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 Portuguesíssimamente

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RMaria

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MensagemAssunto: Portuguesíssimamente   Seg Out 03, 2011 3:47 pm

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O português que calça princesas e primeiras damas

por SÓNIA SIMÕES
Hoje


A criatividade de Luís Onofre, que já passou por fazer sapatos com pele de rã, caiu aos pés de Letizia Ortiz, Michelle Obama e Paris Hilton.

A carta de agradecimento assinada por Michelle Obama e com carimbo da Casa Branca está guardada e deverá constar de uma moldura com lugar de destaque na fábrica de Luís Onofre, em Oliveira de Azeméis. Foi assim que a primeira dama manifestou o total agradecimento pelos mocassins número 41 desenhados pelo estilista e levados na bagagem do próprio Barack Obama, após a visita a Portugal.

"Quando vi o carteiro chegar com a carta registada a dizer 'White House', não queria acreditar", conta ao DN Luís Onofre, o homem (português) que tem como fãs a princesa Letizia Ortiz, a milionária Paris Hilton e, até, a actriz Naomi Watts. Nada que lhe roube a humildade de quem começou com muito trabalho e deve a todos os clientes, a cada ano, uma colecção original e de sucesso. "Penso sempre que podia fazer melhor e tento sempre melhorar. Uma má colecção é arrasadora a nível internacional e lembrada durante muito tempo." A lição aprendeu-a com a experiência começada há precisamente 12 anos, quando entrou na empresa de calçado do pai, que foi fundada pela sua avó Conceição Rosa Pereira (cujo nome permanece o da empresa).

Os sucessos e dificuldades da indústria do calçado ainda balançaram Luís Onofre, que esteve quase a optar pelo curso de Design de Interiores. Mas à última hora, os genes foram mais fortes e a escolha recaiu no Design de Calçado. Seguiu-se uma especialização em Itália - fundamental na sua forma de trabalhar - e a integração na empresa do pai. Na altura, a fábrica produzia calçado "mais clássico e para um público de idade superior". Paralelamente, faziam as colecções da Kenzo e da Cacharel. "Não foi fácil começar a introduzir o meu produto. Tive de me ir adaptando ao público, mas sabia que queria um sapato que abrangesse pessoas de várias idades."

A primeira colecção que fez reunia 40 modelos diferentes, agora tem 400 para apresentação - o que dá uma produção de cerca de 80 pares diversos. "Tive de me adaptar ao mercado. Percebi, por exemplo, que não podia fazer apenas sapatos altos." E neste momento oferece uma gama muito variada: "Entre sapatos, mocassins, sandálias, bailarinas, mesmo no Inverno, porque há países com climas diferentes."

A participação em várias feiras internacionais foi fundamental para se tornar reconhecido e encontrar agentes comerciais para o seu produto. Hoje exporta 93% do que produz, o que lhe traz uma consciência internacional dos gostos de cada um. "Na Rússia procuram-se saltos altíssimos, com muitos pormenores, os países nórdicos e o Norte de Itália procuram produtos mais básicos, sem grandes pormenores, mas bom sapatos. O mercado latino, Portugal, Espanha, Sul de Itália, Grécia, querem saltos mais baixos, ligam mais ao conforto."

Como criativo da empresa que hoje só comercializa o que foi pensado por si, Luís Onofre teme que um dia não consiga ser capaz de continuar a produzir e de ter de recorrer a outra pessoa para pensar por ele. "Não é ser egoísta, mas é uma tarefa que, neste momento, não consigo delegar em ninguém. Se falha, põe em risco mais de 60 postos de trabalho." A inspiração busca-a em coisas tão simples como o adorno que uma vez viu na mão de um hippie, quando se passeava pelo Brasil: uma pulseira que ligava o dedo. O resultado foi transposto para a colecção de 2003. Noutra usou apenas materiais naturais para um calçado 100% ecológico. Mas neste campo tenta variar.

Conta que o material mais estranho que usou foi pele de rã - rã de cativeiro vinda precisamente do Brasil depois de passados vários degraus burocráticos. Importa os mais variados materiais, como pele de pitão (verdadeira ou não, porque há quem não queira pagar pela verdadeira), pele de crocodilo, camurça e muito pêlo. Materiais presentes nesta estação de Inverno com um conceito que pretende dar a volta à crise. "Este ano, a colecção é pensada nas mulheres que compram por impulso. É graças a elas que este sector ainda sobrevive."

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Romy

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MensagemAssunto: Arte da alfaiataria pratica-se de pé em Castelo Branco   Ter Out 04, 2011 11:24 pm

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Arte da alfaiataria pratica-se de pé em Castelo Branco

por SÓNIA SIMÕES
Ontem


Na fábrica da Dielmar, nascida antes do 25 de Abril, as máquinas foram adaptadas e os operários trabalham de pé. Evita problemas físicos.

Para lá da porta que separa os serviços administrativos da produção, o cheiro a tecidos intensifica-se à medida que se circula entre máquinas de corte, impressoras de moldes e costureiras que trabalham de pé. É nesta fábrica de Alcains, no concelho de Castelo Branco, que a tradição se mantém igual à vontade dos sócios fundadores da Dielmar. Cada peça é uma obra de alfaiate.

"Em Itália, os alfaiates são considerados mestres e são respeitadíssimos em feiras internacionais", explica António Simões, o estilista que há oito anos é a cabeça dos novos modelos e tendências da estação. O resultado do seu trabalho é da responsabilidade de Mário Gaião, o chefe da produção.

Entre os corredores com retrosaria e peças de tecido italianas, Gaião explica porque é que os operários trabalham de pé. "É a posição mais natural do corpo humano e, nesta indústria, trabalhar sentado pode causar varizes e hérnias discais." A regra foi imposta há alguns anos e, na altura, não foi bem acolhida. Mas uma adaptação das máquinas e as consequências físicas acabaram por convencer os operários.

Na linha de produção, com capacidade para 120 mil casacos e 240 mil calças, testam-se os tecidos, analisam-se encomendas, imprimem-se moldes e, claro, costuram-se fatos de homem. Cada passo, cada costura ou vinco são avaliados ao pormenor. Não pode haver erros. Esta foi aliás a lição deixada pelos sócios fundadores. Eram eles quatro alfaiates que, em 1965, decidiram abrir sociedade. A empresa cresceu e ainda antes da Revolução de Abril mudou para as actuais instalações. A queda de Salazar e a crise que se viveu de seguida empurrou-os para a exportação. Hoje, grande parte da produção destina-se ao mercado internacional.

Apesar de ainda estarem no activo funcionárias que lembram a época, o mesmo não acontece com os fundadores. Ao leme do barco estão os dois filhos de um dos sócios, Ana Paula Rafael e Luís Filipe Rafael, sempre presentes nas feiras internacionais. "O nosso principal concorrente é o mercado italiano. E não temos dúvida de que numa prova cega não ficaríamos nada atrás", diz orgulhosa. As diferenças podem não estar na qualidade, mas estão certamente nos públicos. A equipa-chave da Dielmar lembra que os italianos são mais arrojados a vestir e dão maior importância aos acessórios, já o cliente português é "mais clássico". Por isso, este ano, entre a oferta de acessórios há malas que combinam com sapatos e uma panóplia de produtos que as lojas podem escolher para comercializar.

Em tempos de crise, Ana Paula Rafael nota o mercado português a retrair--se. Compra-se menos e demora--se mais tempo a pagar. Valem--lhes as exportações.

Ainda assim, lembra, há incentivos que devem ser mantidos aos mais empreendedores. "Nunca mudámos a nossa fábrica para o litoral, o que significaria uma poupança a vários níveis, porque aqui promovemos o emprego. Mas agora, com as futuras portagens da A23, a situação vai tornar-se complicada." Outro problema chama-se "mão-de-obra". "Abrimos recentemente dez candidaturas e tivemos grandes dificuldades em preenchê-las. Há um grande estigma em relação ao trabalho de fábrica", constata Mário Gaião. Uma visão que a empresa tenta combater com incentivos, como é o caso dos prémios e de seguros de saúde.

Questões que não abalam Ana Paula Rafael. "O povo português é muito negativo. Neste momento temos de pensar em ultrapassar uma fase menos boa e não estarmos permanentemente a lamentarmo-nos." Fora das lamentações está o sucesso da empresa que mantém o fato tradicional e segue à risca as regras de que uma peça de alfaiataria é uma obra de arte. Obra feita e as operárias já se podem sentar.

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Fantômas

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MensagemAssunto: Jogar ao ataque nos mercados internacionais    Qua Out 05, 2011 2:14 pm

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Jogar ao ataque nos mercados internacionais

por MARINA MARQUES
Hoje


A aposta no estrangeiro continua a nortear a estratégia da marca de roupa para bebé e criança Dr. Kid, criada há nove anos para minimizar a fuga de empresas que então se sentia.

O futebol foi "a sua faculdade de vida", como gosta de dizer. Mas quando chegou a altura de abandonar os relvados, ainda antes de completar os 27 anos, José Armindo não hesitou em vestir a camisola da Inarbel, empresa fundada pelos pais em 1984.

"Os meus pais eram feirantes, mas a dada altura decidiram criar a fábrica. Vi a empresa crescer. Isto começou num pavilhãozinho", recorda. E mesmo quando esteve mais afastado por causa da carreira de futebolista profissional, que passou pelo clube britânico Bolton, além dos portugueses Boavista, Penafiel, Leça e Campomaiorense, "acompanhei sempre de perto tudo o que se passava aqui".

Chuteiras penduradas, era altura de participar mais activamente no negócio da família, pondo em campo alguns dos ensinamentos que aprendera no mundo do futebol. Começou por fazer uma auditoria para definir os pontos fortes e fracos da empresa. Doze anos depois, faz um balanço positivo: se na altura a Inarbel garantia 60 postos de trabalho, o valor quase triplicou sob a sua gestão, empregando agora cerca de 170 pessoas. "Houve crescimento, estratégia, inovação", sintetiza. E concretiza com uma visita pelo armazém e pela fábrica onde mostra os quatro profissionais do Departamento de Desenvolvimento e os novos teares rectilíneos, chegados há menos de um mês.

Após o diagnóstico, em 2002 tomou uma decisão que alterou a dinâmica da Inarbel: José Armindo decidiu apostar numa nova marca de roupa para bebé, criança e adolescentes até aos 16 anos, a Dr. Kid.

O porquê dessa decisão explica-a em duas pernadas: "Com as empresas a fugirem para as fábricas do Leste europeu, primeiro, e da Ásia, depois, achei que a solução passava por criar uma marca própria, de gama média-alta, que me garantisse sempre uma parte da produção da fábrica."

Prospecção feita em vários mercados, criou um departamento de Marketing e Planeamento, contratou uma estilista, e a primeira colecção da Dr. Kid chegou ao mercado em 2003. Mas as mães portuguesas não eram o único público-alvo que o empresário queria cativar. Espanha e Estados Unidos foram definidos logo à partida como mercados prioritários.

