo como um todo, não só como um produto amarelo como uma cinta à volta", frisa José Matias.

Os queijos, mais ou menos curados ou amanteigados, compõem o grosso da oferta da Casa Matias, mas ela não se fica por aí. Também produz requeijão, doce de abóbora (e ainda outros doces e alguns enchidos, apenas para exportação). E na forja está a hipótese de avançar para a produção de uma manteiga.

Todavia, esse é apenas um pormenor nos projectos futuros da família Matias. Daqui a pouco mais de um mês será inaugurada a nova unidade de produção da empresa, um investimento "de três milhões de euros, extremamente arrojado, que está dotado das ferramentas tecnológicas mais avançadas". E, no mesmo sítio, lá para o Verão, surgirá o Museu do Queijo, "para aproximar o produto das pessoas".

Resumindo: a Casa Matias continua a crescer e a reinventar-se. Mas, no centro de tudo, ainda está a família. "A conjugação das qualidades todas da nossa família é que nos permite este sucesso", garante José Matias, lembrando o "prazer" que lhe dá guiar a empresa da família: "É uma realização pessoal, isto está-me no sangue."

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MensagemAssunto: Empresa vai transformar óleo alimentar em biodiesel   Seg Nov 21, 2011 6:14 pm

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Empresa vai transformar óleo alimentar em biodiesel

por lusa
Hoje


Uma empresa privada vai instalar no concelho de Amarante uma rede com 50 pontos de recolha de óleo alimentar usado para posterior transformação em biodiesel, anuncia hoje fonte da autarquia local.

Até ao final de Dezembro, no âmbito de um protocolo celebrado com a câmara, será disponibilizada à população cerca de meia centena de pontos de recolha, uma dezena dos quais junto a ecopontos.

Só na sede do concelho serão instalados oito equipamentos, designados pela empresa como "oleões", preparados para a recolha do óleo usado. No segundo polo urbano do concelho, Vila Meã, haverá dois equipamentos, em concreto nas freguesias de Real e Ataíde.

Segundo a fonte, "a deposição do óleo deverá ser feita numa garrafa de plástico devidamente fechada para evitar derrames".

Nos caso dos restaurantes que tenham uma grande capacidade de gerar óleos alimentares usados, os interessados podem utilizar recipientes de maior capacidade, podendo ser deixados nas instalações dos serviços urbanos da autarquia.

Cerca de mil litros de óleo alimentar podem gerar mais de 900 litros de biodiesel. Este tipo de combustível, segundo a empresa, apresenta índices de emissão de dióxido de carbono mais baixos do que o gasóleo.

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MensagemAssunto: O chá mais antigo da Europa produz-se em São Miguel   Seg Nov 21, 2011 6:16 pm

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O chá mais antigo da Europa produz-se em São Miguel

por Paulo Faustino
Hoje


Fábrica de Chá Gorreana funciona ininterruptamente desde 1883 e é um marco incontornável na história, na economia e no turismo do arquipélago dos Açores.

O edifício branco junto à estrada, com letras a vermelho carregado, acena ao condutor, mesmo ao mais distraído, que chegou ao Chá Gorreana, uma das duas únicas e a mais antiga fábrica de chá na Europa em contínuo funcionamento desde que foi fundada, em 1883. A outra fábrica, do Porto Formoso, recuperada em 1998, fica meia dúzia de quilómetros mais abaixo na estrada regional da costa norte, separando as duas unidades industriais uma grande plantação com uma vista soberba, onde, consoante as condições climatéricas, se produz chá verde, preto e semifermentado acima das 40 toneladas por ano.

Entrar nas instalações do Chá Gorreana tem tanto de museu vivo, carregado de história e tradição, como de produção industrial. É como fazer uma viagem no tempo em que, de forma singular, percebemos que a realidade associada à revolução industrial do século XIX é que faz sentido naquele espaço ladeado por 32 hectares, e não o mundo actual da alta tecnologia, apesar de dois equipamentos de laboração recentes.

O chá apareceu em São Miguel no último quartel do século XIX para fazer face à crise da laranja, por iniciativa da então Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense. Com esse objectivo, foram contratados em 1878 dois técnicos chineses originários de Macau para virem a São Miguel ensinar técnicas de preparação das folhas e fabrico do chá. O saber ancestral passou de geração em geração e criaram-se novas fábricas de chá na ilha. A única, porém, que haveria de sobreviver ininterruptamente desde 1883 é a do Chá Gorreana, colocando no mercado o chá verde Hysson e as marcas de chá preto Orange Pekoe, Pekoe e Broken Leaf.

O empresário Hermano Mota prevê que o mercado continental irá novamente liderar a lista de consumidores dos produtos Gorreana no final deste ano, com cerca de 20 toneladas. Segue-se o mercado dos Açores (18 toneladas) e França (1300 quilos). Os chás também costumam seguir para a Alemanha e para outros países, inclusive onde estão radicados emigrantes açorianos, através do "envio semanal de pequenas encomendas".

Mais de metade da produção é de chá verde e Hermano Mota salienta que, com a crise, a fábrica está a retomar a apetência, que tinha nas décadas de 70 e 80 do século passado, para a produção do chá mais barato, que é o Broken Leaf, feito a partir das folhas menos nobres dos rebentos das plantas. "O consumo do Broken Leaf está outra vez a subir, o que é indicativo do estado económico da Região e do País. Por isso, se o senhor primeiro-ministro quiser saber se as coisas estão bem ou mal, basta ligar para a fábrica da Gorreana." Os problemas resultantes da crise também se fazem notar na fábrica secular no que diz respeito à "dificuldade em recebermos o dinheiro" dos compradores de chá. Qualquer coisa como 70 mil euros. De qualquer modo, a "vida financeira da Gorreana está regularizada", porque "temos um mercado fiel".

Considerado um ponto de interesse turístico, aqui os visitantes têm a hipótese de percorrer as diversas secções de transformação das folhas e saboreá-lo numa sala com vista panorâmica. Uma prova obtida por meio de técnicas tradicionais que, todavia, têm os dias contados: como a movimentação das folhas entre as máquinas e os depósitos onde estão armazenadas vai passar a ser feita por sucção, isso significa adeus aos cestos.

Ainda assim, na Gorreana sucedem-se os estrangeiros que oferecem os seus serviços grátis. Como é caso de um jovem das Canárias, licenciado em Arquitectura, que aparece de manhã na fábrica com roupa impermeável e catana para ajudar na manutenção das plantações e mesmo na apanha, entre Março e Setembro.

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MensagemAssunto: Aqui não se conserva só peixe, conserva-se a marca   Ter Nov 22, 2011 11:58 pm

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Aqui não se conserva só peixe, conserva-se a marca

por Sónia Simões
Hoje


O empresário que fez renascer a empresa de conservas do avô e os produtos tradicionais como o atum 'Catraio'.

Cresceu entre cheiro a peixe e processos de conservação que se foram alterando ao longo de mais de um século. Descendente de uma das únicas famílias donas de uma fábrica de conservas em Portugal antes da I Grande Guerra, José Nero decidiu no ano passado recuperar o negócio. De novo trouxe o peixe espada em conserva. De trás fez renascer produtos de sucesso como o atum "Catraio". Revivalismo, qualidade, ou ambos, o negócio vai de vento em popa.

Para contar o presente, José Nero recua aos antepassados: a família italiana que sempre se dedicou à conservação de peixe, na altura em sal, e que veio para Portugal para vender sardinhas (sobretudo) para Itália. Começaram no negócio antes da I Grande Guerra e foram das únicas famílias, a par das famílias Ramirez e Luças, que hoje permanecem no negócio das conservas. Foi o avô paterno de José quem, em 1912, abriu uma delas em sociedade com os amigos, em Sesimbra.

Os anos passaram e ele foi adquirindo a parte dos sócios. Na década de 40 foi obrigado a mudar-se para Matosinhos, onde havia mais peixe. O negócio passou para o filho e, mais tarde, para os netos - entre eles José Nero. "O meu pai morreu em 1982 e sete anos depois decidimos vender a empresa".

José Nero abriu depois uma fábrica de anchovas no Montijo, mas Marrocos entrou no mercado das conservas e derrubou o negócio. Nos anos 90 fecharam cerca de 20 fábricas do ramo em Portugal. José tentou contornar a crise com produtos importados, mas não descurou as origens.

Em 2010 voltou a lançar-se no mercado com um novo produto: peixe espada preto em conserva. A caixa, de design arrojado preto e branco, foi criada por uma arquitecta em Sesimbra - local onde o peixe é pescado para depois ser conservado numa fábrica de Aveiro. A par deste produto, ressuscitou uma série de marcas que deixaram de ser comercializadas no anos 80, como o atum "Catraio" - marca que registou e cuja embalagem é exactamente igual aquela que o avô vendia em 1912. Entre as marcas que comercializa, destaque para as conservas Luças (da fábrica com o mesmo nome nascida em Matosinhos em 1896) e resgatou um produto artesanal - apenas fabricado no Algarve - que já remonta ao tempos do fenícios e dos romanos: Muxama de atum, ou seja, atum seco. Usa-se em fatias finas regado com azeite ou em saladas.

Entre os produtos que pretende relançar estão as sardinhas sem espinha - produto que a família Nero exportou pela última vez na década de 80. "Também se fala muito em conservas dietéticas como o atum em água. O meu pai já comercializava isso", conta enquanto exibe uma carta do "pai" dos nutricionistas em Portugal, Emílio Peres, com data de 1989, a elogiar o produto mais saudável.

Mas não é só recuperação de produtos que vive o negócio. José Nero está já em contacto com o Instituto do Vinho do Porto a fim de aprovarem o produto que pretende lançar no próximo ano: filetes de cavala em vinho do Porto.

Paralelamente prepara um conjunto de iniciativas para mudar mentalidades. "Os enlatados tiveram em Portugal uma má imagem por serem considerados produtos de má qualidade". Para inverter opiniões, quer fazer várias degustações em centros comerciais e mostrar que é possível usar conservas variadas em receitas bem diferentes e elaboradas. "Uma lata de sardinha não serve apenas para abrir e pôr no pão. É possível colocar por cima de uma folha de endívia, com pasta de azeitona e fazer uma bela entrada". Nestas iniciativas pretende ainda ensinar o consumidor a distinguir os enlatados de qualidade dos outros, não só pela cor do peixe como pela forma como foi cozinhado. Sabia que quando o peixe traz demasiada água e não enche a embalagem foi cozido directamente na lata? O método tradicional implica que o peixe seja previamente cozido a vapor e só depois enlatado.

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MensagemAssunto: E aos 118 anos chegou à idade da internacionalização   Qua Nov 23, 2011 12:11 pm

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E aos 118 anos chegou à idade da internacionalização

por LÍLIA BERNARDES, FUNCHAL
Hoje


Para trocar as voltas à crise, a Fábrica Santo António decidiu levar o cheirinho das suas bolachas para além das ruas do Funchal e já acompanha o chá das cinco.

Na Travessa do Forno há cheiro a bolacha e biscoitos quentes. E na memória as caixas de cinco quilos de folha de flandres em que eram acondicionados e que, entretanto, deixaram de ser utilizadas. Os madeirenses conhecem bem esta referência visual e olfactiva, que também os turistas já há muito descobriram.