Já com duas estilistas em permanência, a Dr. Kid pode ser encontrada em 22 países, tão diferentes como Rússia, México, Inglaterra, França, Turquia, Grécia, Ucrânia, onde chega através de uma rede de 40 agentes estrangeiros. Em Portugal tem cinco lojas próprias, todas num raio de 50 quilómetros da fábrica, e 200 clientes de retalho através dos quais está presente em lojas multimarca.

A marca foi crescendo, reposicionou-se para um público até aos 12 anos, e "agora já tem a enormíssima responsabilidade de representar entre 30% a 40% da nossa produção", refere. "Não quero crescer muito mais com a marca. Porque também é um risco: se tivermos o azar de um ano não acertar bem com as colecções ou se houver uma quebra significativa no consumo de um dos mercados mais importantes, isso vai reflectir-se na facturação da empresa."

Tal como outras empresas do sector, José Armindo sente o regresso a Portugal de marcas internacionais que na última década tinham optado por países de produção mais barata. "Agora já me posso dar ao luxo de seleccionar os clientes. Isso porque fizemos uma aposta muito forte na internacionalização e também no delinear de uma estratégia", justifica. E, além da qualidade reconhecida, tanto da marca própria como dos trabalhos desenvolvidos para outras empresas, reconhece que o "made in Portugal" é sinónimo de qualidade". "Aliás, tenho clientes que me pedem mesmo para colocar na etiqueta 'Made in Portugal' e não 'Made in União Europeia'", ilustra.

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Romy

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MensagemAssunto: Na roupa, nada se perde, tudo se transforma   Sex Out 07, 2011 1:52 pm

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Na roupa, nada se perde, tudo se transforma

por MARINA MARQUES
Hoje


O equilíbrio entre 'design', inovação e meio envolvente foi o ponto de partida de REC, projecto idealizado por Joana Teodoro.

Saias feitas a partir de mangas e costas de camisas usadas? Porque não? Este é apenas um dos exemplos do projecto de Joana Teodoro. Chama-se REC - Recycled Clothing (roupa reciclada), começou há cerca de três anos, e tem como ponto de partida vestuário e acessórios usados. Muito mais do que uma moda, é uma forma de estar, uma filosofia de vida. Aliás, pode mesmo dizer-se que contraria aquilo que convencionalmente associamos à palavra moda.

Formada em Design de Moda na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, trabalhou com outras empresas (entre as quais os Storytailors), mas acabou por se estabelecer por conta própria. A aventura começou assim que se licenciou, em 2004. Paralelamente ao trabalho para outras empresas, criou a Ladybug, uma marca de pronto-a- -vestir, com design casual. Peças simples em que a modelagem, o detalhe dos acabamentos e os materiais são protagonistas. "Senti necessidade de ter uma etiqueta, não um nome próprio - mais por uma questão de estética, porque não quero fazer a roupa associada ao universo típico de criador", explica.

A REC acaba por surgir como a materialização de outras preocupações de Joana Teodoro: "A necessidade de encontrar o equilíbrio entre design, inovação e meio envolvente e de repensar o modo como nos relacionamos com os materiais e com as pessoas." Além disso, "temos de olhar para as peças de roupa usadas como valiosas - pelos materiais e pela história que têm".

"Sempre fiz reciclagens personalizadas e achei que era necessário não só criar uma etiqueta própria como um conceito. E esta é uma grande diferença em relação a outras pessoas que fazem reciclagens personalizadas", destaca Joana Teodoro, reconhecendo que "a fronteira entre arranjo sofisticado e reciclagem é muito ténue". Outra especificidade é o facto de ser feita apenas uma colecção por ano, com dois lançamentos sazonais. Embora Joana preferisse fazer apenas um, "mas não se pode ignorar as leis do mercado".

Tudo começa no primeiro andar do número 195 da Rua da Rosa, no Bairro Alto. O pé alto é reduzido, mas parece ainda menor devido à quantidade de peças de roupa aí armazenadas. Cada colecção nasce após uma longa e minuciosa triagem de toda a roupa que clientes, amigos e simpatizantes lhe vão dando. Partindo das peças que tem, idealiza cada uma das colecções, que conta normalmente com dez coordenados. "Depois é uma jigajoga aqui no atelier para construir o que idealizei com o que tenho, às vezes é possível, outras vezes não."

À venda no Bairro Alto e na loja Mau Feitio, em Coimbra, cada peça da REC é única. "Gosto de trabalhar roupa de pronto-a-vestir e acho que faz mais sentido criar um universo de marca e não estar a dar uma etiqueta como se fosse um projecto de autor." Após três anos, Joana Teodoro ainda está à procura de "uma sistematização de todo o trabalho" para que, a médio prazo, possa deixar de ser ela a responsável por todas as fases de produção. "Encontrando uma sistematização, acho possível a reciclagem ser feita em pequenas confecções. Gostava de o conseguir, porque fui trabalhando com pessoas desta área, essencialmente no Norte, e muitas ficaram sem emprego."

O perfeccionismo que coloca em todo o processo leva muitos clientes a "só se apercebem que os materiais são reutilizados pela etiqueta. E a ideia é essa, que cada peça esteja impecável". Ajuda também outro cuidado crucial: "Os aviamentos são todos novos. Ou seja, fechos, botões, forros. Porque tenho de ter garantias de que estou a dar ao cliente uma peça que nunca cheira a mofo, que o forro está impecável, que os fechos funcionam." Por outro lado, "é muito através dos aviamentos que é feita a reinterpretação enquanto sentido estético e de moda que determina as peças e me dá o domínio de as conduzir".

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RMaria

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MensagemAssunto: Aposta em marcas nacionais foi tábua de salvação   Sab Out 08, 2011 10:42 pm

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Aposta em marcas nacionais foi tábua de salvação

por CARLOS DIOGO SANTOS
Hoje


Em 1993, quando foi criada, a Proóptica vendia óculos de todas as marcas. Dez anos depois focou-se na criação nacional e hoje já a exporta para Cabo Verde, Marrocos e Espanha.

Desde 2003 que a Proóptica é o resultado de uma ruptura com as grandes marcas internacionais - aquelas que todas as ópticas vendem - aliada à pergunta: porque não apostar no que é nosso? E a verdade é que, hoje, os óculos portugueses, que começaram por ser apenas uma forma de sobreviver num mercado massificado, são já responsáveis pelo sucesso nacional e internacional da empresa. João Rolo foi o primeiro criador a alinhar na aventura de desenhar óculos, mas depressa se seguiram outros conhecidos estilistas.

Segundo Luís Justino, director-geral da Proóptica, as vantagens desta aposta são inúmeras, quer para a empresa quer para os estilistas: "Posso quase garantir que se não tivéssemos apostado em marcas portuguesas hoje não estaríamos vivos. E a verdade é que não fomos só nós que ganhámos com esta aposta; estilistas como João Rolo, José António Tenente e Ana Salazar tinham muitos clientes que não usavam acessórios portugueses e que agora são fãs deste tipo de óculos."

Mas este sucesso já galgou as fronteiras portuguesas, atravessou o Mediterrâneo e já se faz sentir em países como Marrocos e Cabo Verde. E, por terra, a empresa já começou a apostar no mercado espanhol. Além de a expansão ser bem-sucedida economicamente, Luís Justino vê nisso outras vantagens: "Com a chegada a novos mercados, o nosso produto passa a ser mais confortável, uma vez que tem de ser desenhado de forma a respeitar a ergonomia de mais caras, do que se se destinasse apenas ao mercado português." Além disso, acrescenta que a abertura a estes novos países obriga os estilistas a ter em conta diferentes hábitos, países, culturas e religiões.

No campo da moda, este responsável admite que os portugueses são pouco vanguardistas, mas justifica essa tendência com o facto de haver pouco dinheiro disponível, por parte das famílias, para comprar acessórios ousados. "Os portugueses sentem que têm de jogar pelo seguro e comprar produtos que dêem para usar no dia-a-dia, isso faz com que nós sejamos, por excelência, seguidores de moda e não adoptantes, ou seja, criadores", disse.

Ainda assim, e apesar de haver ainda alguns entraves ao mundo empresarial, a hipótese de estabelecer uma empresa tão dinâmica quanto a Proóptica em outro país nunca esteve em cima da mesa. Sobretudo, depois de Luís Justino ter percebido o grande potencial de Portugal. "Quando a Proóptica abriu - ainda com óculos de marcas internacionais - não nos passou pela cabeça outro país que não Portugal, por sermos portugueses e vivermos cá. Hoje em dia essa ideia é ainda mais remota, uma vez que até já dispensamos os produtos que vêm de fora", referiu Luís Justino.

Mas se Portugal tem muitos pontos positivos, a verdade é que também existe o reverso da medalha: falta de produção e pouca aptidão dos consumidores para comprar o que é português são os principais problemas. Primeiro porque, embora todo o design, processo criativo, estudo de mercado e até a embalagem sejam feitos em Portugal, a produção ainda tem de ser realizada em outros países como, por exemplo, Itália.

E para demonstrar o segundo aspecto negativo, ou seja, a pouca confiança dos portugueses no que é nacional, Luís Justino explicou, com algum humor, que tem clientes que querem óculos sem que estes estejam marcados nas hastes com o nome do seu criador. "Ainda que as pessoas tenham mais consciência de que os nossos produtos têm qualidade, sentimos, por vezes, alguma resistência", constatou, rematando que já houve quem os contactasse para saber se podiam reproduzir modelos de grandes marcas estrangeiras, o que "a acontecer mataria a criação portuguesa".

AMANHÃ

? sector Moda

? empresa Brasopi (Throttleman) e Red Oak

? Sede Edifício Alcântara Palace, Rua dos Lusíadas, n.º 9 R/C Esq.º - Lisboa

? Data de fundação 1993

? Accionistas Luís Justino e Eduardo Petinga

? Trabalhadores 29 (4 dos quais em Marrocos)

? Volume de negócios Cerca de 4 milhões (dos quais meio milhão correspondente às transacções em Marrocos)

? Ponto forte Aposta na criação portuguesa de qualidade

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MensagemAssunto: Da roupa interior 'funny' à moda jovem e muito urbana   Dom Out 09, 2011 11:29 am

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Da roupa interior 'funny' à moda jovem e muito urbana

por Sónia Simões
Hoje


Throttleman e Red Oak. Três portugueses viraram costas à banca e investiram a carreira profissional na moda. Sem arrependimento

"O medo é uma cena que a mim não me assiste." A frase imortalizou-se num vídeo caseiro português que mais visitas conseguiu no YouTube, já circula na boca do povo e... nas T-shirts da Throttleman. Nada melhor para definir o conceito da marca que começou por produzir roupa interior masculina e que, entretanto, já veste homens, mulheres e crianças, num conceito que quer ser funny, ou seja, divertido. Os sócios que compraram a marca já diversificaram o negócio e são também os donos da marca de moda jovem e urbana Red Oak.