A Fábrica Santo António é uma das mais antigas fábricas artesanais portuguesas nascida no Funchal há 118 anos (1893) e que se manteve desde sempre na mesma família, já lá vão quatro gerações, estando hoje nas mãos de Jorge Bettencourt Sardinha e conta com 17 colaboradores.

Este poderá ser um dos segredos do sucesso, mas há outros. Manter as receitas originais, algumas com base em receitas inglesas, e melhorá-las com "uma aposta forte na qualidade superior dos produtos e pela diferenciação", refere o jovem gerente, Bruno Vieira, 30 anos, com formação em controlo de qualidade alimentar.

Aqui, tudo é feito à moda antiga, só o embalamento ganhou alguma modernização. O aspecto do estabelecimento tem cara lavada, mas mantém a matriz, desde o balcão corrido de madeira às prateleiras em que se expõem as iguarias. Sendo o ramo de negócio o fabrico de bolos de mel, biscoitos e bolachas Maria, redonda e quadrada, que ainda se vende a retalho - tal como acontece com a marmelada -, a verdade é que a empresa soube inovar ao longo dos anos.

Hoje, há muito por onde escolher. Desde os bolos de mel caseiros aos gelados de fruta, que irão brevemente surgir embalados nas grandes superfícies em doses duplas.

Neste momento, a Fábrica, que sempre forneceu o mercado regional, já saltou fronteiras. No Continente, através da empresa Albano, Almeida, Lda., localizada na Amadora, distribui os produtos gourmet no Corte Inglés de Lisboa e de Vila Nova de Gaia. Na capital, é possível encontrar estes sabores na Loja Portuguesa, na Casa Manuel Tavares e no Hiper Sá do Campo Pequeno, seja através das broas de gengibre, das tradicionais bolachas Maria e digestivas de aveia, broas de amêndoa e de avelã com farinha sem glúten, iguarias a que se juntam as compotas de frutos da Madeira, maracujá, banana e frutos silvestres, entre outros. A completar a oferta, seguem ainda os rebuçados de funcho e de eucalipto a que se juntou nova oferta com novos sabores, como o maracujá e o gengibre.

Há três meses que a Fábrica Santo António consegue exportar para Londres e o objectivo é conseguir conquistar a atenção de outros mercados europeus.

"A comunicação social tem feito mais pelo comércio tradicional do que a maioria dos responsáveis políticos. Sentimos falta de reconhecimento e de uma palavra de incentivo. O ADN de uma cidade passa pelo pequeno comércio. É por isso que os estrangeiros nos procuram. Hipermercados há em toda a parte", defende Bruno Vieira, que aponta falhas à globalização dos mercados, sobretudo na Europa.

"Actualmente, a grande percentagem do que se vende em Portugal é oriunda de outros países. Os produtos entram mas ninguém controla a qualidade. Encontramos bolacha mais barata do que o preço da nossa farinha. Como é que podemos competir perante isto?", questiona. Daí o apelo à sensibilização de quem governa: "Os nossos produtos, aqueles que nos dão uma identidade própria enquanto portugueses, que diferenciam culturas, deveriam ter protecção. Infelizmente, não se dá o devido valor ao que é nosso e genuíno."

O objectivo agora é dar a volta à crise. "O poder de compra baixou muito e nós, pequeno comércio, somos os primeiros alvos", refere o responsável. Portanto, se não há consumo interno, a solução passa por produzir para mercados externos

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MensagemAssunto: Das refeições feitas ao sumo 100% natural mas doce   Dom Nov 27, 2011 6:20 pm

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Das refeições feitas ao sumo 100% natural mas doce

por Sónia Simões
Hoje


A empresa GL que trouxe as refeições prontas para o mercado português fez uma parceria com a Frubaça, de Alcobaça, e criou a marca Sonatural.

Ainda era um menino que vestia calções quando, depois das aulas, ajudava o pai na empresa responsável pelo abastecimento de matérias-primas na indústria portuguesa. O mercado mudou e Douglas Gilman cresceu com olho para o negócio: introduziu os iogurtes contra o colesterol em Portugal, as refeições prontas e as sanduíches à venda em lojas de conveniência e postos de abastecimento de combustível. Paralelamente, numa parceria com uma empresa de Alcobaça, criou a marca Sonatural recentemente reconhecida em Inglaterra.

De passo acelerado e entre telefonemas em francês e inglês, Douglas Gilman - português mas descendente de família britânica - confessa que está sempre a pensar em produtos novos. Começou a carreira profissional na empresa do pai (criada em 1942), mas chegou a sair por três anos para trabalhar numa multinacional. "Fui responsável pela instalação das primeiras lojas de conveniência em Portugal", conta. Mal sabia que, anos depois, esses seriam os seus principais clientes. Douglas regressou à empresa do pai, mas a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia tinha posto um ponto final a uma série de indústrias. "Decidimos apostar nos produtos acabados."

Começa por importar um iogurte líquido suíço para doenças cardiovasculares, depois introduz o primeiro iogurte contra o colesterol no mercado. Depressa aprende a lição: uma empresa não pode ter apenas um produto e um cliente. Olha à volta e decide comprar uma fábrica de sanduíches em Loures, para abastecer lojas de conveniência e postos de combustível. A procura foi tanta que, mais tarde, acabou por comprar um fábrica na Azambuja, para onde mudou os funcionários e a produção em Abril deste ano. O investimento rondou os 1,2 milhões de euros.

A vender sanduíches e comida pronta para cadeias como o Ikea, e cada vez mais procurado no estrangeiro, Douglas investiu agora num "sistema de congelação que permite viajar mais de 500 quilómetros com os produtos". A ideia "é ter refeições prontas de qualidade e conseguir exportar para cada vez mais longe. É na exportação que podemos encontrar uma solução para a crise".

Na exportação e nas parcerias. Há quatro anos o empresário juntou-se à Frubaça, em Alcobaça, e criou a marca Sonatural. Enquanto a Frubaça dispõe de uma tecnologia de ponta que permite fazer sumos 100% naturais através de uma técnica de hiperpressão a frio (que mata os microorganismos da fruta sem ser a altas temperaturas, como na pasteurização), a empresa de Douglas dá a marca ao produto e algumas ideias inovadoras. Destaque para a fruta à colher. "Fizemos um preparado de fruta com bocadinhos de maçã porque clientes de uma companhia aérea queixaram-se que só a fruta desfeita era demasiado infantil."

Tanto os sumos como a fruta à colher são tão doces que é difícil acreditar que sejam feitos apenas de fruta, sem qualquer adição de açúcar e, até, de água. O segredo, conta Douglas, está nas maçãs de Alcobaça. "'Arredondamos' todos os frutos que possam ser ácidos, como o ananás, com a incorporação da maçã nacional".

O produto foi já reconhecido além fronteiras pelo "5 a day", um programa britânico promovido pela National Health Service que prevê sensibilizar os britânicos a comerem cinco peças de fruta por dia. Um sumo equivale a duas.

Na fábrica de Alcobaça, as garrafas de sumo saem da máquina alinhadas e coloridas. "Nem sempre a fruta é da mesma cor; depende da época do ano", adverte Jorge Periquito, que trouxe a inovação para Portugal. Ainda assim não se sente o problema da sazonalidade. "As pessoas esperam pela época dos morangos, para terem o sumo verdadeiro." Também pode ser laranja, frutos vermelhos, cenoura, manga e pêra.

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MensagemAssunto: Rui Madeira criou o 9.º melhor vinho do mundo em 2010   Qua Nov 30, 2011 4:00 pm

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Rui Madeira criou o 9.º melhor vinho do mundo em 2010

por Marina Marques
Hoje


Pioneira na produção de vinho sem adição de sulfitos, a CARM é um projecto familiar que em 2009 viu o seu Douro Reserva 2007 ficar em 9.º lugar na 'Wine Spectator'

"Fazer o melhor vinho de Portugal e vendê-lo por metade do preço do segundo melhor". É este o objectivo que Celso Madeira, presidente da Casa Agrícola Roboredo Madeira (CARM), persegue, juntamente com os dois filhos, Rui e Filipe. As quatro quintas da família, com uma vista deslumbrante para o Douro Superior, em Almendra, a 20 quilómetros de Vila Nova de Foz Côa, são o ponto de partida para atingir essa meta, que tem o mercado externo no horizonte.

Apesar de a casa da família já estar na região desde o século XVI, a produção de azeite e vinho para o mercado só começou em 1999. "Esta ideia do nascimento da CARM começou em 1999/91, quando me reformei", explica Celso Madeira, engenheiro civil de profissão. "Foi nessa altura que decidi potenciar o património agrícola da família. Comecei por tratar das terras que já tínhamos, comprar outras e quando chegámos a uma massa crítica que nos permitia produzir, transformar e comercializar azeite e vinho decidimos criar a CARM", conta.

O objectivo que pretende alcançar visa "adaptar o preço dos vinhos à qualidade que têm", isto porque, considera, "há uma distorção dos preços, em alguns casos acho até que são exorbitantes". E conta com um trunfo de peso: "Temos a sorte de estarmos situados na zona mais apta para produzir bom vinho em Portugal."

Com a primeira colheita da CARM a chegar ao consumidor em 2000, o reconhecimento internacional não tardou. "Em 2010, a lista dos 100 melhores vinhos do mundo, elaborado pela revista Wine Spectator, colocou o nosso CARM Douro Reserva 2007 em 9.º lugar, com 94 pontos, um vinho que teve como enólogo o meu filho Rui Madeira", destaca Celso Madeira.

Em plena confluência de três ícones do património natural e histórico de Portugal e do Mundo - o Parque Arqueológico do Vale do Côa, o Parque Natural do Douro Internacional e a Região Demarcada dos Vinhos do Douro e do Porto -, os cerca de 110 hectares de vinhas da CARM "encontram-se plantados nas encostas viradas a norte e a nascente, poupando as uvas às temperaturas mais elevadas que por aqui se fazem sentir no Verão e que param a sua maturação", explica o enólogo António Ribeiro.

Por entre imponentes cilindros de inox (cubas), numa adega construída em 2004 e que de tão moderna apaga qualquer reminiscência de infância , encafuando as antigas prensas de madeira na gaveta das memórias, António Ribeiro explica todo o processo e revela uma das inovações da CARM: a produção de vinho sem adição de sulfitos.

Aqui, as uvas entram através de tubos que as depositam nas cubas de inox onde passam os primeiros meses. Com a temperatura e a humidade sempre controladas por computador, a mínima alteração ao padrão traçado como ideal é logo corrigida. E depois da apreensão dos primeiros dias de vindima, o optimismo acabou por vir ao de cima, e "2011 promete ser um bom ano", refere António Ribeiro. Logo acrescentando prudente: "Mas só depois do primeiro Inverno poderemos ter a certeza."

Mas se o futuro se apresenta promissor para a produção de vinho (50% do qual é exportado para os quatro continentes), o mesmo não se pode dizer do azeite. A pouca produtividade das terras do Douro (com uma produção inferior em pelo menos dez vezes à alcançada no Alentejo), poderá ditar o fim da exploração desta cultura. No entanto, Celso Madeira não deixa de destacar "a qualidade extrema do azeite" e o investimento feito num moderno lagar, em 1999, que nas duas primeiras fases do processo utiliza o moinho de pedras tradicional para moer a azeitona e batedeiras homogeneizadoras que são réplicas das usadas há 100 anos, recorrendo à tecnologia mais moderna para o restante processo.