Quando, há mais de dez anos, os gestores Eduardo Barros, Nuno Gonçalves e Pedro Pinheiro adquiriram o negócio, a Throttleman era já conhecida pela roupa interior masculina divertida. A trabalhar na banca, os três sócios nada percebiam de moda, mas entendiam os números. E sabiam que a marca podia dar mais. "A Throttleman surgiu em 1991 como marca de shorts, muito baseada em acessórios para homem, como gravatas, algumas T-shirts, mas o core seriam os boxers", explica ao DN Eduardo Barros.

No escritório da empresa, com sede no outlet de Leça do Balio, Eduardo revela ainda como é que a marca evoluiu logo dois anos depois. "Havia muitas solicitações em loja para fazer um segmento de criança. E exploramos o conceito "Tal Pai, tal filho". Foi por esta altura que nas montras das lojas começaram a aparecer versões mais pequenas dos boxers, das T-shirts, dos pijamas e, mais tarde, de outros produtos. Produtos originais, criativos e com desenhos divertidos, como os tubarões que brilham no escuro.

Para cativar ainda mais o cliente, começaram a fazer-se produções especiais para dias específicos, como o Dia do Pai, o Halloween ou mesmo o Natal - estratégico para um aumento do volume de vendas.

Não satisfeitos ainda, os sócios da empresa que detém a marca, a Brasopi, decidiram criar, em 2005, o segmento de moda senhora e, dois anos depois, o de girl, ou menina - seguindo a mesma filosofia, e sempre funny. "Nesta altura temos uma panóplia de produtos para toda a família e temos produtos para um look total". Para engrossar as vendas, a empresa iniciou um processo de internacionalização que já deu frutos em Espanha e nos Emirados Árabes Unidos.

Ainda assim, o espírito empreendedor destes portugueses continuava a precisar de ser alimentado. "Durante todo o conhecimento do sector têxtil, identificámos a falta de um segmento que abrangesse uma franja grande de clientes mais novos, assim como clientes mais velhos que gostam de manter um look mais urbano."

A ideia saiu do papel e foi baptizada de Red Oak, o que em português significa "carvalho vermelho", alusivo à natureza e à autenticidade. O mesmo nome da marca é o nome da empresa, propriedade dos mesmos sócios da Brasopi (detentora da Throttleman). "Houve uma grande aceitação: num ano abrimos 14 lojas, mais duas nos El Corte Inglés de Gaia e de Lisboa, e em Espanha", conta.

De acordo com Eduardo Barros, que dá a cara pelo negócio e pelo seu sucesso, a facturação tem aumentado de ano para ano. Basta imaginação e investimento para mais. A maior parte dos produtos (80% da Red Oak e 65% da Throttleman) são produzidos dentro de fronteiras, por portugueses. O resto é feito lá fora, em países do Médio Oriente e em Itália.

Para o êxito das duas marcas muito contribui a equipa de designers portugueses que trabalham na empresa e descobrem as novidades. Não basta olhar para livros de tendências, é preciso analisar históricos de vendas, andar na rua em busca de inspiração e, até, visitar a página da Internet onde se partilham vídeos, o YouTube. Só assim será possível encontrar frases que vendem, como "o medo é uma cena que a mim não me assiste".

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MensagemAssunto: Quando a ciência ajuda na arte e na investigação têxtil   Seg Out 10, 2011 11:16 pm

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Quando a ciência ajuda na arte e na investigação têxtil

por Carlos Diogo Santos
Ontem


A produção de tecidos exclusivos para confeccionar peças de roupa e de decoração é o factor distintivo da marca TM Collection.

A ciência ensinou Teresa Martins a perceber melhor a relação do homem com a natureza, mas foi sobretudo no mundo criativo que encontrou o seu sucesso. Bióloga e professora universitária naquela área, a proprietária da TM Collection não hesitou quando em determinado momento da sua vida teve de escolher entre a biologia e a produção de vestuário.

"Sempre gostei de áreas criativas, como complemento ao mundo académico. E houve um momento na minha vida em que tive de optar entre a ciência, neste caso a biologia, e uma carreira mais artística", explicou a responsável, contando que a TM Collection não surgiu logo nesse momento: "Antes, ainda cheguei a trabalhar na Vista Alegre e criei a marca Coisas da Terra, com uma outra pessoa."

Sem grandes planos, a então pequena empresa surgiu em 2004 e soube crescer e fidelizar o nicho para que trabalha. Hoje já é conhecida em Portugal e no estrangeiro e conseguiu inclusivamente financiamento do programa QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para investir na presença em feiras e na promoção da marca.

E ainda que a TM Collection seja uma empresa 100% nacional, a verdade é que foi uma viagem à Índia que esteve na base da sua criação - algo que se nota se olharmos para o design das peças. Na altura, Teresa Martins visitou uma fábrica daquele país asiático, entrando em contacto com uma nova forma de pensar e de fabricar vestuário. "Lá é tudo diferente, porque eles criam os tecidos com que vão costurar", sublinhou.

Sempre muito atenta às diferenças culturais, no regresso a Portugal, Teresa Martins trouxe várias matérias-primas que lhe serviram de base a algumas produções. E foi assim que diz ter aprendido uma outra ciência: a investigação têxtil, ou seja, a criação de tecidos.

Dedicada a tempo inteiro a esta arte, Teresa não perde uma oportunidade para ser objectiva e utilizar o que aprendeu no mundo académico. "Sempre achei a complexidade do ser humano algo muito bem feito. Só queria que a minha empresa funcionasse tão bem como, por exemplo, a estrutura de uma célula", riu-se, advertindo que apesar de parecerem áreas opostas, a verdade é que as ciências a ajudaram neste caminho.

Já com cerca de uma centena de clientes fiéis à marca, a TM Collection é sinónimo de peças esteticamente apelativas e quase exclusivas. Quanto aos preços, variam entre os 10 e os 800 euros, valores que se explicam pela utilização de tecidos de alta qualidade nas confecções.

Mas mesmo quem não se identifica com o tipo de peças produzidas pela TM Collection "gosta de entrar na loja" de Alvide, junto às padarias da Panissol, perto de Cascais. Segundo Teresa Martins, a explicação é simples: "Nós tentamos fazer tudo com muito carinho e isso é visível. Aqui todos falamos a mesma língua criativa e o nosso objectivo não é ganhar dinheiro de forma rápida, mas sim uma evolução consistente que se concretize economicamente."

Sobre os gostos dos portugueses, a responsável diz só ter duas palavras: "Pouco charme." E criticou também o facto de Portugal não saber dar uma evolução "com nível" às suas tradições. "Eu adoro as tradições, a história e as origens do meu País, porque adoro ser portuguesa, mas sinto que nos falta dar nível àquilo que nos representa. Não vale a pena continuar a produzir galos de Barcelos às três pancadas, há que saber estudar essa tradição e criar uma imagem dela que seja apelativa", explicou. "Só a cortiça parece estar já a elevar os padrões, mas não podemos cair no erro de pôr esses novos objectos, com nível, à venda nas bombas de gasolina, por exemplo, porque isso vai banalizá-los", concluiu.

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RMaria

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MensagemAssunto: Marca que voou de Portugal para o resto do mundo   Ter Out 11, 2011 4:46 pm

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Marca que voou de Portugal para o resto do mundo

por Sónia Simões
Hoje


Kyaia: A empresa com nome de uma localidade angolana detém a Fly London, a marca que só foi conhecida em Portugal depois de todos a conhecerem no Reino Unido

Enquanto os colegas pensavam em "namoradas, jogos de cartas ou no que fazer naquela noite", o então militar Fortunato Frederico pensava em como fazer dinheiro. Estavam em plena guerra colonial, em Angola, e o caminho mais promissor seria aquele a que se habituara desde os 14 anos: a indústria do calçado. Quase uma vida depois, o homem que começou como mero operário numa fábrica é dono de um império de nomes tão diversos como Fly London, Foreva ou Softinos. Ainda assim, continua a marcar presença na fábrica de Guimarães e a tratar cada um dos funcionários pelo nome.

Fortunato tinha 30 anos quando considerou a experiência na fábrica Campeão Português suficiente para arriscar a vida de empresário. Só tinha interrompido o percurso para ir em missão para Angola.

"Depois de ser um activista do 25 de Abril e perceber que aquilo não dava dinheiro, abri uma sociedade em Felgueiras", conta ao DN. Mas Fortunato pensava mais alto, queria criar uma marca. "Eles só queriam trabalhar para as marcas. Ainda hoje o fazem, e bem." Fez as malas, propôs dividir 20% das quotas por outros dois homens de confiança e registou a "Kyaia" - o nome da localidade angolana onde tantas noites sonhou em mil maneiras de enriquecer.

O negócio começou há 27 anos e fechou o primeiro ano com uma facturação de 150 mil contos, à moeda da época. Dois anos depois, numa feira em Dusseldorf, Fortunato acaba por aproveitar o projecto de dois ingleses que se incompatibilizaram antes da demonstração. "Zangaram-se e venderam--nos o projecto." Chamava-se Fly London e tinha o design arrojado e confortável que Fortunato ambicionara. "Já estava tudo preparado, o símbolo com a mosca e tudo."

Como em Inglaterra os sapatos eram muito mais caros, o empresário voltou o negócio para aquele país. E foi lá que a marca foi crescendo, quando em Portugal ainda ninguém a conhecia - e muito menos pensaria tratar-se da propriedade de um português. "Só quando tivemos uma boa posição no estrangeiro é que nos virámos para o mercado português, sabíamos que por cá ia ser mais difícil." Ainda assim, a produção partiu sempre da sua fábrica, em Guimarães, que irá agora sofrer obras de ampliação para poder albergar todo o material. Ali e em Paredes de Coura, onde Fortunato decidiu construir uma fábrica, em 1987, contornando a falta de mão-de-obra em Guimarães - onde na altura funcionavam várias multinacionais empregadoras.

Mercado conquistado quando, em 2005, Fortunato sabe que a empresa Foreva - criada em 1984 por uma família em Lisboa - estava tecnicamente falida. "Resolvemos salvar o barco", diz. A Kyaia não só comprou a empresa, como pagou as dívidas e manteve os 160 funcionários. Hoje a Foreva dá emprego a mais de 200 pessoas e de 60 lojas passou a ter 90. Há três anos, novo desafio: a criação da marca Softinos, para uma linha de calçado de conforto com matérias "mais nobres que a Fly".

Apesar do império que conquistou até agora, aos 68 anos, Fortunato faz questão de tratar cada um dos seus funcionários pelo nome próprio. Sempre de passo apressado e fã de tecnologias como o iPhone, faz questão de marcar presença em todas as feiras internacionais para estabelecer contactos.

O também presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado lembra, porém, as dificuldades que o sector atravessa. "O calçado fabricado em Portugal é mais caro do que o importado. Se a crise persistir os portugueses só vão poder comprar os sapatos baratos." Baratos e, quem sabe, imitações. É que a empresa de Fortunato já teve de interpor dois processos-crime contra empresas que andam a comercializar alguns modelos iguais aos seus. "Só não conseguem imitar a qualidade", remata.