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MensagemAssunto: A ajuda das marcas antigas a outra mais antiga, Portugal   Qui Dez 01, 2011 4:44 pm

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A ajuda das marcas antigas a outra mais antiga, Portugal

por Paula Brito
Hoje


O desenvolvimento de marcas nacionais é um elemento determinante para acrescentar valor à produção nacional. É que a marca é sempre um elemento central de uma bem sucedida estratégia de crescimento alicerçada numa presença sustentável nos mercados nacionais ou internacionais

Identificadas as áreas em que Portugal pode contar, por via da exportação, na recuperação económica, importa também apostar na afirmação das suas marcas. Segundo a análise da Espírito Santo Research Sectorial, as marcas são um património de primeira relevância para as empresas através das quais o consumidor percepciona um conjunto de referências positivas dentro e fora de portas. E através do qual também o País pode ser alavancado em termos de competitividade e sustentabilidade.

Mas, tal como as empresas nacionais, as marcas portuguesas que conseguem ter projecção fora de portas batendo-se com as internacionais ainda são muito poucas. Isto, apesar de um número crescente de empresas e empresários terem uma maior consciência da importância da construção de uma marca de forma sustentada através de um "continuado processo inovador".

Esta máxima é válida também para o mercado interno, onde cada vez mais portugueses têm consciência e atenção ao valor das suas marcas. A situação difícil do País gerou a ideia de que para ajudar à sua recuperação há que comprar e consumir produtos nacionais, pondo as empresas portuguesas a produzir e a vender. A ideia ganhou mais força com acções como "Compro o que é nosso".

Em seis anos, são já 814 as empresas aderentes ao programa (45% do sector alimentar), representando 2500 marcas e um volume de negócios agregado superior a 14,5 mil milhões de euros. É objectivo da AEP atingir as 1000 empresas e 3000 marcas em 2012.

Não será difícil uma vez que os portugueses valorizam cada vez mais as suas marcas carregadas de atributos como a qualidade, imagem, garantia, confiança, responsabilidade, continuidade e preço. Mas também antiguidade, que pode parecer um aspecto negativo mas não é - é sinal de resistência... E, nos dias que correm, são características que importam, e muito. É o caso do vinho do Porto Fonseca, perfumes Ach Brito, conservas Bom Petisco, Licor Beirão, panelas Silampos, Renova, vinhos Ferreirinha e Mateus, farinha Branca de Neve, lápis Viarco, leite Lactogal, farmacêutica Bial, Compal, pasta medicinal Couto, entre muitas outras marcas, algumas com mais de 50 anos ou lá perto, a quem o DN vai dar atenção durante o mês de Dezembro.

De acordo com a Espírito Santo Research Sectorial, em Portugal as marcas históricas representam aproximadamente metade das 100 principais marcas presentes no mercado português há mais de 50 anos. Os sectores financeiro, da alimentação e bebidas, dos artigos de luxo e perfumaria, do automóvel e da electrónica, concentram mais de 80% das marcas históricas observadas.

Falta, no entanto a afirmação internacional, a "conquista de um lugar no mercado global", defende o Innovation Union Scoreboard 2010, que classifica Portugal na 15.ª posição entre as países da UE, no âmbito dos activos intelectuais e no que respeita ao número de marcas comerciais registadas. Portugal surge ainda abaixo da média da UE e de economias de dimensão semelhante: Áustria, Holanda, Bélgica, Irlanda e Finlândia.

Nada que não se consiga resolver com a "produção de um elevado número de manifestações de sedução", defende Carlos Coelho, criador de marcas. Ou de uma forma mais simples: "Todos os dias conta uma história muito sedutora que nunca termina e que continua sempre no dia seguinte. Assim se seduz um consumidor, assim se constroem as grandes marcas..."

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Romy

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MensagemAssunto: "O licor de Portugal" que foi pioneiro da publicidade   Seg Dez 05, 2011 4:58 pm

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"O licor de Portugal" que foi pioneiro da publicidade

por Rui Marques Simões
Hoje


Esta é a história irreverente e bem-sucedida da empresa que sempre soube promover-se... mesmo quando ainda ninguém pensava em publicidade.

"O que é que se bebe aqui?" Após uma intensa campanha de marketing, a resposta ficou na ponta da língua dos portugueses: "Licor Beirão". Essa foi apenas mais uma das irreverentes e bem-sucedidas iniciativas promocionais da empresa, que desde os anos 40 - quando quase ninguém pensava no assunto - inova em termos de publicidade. Dos cartazes espalhados pelas bermas das estradas nacionais às campanhas com Manuel João Vieira, José Diogo Quintela e Paulo Futre, e agora até com Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, tudo tem servido para aproximar a marca dos seus admiradores. E é por isso que, ainda hoje, o "licor de Portugal" sai todos os dias, em grandes quantidades, da Lousã para todo o País (e mundo).

"Licor Beirão - o licor de Portugal" era precisamente a mensagem de um dos primeiros cartazes que José Carranca Redondo (pai do actual sócio-gerente da empresa, José Redondo) andou a espalhar pelas paredes e estradas do País. Em 1940, com 24 anos, o industrial lousanense investiu todas as suas economias para comprar a fábrica do licor (fundada anos antes por um antigo vendedor de vinho do Porto, que se apaixonara pela Lousã e por uma habitante local). "Investiu tudo e, de seguida, pediu dinheiro emprestado para fazer publicidade", conta o filho. "Já viram o que é, em plena crise e II Guerra Mundial, pedir dinheiro emprestado para fazer cartazes? Hoje toda a gente tem orçamento para publicidade, mas na altura quem é que pensava nisso?", questiona José Redondo.

Carranca Redondo pensou. E fez. Os cartazes na berma das estradas ainda lhe custaram muita ida a tribunal. "Foram 93 acções postas pelo Estado. Dessas, só perdeu a primeira... quando foi defendido por um advogado. Depois, fez a sua própria defesa e levou sempre a melhor", recorda o filho.

A essas campanhas seguiram-se outras, da irreverente imagem de uma pin-up semivestida, abraçada a uma garrafa de licor, ao slogan mais polémico dos tempos do Estado Novo: "Licor Beirão, o beirão de quem se gosta" (diz-se que o beirão Salazar sorriu, em surdina, ante a ousadia do industrial da Lousã). Carranca Redondo "era um homem que todos os dias pensava algo de novo". Era até digno de ser estudado nas faculdades de Publicidade e Marketing, admite o filho: "Vem aí muita gente fazer pesquisa. Ele estava 30 ou 40 anos adiantado no tempo."

José Carranca Redondo morreu em 2005, mas a marca - hoje dirigida pelo filho do fundador, já coadjuvado pelo netos - continuou pujante e com imaginativas campanhas publicitárias. Depois do "campino" José Diogo Quintela e do "político" Paulo Futre, agora são caricaturas de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy a ocuparem a publicidade natalícia da marca, que já por aí circula.

Afinal, os anos passaram mas o Licor Beirão manteve a personalidade. A preservá-la está a tradição familiar. "A força familiar é um dos pontos fortes da empresa. Os meus filhos cresceram aqui comigo - as funcionárias ainda hoje os tratam por tu", explica José Redondo, que também já tenta integrar os seus netos no dia-a-dia da fábrica, levando-os a conhecer os seus cantos nos tempos livres e férias escolares.

Assim, o futuro do famoso licor - fruto de 13 plantas provenientes de todo o mundo - estará sempre assegurado. Nos próximos tempos, José Redondo também quer inovar nos produtos associados à marca (depois de caipirão e morangão, há novas surpresas a caminho). E deseja aumentar as exportações, que, por agora (Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Luxemburgo, Suíça...), valem 10% das vendas. Com esse intuito, vai arrancar em breve uma campanha no país vizinho, com Paulo Futre como embaixador. Será que vai pôr os espanhóis a perguntarem "¿Qué es lo que usted bebe aquí?"

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MensagemAssunto: Talheres vimaranenses nas mesas de todo o mundo   Qua Dez 07, 2011 9:32 pm

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Talheres vimaranenses nas mesas de todo o mundo

por Susana Pinheiro
Hoje


Os talheres da Herdmar estão nas mesas do mundo há um século para "valorizar a importância do momento da refeição".

"A fabricar talheres desde 1911." É desta forma que a empresa de cutelaria de mesa Herdmar, em Caldas das Taipas, concelho de Guimarães, se apresenta ao mundo. Há cem anos que por aquelas bandas se faz a história que já conquistou mais de 60 países com inovadores talheres. Alguns deles exclusivos com acabamento em cores e com aplicações de cristais Swarovski. O objectivo é "valorizar a importância do momento da refeição", diz Maria José Marques, com a mesma dedicação e rigor com que gere a empresa juntamente com mais três irmãos.

A história da Herdmar começou com Manuel Marques, "o grande mestre e fundador", como lhe chamam os actuais administradores, que, aos 26 anos e com 50 escudos - cerca de 25 cêntimos na moeda actual -, montou uma oficina de facas, nas margens do rio Ave. "Aproveitava a energia hidráulica para auxílio na produção das facas e canivetes, que depois completava juntamente com colheres e garfos que adquiria noutros colegas produtores das aldeias vizinhas", conta a neta Maria José Marques.

Começou por os comercializar nas cidades mais próximas. Oito anos depois, Manuel Marques abriu a primeira fábrica, mal sabendo o sucesso que esta iria alcançar. Já nos anos 50 exportava para as antigas colónias. Ainda hoje, 90% dos produtos são para exportação. Os filhos Abel Marques e José Marques continuaram a escrever a história da empresa nos anos 1960. É com eles que nasce a marca Herdmar e continua a inovação da cutelaria de mesa.

O gosto pelo fabrico de talheres chegou à terceira geração da família com os irmãos Maria José, José Avelino, Abel e Mário a assumirem cada um o seu pelouro na administração da empresa. O negócio segue pela via do sucesso e, desta vez, em novas instalações, desde 2000, com aposta forte no empreendedorismo e na constante procura de novos mercados e consequente aumento do volume de negócios que hoje ronda os 7,8 milhões.

"A oferta de produtos produzidos na fábrica, diferenciados, inovadores, com uma relação aceitável de qualidade/preço" são algumas das mais-valias da Herdmar, segundo a administradora Maria José Marques. Acrescenta a "garantia de um bom serviço e confiança transmitida aos clientes ao longo de um século de experiência".

A fórmula do sucesso assenta, segundo a administradora, na "incessante procura de novas tecnologias aportáveis à produção dos produtos, no melhor relacionamento com todos os colaboradores e na transformação de cada cliente num parceiro". Acrescenta ainda "uma atenção constante à protecção ambiental e a busca de novos mercados". Tem como parceiros empresas de produtos de mesa, como as cutelarias Ivo, Porcel, Silampos, Costa Verde e Frasa.

Com mais de cem trabalhadores, a Herdmar está na vanguarda com garfos, colheres e facas de design de "alta qualidade", idealizadas e produzidas na fábrica. Dos cerca de 80 modelos em aço inoxidável, distribuídos por quatro níveis de qualidade, os mais vendidos "são os talheres nas gamas média-alta e alta, com linhas modernas e acabamentos em cores - preto, azul, violeta, castanho". Também os utensílios revestidos a ouro e prata fazem sucesso assim como aqueles com aplicação de cristais Swarovski.