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MensagemAssunto: As muitas cores da nova vida da histórica marca Sanjo   Dom Out 16, 2011 5:27 pm

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As muitas cores da nova vida da histórica marca Sanjo

por Marina Marques
Hoje


Para conquistar o segmento da moda, lonas de cores fortes alargam a oferta para lá das tradicionais botas pretas e brancas

Com uma paleta de vinte cores, a histórica marca Sanjo renasceu no Verão de 2010, depois de um conturbado processo na década de 1990, acabando por ser comprada em hasta pública por Paulo Fernandes, em 1997. Foi o primeiro passo para o regresso de uma marca que ainda vivia no imaginário de várias gerações de portugueses.

Fabricada inicialmente pela Empresa Industrial de Chapelaria, fundada em 1920, foi um acaso que colocou esta marca histórica no caminho do empresário. Seguindo a actividade que lhe era familiar desde criança, iniciou a vida profissional no sector do calçado como distribuidor de marcas internacionais. A renovação anual das licenças era sempre uma incerteza, e, em 1996, começou a pensar na criação de uma marca própria. "Nessa altura, um amigo disse-me que a Sanjo estava à venda", recorda. E entre criar uma marca nova ou comprar uma já existente, não hesitou.

Dois anos depois começaram a surgir ténis Sanjo no mercado, mas com modelos diferentes dos tradicionais. "Na altura [1999] o produto de lona não estava na moda, e, olhando para o panorama que então se vivia, tentei aproveitar uma marca que tinha notoriedade, colocando no mercado um produto de qualidade a preços acessíveis", conta. As mudanças no sector devido à entrada da China na Organização Mundial do Comércio levaram Paulo Fernandes a repensar o posicionamento da marca. "Eu e o meu pai percebemos que se estava a assistir ao regresso de marcas revivalistas.

Ora, tínhamos uma marca histórica, com um produto ícone. Por isso decidimos voltar a produzi-lo."

Seguiu-se cerca de ano e meio de desenvolvimento do produto. "Desde os 18 anos que desenvolvo sapatos e nunca tive um modelo que demorasse tanto a conseguir como as botas K100", diz, para ilustrar as dificuldades que teve de vencer para chegar ao produto que no Verão de 2010 voltou às lojas, agora mais colorido, e 95% igual ao modelo original. "Tinha uma dupla responsabilidade: queria um produto de qualidade e sabia que muitos dos possíveis consumidores iriam comparar os novos Sanjo com os que já tinham usado", diz.

Quando comprou a marca, originária de São João da Madeira, onde os Sanjo era fabricados e terra à qual devem o nome, os moldes tinham desaparecido. E para os fazer de novo Paulo Fernandes visitou muitas lojas antigas por todo o País em busca de Sanjo originais para servirem de modelo. Seguiu-se outro obstáculo: encontrar em Portugal uma fábrica que fizesse a vulcanização dos ténis, processo utilizado na "colagem" da sola com a gáspea (a parte de cima do sapato). Esgotados todos os caminhos, acabou por rumar à China. Muitas viagens depois, 2009 já estava a mais de meio quando achou que tinha conseguido o produto que queria colocar no mercado. Tarde de mais para apresentar os Sanjo aos clientes para que no Verão seguinte estivessem nas lojas. "Como acredito no projecto e na marca, mandei fazer toda a colecção sem antes ter vendido um único par", diz. Só depois apresentou o projecto aos lojistas, com a condição de que ficassem com seis ou sete cores. O balanço foi positivo, e, depois de conquistadas as gerações que já tinham usado Sanjo, Paulo Fernandes está este ano a reforçar a aposta nos consumidores entre os 15 e os 25 anos..

"Não é por acaso que a empresa se chama Son (filho)", explica Paulo Fernandes: "este é o projecto da minha vida e que gostaria que os meus filhos continuassem". "A Sanjo é uma marca que daqui a 20 anos pode e tem de estar no mercado." Por isso, defende, "a marca não pode viver só do seu produto ícone". E, no Verão de 2012, aparecerá no mercado já um novo produto, estando em análise o desenvolvimento de uma linha de acessórios e a abertura de duas lojas próprias, em Lisboa e Porto.

AMANHÃ

? sector Moda

? empresa Impetus

Sanjo Son Representações Lda.

? Sede: Armazém 9, Zona Industrial da Venda do Pinheiro

? Data da fundação: 2011

? Accionista: Paulo Fernandes (100%)

? Trabalhadores: 8

? Volume de negócios: N. d.

? Ponto forte: As botas K100 da Sanjo são um ícone que fazem parte do património nacional

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MensagemAssunto: Num ímpeto, da pequena fábrica à expansão mundial   Seg Out 17, 2011 4:33 pm

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Num ímpeto, da pequena fábrica à expansão mundial

por Rui Marques Simões
Hoje


Alberto Figueiredo ultrapassou todas as dificuldades e transformou uma firma de seis pessoas numa grande marca de roupa interior

No princípio, eram seis trabalhadores, uma casa antiga na Apúlia (Esposende) e uma empresa de roupa interior sem marca própria. Mas, num ímpeto, tudo mudou. Agora são 775 empregados, dois largos pavilhões e uma marca cada vez mais famosa de underwear masculino, que vende em 35 países (e em alguns dos espaços comerciais mais famosos do mundo). É a Impetus.

Um ímpeto - diz o dicionário - é um movimento impulsivo, um abalo ou um arrebatamento. Na verdade, a Impetus não nasceu apenas disso. Mas foi a capacidade de se impulsionar e avançar que a trouxe ao ponto onde está hoje. "A fábrica começou em 1973, com seis funcionários, numa casa antiga, com um empréstimo de 250 contos", pela mão de Maria Emília Figueiredo, conta o seu marido (e agora presidente da empresa) Alberto Figueiredo, lembrando que foi preciso "recomeçar do zero após o 25 de Abril", porque as exportações caíram completamente, como retaliação, após a revolução.

Como resposta à dificuldade, novo ímpeto: "O que nos salvou foi que o mercado interno teve uma explosão." Então, a empresa fazia um pouco de tudo. Até que novo impulso a fez mudar para aquilo que é hoje. "Em 1990 pensámos que havia vantagens em criar uma marca própria e especializarmo-nos num produto", explica António Figueiredo.

Foi aí, nesse ímpeto, que nasceu a Impetus. Desde aí, a prioridade foi sempre o estrangeiro. Quem percorre os extensos pavilhões da sede e fábrica da Impetus - em Barqueiros (Barcelos) - e chega à secção final do embalamento encontra montanhas de caixotes, já preparados para seguir para fora do País (Espanha, França, etc.). Não é por acaso. A empresa vende em grandes centros comerciais como El Corte Inglès, Galeries Lafayette ou Printemps. E está a atacar mercados em alta, como México, Rússia ou China.

Assim, protege-se da crise, que também existe lá fora mas não é tão forte como cá. "A crise afecta principalmente quem se vira para o mercado interno", aponta Alberto Figueiredo. Mas, como o mercado nacional só significa "pouco mais de 3%" das vendas da Impetus, o futuro está resguardado. Depois desta fase, "quem se aguentar, vai ficar melhor", acredita o presidente.

Entretanto, a Impetus, que se dirige principalmente às classes média-alta e alta, vai continuar a crescer, tendo fé no boca-a-boca do "cliente satisfeito que fala ao amigo" da roupa interior da marca. A empresa minhota também representa as francesas Eden Park e Coup de Coeur. Mas são mesmo as marcas Impetus e a sua irmã mais nova Impetus Hot (uma variante mais colorida e irreverente) que lhe dão nome.

O target, "pessoas com algum poder de compra, dos 25 aos 60 anos", é exclusivamente masculino. A empresa ainda se aventurou no mercado feminino, mas esse "tem uma concorrência terrível, com preços esmagados", por isso Alberto Figueiredo acabou por recuar. Ainda assim, não falta fama à casa, seja graças ao mercado masculino (também de calções de praia) ou aos produtos técnicos - de roupa que permite regular a temperatura corporal até uma peça inovadora para pessoas com incontinência (Protech Dry), criada recentemente em parceria com a Universidade do Minho.

Assim, Alberto Figueiredo, que "no início só queria ganhar dinheiro para dar qualidade de vida" à família, bem pode sorrir. A empresa vai de vento em popa, é uma das principais empregadoras do concelho de Esposende (do qual Figueiredo já foi autarca) e, em 2010, "cresceu 20% nas exportações". E daqui a dez anos, poderá estar ainda melhor. "Então, deveremos ter uma empresa mais sólida, capaz de dar melhores condições aos trabalhadores, e que contribua para o sucesso do País", deseja o dirigente da marca que cresceu... num ímpeto.

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MensagemAssunto: A rapariga "diferente" ainda hoje cria aquilo que veste   Qua Out 19, 2011 3:22 pm

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A rapariga "diferente" ainda hoje cria aquilo que veste

por Rui Marques Simões
Hoje


Era uma jovem demasiado irreverente para uma aldeia minhota dos anos 70. Hoje é uma estilista com fama mundial.

Esta é a história de uma rapariga que nunca quis render-se ao ambiente rural de uma aldeia minhota dos anos 70. Ana Sousa "era diferente: fumava, usava saias curtinhas, ia ao café, fazia coisas irreverentes". Nunca quis viver da agricultura, como a família. E que, por isso (por paixão), se dedicou "aos trapos". Hoje, aos 53 anos, é uma estilista respeitada e o rosto de uma marca famosa, aqui como na Rússia ou na África do Sul.

É uma história tão improvável como bem sucedida. Ana Sousa nasceu numa família rural, do concelho de Barcelos. Era a mais nova de sete irmãos. "Eles trabalhavam na agricultura mas eu sempre disse aos meus pais que 'agricultura, nem pensar'. Como era a mais nova, eles fizeram tudo para que seguisse o meu destino", conta a estilista, ao DN.

Pelo menos, esse destino passou-lhes rasteiras. Ana perdeu a mãe aos 13 anos. Mas também foi por essa altura que abandonou o sonho de ser professora e começar a dedicar-se "aos trapos", como costuma dizer. "A moda era aquilo de que gostava. Aos 13 anos, comecei a fazer as minhas roupas. Quando quis fazer umas calças, tive de dizer ao meu pai que era para aprender, pois era uma vergonha, naquela altura, uma rapariga usar calças", recorda, lembrando que, então "era um choque na aldeia", devido à sua irreverência.

Foi assim, de pequenina, que Ana Sousa começou a crescer no mundo da moda. Casou aos 18 anos, mas então "já trabalhava a sério". "Dava formação a outras meninas e tinha-as a trabalhar comigo. Fazíamos vestidos de noiva e roupas para toda a família", recorda a empresária, que desenhou a toilette para o seu próprio casamento.