Ainda hoje, a fábrica tem um "pequeno museu" com peças produzidas, nas décadas de 20 a 40, pelo avô Manuel Marques, agora recuperados e "adaptados à nova realidade dos mercados, e que representam ainda actualmente um percentual importante nas vendas". O cuidado com o design e apresentação dos produtos estende-se igualmente à embalagem dos talheres. A Herdmar transformou-se, recentemente, numa residência artística no âmbito da Capital Europeia da Cultura de Guimarães.

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MensagemAssunto: A charcutaria que alimentou as Forças Armadas de Angola   Sab Dez 10, 2011 7:18 pm

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A charcutaria que alimentou as Forças Armadas de Angola

por Rute Coelho
Hoje


Álvaro Santos Silva preside à empresa há 43 anosMente visionária do 'patrão' Álvaro Santos Silva transformou a empresa Sicasal num gigante da indústria de carnes em Portugal.

Na fábrica Sicasal, em Vila Franca do Rosário, Mafra, a história está também nos números: ali se abatem mil porcos por dia, mandam-se semanalmente para o mercado 500 toneladas de carne processada e 1000 de carne fresca. É também a história de uma fábrica que nunca deixou de laborar, nem quando foi parcialmente devastada por um incêndio, há três semanas, nem durante o Verão "revolucionário" de 1975, quando um comité saneou cinco operários, mas manteve na gestão o "patrão" Álvaro Santos Silva, hoje com 73 anos.

A fábrica perdeu o sector do desmanche de carnes devido a um grande incêndio, mas os 650 operários e o "comandante" Álvaro Santos Silva, presidente do conselho de administração há 43 anos, mantêm a chama acesa.

A Sicasal é uma indústria de carnes bem portuguesa, cujo nome está implicado numa viragem da mentalidade industrial em Portugal. A fábrica começou por se chamar Mota e Silva (ainda na década de 60), um nome pequeno, mais familiar, junção dos apelidos dos dois sócios, para se transformar em Sicasal- Sociedade Industrial e Comercial de Agricultura e Salsicharia Lda (mais tarde passou a Sociedade Anónima).

A mesma Sicasal que na década de 80 abasteceu os militares das Forças Armadas de Angola (FAA) durante a guerra civil. "O nosso cliente era só as FAA. Mas depois assistimos com alguma perplexidade, em reportagens televisivas, aos guerrilheiros da UNITA a comerem também enlatados e enchidos Sicasal", recordou Álvaro Santos Silva. Ex-militar na guerra de Angola, o patrão da Sicasal diz com humor que "se na hora de ir beber água ao mesmo rio eles faziam tréguas talvez na hora de comer as fizessem também".

O sócio passou a sogro

O mentor da transformação da Mota e Silva em Sicasal foi Álvaro Santos Silva, que juntou esforços com o amigo Mota quando veio de Angola. "Eu tinha regressado de Angola e montei um negócio de aves. O Mota tinha uma casa de matança de porcos. Decidimos juntar o negócio das aves com o dos suínos." O Mota sócio viria a ser mais tarde, já com a fábrica transformada em Sicasal, o Mota sogro. Isto porque o jovem Álvaro, então com 27 anos, se apaixonou e decidiu casar com a filha do sócio, uma estudante de Medicina com 21 anos. Álvaro iniciou os seus "descobrimentos", com viagens pela Alemanha e França, reinados da charcutaria, para ver como se fazia. "Aqui chocava-me ver abater 30 a 40 porcos da forma tradicional. Ou ver homens a transportar porcos às costas sem usarem sequer uma bata. As minhas viagens pela Europa serviram para ver que nas indústrias francesa ou alemã os porcos já não eram abatidos de forma tradicional, que já havia o sistema de atordoamento. Ou que já havia o sistema elevatório e não era preciso os homens andarem com os porcos às costas." Um admirável mundo novo que trouxe para a indústria de carnes Sicasal. "A tecnologia que implantei na fábrica ainda está actual hoje em dia." Equipamento "que dava outra capacidade de produção". No início dos anos 80, do plano inicial dos 500 porcos abatidos por dia (250 para transformar na fábrica e outros 250 para o mercado, o que "já era rentável") passou-se para os 1000. "Ninguém na concorrência atingia esse número, era um escândalo nacional." Na década de 90, a Sicasal entrou na "era da embalagem". Antes a procura era mais pelos enchidos. Depois, com a fase das embalagens, começou a haver muita procura pelos fiambres, mortadelas e salames, que já estavam "ao nível do que se fazia na França ou na Alemanha".

Dois filhos seus entraram para a administração, Filomena e Francisco, e outro, Luís, tem um negócio em Angola com produtos Sicasal. Álvaro Santos Silva passou a mensagem aos seus operários no dia 15 de Novembro: "Nas dificuldades há novas oportunidades." Para operários residentes em Vila Franca do Rosário, que viram crescer os filhos do patrão, este optimismo vale ouro.

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MensagemAssunto: Valle Pradinhos, o prestígio de Trás-os-Montes    Ter Dez 13, 2011 1:21 pm

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Desde 1913
Macedo de Cavaleiros


Valle Pradinhos, o prestígio de Trás-os-Montes

Desde 1913 que a propriedade Casal de Valle Pradinhos, em Macedo de Cavaleiros, pertence à família Pinto de Azevedo. Os seus vinhedos em regime de proteção integrada estão encepados com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Cabernet Sauvignon (castas tintas).

Além de Malvasia Fina, Riesling e Gewurztraminer (variedades brancas). Desde as duas últimas décadas do século passado que os seus vinhos sobressaem pela sua qualidade entre os seus pares regionais, vinificados primeiro sob a orientação enológica de João Nicolau de Almeida, e atualmente de Rui Cunha.

Entre os 37 produtores transmontanos (ou agentes económicos, como regista o site oficial da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes) Valle Pradinhos distingue-se pela superior qualidade dos seus vinhos, vindima após vindima.

Manter esta consistência de qualidade década após década não é coisa fácil. Valle Pradinhos, do que conheço de Trás-os-Montes é, por isso, um símbolo de prestígio para a região. Como voltei a comprovar com estas colheitas:

Valle Pradinhos Regional Transmontano 2010 *****
Os seus 13% vol. álcool não diminuem a frescura que nos proporciona este branco transmontano elaborado a partir das castas Gewurztraminer, Riesling e Malvasia Fina. Muito aromático, está marcado por sabores a meloa e lichias. Melhor que a colheita de 2009.

Valle Pradinhos Rosé Doc Trás-os-Montes 2010 ****/*****
Cor de cereja madura e com sabores a cereja e framboesa. Vinificado com uvas tintas das castas Touriga Nacional e Tinta Roriz.

Valle Pradinhos Regional Transmontano Reserva 2006 *****
O Cabernet Sauvignon é dominante neste tinto de 2006, elegante e vigoroso nos seus 14,5 % vol. álcool. De cor violeta púrpura foi loteado após a seleção das melhores barricas, onde estagiou durante 16 meses. Um tinto com capacidade de envelhecimento, mas que merece ser apreciado desde já. Um belo exemplo do potencial de Trás-os-Montes.

Os vinhos da semana
BRANCO
Valle Pradinhos Regional Transmontano 2010 - €9,50

ROSÉ
Valle Pradinhos Rosé Doc Trás-os-Montes 2010 - €7,50

TINTO
Valle Pradinhos Regional Transmontano Reserva 2006 - €24,50

José Salvador in Visão, 2011-12-12
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MensagemAssunto: «Economia orientada para o exterior»    Ter Dez 13, 2011 1:27 pm

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«Economia orientada para o exterior»
Bragança



Concelho exportou 240 milhões de euros na sua maior parte para Espanha

O presidente da câmara de Bragança (PSD) disse hoje que o concelho teve uma dimensão exportadora correspondente a 240 milhões de euros em 2010, sendo que a maioria dos negócios foram efetuados com Espanha.

\"Há uma década, o concelho de Bragança não tinha dimensão exportadora. Atualmente a capacidade do concelho ronda os 2,8 por cento do volume de exportações registadas na região de Trás-os-Montes e Alto Douro\", acrescentou Jorge Nunes.

Segundo o autarca, a economia de Bragança está orientada para o exterior de forma \"inequívoca\" havendo \"uma vontade expressa\" por parte dos empresários de iniciarem um processo de internacionalização.

Lusa, 2011-12-13
In DTM

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MensagemAssunto: Desde 1919 que este galo de Abrantes canta ao mundo   Ter Dez 13, 2011 11:43 pm

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Desde 1919 que este galo de Abrantes canta ao mundo

por SÓNIA SIMÕES
Hoje


A marca nasceu pela mão de Victor Guedes em plena Revolução Industrial. Passou para o filho, que, sem descendentes, a vendeu. Mas a tradição mantém-se.

Dizem os anúncios que o azeite Gallo canta desde 1919. Mas, na verdade, há registos de que tenha começado a cantar muito antes, pelas mãos da família Victor Guedes, quando abriu uma fábrica em Abrantes. Um canto que entoou ao longo de um século de história, desde a Revolução Industrial à suspensão da venda do produto em Portugal, no pós-25 de Abril, e à globalização.

"A existência da fábrica remontará a antes de 1900, mas a marca só foi registada em 1919. Temos dois diplomas de participação numa exposição que comemora o centenário da abertura dos portos brasileiros à navegação internacional, em 1908, no Rio de Janeiro", atesta Pedro Cruz, actual presidente do conselho de administração. Foi Victor Guedes pai quem terá registado a marca como Gallo, em homenagem às suas origens e aos seus familiares galegos.

O sucesso da empresa prendeu-se na altura com uma oferta variada de produtos - além do azeite, havia figos, nozes e vinho, e depressa acompanhou o fluxo migratório. "Na década de 1930, é formada uma rede distribuidora, o negócio deixa de se circunscrever a São Paulo, no Brasil. Hoje, em qualquer ponto da Amazónia, há uma lata de azeite Gallo." Nos anos 60, um segundo passo internacional, também coincidente com o fluxo migratório de portugueses: a Venezuela. O êxito foi tal que hoje o azeite Gallo é consumido por todos os venezuelanos que acham que a marca é espanhola por causa do nome "Gallo".

Enquanto a marca emerge nos mercados onde os portugueses procuraram melhores condições de vida, em Portugal dá-se a Revolução do 25 de Abril, em 1974. Com ela, o fim da agricultura e o início das importações de azeite, que levam os produtores a misturar óleo no azeite para conseguirem competir com os preços das multinacionais.

Victor Guedes filho, na altura, era um perfeccionista, intransigente com as qualidades do azeite. Nunca iria corromper o produto para fazer dinheiro, mas olhava para as autoridades com desconfiança. Para não adulterar o produto, preferiu manter a fábrica em Abrantes, mas apenas virada para o mercado externo. Voltaria mais tarde a vender por cá e a ser líder de mercado, com 14% da quota (actualmente são 20%).

Em 1989, o filho do fundador da marca não tinha descendentes que lhe seguissem os passos no negócio. Gravemente doente, decidiu vender a Gallo a duas empresas interessadas: Jerónimo Martins e Unilever. Da história da empresa, a parceria optou por respeitar valores tão fundamentais como a tradição e a obsessão pela qualidade, "que é um misto entre a ciência e arte, o saber lotear", diz Pedro Cruz, que na altura regressava de Londres para este projecto.