Depois, foi a emancipação de uma aldeia "demasiado pequena e claustrofóbica" para si. Com o marido e um cunhado, Ana Sousa criou a Flor de Moda, empresa que trabalhava para outra marcas (e ainda hoje continua a fazê-lo). Porém, o sucesso das suas criações, fez a firma criar também uma marca própria, no arranque dos anos 90. "'A marca é Ana Sousa, em tua homenagem e de tudo o que tens feito até hoje', disse o meu cunhado", revela a estilista. E assim ficou.

Duas décadas depois, o balanço é muito positivo. A Ana Sousa tem 74 lojas espalhadas pelo País e pelo mundo (África do Sul, Rússia, Luxemburgo, Bélgica, Suíça, Espanha), além de estar representada nos principais mercados da Europa ocidental. No futuro, planeia expandir-se mais na Rússia (Moscovo e Sampetersburgo), África, Médio Oriente e, mais adiante, Brasil.

E a família fundadora continua unida. Ana controla o processo criativo, o marido trata da gestão. E os dois filhos do casal também por ali trabalham. "É uma empresa muito familiar", sintetiza Ana Sousa, até porque também lá laboram os oito irmãos e algumas das cunhadas do marido (da família da estilista, mais ninguém se rendeu à moda).

Assim, de vento em popa, a minhota nem sequer se preocupa com a propalada crise. "Toda a gente fala em crise, mas eu todo os dias, ao acordar, penso: 'tenho de ter ideias, boas ideias, para propor ao cliente e fazê-lo sentir-se feliz'. Se o conseguir, a marca há-de sobreviver", garante a criativa, para quem a solução está sempre na imaginação. "O que eu gosto é do processo de criação, de fazer as peças, imaginá-las", explica Ana Sousa, que desenha sempre a pensar "numa mulher bonita, muito actual, criativa, desinibida, que procura o bem-estar e tem o ego muito em cima".

Apaixonada pelos "trapos", Ana Sousa acompanha todo o processo de produção das roupas: "Às vezes até pego num alfinete e mostro às meninas o que têm de fazer." E, confessa: "Não há nada que eu não vista que não seja Ana Sousa. Não consigo comprar outras marcas." Afinal, 40 anos depois, ainda desenha para se vestir.

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MensagemAssunto: Portugueses já calçam a selecção italiana de golfe   Qui Out 20, 2011 10:32 pm

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Portugueses já calçam a selecção italiana de golfe

por Catarina Vasques Rito
Hoje


Fundada em 1941, a empresa Centenário exporta 98% da sua produção para a China, Itália, Japão, Alemanha, Áustria e Suíça.

A selecção italiana de golfe viu a linha de sapatos da empresa portuguesa Centenário e não ficou indiferente à qualidade da pele, dos acabamentos e do design. "Nós tínhamos alguns modelos expostos com as cores italianas, outros com as portuguesas, e por aí fora. O representante da selecção italiana viu e contactou-nos para saber se era possível mudar o design e se estávamos interessados em calçar a selecção italiana de golfe. Nós dissemos que sim, e aqui está o resultado", explica António Pedro Ferreira, da Centenário.

O nome é Centenário, mas têm tentado mudar para Century, por considerarem que internacionalmente é mais fácil de pronunciar. No entanto, "os estrangeiros querem cada vez mais marcas com nomes que mostrem a origem dos países, por isso, como Centenário já é conhecido, vamos ver. E nos dias de hoje o que vem de Portugal é sinónimo de qualidade", afirma.

Esta é mais uma marca que não está presente no mercado nacional "devido à falta de garantia no escoamento da produção por ser um mercado bastante pequeno".

Fundada há 70 anos (1941), emprega 74 pessoas, algumas das quais cresceram com a segunda geração e acompanharam a entrada da terceira, que já está a trabalhar na empresa. A necessidade de encontrar novos mercados, apostar em novos públicos e investir no produto fabricado fez que esta empresa familiar se começasse a reestruturar há 30 anos. "Quando, na década de 80, pensámos em aumentar a produção, decidimos construir uma nova fábrica e estudámos o comportamento de diversos mercados. Aí percebemos que Portugal não era uma aposta vencedora, por ser pequeno e pouco expressivo. Então, estudámos as melhores feiras para marcarmos presença, a cada ano fomos alargando a quota de exportação em detrimento da produção destinada ao mercado interno, até que, por opção, chegámos onde estamos hoje: somos 98% exportadores e 2% é para vender cá dentro", explica António Pedro Ferreira, da Centenário, um dos elementos da terceira geração da família fundadora.

A empresa está em franco crescimento, devido às restruturações realizadas nos anos 80, e cujos frutos começam agora a sentir-se. Esforço contínuo na procura "de novos mercados, consolidação de novos clientes, apresentação de novos produtos, inovação permanente, design e rápida resposta às solicitações dos clientes, aliados a uma forte campanha internacional de arrojado e inovador marketing levado a cabo pela APICCAPS (Associação Portuguesa Indústria Calçado Componente, Artigos de Pele e seus Sucedâneos)", são o segredo do sucesso desta indústria.

Apesar de estar vocacionada para o fabrico de calçado de homem, a Centenário tem uma linha secundária de mulher, mais descontraída (mocassins e sandálias práticas) que vende só no mercado nacional em algumas lojas seleccionadas.

Outro dos segredos do sucesso da Centenário está directamente ligado aos materiais utilizados, garantindo uma qualidade superior do calçado fabricado, criando fidelidade por parte quer do consumidor quer do comprador (retalhistas/donos de lojas). A matéria-prima vem de Itália, país com grande tradição no cultivo e produção de pelarias de alta qualidade. "A pesquisa constante e criteriosa de materiais nobres, rigorosamente seleccionados junto das melhores fábricas europeias de curtumes, acompanhada de processos muito cuidados de montagem e acabamento, respeitando escrupulosamente as regras de qualidade, o design, a implementação e o desenvolvimento da nossa nova linha de montagem no sistema de construção goodyear, permite-nos obter um produto final distinto e de alta qualidade, facilitando a entrada nos mercados internacionais ao mais alto nível", salienta.

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MensagemAssunto: Os dois colegas de faculdade que decidiram ser 'alfaiates'   Sab Out 22, 2011 11:39 pm

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Os dois colegas de faculdade que decidiram ser 'alfaiates'

por CARLOS DIOGO SANTOS
Ontem




Criada há menos de dez anos, esta marca já fidelizou muitos clientes em Portugal e prepara agora a sua expansão.

Portugal é um país onde a mulher pode vestir quase tudo, mas onde o homem não pode arriscar. Um País onde as pessoas não são conservadoras, mas refugiam-se em roupas convencionais. Um País onde é difícil criar uma empresa e onde a universidade não dá importância ao empreendedorismo. Apesar de João Branco e Luís Sanchez, fundadores da marca Storytailors, apontarem todos estes defeitos, a verdade é que ambos preferiram focar-se nos aspectos positivos que o País tem para oferecer e deitar mãos à obra. Começaram por fazer o que ainda não tinha sido feito, uma marca com uma confecção irreverente e com filosofias de trabalho próprias. O nome inglês desta marca tão portuguesa não é uma contradição, mas sim uma porta aberta à expansão internacional.

"Ainda durante a faculdade, olhámos para cada um destes aspectos e tentámos simplificá-los. O facto de haver mais liberdade para a criação de moda feminina fez-nos decidir que o nosso início tinha de passar por essa vertente. Na altura, disseram-nos que os nossos objectivos eram elevados de mais, mas nós insistimos. Mais tarde sentimos também dificuldade em criar a empresa", explicou Luís Sanchez, venezuelano descendente de portugueses.

Desde o seu início, em 2003, num pequeno atelier em Sete Rios, que a empresa não pára de crescer. Hoje conta já com seis funcionários, e uma enorme loja na Calçada do Ferragial, perto do Chiado, local que sempre apreciaram. Com uma forma particular de confeccionar o vestuário, utilizando para isso moldes diferentes, uma linha de pronto-a-vestir e um atelier para roupa feita à medida e aconselhamento estético, a Storytailors é um projecto inovador que tem vindo a cativar muitos clientes... e amigos.

"A história mais curiosa que temos de todos estes anos foi a de um casal que nos viu num programa da RTP e decidiu ligar-nos para saber se poderíamos fazer o fato. Confesso que nos surpreendeu a hora do contacto, porque aconteceu assim que o programa acabou, cerca da meia-noite", lembrou João Branco, esclarecendo que foi dessa forma que nasceu o primeiro fato da empresa e uma grande amizade: "A partir desse momento criámos uma grande relação e eles até nos convidaram para ser padrinhos do primeiro filho deles."

Apesar de ter sido a situação que melhor recordam, esta não foi a única situação em que após o trabalho surge uma amizade. E esse é, talvez, um dos segredos para o rápido crescimento da Storytailors. "O feedback de quem nos visita tem sido muito positivo e achamos que é a isso que se deve o nosso sucesso", recorda João Branco.

Outro aspecto distintivo é o facto de toda a produção ser feita em Portugal. Sendo que, na maioria das vezes, são fábricas situadas no norte do País as responsáveis pela confecção. De resto, a única coisa que vem do exterior são algumas matérias-primas inexistentes cá: "Só importamos algumas matérias-primas que não encontramos em Portugal."

E, ainda que a grande aposta da Storytailors seja na moda feminina, para estes dois criadores, sempre atentos ao que se confecciona para homens, há uma explicação para a pouca ousadia masculina em Portugal. "Após a Segunda Guerra Mundial, os homens passaram a usar uma roupa uniformizada e actualmente sentem-se ameaçados pela vanguarda. Assim sendo, desde essa altura o glamour ficou reservado às mulheres e tudo aquilo que seja mais trabalhado ou tenha contornos um pouco diferentes é encarado pela sociedade portuguesa como algo feminino", concluiu João Branco, admitindo que "para um homem conseguir inovar na roupa precisa ter uma boa herança social e muita segurança pessoal".

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MensagemAssunto: A alquimia que torna os materiais ainda mais preciosos   Seg Out 24, 2011 3:49 pm

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A alquimia que torna os materiais ainda mais preciosos

por Rui Pedro Antunes
Hoje


A 'designer' de jóias Maria João Bahia é uma das mais conceituadas criadoras portuguesas no sector. Os Globos de Ouro são invenção sua.

A marca Maria João Bahia tem feito um percurso de ouro. E também de prata, pérolas, pedras e diversos materiais preciosos. A designer de jóias começou por abrir o negócio num andar na Rua da Madalena em Lisboa, após ter feito diversos cursos sobre como trabalhar estes materiais um pouco por todo o mundo. Já a sua marca de luxo (ou de "gosto", como prefere chamar) assentou arrais, há cerca de oito anos, na rua das grandes lojas: a Avenida da Liberdade.

A Avenida é tão importante para Maria João Bahia que recentemente fundou e tornou-se presidente da Associação Passeio Público, que pretende dinamizar aquela que é a principal artéria da cidade. No fundo, a Avenida da Liberdade é mais uma pérola que a designer quer tornar mais bonita.