"É exactamente como se faz o perfume. Há vários azeites diferentes, mas o que eu quero obter é sempre o mesmo, são coisas que estudamos com o consumidor e que são diferentes de país para país." É por isso que a Gallo deixou de ter olivais, preferindo comprar a consumidores (de preferência nacionais). E um produto para o consumidor português não é o mesmo que para um brasileiro. Sabia que por cá o azeite é mais frutado, picante e amargo e no Brasil é muito mais suave?

Na mesma lógica, está toda a panóplia de outros produtos que a Gallo comercializa. Em Portugal os vinagres são um sucesso, no Brasil a aposta são as azeitonas. "Não temos uma política igual em todo o mundo, vimos as oportunidades e a partir daí inovamos." Mas se estas diferenças se notam em termos de sabor, este ano deixaram de se notar na embalagem de vidro escuro. "Foi a forma de nos apresentarmos de igual forma em todo o mundo." Mais do que design, é uma questão de qualidade: a embalagem é escura porque a luz, através do processo de oxidação, degrada o azeite.

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RMaria

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MensagemAssunto: Artesãos dos chocolates fazem crescer negócio de família   Qua Dez 14, 2011 5:17 pm

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Artesãos dos chocolates fazem crescer negócio de família

por SÓNIA SIMÕES
Hoje


Chegou a ser a confeitaria mais procurada em visitas ao Porto, mas a concorrência roubou-lhe o espaço. Hoje, a marca volta a vingar.

Das prateleiras do balcão sobressaem as cores do universo de chocolates e amêndoas mais antigo do Porto, Arcádia. Ao fundo, a porta abre-se para a fábrica, na qual se mantém a produção artesanal. No edifício da Rua do Almada há ainda espaço para os escritórios onde dois irmãos trabalham para conseguir levar a marca de família ao resto do País. Acredite-se. Já não é preciso ir ao Porto para comprar as históricas línguas-de-gato ou as amêndoas de licor Bonjour.

No ano em que um grupo de professores de Direito, coordenado por Salazar, apresentava o novo texto da Constituição, em 1933, Manuel Pereira Bastos abria na Praça da Liberdade, no Porto, a confeitaria que se iria tornar um ícone da cidade. As línguas-de-chocolate e as amêndoas tornar-se-íam motivo para todos os visitantes da cidade não saírem de lá sem uma caixa. O local era ainda destino preferido da alta sociedade.

Os anos passaram e o negócio foi-se mantendo em família. Com a morte de Manuel, o negócio passou para o filho, pai de Margarida e João. Os dois lembram-se de ser ainda crianças e receberem todos os dias em casa uma caixa com bolos da Arcádia. Guidinha, como era então chamada, dispensava. O irmão Joãozinho não hesitava comer dois ou três, até que a adolescência o alertou para o peso. Foi também por esta altura que os dois começaram a conhecer os cantos à casa e a ajudar em períodos de férias. Natal e Páscoa eram momentos prósperos para o negócio.

Foi assim até a concorrência permitir. "A Baixa do Porto foi perdendo peso, foram aparecendo outras centralidades, começaram a emergir zonas residenciais e a abrir confeitarias e cafés. Depois as grandes superfícies", enumera João, que agora se dedica ao negócio em sociedade com a irmã.

Há 12 anos, em 2000, a antiga confeitaria acaba mesmo por ser encerrada. Mas sem um verdadeiro ponto final. Passa apenas a produzir os produtos tradicionais: sortido, línguas-de-gato e amêndoas de licor. Um ano depois, com a morte do pai, João e Margarida tomam conta do negócio.

Ela deixa para trás o trabalho em análises químicas, conseguido depois de uma licenciatura em Farmácia. E ele, 25 anos de experiência ao serviço do Grupo Sonae.

"Achámos que devíamos encontrar outras soluções e formas de competir nos tempos modernos. Abrimos este estabelecimento na Rua do Almada e fomos desenvolvendo a nossa rede comercial", explica João.

Começaram com um quiosque por altura da Páscoa e do Natal no NorteShopping em 2003. O sucesso ditou que permanecessem abertos o ano inteiro. A falta de condições foi um trampolim para a abertura da primeira loja (em 2005), enquanto outros quiosques abriam no Porto, Braga, Coimbra e em Lisboa. "Foi importante para alargarmos os horizontes e mostrarmos às pessoas que a Arcádia não tinha morrido."

"Neste momento temos dez lojas Arcádia e gerimos cinco Coffee Box na sequência de uma parceria." Em 2007, recordam os dois irmãos, a Arcádia estava novamente na rua, com uma loja na Avenida da Boavista, no Porto, e uma oferta mais variada (scones, crepes, chocolate quente, saladas). Seguiu-se uma loja só de chocolates no Picoas Plaza, em Lisboa, depois substituída por outra no Dolce Vita Tejo. Mas os dois sócios perceberam que o conceito funcionava melhor na rua. Prova disso foram as lojas que abriu já nestes últimos dois anos, na Avenida de Roma e em Campo de Ourique. No ano em que o Governo cumpre rigorosamente as medidas de contenção impostas pela troika, a ideia dos gerentes da Arcádia é de expansão, com a abertura de duas lojas franquiadas em Guimarães e em Braga. Segue-se o resto do mundo. "Estamos a participar em feiras internacionais." Sempre sob a máxima de manter a tradição. É aí que está a diferença.

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MensagemAssunto: Em quatro gerações, a Bial cresceu e multiplicou-se   Qui Dez 15, 2011 5:55 pm

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Em quatro gerações, a Bial cresceu e multiplicou-se

por RUI MARQUES SIMÕES
Hoje


No espaço de quatro gerações da família Portela, a pequena farmacêutica portuense industrializou-se, internacionalizou-se e tornou-se exemplo na área da investigação.

A maior farmacêutica nacional pode ser também uma empresa familiar? Pode. Chama-se Bial, está nas mãos da 4.ª geração da família Portela, foi responsável pela criação do primeiro medicamento de patente 100% portuguesa e está representada em cerca de 50 países.

É uma história com quase 90 anos, que começou quando Álvaro Portela fundou uma pequena farmacêutica, nas traseiras da Farmácia do Padrão, na Baixa do Porto. O patrão da farmácia, o senhor Almeida, juntou-se ao ideólogo e assim se cunhou o nome da empresa: dois "Al" (Alberto mais Almeida), igual a "Bial".

Porém, foi pela mão dos Portela que a Bial se foi desenvolvendo. A Álvaro sucederam o filho, António Emílio (1962), e o neto, Luís (1979). E, agora, é o bisneto, António, de 36 anos, que gere os destinos (desde o início do ano).

Com o passar dos anos, a empresa "foi crescendo e foi-se industrializando", descreve António Portela, o actual CEO, com a história do projecto na ponta da língua. "O meu bisavô lançou uma marca de grande sucesso, que dinamizou muito a Bial, que foi o Benzo-Diacol, um produto para a tosse que ainda hoje tem um sucedâneo, o Diacol. No tempo do meu avô, começou a haver mais industrialização e alguma internacionalização da empresa. E no tempo do meu pai houve uma clara aposta na investigação e desenvolvimento, algo que não existia até aí", relata.

Essa aposta levou ao surgimento do primeiro fármaco com patente nacional: o antiepilético Zebinix, que foi lançado em meados do ano passado e já está à venda em 16 países. "Todos os anos são lançados apenas vinte e poucos medicamentos a nível mundial. Entrar nesse clube restrito é um orgulho muito grande. E o mérito é do meu pai [actual chairman, com funções não executivas] e da equipa dele, que conseguiram, ao longo de 20 anos, estabelecer uma unidade de investigação e desenvolvimento de alto nível, que tem mais de 100 pessoas", assume António Portela.

Afinal, na empresa, agora estabelecida em São Mamede do Coronado (concelho da Trofa), a investigação caminha de braço dado com os interesses comerciais. "O meu pai é médico e só veio tão cedo para a Bial devido ao falecimento prematuro do meu avô. Por isso, tentou dar oportunidades a outros de fazerem a investigação que ele não pôde realizar", explica António Portela. Foi assim que surgiu a Fundação Bial, "que tem associado o Prémio Bial, um dos maiores na área da saúde na Europa e que procura premiar obras de grande mérito, incentivando que se investiguem coisas que não são comercialmente atractivas". E é fruto do forte investimento da farmacêutica no departamento de Investigação e Desenvolvimento, que também já está a caminho aquela que pode ser a segunda patente nacional: "Neste momento o nosso desejo é trazer novas moléculas ao mercado. Temos uma para o tratamento de Parkinson já na última fase de testes e esperamos tê-la no mercado, em todo o mundo, em 2014 ou 2015."

António Portela resume tudo isto numa filosofia: "O que queremos é que a nossa empresa continue a gerar medicamentos inovadores e que, ao mesmo tempo, se torne cada vez mais global." Afinal, a Bial de hoje já não é apenas aquela farmacêutica que o português comum associa a "remédios" como o anti-inflamatório Reumon (gel ou loção) ou o antibiótico Clavamox. Além de estar em 50 países, cerca de 40% das suas vendas são exportações.

Mas António quer mais. Quer "crescer e consolidar" o trabalho do pai, agora que a empresa está nas mãos dele e do irmão mais novo (Miguel, responsável pela área corporate). E sorri com o que faz: "É bom saber que aquilo

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MensagemAssunto: O segredo da 'Branca de Neve' está... no rótulo   Sab Dez 17, 2011 6:42 pm

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O segredo da 'Branca de Neve' está... no rótulo

por MARINA MARQUES
Hoje


Inovação, qualidade, consistência e relação directa com os consumidores. Eis os quatro ingredientes que fazem levedar os cerca de 30 produtos das Fábricas Lusitana.

Nas Fábricas Lusitana as saquetas de farinha Branca de Neve e Espiga já não são coladas à mão e o enchimento também já não é manual. Mas a fórmula das misturas da farinha Branca de Neve mantém-se inalterada desde 1954, ano em que António Trigueiros de Aragão fundou a empresa, em Alcains, a 11 quilómetros de Castelo Branco. Um segredo que se mantém na família e... no rótulo.

E se ter em casa todo o tipo de mistura de farinhas é algo bastante banal no início deste milénio, a introdução no mercado nacional de farinhas autolevedantes, em 1955, foi uma verdadeira inovação. Estão assim encontrados dois dos ingredientes que fazem desta empresa, que vai na quarta geração, um caso de êxito: consistência e inovação.

A receita vai sendo revelada por António Trigueiros de Aragão, bisneto do fundador, que há cinco anos, com o pai, tomou as rédeas da empresa da família, após uma reestruturação da composição accionista, comprando acções da empresa que estavam dispersas por muitos familiares.

E adiciona mais um ingrediente: a relação directa com o consumidor. Agora facilitada pelas redes sociais e pela Internet, e contando também com a edição de uma revista semestral, esta foi uma preocupação do fundador logo nos primeiros anos de vida das Fábricas Lusitana. "Os pacotes de farinha mais antigos ainda têm inscrito o número de telefone 4, de Alcains, que era a linha directa de contacto entre os consumidores e a fábrica, durante o dia, e a casa do fundador, à noite", recorda Trigueiros de Aragão. O quarto ingrediente, como não podia deixar de ser, é a qualidade do produto, "que tem de ser sempre a mesma", salienta.