É esse o seu trabalho: pegar em materiais preciosos e torná-los peças únicas. Desde que arrancou com a marca há 26 anos, Maria João Bahia tem coleccionado prestígio. Apesar de fazer sucesso com jóias - como brincos, pulseiras ou anéis -, a criadora produz também diversos outros objectos, nos quais se incluem diversos troféus. Os conhecidos Globos de Ouro da SIC são da autoria da designer, que foi também quem criou a prenda oferecida pela patriarcado de Lisboa ao Papa Bento XVI na última visita do Sumo Pontífice a Portugal: um relicário de S. Vicente. A sua versatilidade faz com que também já tenha criado uma "manta de cavalo do século XVII" e até - aquele que se relevou um grande desafio - "uma peça para uma auto-estrada".

Como factor que justifique o sucesso, Maria João Bahia aponta "a dedicação dada a cada peça". "Nunca quis criar uma estrutura de joalharia industrial. Só vendo jóias de autor. É certo que por vezes crio peças repetidas, mas nunca massifico", garante.

Maria João Bahia faz ainda questão de que todas as peças com a sua marca passem por si, embora tenha "oficiais" (outros joalheiros) que a ajudam na concepção dos produtos. Outra certeza é que tudo o que produz é "made in Portugal", o que é garantido, precisamente, por não ter "industrializado" os seus processos de produção.

Grande parte dos clientes de Maria João Bahia são, como a própria explica, "privados". Ainda que a os portugueses sejam maioritários, a designer explica que tem "clientes espalhados um pouco por todo o mundo, desde os EUA à China". Para isso também terão contribuído, certamente, as várias exposições que tem feito. Paris, Madrid, Pequim, Nova Iorque, Copenhaga ou Rio de Janeiro são algumas das cidades em que Maria João Bahia já apresentou mostras das suas jóias.

O ouro e a prata são os materiais que trabalha com mais frequência embora não tenha complexos em utilizar materiais "menos nobres" como a madeira ou outros mais exóticos como "pérolas, safiras ou topázios".

Outro motivo que a criadora considera fundamental para o sucesso da marca é a "fidelização dos clientes". Talvez seja por isso que a crise não a preocupe. "Há momentos que não podem ser ignorados e que podem ser marcados com uma jóia, independentemente da crise. Além disso, o investimento numa jóia é sempre melhor que numa casa ou num carro, que desvaloriza imenso", lembra.

A subida do preço do ouro nos últimos anos não afectou a sua actividade. "Não actualizo os preços conforme a matéria-prima sobe ou desce. Dou-hes um preço quando acabo de criar a peça e é esse que fica", garante. Apesar de não adiantar o valor da peça mais cara que vendeu, Maria João Bahia sabe o preço da mais barata que está disponível na loja: uma cruz com pérolas de oito euros. A designer de jóias recusa-se a dizer que as suas peças se dirigem a uma "classe alta", preferindo afirmar que são concebidas para "uma classe com bom gosto". E acrescenta: "O bom gosto não escolhe classes."

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MensagemAssunto: De tamancos antigos nasceram botas 'fashion'   Ter Out 25, 2011 5:30 pm

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De tamancos antigos nasceram botas 'fashion'

por Lina Santos
Hoje


Duas amigas que não tinham a ver com a indústria do calçado fizeram botas do típico calçado português. A marca Xus nasceu em 2008

"Vamos à praia?", convidou um amigo de Rita Melo, a meio da semana passada. A empresária, sócia da Xuz, marca de sapatos nascida em 2008, reinventando socas e tamancos portugueses, disse que não e, do outro lado da mesa que decora o escritório da empresa, na Lx Factory, em Lisboa, Maria do Carmo Alvim, a outra metade do negócio, ri-se. "Os próprios amigos não têm noção do trabalho que é", dizem uma e outra.

De ano para ano, a Xuz tem vindo a duplicar o volume de vendas. Começaram com 300, depois 600 e no primeiro semestre deste ano chegaram aos 10 mil pares vendidos, a mesma marca que tinham atingido em 2010. Até ao final do ano contam chegar aos 15 mil. "O nosso dossier de reposição já é uma coisa importante", afirma Rita. Com a novidade de esta estação estarem em mais pontos de venda na zona norte (Porto e Braga). Por isso, quem as quiser ver é no escritório, até às 20.30, rodeadas de amostras, sapatos e caixas de cartão.

Na Xuz, microempresa por definição (tem menos de 10 empregados e factura menos de 10 milhões de euros por ano), além da ex-produtora de televisão Rita e da ex-quadro da SIBS Maria do Carmo, trabalha apenas a secretária. Mas há mais 52 postos de trabalho envolvidos na produção destes sapatos, como se pode ler nos cartõezinhos atados às socas, sandálias e botas que saem de um dos cerca de 70 pontos de venda (maioritariamente boutiques) que vendem a marca. "Só faltamos mesmo nós", dizem.

A ideia dos socos nasceu por nostalgia em 2008. Meses depois, para o Inverno, as duas amigas e sócias investigavam como transformá-los em botas. Numa feira onde se vendiam os típicos tamancos do norte encontraram a solução. E apesar da resistência inicial, conseguiram convencer os fornecedores que era possível fazê-las com a sola dos típicos tamancos portugueses. E o que antes era impossível, há um ano já era copiado. Resultado: este ano, já há modelos patenteados. "Uma coisa era inspirarem-se no que fazemos, outra é quererem fazer igual", considera Maria do Carmo. "E é uma pena que sejam fábricas portuguesas a fazê-lo", acrescenta. No combate à pirataria vale-lhes o facto de fazerem as séries curtas e apostarem na variedade de modelos. E, para temperar o mau trago da contrafacção, a originalidade do design valeu-lhes o prémio revelação GAPI - Prémios Inovação na Fileira do Calçado, entregue em Setembro na feira de Dusseldorf.

Cerca de 15% do volume total de vendas são exportações. Maria do Carmo Alvim gostava de ver as Xuz em Nova Iorque, Rita diz que o importante agora é "consolidar os mercados actuais". "Depois atiramo-nos a novas coisas." A Escandinávia é o principal destino dos sapatos que saem de Portugal. Holanda e Alemanha são outros possíveis destinos e também já estão no Canadá. "Uma cliente nossa levou o conceito para lá", explica Rita Melo.

Todas as estações, Rita Melo e Maria do Carmo Alvim preparam novidades nas colecções. A de Outono/Inverno 2011/12 traz botas com solas diferentes e as do próximo Verão ainda são segredo. Do que se vai passar no próximo Outono/Inverno há pelo menos um pormenor que já pode ser revelado: contarão com as ideias de uma jovem designer, com formação em Londres e uma experiência internacional que, à semelhança de outras pessoas (designers e comerciais), se propôs a trabalhar na marca. Vai colaborar no desenho das peças da marca já na próxima estação fria. "Gostámos dela, achámos que tinha tudo. Chegou aqui com o portefólio mas também com o que elas achava que eram as ideias Xuz", conta Maria do Carmo Alvim. Convenceu.

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MensagemAssunto: Elton John viu, gostou e comprou para o filho   Dom Out 30, 2011 5:00 pm

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Elton John viu, gostou e comprou para o filho

por Lina Santos
Hoje


Laranjinha. Nasceu há 30 anos porque o seu dono sempre achou que a saída do têxtil nacional era produzir com valor acrescentado.

A notícia entusiasmou tanto os responsáveis do armazém norte-americano Barneys, em Nova Iorque, que ligaram ao agente comercial que lhes tinha apresentado aqueles bodies, babygrows, vestidinhos e calções de tons suaves e design delicado. E este ligou directamente a Luís Figueiredo, proprietário da empresa Hall & Ca., a contar a novidade: Elton John, pai de um rapaz que completa um ano no dia de Natal, Zachary, tinha adorado, e comprado, peças da Laranjinha, roupa infantil totalmente desenhada e produzida em Portugal, já com 30 anos.

Luís Figueiredo, que estudou gestão de empresas no Porto porque durante os dois primeiros meses de Direito, em Coimbra, em 1975, não teve aulas, trabalhou numa empresa têxtil da família após a licenciatura e quando a fábrica foi vendida lançou o seu próprio negócio. Como já conhecia fornecedores, clientes e comerciais na área da roupa para crianças foi nessa que apostou.

Estávamos em 1981 e a empresa foi baptizada a partir de apelido do avô materno: Hall e Cia. Nessa altura , tinha outro sócio. Fabricavam para marcas estrangeiras mas logo nesse momento, e contra a corrente, avançaram para uma marca própria. "Já nessa altura achávamos que a sustentabilidade da indústria têxtil era o valor acrescentado, caso contrário venderíamos minutos de produção e aí há sempre alguém disposto a fazer por menos." E então nasceu a Laranjinha (que trabalha o sector alto e médio-alto). "Queríamos um nome que fosse o mais perceptível e memorizável possível."

Não lhes passou pela cabeça que Laranjinha fosse um nome complicado de exportar, questão que se colocou em 1998 quando avançaram para Espanha e Itália. "Orangina, Naranjina... Em inglês nem se consegue pronunciar", brinca Luís Figueiredo.

Hoje, além de Portugal (com sete pontos de venda e mais 120 clientes de retalho) e de Espanha (onde abriu há dois meses a primeira loja e tem 200 clientes de retalho), estão na Bélgica, Áustria, Inglaterra, Austrália, Bélgica, Áustria, México, Rússia e até no Japão. E o obstáculo linguístico não se coloca.

"Os nomes são nomes, abstractos", diz, sentado numa divisão a média-luz, papel de parede azul bebé repleto de estrelas e um ambiente que podia ser o do quarto de um recém-nascido, não se desse o caso de estar rodeado de charriots com cada uma das peças da colecção, sacos para bebé e a pequena e selecta etiqueta Chic Laranjinha, modelos que habilitam qualquer criança a pisar a passadeira vermelha nos Óscares. "Começámos com uma pequena colecção e hoje temos sapatos, perfume e mais não sei quantas ideias que as designers têm", exclama. "A última tinha 559 peças e já disse que temos de limitar", conta dono da empresa.

Os tecidos da Laranjinha são todos importados mas a produção é "100% nacional". Ao todo, 27 fábricas trabalham com a marca, duas em exclusivo.

A sede é no Porto e no departamente criativo da Laranjinha trabalham duas designers. "Uma só trabalha com o computador, a outra faz tudo à mão", conta o patrão. Três colaboradoras tratam dos moldes e na sede da empresa já só se faz o essencial: protótipos que saem das mãos das estilistas, passam pelos moldes, depois pela modelagem e finalmente pelas costureiras, planeamento de produção e distribuição e a expedição das peças já prontas. São 50 pessoas. "Muito para uma empresa que não produz nada", diz Luís Figueiredo, explicando que esta é a herança que ficou dos tempos em que eram produtores, modelo de negócio que terminou em 1998, momento em que simultaneamente deixaram de produzir para outros e começaram a internacionalização. Um processo que continua. "O nosso mercado interno é a União Europeia."