O espírito pioneiro de António Trigueiros de Aragão, nos anos 50, continuou vivo ao longo de mais de meio século das Fábricas Lusitana. Depois dos preparados para bolos e das farinhas para as máquinas de pão caseiras, da linha de produtos Branca de Neve, a gama Espiga, também criada em 1955, foi reforçada nos últimos anos. Esta linha de produtos sem aditivos passou a contar com especiarias (ao gosto português) e azeite (clássico, virgem e seleccionado), e, em 2010, houve duas novas apostas: um óleo alimentar e um spray de óleo alimentar para untar.

"Identificámos duas oportunidades de negócio: a dos sprays, que não existiam em Portugal, e a do óleo alimentar porque achámos que os consumidores não estavam suficientemente esclarecidos sobre o que estavam a consumir." A questão é simples: a legislação nacional permite que o rótulo refira apenas "óleo alimentar", sem especificar que óleo é utilizado, salvo a excepção da soja geneticamente modificada. Foi pela diferença que entraram no mercado: "O nosso rótulo refere a composição do óleo: 99% girassol e 1% amendoim", explica. "O óleo de amendoim é um dos melhores que existe, mas muito caro e esta nossa aposta não é fácil de transmitir aos consumidores. Mas um ano depois, o balanço é positivo: "Quem experimenta fica fidelizado", refere.

A equipa de investigação, com cinco jovens técnicos, três dos quais formados na Universidade da Beira Interior, e a e-mercearia - "lançada este ano para reforçar a divulgação dos produtos" - são "os dois grandes pólos em desenvolvimento", revela.

E apesar de o consumo em Portugal estar concentrado no litoral, a Lusitana mantém as instalações fabris em Alcains, num distrito com apenas 167 mil habitantes. "Com enormes custos acrescidos a nível de transportes e de economias de escala", explica Trigueiros de Aragão. Mas justifica: "A maior responsabilidade social que há no País é das empresas. Não se pode pensar só em rentabilizar, rentabilizar, rentabilizar. É preciso analisar a envolvente e encontrar mecanismos para se criar estruturas de forma a criar regiões sustentáveis."

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MensagemAssunto: Limiano: A arte de fazer queijos para a família   Dom Dez 18, 2011 5:27 pm

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Limiano: A arte de fazer queijos para a família

por JOANA CAPUCHO
Hoje


Já não são feitas pelo 'Papa dos Queijos', como em 1955, mas cada bola de queijo 'Limiano' continua a ser embalada à mão

"O queijo que faz parte da família." É assim que o Limiano se apresenta aos portugueses: um queijo que remete para as memórias da infância, que é sinónimo de tradição, sofisticação, portugalidade e qualidade. Embora a marca tenha sido registada em 1957, o queijo Limiano nasceu dois anos antes, em Ponte de Lima, pelas mãos de Américo Tavares da Silva. O primeiro queijo foi confeccionado por Manuel Ferreira Leite, aquele que era conhecido como o "Papa dos Queijos".

Cedo mereceu a atenção dos portugueses. "Quando só existia no norte de Portugal, as pessoas faziam fila à porta da fábrica à espera que o turno acabasse para levarem o queijo para casa. Posteriormente, o queijo era transportado de comboio, dentro de caixas de madeira, e foi assim que o resto do País passou a conhecê-lo", conta Paula Amaral, gestora da marca Limiano desde 2006.

Em 1999, a fábrica do Limiano deslocou--se para Vale de Cambra, onde se situa actualmente, processo envolto em grande polémica. E, em 2004, numa altura em que pertencia ao grupo Lacto, a Limiano foi adquirida pela multinacional francesa Bel, que também é detentora das marcas Terra Nostra e A Vaca Que Ri. No entanto, a produção de queijo Limiano continua a ser exclusivamente nacional.

"É a marca de queijo flamengo preferida por metade dos portugueses e é conhecida por 99% da população", realça Paula Amaral, que atribui tal facto ao "sabor suave do produto e à sua textura amanteigada". O processo de fabrico do queijo Limiano ainda é "extremamente delicado", como antigamente... "e a bola ainda é embalada à mão, uma a uma".

Um dos segredos do sucesso da marca Limiano é a aposta permanente na tradição, mas sempre aliada à inovação. Quando nasceu, o seu produto principal era a bola de queijo flamengo, tosco e amanteigado. Com o passar dos anos, foi evoluindo para outros formatos: as metades, os quartos, a bola mais pequena e, em 1999, as fatias. "As fatias da bola Limiano são um ponto diferenciador da nossa marca. Sabemos que os consumidores querem conveniência, e as fatias correspondem a essa grande necessidade. São as únicas redondas e têm um sabor muito diferente das outras que têm um aspecto mais industrial", explica a gestora.

A gama "menos 50% de gordura" é outro dos pontos fortes da marca. A última novidade Limiano é o "Amanteigado de Vaca e Ovelha" - um queijo que vai para a mesa dos portugueses - que "sai fora do espectro da marca, conhecida pelo queijo flamengo".

"Apesar de termos uma marca tradicional e forte, com valores tão ricos, se não insistirmos na inovação caímos no esquecimento", realça Paula Amaral. De acordo com a mesma, o crescimento de 5% no volume de negócios face ao ano passado (sendo o crescimento médio anual na ordem dos 3%), numa altura de crise, é "extraordinário" e deve-se à forte aposta nas fatias e ao lançamento deste novo produto.

Anualmente, são produzidas cerca de cinco mil toneladas de Limiano. O forte é o mercado nacional. No ano passado, foi criada uma equipa para se dedicar à exportação, mas as vendas no estrangeiro ainda só representam 1% do total. "Temos um longo caminho pela frente", diz Paula Amaral.

A gestora da marca acredita que o êxito assenta também nos investimentos de marketing e numa comunicação próxima com o consumidor. Sendo uma das marcas mais caras do mercado, a Limiano oferece algumas promoções, tentando responder às necessidades dos consumidores. "Achamos que o queijo é um bem essencial, e, como tal, nós devemos dar sempre o melhor à nossa família. O melhor é o que os nossos pais nos deram. Aquilo que eu recebi é aquilo que eu quero dar", sublinha.

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MensagemAssunto: Viarco aposta na criação de lápis com valor acrescentado   Seg Dez 19, 2011 11:37 pm

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Viarco aposta na criação de lápis com valor acrescentado

por LINA SANTOS
Hoje


A fábrica remete para a Revolução Industrial e abre as portas ao público em Janeiro. Tudo o que faz é diferente

José Vieira, neto do fundador da Vieira e Araújo, a Viarco, e actual dono da fábrica e da marca, esteve na Suíça há duas semanas. Levou material de arte e lápis de cor para oferecer a um amigo artista plástico. A irmã deste, quando viu, fez várias encomendas para o Natal. Falta dizer que a Suíça é terra natal da toda-poderosa Caran d'Ache, uma das maiores multinacionais de papelaria. "Como se vê, isso não impede que haja espaço para uma empresa como nós", diz.

Quando diz "como nós", José Vieira refere-se a uma pequena, pequeníssima fábrica de lápis, a última na Península Ibérica que, incapaz de competir com o volume de produção e o marketing agressivo e milionário da marca suíça ou dos alemães da Faber-Castell ou da Staedtler, virou as agulhas para o negócio dos lápis com valor acrescentado.

Na Viarco dedicam-se a fazer diferente, receita de sucesso quando toda a gente lhe dizia que o melhor era fechar. "Nós vendemos mais do que aquilo que é o tradicional lápis escolar", destaca.

Vendem memórias (os lápis com que gerações e gerações de portugueses aprenderam escrever, a ler e contar), vendem soluções divertidas (o pior lápis do mundo, que não escreve e só serve para pregar partidas) e lápis à medida do que os clientes pedem. Estão a começar um processo de internacionalização com vendas para os Estados Unidos e a Itália, cujo pedido já foi repetido. Os produtos especiais também chegam à Alemanha, à Inglaterra e à França. E vendem também uma maneira de fazer as coisas que já não existe.

Na fábrica, no cima de uma rua, em São João da Madeira, há arqueologia industrial. Máquinas que datam do século XIX, totalmente mecânicas, carvão, uma maneira quase artesanal de produzir lápis que a câmara municipal da cidade achou, tal como José Vieira, que "é de todos" e para todos verem. Assim, a partir de Janeiro, as instalações passam a estar inseridas no roteiro industrial da autarquia, ao lado de uma fábrica têxtil, outra de calçado e outra de chapéus. A medida, defendida pelo proprietário há muito, permitirá "salvaguardar o património da fábrica".

Fundada em 1919, a Viarco está nas actuais instalações desde o final da década de 30, vinda de Vila do Conde, que foram objecto de uma restruturação importante e cuja factura é paga pela Câmara de São João da Madeira, liderada por Manuel Castro Almeida. "Não vamos pôr a fábrica nova. É para ser mantida a sua essência, não vamos descaracterizar o que ela é", sublinha José Vieira. Foi criada uma sala de acolhimento para receber os visitantes que obrigou a mudar secções de sítio e um espaço expositivo (e loja) da Viarco, com documentos, lápis e objectos que contam a história desta empresa que atravessou uma guerra mundial, uma ditadura e o ataque das multinacionais pós-adesão à Comunidade Europeia. José Vieira almeja "transformar isto num negócio rentável", de que tratarão as gerações vindouras. "Sem terem de passar pelo que nós passámos", frisa. Isto porque, lembra, "disseram-nos que devíamos vender a fábrica".

Com a Viarco trabalham imensos artistas portugueses que aproveitam a abertura da empresa para os receber nos seus ateliers. Dessas colaborações têm surgido ideias para novos produtos: um deles, o bastão de grafite, foi sugestão do pintor José Emídio. E esse é o ponto forte da empresa, segundo o seu proprietário: "A nossa disponibilidade para ouvir, para interpretar, para arriscar e não ter medo de falhar. E quando se ousa fazer o que nunca foi feito, a probabilidade de acertar é grande."

José Vieira conta que em Janeiro lançam dois novos produtos, um deles um carvão aguarelável, e têm outros 20 projectos na gaveta. "A questão é saber se vamos ter tempo para tudo!"

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MensagemAssunto: A preto e branco se escreve a história da Almedina   Sex Dez 23, 2011 12:55 am

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A preto e branco se escreve a história da Almedina

por RUI MARQUES SIMÕES
Ontem


A marca emblemática da literatura técnica (principalmente jurídica) não se restringe a Portugal: está no Brasil e quer crescer em África

As paredes pretas e as estantes brancas são a imagem da marca das mais recentes livrarias do Grupo Almedina. A escolha é da responsabilidade dos arquitectos Manuel e Francisco Aires Mateus. E não é por acaso: o preto simboliza a ligação da editora à Universidade e à academia de Coimbra e o branco põe em evidência o mais importante, os livros. É disso que vive a empresa conimbricense, criada em 1955, e hoje uma referência na área dos livros técnicos (principalmente jurídicos), por todo o mundo lusófono.

"A imagem a preto e branco surgiu naturalmente. Na altura, chocou, mas, agora, as pessoas sentem-se muito bem nas nossas livrarias. Nós procurámos dar o protagonismo ao livro e ao leitor, com espaços muito sóbrios", explica, ao DN, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Almedina, Carlos Pinto. Essa nova imagem - presente nas livrarias do Estádio Cidade de Coimbra, Arrábida Shopping (Matosinhos), Centro de Arte Moderna e Oriente-Parque das Nações (ambas de Lisboa) - é apenas mais um dos símbolos da nova Almedina, do século XXI.