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RMaria

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MensagemAssunto: Os pastéis que só Lisboa tem e que todo o mundo conhece   Qua Nov 02, 2011 1:47 pm

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Os pastéis que só Lisboa tem e que todo o mundo conhece

por Carlos diogo Santos
Hoje


Pastéis de Belém. Só no séc. XX é que os lisboetas passam a conhecer esta tradição do antigo convento de Belém. Hoje é ponto de passagem obrigatório para quem visita Lisboa.

Vivas, só existem cinco pessoas que conhecem o segredo dos famosos pastéis de Belém. Uma já está reformada, e as restantes continuam a confeccionar este doce português que atrai, além de muitos portugueses, turistas de todas as nacionalidades.

A tradição tem-se mantido inalterada, não só no que diz respeito à receita, como também na decoração das várias salas. E nem mesmo as mais recentes medidas de segurança e higiene alimentar vieram quebrar ou alterar o que este espaço lisboeta tem para oferecer.

"A receita mantém-se a mesma, mas é óbvio que ao longo dos anos fomos aperfeiçoando a forma como trabalhamos, nomeadamente para respeitar todas as regras de segurança alimentar que têm sido implementadas. No entanto, estou em condições de dizer que a maior mudança que operámos foi ao nível dos circuitos internos que os funcionários têm de fazer", explicou Miguel Clarinha, um dos gerentes dos Pastéis de Belém, descendente da família fundadora.

A receita, criada no Convento de Belém, foi continuada no edifício que hoje conhecemos após a revolução dos liberais e a consequente extinção das ordens religiosas em Portugal. O local escolhido não se baseou apenas na proximidade, mas também nas condições já existentes neste edifício. É que antes de ser o edifício dos Pastéis de Belém, naquele prédio encontrava-se uma refinaria de açúcar.

A expansão e reconhecimento deste doce só chega mais tarde, no início do século XX, quando passam a existir transportes que ligam Belém ao centro de Lisboa. Isto porque a partir dessa altura passa a ser comum as famílias irem passear para os jardins de Belém aos fins-de-semana.

E não demorou muito tempo até que os pastéis deixassem de ser uma moda exclusiva dos lisboetas. Hoje são reconhecidos em praticamente todos os países e são paragem obrigatória para quem visita a capital portuguesa. E muitas vezes dando preferência a outras especialidades da casa.

"Nós já conhecemos as várias nacionalidades e ainda que não seja possível traçar um perfil para cada uma há traços que são quase gerais", diz Miguel Clarinha, explicando que os brasileiros têm uma característica curiosa: "Quando nos visitam comem sempre mais salgados, como por exemplo pastéis de bacalhau, do que pastéis de Belém."

Além disso, este ponto turístico de Lisboa é todas as semanas visitado por jornalistas de todo o mundo. Aliás o interesse da comunicação social estrangeira é superior ao da nacional, segundo afirmou o responsável ao DN.

A expansão desta receita a outros países do mundo é ponderada quase diariamente, mas há razões muito fortes que levam os responsáveis a não "pôr a carroça à frente dos bois". "Já pensamos na internacionalização, mas isso implicaria a congelação das matérias, ou a opção muito dispendiosa de abrir uma fábrica num outro país", explicou Miguel Clarinha.

O mercado asiático é talvez o mais apetecível para os Pastéis de Belém, até porque, segundo lembrou este responsável, há já muitas empresas naquele ponto do globo a fabricar pastéis de nata - sem muita qualidade - e que facturam milhões de euros.

Além destas dificuldades há um outro factor que leva este gerente a recear a internacionalização da marca: "Hoje fazemos cerca de 20 mil pastéis por dia e com uma expansão poderíamos cair no erro de industrializar este doce tão artesanal."

Enquanto não arriscam em outros mercados, os Pastéis de Belém continuam a pensar nos melhoramentos que a fábrica de Lisboa pode ainda receber. E para já a abertura de mais salas - entre elas uma exterior - tem já contornos muito definidos.

In DTM

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Romy

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MensagemAssunto: Família Passanha exporta azeite para 20 países   Qui Nov 03, 2011 2:25 pm

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Família Passanha exporta azeite para 20 países

por Luís Godinho
Hoje


Apareceram só há três anos, fruto da unificação de várias sociedades agrícolas dedicadas ao olival. Mas o reconhecimento já chegou.

Quando, em 2006, a família Passanha decidiu unificar diversas sociedades agrícolas dedicadas ao olival e investir num projecto próprio de produção e comercialização de azeite, alguém se lembrou das taifas, pequenos reinos independentes em que se dividiu o Califado de Córdoba durante o século XI, aquando da ocupação muçulmana do Al-Andaluz. Foi assim que na Quinta de São Vicente, onde pelo menos desde 1738 a família produz azeite, nasceu a Taifa, de olhos postos no mercado dos azeites premium e na exportação.

"Já vamos na quarta geração diferente de lagares. Nunca fomos muito de conservar as peças antigas, os nossos antepassados eram mais de ir procurar novas tecnologias, mas temos registos de produção desde meados do século XVIII", diz o responsável do projecto, João Filipe Passanha, que trocou a carreira de arquitectura e as actividades empresariais na Bélgica, onde vivia, pelo negócio da família.

O projecto, com capitais exclusivamente portugueses, significou um investimento de 17 milhões de euros, incluindo a construção de um novo lagar, com capacidade para transformar 150 toneladas de azeitona por dia, e a plantação de 600 hectares de olival intensivo. Em 2014, quando os olivais mais recentes entrarem em plena exploração, serão produzidas 1300 toneladas de azeite por ano - 60% destina-se à exportação.

"Reunimos características únicas que nos podem diferenciar no mercado, aliando a tradição [da casa agrícola] a um produto de excelência", assinala João Filipe Passanha, confessando que a empresa "começou logo a pensar no mercado" posicionando o produto num "segmento de alta qualidade".

Por isso, nenhum pormenor foi deixado ao acaso, tendo a garrafa sido concebida pelo britânico Michael Young, um dos grandes nomes do design europeu contemporâneo. "Investimos numa identificação clara da nossa garrafa. Como não podemos estar constantemente a explicar o projecto a toda a gente, por essa via comunicamos o essencial em poucos segundos."

Numa empresa que, apesar de recente, se orgulha de produzir "dos melhores azeites do mundo", os prémios começaram a surgir, tendo o azeite virgem Dom Diogo sido distinguido com uma medalha de ouro no concurso Mário Solinas, do Conselho Oleícola Internacional, um dos mais prestigiados do mundo.

O azeite produzido pela Taifas é exportado para cerca de 20 países. Em termos de valor, Inglaterra é o principal mercado, sendo que é também através de um importador inglês que a empresa está a dar os primeiros passos no golfo Pérsico.

"A equação correcta é a excelência dos produtos, a apresentação e a forma como se consegue aliar tradição e modernidade", diz o empresário, sublinhando que este trabalho de internacionalização está a produzir resultados apesar de apenas se ter iniciado há pouco mais de três anos e num contexto difícil.

Para João Filipe Passanha, a arquitectura pertence agora a um passado mais ou menos longínquo, e o olival e o Alentejo permitem-lhe "alimentar" outras paixões: o gosto pelos jardins e pela botânica. Da experiência adquirida na Bélgica vem o entusiasmo por "trabalhar em equipa e levar produtos ao mercado", o que em sectores como a agricultura constitui um desafio permanente. "Há lugar para todos, para os pequenos e para os grandes negócios, mas temos de conseguir chegar aos consumidores e diferenciar o nosso produto dos da concorrência", resume.

Por causa da futura auto-estrada A26 entre Sines e Beja, o empresário chegou a recear as "consequências negativas para o prestígio" internacional do azeite produzido pelos herdeiros Passanha. Mas o troço inicialmente projectado para o meio da Quinta de São Vicente foi alterado, salvaguardando o essencial da exploração.

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Fantômas

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MensagemAssunto: Aqui, as flores quando nascem têm sabor a sal   Sex Nov 04, 2011 10:58 pm

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Aqui, as flores quando nascem têm sabor a sal

por Sónia Simões
Hoje



Flor de sal. Herdou um negócio que desconhecia tão lucrativo e acabou por modernizá-lo. Hoje, Rui Simeão vende para o mundo inteiro.

As placas que indicam "Perigo" e "Cães Perigosos à solta" inibem o mais incauto de passar o corredor de terra batida que atravessa a herdade de Rui Dias, em Tavira. É mesmo ali ao lado que, da água da ria Formosa, se formam mantos brancos de sal. E é daqui que se extrai o mais puro sal, conhecido por flor de sal, para todo o mundo.

Há quase 30 anos à frente do negócio que herdou dos avós, Rui Dias - mais conhecido por Rui Simeão, o nome que deu à sua marca -, explica o que é, afinal, a flor de sal (para os mais antigos era denominado "coalho"). "É o sal que flutua diariamente nas salinas, quando a humidade relativa é baixa (ar seco) e quando não há vento (porque senão a água movimenta-se e o sal vai ao fundo)". Por outras palavras, e noutra terminologia, "é para o sal como a nata é para o leite, ou seja, a flor do sal é a nata que se cria por cima do leite e é depois usada para fazer o queijo".

A história de Rui Dias, hoje com 70 anos, começou ali, junto às salinas onde foi criado pela avó, a mãe e os tios, salineiros de profissão e de origem. Ele via como se fazia, eles vendiam sal e com esse dinheiro proporcionavam-lhe uma educação. Rui estudou, praticou desporto e tornou-se operador de crédito na Caixa Geral de Depósitos.

Só quando os familiares morreram percebeu o tesouro que tinha em mãos. "Uns banqueiros suíços disseram-me que eu devia ter uma fortuna porque este sal era vendido na Suíça, nesta altura, a cinco euros o quilo." Da Suíça chegaram por correio jornais e informação sobre tema e Rui abandonou o trabalho na banca e modernizou o negócio. Criou uma unidade de produção de flor de sal e de sal artesanal que não é mais do que uma salina de 13 hectares com capacidade para produzir 60 a 80 toneladas de flor de sal e 800 a mil de sal tradicional. A sua salina tornou-se um modelo e Rui o pioneiro neste género de produção em Portugal (o que há onze anos lhe valeu a certificação dos produtos).

Par tal, orgulha-se, batalhou e conseguiu uma alteração à lei comunitária, passando o sal de um produto químico para um produto agro-alimentar. Ainda criou uma associação em Castro Marim, para ajudar profissionais do mesmo ramo a vingar, mas acabou por se afastar. "Começaram a aparecer muitas imitações. Há empresas que dizem nos jornais produzir toneladas de flor de sal, e isso é completamente impossível", diz ao DN enquanto exibe os comprovativos das análises ao seu sal.