Nos últimos anos, a marca cresceu e multiplicou-se. Antes havia apenas uma pequena editora, fundada nos anos 50, por um livreiro (Joaquim Machado) que começou "a publicar as lições dos professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra". Agora, há um grupo multifacetado, dedicado à edição e ao retalho, presidido pelo genro de Joaquim Machado e gerido por um grupo de gestores profissionais.

Carlos Pinto, engenheiro de formação mas especializado em gestão após anos de trabalho na Sonae, entrou na empresa em 1996, "então já com o objectivo de conseguir uma maior profissionalização". E, ao longo dos últimos anos, alavancou o crescimento de uma Almedina que hoje "é completamente profissionalizada". Da pequena livraria junto ao Arco de Almedina (um dos últimos vestígios da Coimbra medieval, no centro histórico da cidade) passou a um grupo de 11 lojas espalhadas pelo País. E à editora Almedina, especializada em livros de Direito, somou mais duas, Edições 70 ("com um catálogo muito rico na área das ciência sociais e humanas") e Actual (de economia e gestão), que alargaram o leque da sua oferta de livros técnicos - sendo que a Edições 70 tem ainda a chancela Minotauro, que edita literatura contemporânea espanhola.

Agora, com a economia nacional em quebra, o desafio da Almedina é o estrangeiro e o "mercado muito abrangente da língua portuguesa", aponta Carlos Pinto. O grupo livreiro está presente no Brasil desde 2005 e lá tem encontrado uma receptividade muito grande. "Lá a marca é muito conhecida, porque há um grande intercâmbio, na área do Direito, com a Universidade de Coimbra e isso acaba por transportar-nos para o outro lado do Atlântico", explica o presidente.

Porém, o objectivo da Almedina não é só a América do Sul. "Em 2012 vamos criar a Almedina Angola e um departamento internacional dentro da Almedina em Portugal. Vamos servir melhor as comunidades de língua portuguesa que estão dispersas pelo mundo, tendo actividade em Moçambique e nos outros países", afiança Carlos Pinto, esperando chegar aos 18% de exportações em 2012.

O direito continua a ser "a área principal" de uma casa que também se orgulha de lançar outras obras, como Académica - História do Futebol, de João Santana e João Mesquita. O livro, uma "enciclopédia" sobre a história da Briosa, é um marco da identidade da Almedina, explica Carlos Pinto. "É um livro ímpar. Não podia ser feito em outra editora. Transporta muito da história da Académica, da Universidade de Coimbra e também da Almedina, três instituições que têm feito a sua

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MensagemAssunto: A confeitaria que trouxe o bolo-rei de Paris   Dom Dez 25, 2011 5:51 pm

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A confeitaria que trouxe o bolo-rei de Paris

por CARLOS DIOGO SANTOS
Ontem


Os fundadores desta casa lisboeta, em que clientes e funcionários se tratam pelo nome, criaram uma tradição

Foi no tradicional espaço da Confeitaria Nacional - durante a segunda metade do século XIX - que se instalou um dos primeiros telefones da cidade de Lisboa. Na altura, tinha pouco uso: servia apenas para fazer ligações entre os funcionários da antiga fábrica e os do espaço que ainda hoje está aberto ao público. Com o passar dos anos, os meios de comunicação foram ganhando mais importância na vida deste típico estabelecimento da Praça da Figueira e hoje é a Internet que assume um papel fundamental, levando a Confeitaria Nacional além-fronteiras.

"Chegam-nos muitas encomendas pela Internet. Há muitos emigrantes e mesmo pessoas de outros países que nos fazem pedidos por e-mail, sobretudo de bolo-rei, mas nós não podemos enviar tudo, uma vez que a legislação de países como a dos Estados Unidos ou do Canadá não o permite", revelou Benedita Salema, directora de operações desta confeitaria, salientando que é interessante sentir o carinho de pessoas que já não visitam Portugal há anos: "Em alguns casos falamos de portugueses que já não vêm ao nosso país há décadas, mas que todos os anos sentem falta do nosso bolo-rei."

E enquanto Benedita Salema descrevia a relação estreita que a Confeitaria Nacional tem com todos os que a procuram (quer sejam emigrantes ou não), numa mesa ao lado, uma mulher de cabelos loiros - que não prestava atenção à conversa - confirmava-o: "Isabel, podia trazer-me uma fatia de bolo-rei."

A fatia que chega à mesa da cliente traz consigo cumplicidade, mas, sobretudo, um segredo de várias décadas. Uma especialidade que está ligada a esta confeitaria desde o início.

"Foi a Confeitaria Nacional que trouxe o bolo-rei de Paris para Portugal e por isso conhecemos tão bem a sua receita", esclarece a responsável. Esta tradição chegou ao nosso país através do filho de Baltazar Roiz, fundador deste estabelecimento lisboeta.

Hoje, este é ainda considerado por muitos o melhor bolo-rei da capital e isso faz coque na véspera de Natal se formem enormes filas na Praça da Figueira.

"Grande parte das pessoas vem por tradição. Os avós e os pais já vinham, e não vir seria quebrar esse hábito", adianta Benedita Salema, explicando que há possibilidade de comprar o bolo-rei da Nacional neste dia sem esperar horas a fio: "Temos um quiosque no Centro Comercial das Amoreiras, o Baltazar, onde se vende o mesmo bolo. Apesar disso, sentimos que toda a gente gosta de vir à Praça da Figueira nesse dia."

Uma das funcionárias mais antigas da casa contou ao DN algumas das situações mais caricatas nesta quadra festiva. Isabel, nome pelo qual é conhecida entre os clientes, avançou: "Temos de tudo. Desde pessoas que inventam desculpas para serem atendidas primeiro às que ficam horas e horas e, quando o bolo acaba, fazem questão de dividir o seu com quem está na fila à espera".

Este sucesso é explicado pela forte aposta que a Confeitaria Nacional sempre fez. Mesmo antes de se conhecer a viabilidade deste bolo em Portugal, Baltazar Castanheiro Filho trouxe da capital francesa, em meados do século XIX, confeiteiros especializados nesta receita. A moda pegou logo e só o nome gerou alguma discórdia em determinados momentos. Isto, porque aquando da proclamação da República, em 1911, chegou a ser proposta em sessão parlamentar a alteração do nome para bolo da República, mas já na época a tradição falou mais alto e não chegou a ser feita a alteração.

Os dados mais recentes mostram que na fábrica de Campo de Ourique são produzidas 20 toneladas de bolo-rei em cada Natal. Tudo é feito como no primeiro dia - "ovos de casca" e ingredientes naturais - e só uma pessoa conhece a receita, que todos os pasteleiros julgam saber.

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MensagemAssunto: A pasta 'Couto' ainda anda "na boca de muita gente"   Seg Dez 26, 2011 5:14 pm

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A pasta 'Couto' ainda anda "na boca de muita gente"

por Rui Marques Simões
Hoje


À beira dos 80 anos, pasta dentífrica já não aposta em anúncios televisivos repletos de malabarismos. Mas continua em alta.

As imagens são a preto e branco. Um homem rodopia e faz malabarismos com uma cadeira segura pelos dentes. Depois, entra a voz off: "Dentes fortes, gengivas sãs, boca saudável: só com pasta medicinal Couto". Mais palavras para quê? Foi com este anúncio televisivo que, desde há quatro ou cinco décadas, uma pasta dentífrica entrou na memória colectiva dos portugueses. Hoje, fiel à tradição, ainda anda "na boca de muita gente".

Foi em 1932 que Alberto Ferreira Couto criou, com a ajuda de um amigo dentista, uma "pasta medicinal" para tratar dos problemas de dentes e gengivas. A pasta Couto depressa se tornou no mais conhecido produto da empresa homónima (criada em 1918). E os originais anúncios do passado, que diziam que andava "na boca de todo a gente", deram-lhe fama nacional.

Hoje, a empresa mora em Vila Nova de Gaia (para onde se mudou em 2004, deixando as envelhecidas instalações do Porto). A família Couto continuou ao leme, agora pela mão do administrador Alberto Gomes da Silva, sobrinho do fundador (a quem sucedeu, após a sua morte, em 1974). E tudo permaneceu quase igual ao longo dos anos. "Eu já era quase o gerente da empresa. Na altura da morte do fundador o pessoal nem sentiu a diferença. Continuámos na sequência do que se fazia...", conta o responsável, de 74 anos.

Na casa da Couto, a receita é antiga e tudo é tradição: a pasta ainda é produzida de forma semiartesanal, sem recurso a ingredientes de origem animal; e as embalagens amarelas mantêm o ar "retro" e as recomendações de outra era: "o dentífrico que evita afecções da boca". Só mudou mesmo a designação, de "pasta medicinal" para "pasta dentífrica" (em 2001, devido a directrizes comunitárias que limitavam o uso da palavra medicinal). "Isso prejudicou-nos bastante, porque tivemos de parar para mudar as embalagens. O mercado ficou sem pasta durante quatro meses e muita gente perguntava porque não havia. Mas conseguimos recuperar", recorda Alberto Gomes da Silva.

Agora, à beira de completar 80 anos (em 2012), a pasta Couto continua sem sentir os problemas da velhice. Parco em palavras, o administrador da empresa nem vê vantagens na onda nostálgica e revivalista que levou ao renascimento de muitas marcas históricas. Mas tem noção do potencial do seu produto: "Temos um mercado consagrado de clientes que continuam fiéis à marca, gente dos 15 anos aos 90 anos, que sempre gostou da Couto, sentiu curiosidade por ela ou voltou a usá-la".

É por isso que, mesmo sem estar à venda em grandes superfícies, a Couto continua em alta. Da sua fábrica - onde se fazem vaselina, água oxigenada, desodorizantes ou produtos históricos com o Restaurador (capilar) Olex - saem "600 ou 700 mil bisnagas" de pasta de dentes por ano. E algumas até vão para o estrangeiro. A empresa tem representantes para a Europa e América do Norte e, embora as exportações "não cheguem aos 10%", às vezes há surpresas... "Ainda há tempos uma senhora que foi a Las Vegas (EUA) me mandou uma fotografia a mostrar que encontrou lá a nossa pasta", revela Alberto Gomes da Silva.

De resto, são o boca-a-boca e a memória que vão fazendo a promoção de uma marca que já não se mostra na TV como antigamente. "São outros tempos. A televisão é um assunto caro" afirma o administrador, mais preocupado em "manter o presente" do que em apostar no crescimento futuro. Afinal, "em Portugal podem-se contar pelos dedos as empresas com esta idade".

E Alberto Gomes da Silva - que sempre trabalhou na Couto, "desde os 17 anos" - só quer honrar a tradição... e manter a empresa tão forte e saudável como o homem do anúncio.

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MensagemAssunto: "Exportamos bolachas para importar dinheiro"   Ter Dez 27, 2011 3:31 pm

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"Exportamos bolachas para importar dinheiro"

por CARLOS DIOGO SANTOS
Hoje


O negócio começou numa pequena confeitaria, em Famalicão. Em 1990 chegaram ao Japão e hoje exportam bolachas e rebuçados para 40 países.

António Vieira de Castro foi o fundador da marca Vieira de Castro em 1943. O negócio começou com uma pequena confeitaria de Famalicão, que se tornou pequena demais quando a concorrência começou a crescer. Foi nesse momento que o responsável decidiu começar uma nova etapa na sua vida: a actividade industrial.

No entanto, a lei do condicionamento industrial vigente na altura trocou-lhe as voltas e para ter a sua fábrica em Famalicão teve de comprar uma outra em Lisboa, desactivá-la e transferi-la então para o local pretendido - Gavião.

Tudo correu melhor que o esperado e em 1990, já com a empresa a cargo dos seus herdeiros, as bolachas Vieira de Castro chegaram ao mercado japonês. "Para nós este primeiro passo foi muito importante. Tínhamos noção de que se tudo corresse bem ali, num mercado tão conservador, poderíamos entrar em qualquer outro", disse ao DN Raquel Vieira de Castro, neta do fundador.

E o futuro confirmou-o. Hoje estão já presentes em cerca de 40 países e em Portugal têm uma distribuição nacional. Logo depois do mercado português é o angolano que mais consome os produtos desta empresa de Vila Nova de Famalicão. Mas os responsáveis estimam que, no próximo ano, o Brasil passe a ser o mercado mais consumidor.

O sucesso desta PME portuguesa está sobretudo no respeito pelo consumidor. "Deixámos o paradigma de apresentar o que nós queremos, e há 10 anos que o nosso objectivo é produzir o que o consumidor procura", disse a responsável, concluindo que "é isto que torna a Vieira de Castro distinta das restantes empresas."

A estratégia é muito simples e passa, sobretudo, pela aposta em três áreas: diversificação de produtos, de clientes e de mercados. Segundo Raquel Vieira de Castro, só com esta atitude é possível atingir o êxito: "As empresas pequenas não se podem dar a luxos em países tão pequenos como o nosso." E é por isso que a internacionalização da marca continua a ser um dos principais focos, ainda que Portugal continue a ser o mercado prioritário. Ainda que das cerca de 12 mil toneladas produzidas durante este ano - entre bolachas, rebuçados e amêndoas - 55% já se destinar ao mercado externo, a Vieira de Castro quer exportar mais.

"Costumo dizer que nós seguimos os passos dos nossos antepassados, porque estamos a explorar locais onde os portugueses ainda não haviam chegado. E o mais importante disso, sobretudo no contexto actual, é o facto de nós exportarmos bolachas para importar dinheiro", disse a responsável, esboçando um sorriso.

Com duas unidades biscoiteiras e uma confeitaria (onde são feitos os rebuçados Flocos de Neve e as amêndoas) em Vila Nova de Famalicão, a Vieira de Castro não põem de parte a hipótese de abrir um novo complexo industrial num outro país: "Quando falo em internacionalizar a marca, falo em fortalecer a nossa posição a nível mundial e, com a nossa capacidade de investimento, não podemos rejeitar nunca o cenário de vir a produzir num outro país", lembrou.

Consciente de que a internacionalização não retira o apreço que a sua família tem por Portugal, esta neta do fundador garantiu ao DN que todos se esforçam por dar uma boa imagem do País: "Esforçamo-nos por levar, todos os dias, os melhores produtos para o estrangeiro. O reconhecimento deste trabalho tem chegado, anualmente, através de distinções como a PME excelência ou PME inovação." Mas não é só. A Vieira de Castro é agora uma das poucas marcas protegidas da cadeia de supermercados brasileira Pão de Açúcar. "Já nos pediram para que não haja quebras de stock nos nossos produtos, porque os seus clientes consideram que temos muita qualidade", concluiu.

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MensagemAssunto: Esperança para doentes de leucemia espera investidores   Qua Jan 04, 2012 12:27 am

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Esperança para doentes de leucemia espera investidores

por Sónia Simões
Ontem


David, Daniela e Francisco, três dos sóciosEmpresa do ramo da biotecnologia pretende lançar no mercado uma terapia celular que soluciona a rejeição de transplantes. Falta o financiamento.

Ainda é uma start-up à procura de investidores, mas, por trás, tem quatro sócios com uma investigação certificada na área e um plano de negócios promissor: introduzir no mercado uma terapia celular já testada em doentes de leucemia - uma esperança na não rejeição do transplante de medula.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística são claros: em 2009 morreram 782 doentes de leucemia, uma média de 65 por mês. Conscientes da gravidade da doença, dois dos quatro investigadores que agora constituem a Cell2B estavam em doutoramento pelo MIT Portugal quando, em 2007, responderam ao desafio de experimentar esta terapia celular.

Os sete testados tinham contraído a doença do "enxerto contra o hospedeiro" depois de um transplante de medula óssea. "Pode ocorrer após transplante a cerca de 50% das pessoas, porque há rejeição do sistema imunitário do dador que é transplantado com as células - atacando uma grande amplitude de órgãos", explica Francisco dos Santos. Em caso de rejeição, o tratamento é feito com esteroides, mas "doentes com graus três e quatro não são curáveis". Esta terapia permite "modelar o sistema imunitário de modo a que ele deixe de atacar o corpo do paciente". Dos sete testados, só um faleceu de ataque cardíaco (em nada relacionado com a doença ou a terapia). "Alguns pacientes passaram a graus um e dois, podendo depois ser tratados com esteroides."

Francisco dos Santos e Pedro Andrade foram influenciados pelo colega de laboratório, David Braga, a não deixar morrer o projeto. Os três já se conheciam quando estudavam Engenharia Biológica, mas faltava-lhes alguém mais entendido no ramo empresarial. "Pediram-me um plano de negócios para apresentar numa competição do MIT", recorda Daniela Couto, licenciada em Engenharia Biomédica pela Universidade do Minho. O plano, apresentado em 2010, chegou às finais, mas não ganhou. Ninguém desistiu. "O projeto empresarial nasce porque para comercializar este produto é exigido um ensaio clínico", acrescenta David.

Se se provar que há um benefício, a European Medicins Agency (EMA) concede autorização de comercialização no espaço europeu e depois é possível pedir o equivalente nos Estados Unidos. Feitas as contas, a Cell2B procura alguém que invista oito milhões de euros no ensaio. "Em troca vendemos uma percentagem da empresa. Quando esta tiver receitas ou for vendida, o valor é dividido pelos acionistas", explica Daniela, apesar de aberta a outras possibilidades de financiamento.

Por agora, a Cell2B está em compasso de espera, apesar dos inúmeros telefonemas (até do Brasil) de familiares de doentes de leucemia desesperados. "Agora nada podemos fazer, a menos que os doentes integrem o ensaio."

Um ensaio que, a começar este ano, só terminará em 2015, com quase duas centenas de doentes testados. "A maior parte das empresas, quando chega a este ponto, só tem experiência feita em animais, nós temos testes feitos em pessoas", alerta Daniela. E reforça porque devem os investidores olhar para a Cell2B: "Conseguimos poupar cerca de 50 mil euros ao Sistema Nacional de Saúde por paciente, o que significa uma redução de quase um terço do custo total do tratamento." Mais, há estudos iniciais que apontam no sentido de esta terapia poder ser usada para outros fins, como na doença de Crohn ou em infeções hospitalares. "No total, estimamos que cerca de quatro milhões de doentes/ano sejam afetados por condições a que nós podemos responder."

Para já, dois dos sócios vivem de uma bolsa pós-doutoramento e a Cell2B sobrevive do prémio Tecnologias da Saúde e Biotecnologia, do Concurso Nacional de Inovação BES de 2011. Desconhecem até quando.

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MensagemAssunto: Brinquedos científicos saíram-lhe na rifa   Dom Jan 08, 2012 12:21 am

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Brinquedos científicos saíram-lhe na rifa

por Marina Marques
Ontem


Ciência. De um projeto de final de curso nasceu uma empresa com escritórios em Lisboa, Porto e Madrid, que faturou 600 mil euros em 2011

Começou como projeto de final de curso de Miguel Pina Martins, no ISCTE. Completa quatro anos a 30 de janeiro, fatura cerca de 600 mil euros e emprega 15 pessoas. A Science4you é um dos muitos casos de empresas que surgiram em ambiente universitário e que se distinguem pelo carácter inovador dos produtos que desenvolvem. E, neste caso, essa ligação é uma verdadeira mais-valia, um selo que garante a qualidade e a credibilidade dos cerca de 80 brinquedos que já colocaram no mercado nacional e internacional.

Até pode parecer brincadeira, mas os brinquedos científicos da Science4you saíram-lhe literalmente na rifa. No final do curso de Finanças, no ISCTE, um chapéu com uns papelinhos embrulhados em forma de rifas continha as ideias dos alunos de Ciências para serem transformadas em negócios. E Miguel Pina Martins tirou o papelinho que sugeria a comercialização de kits de Física. Por resistência do professor que orientava o projeto, Miguel não alterou a ideia-base. Mas desde logo lhe pareceu pouco vendável. "Na prática, era material de laboratório para vender a escolas, a mil euros cada", recorda.

Regressou ao plano de negócios que de-senvolveu nessa altura, meses mais tarde depois de uma breve passagem pela banca de investimento. Foram quatro curtos meses que lhe deram uma certeza: não era aquilo que queria fazer em termos profissionais. Voltou a olhar para os kits de Física, agora já com a liberdade de poder fazer alterações. E logo à partida teve uma certeza: "O símbolo da Faculdade de Ciências nas embalagens dos kits constituíam uma mais-valia. Só faltava descobrir a forma de desenvolver um produto que fosse apelativo, rentável. Foi aí que surgiu a ideia de criar brinquedos científicos, com o símbolo e a certificação da Faculdade de Ciências", diz.

Com o apoio do Audax (centro de empreendedorismo do ISCTE) e o recurso a capital de risco, a 30 de janeiro de 2008 nasceu a Science4you. No verão desse ano, a organização do campo de férias científico, na faculdade, foi o meio utilizado para testar os primeiros brinquedos. E em outubro chegaram ao mercado os seis primeiros brinquedos científicos da Science4you, apenas disponíveis nas prateleiras da FNAC e do El Corte Inglés. "Considerámos que os clientes-tipo destes dois espaços seriam também o nosso público premium", justifica Miguel Pina Martins.

A dificuldade seguinte foi um miúdo de 22 anos convencer os responsáveis das duas empresas a dedicarem algum espaço a este produto. Munido de gravata - que então fazia questão de usar para lhe dar um ar mais velho -, esgrimiu o argumento que acreditava ser mais poderoso: "Eu não percebo nada de ciência, mas os professores da Faculdade de Ciências sabem o que se deve ensinar às crianças e garantem que está tudo bem com o brinquedo."

A aposta revelou-se acertada e a perceção de Miguel Pina Martins sobre o valor do selo da Faculdade de Ciências também. Tão acertada que foi a própria FNAC que desafiou a Science4you a marcar presença nas suas lojas em Madrid. Desafio aceite, a empresa chegou ao mercado espanhol logo em outubro de 2009 e menos de dois anos depois, já com quase 80 brinquedos no portefólio, Miguel decidiu abrir escritórios e uma loja própria em Madrid. "Para apostarmos forte neste mercado, tínhamos de ter uma presença mais efetiva", explica. Falta agora conseguir uma parceria com uma universidade local, reconhecida pelo público espanhol, e que garanta a mesma credibilidade que em Portugal tem a Faculdade de Ciências. Nessa negociação, conta com a experiência que já tem em Portugal, Angola, Moçambique e Brasil e com os três prémios já conquistados: Prémio de Empreendedor do Ano 2010, da Comissão Europeia, Prémio Empreendedor Finicia Jovem 2009 IAPMEI e o 1.º Prémio da European Entreprise Awards na Categoria de Internacionalização a nível nacional (2011).

In DN

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