A flor de sal é semelhante ao comum sal grosso, apenas mais branca e mais macia. Mas as análises atestam o seu grau de pureza. Motivo que o envergonha perante operadores que conhece em feiras internacionais. "Ainda este ano fui a uma feira em Washington e dois estrangeiros fugiram de mim porque disseram que não compravam mais flor de sal a portugueses. Tinham sido enganados." Mas o empresário faz questão de investir em deslocações a feiras internacionais para divulgar o que produz. Metade da sua produção é, precisamente, para exportar. Não consegue enumerar para quantos países, mas sabe que vai do Canadá até à Malásia.

Dependendo do local de venda, faz embalagens por medida. Num hipermercado é comum ver embalagens de plástico com a marca "Rui Simeão Tavira Sal" inscrita. Em lojas gourmet, o produto é comercializado em frascos apetrechados com uma pequena colher de pau ou em sacos de pano ou serapilheira - em homenagem aos sacos que a avó costurava para vender o produto. Em 2004, o seu sal foi considerado o produto biológico do ano pelo júri de uma feira em Nuremberga, na Alemanha. O empresário lembra que o sal tem sido "sempre uma necessidade humana", desde a "conservação dos alimentos à comida e à indústria, como é o caso da produção de plásticos". E que "só 7% do sal é gasto na alimentação".

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RMaria

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MensagemAssunto: Um vinicultor com a força da família e da tradição   Sab Nov 05, 2011 11:21 pm

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Um vinicultor com a força da família e da tradição

por Rui Marques Simões
Hoje


Bairrada. Aqui mora uma produtora vinícola familiar... mas com fama mundial: é a Quinta das Bágeiras, o projecto de vida de Mário Sérgio.

Em Fogueira (freguesia de Sangalhos, concelho de Anadia) mora uma produtora de vinhos com uma chama imensa. A Quinta das Bágeiras é um "projecto familiar" e com "respeito pela tradição". Mas isso não a impede de chegar longe: é cada vez mais vendida no estrangeiro e este ano foi incluída na lista das 100 melhores adegas do mundo, pela prestigiada revista norte-americana Wine & Spirits.

A Bairrada não é apenas sinónimo de leitão. Também é uma região de "bons néctares", como lhe chamam os especialistas. Tem vinhos como o "branco colheita 1994" ou o "tinto garrafeira 2005" da Quinta das Bágeiras a quem a Wine & Spirits deu pontuações acima dos 90 pontos (de 0 a 100) numa recente avaliação.

Por trás deste sucesso está Mário Sérgio, um apaixonado pela vinha, que deu nova vida às terras dos pais e dos avós. (tão apaixonado que, em 1995, teve de abdicar da lua-de-mel para fazer "um dos melhores vinhos tintos" da sua história). Embora a família já produzisse vinho há décadas, a marca Quinta das Bágeiras surgiu apenas em 1989. "Queria tornar a exploração viável economicamente, fazendo uma actividade de que gosto muito", recorda o produtor, que se lançou na vinicultura aos 23 anos. O início não foi fácil: "Nós pensamos sempre que temos o melhor vinho do mundo, mas é preciso vendê-lo. Eu, que nunca tinha vendido nem um prego, tive de me adaptar ao negócio". Mas o sucesso acabou por chegar.

Mário Sérgio ganhou o prémio de Jovem Agricultor Português logo no ano de estreia (e, outra vez, em 1991) e foi considerado o Agricultor do Ano em 2004. E, pelo meio, também os vinhos foram recebendo distinções como as da Wine & Spirits. "Esses prémios encheram-nos de orgulho e proporcionaram que nos conhecessem. O que é muito importante, porque o negócio do vinho vive da imagem", aponta o agricultor, ao DN.

Hoje, a fama está garantida. E Mário Sérgio não esquece o apoio da família. "Eu sou só o rosto mais visível deste projecto. A força familiar foi extraordinariamente importante para chegarmos aqui", assegura. Para prová-lo, dia 23, fará saltar a rolha de uma nova marca da Quinta das Bágeiras; um vinho branco, de 2009, que vai chamar-se "Pai Abel". "É uma homenagem à família, por me ter dado liberdade e acreditado em mim", diz o vinicultor.

De resto, além da família, há outro valor forte na empresa bairradina: a tradição. "Nós respeitamos muito a identidade da região, a sua casta predominante (a baga) e o processo tradicional de vinificação. Optámos por manter o estilo de vinificação dos tempos dos nossos avós, aperfeiçoando-o. E, felizmente, conseguimos impor-nos e angariar um número suficiente de clientes", afirma Mário Sérgio.

Com o passar dos anos, a Quinta das Bágeiras estendeu-se de 12 para 28 hectares de vinha. Mas, agora, o agricultor e empresário não pensa em ir muito além, sob pena de sacrificar a tradição. "Para manter este estilo não posso crescer muito mais em termos de volume. Fazendo uma quantidade maior de vinho, seria difícil manter o padrão de qualidade, utilizando o processo em lagar", descreve.

Assim, resta-lhe expandir-se em termos de mercado. Agora, as exportações valem cerca de 30% das vendas da Quinta das Bágeiras. E Mário Sérgio continua ambicioso, mesmo que prefira "ter mil clientes a comprar uma caixa, do que um a comprar mil caixas". "Quero posicionar-me entre as melhores marcas portugueses e consolidar o projecto em termos de exportação", estipula. Se assim for, manterá bem viva a chama de Fogueira - a chama que, em homenagem a um amigo, brilha nos rótulos da Quinta das Bágeiras.

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Romy

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MensagemAssunto: Falta de qualidade do atum impede-a de vender mais   Seg Nov 07, 2011 6:20 pm

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Falta de qualidade do atum impede-a de vender mais

por CARLOS DIOGO SANTOS
Hoje


Conserveira de Lisboa. Esteve durante muitos anos virada para o comércio local, mas hoje são muitos os turistas que a procuram.

Nos últimos anos, podia ter sido transformada num balcão de um conhecido banco internacional, não fosse a teimosia de Regina Ferreira em manter aberto o negócio de família. A Conserveira de Lisboa foi fundada em 1930, mas a conquista de clientes de outros pontos do globo é uma página recente dos seus 80 anos de história. Ao contrário de outros negócios, esta conserveira não vende mais porque não tem produto suficiente. Porque clientes é coisa que não lhe falta.

"Chegámos inclusivamente a ficar três meses sem atum para vender, porque os que eram pescados não satisfaziam as nossas exigências", clarifica Regina Ferreira.

Mas desengane-se quem pensa que são só os consumidores comuns a procurar esta típica casa lisboeta. Neste momento, a Conserveira de Lisboa fornece grandes restaurantes franceses e exporta para mercados tão fortes como o Brasil e até Singapura. "O mais engraçado é que nós nunca contactámos ninguém a oferecer o nosso produto; acontece sempre serem os estrangeiros a pedirem parcerias para poderem ter as nossas conservas", avança a responsável, dizendo que o bom período que a empresa atravessa é também importante para o País.

Durante muitos anos, a dona Jesus e a dona Manuela foram os rostos desta loja da Baixa lisboeta que se dedicava quase em exclusivo aos clientes portugueses. "Eram duas funcionárias que não sabiam falar outras línguas, mas de conservas percebiam elas. Aliás, ensinaram-me muitas coisas", diz a responsável, lembrando que a média de idades na loja já foi de 78 anos, enquanto actualmente as cinco funcionárias são todas muito mais novas e preparadas para atender os turistas.

De 2009 para 2010 o volume de vendas da empresa duplicou, e este ano Regina Ferreira prevê que já tenham alcançado 15% de aumento face aos resultados totais do ano passado. Para estes resultados contribuíram algumas inovações e a abertura ao mercado brasileiro, que só aconteceu este ano.

"Fizemos uma parceria com a empresa Comur, porque são quem faz o melhor tratamento da enguia e de alguns moluscos. Mas tivemos sempre presente a importância de saber inovar mantendo a tradição e os produtos artesanais", realçou a proprietária.

Além de enguias enlatadas, a Conserveira de Lisboa tem outros produtos recentes, como polvo e lampreia, e estão agora a iniciar a comercialização do abalón - um género de caracol do mar que, dada a sua excelência, é muito utilizado nos casamentos asiáticos.

Sobre as diferenças entre as conservas que vendem e as que estão nas prateleiras dos supermercados, Regina Ferreira é peremptória: "Não há sequer comparação entre um produto e outro. O atum que é normalmente comercializado em lata nas grandes superfícies parece palha, comparado com o nosso." A responsável por este negócio de família salienta que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o atum e os restantes produtos da Conserveira não são muito caros, e justifica-o dizendo que muitas pessoas de idade de pontos complicados da Amadora e Chelas são clientes assíduos da loja.

Este estabelecimento da Rua dos Bacalhoeiros foi o segundo espaço comercial a ser considerado património municipal, logo a seguir à Livraria Lello do Porto. Mantendo a traça antiga, nos últimos anos passou também a ser ponto de paragem obrigatória para muitas escolas francesas que visitam o nosso país. "Nas férias aparecem aqui muitas escolas de crianças francesas, porque sabem que, de forma gratuita, explico a nossa arte e também conto um pouco da história desta conserveira", conta com orgulho a mulher que não deixou que a mais reconhecida casa de conservas nacional se transformasse em mais uma agência bancária.

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MensagemAssunto: O 'gourmet' ganhou uma nova marca   Dom Nov 13, 2011 12:00 am

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O 'gourmet' ganhou uma nova marca

por RUI MARQUES SIMÕES
Hoje


Penhas Douradas Food. No meio da serra da Estrela nasceu uma marca 'gourmet' diferente que quer promover as matérias-primas locais.

E se uma directora de uma grande empresa nacional largasse tudo para se lançar numa cruzada pela promoção de produtos regionais? Não é estranho. É a história de Isabel Dias da Costa, responsável máxima pela Saberes e Fazeres da Vila, a empresa beirã que está por trás da marca gourmet PDF - Penhas Douradas, que vai ganhando fama de norte a sul do país.

Isabel trabalhava na Sonae Distribuição, enquanto o marido era director jurídico num banco. Porém, a paixão pela montanha (e pela Serra da Estrela) fê-los mudar de vida. Tudo começou quando inauguraram a Casa das Penhas Douradas, um hotel de charme e design, plantado ali no concelho de Manteigas. A iniciativa aproximou o casal, residente em Lisboa, das gentes da Serra. E, após participarem num workshop na sede do concelho - para dinamizar micro-empresas, utilizando matérias-primas locais (intitulado Saberes e Fazeres da Vila) -, perceberam que havia ali ideias que tinham pernas para andar. "Se podia fazer uma coisa a sério, algo sustentável, que criasse posto de trabalho, tinha obrigação de fazê-lo", aponta Isabel Dias da Costa. Assim nasceu, no início de 2009, a empresa que representa as marcas Burel - Penhas Douradas Factory (que produz lanifícios de design inovador) e PDF.

Conciliar a azáfama dos anteriores empregos com os projectos serranos era complicado. E, Isabel, só tinha uma opção: "Mudar de vida." Foi o que fez em Março (o marido tinha-o feito antes). "Foi uma mudança que custou bastante (tanto a mim como à empresa), mas hoje voltava a fazer exactamente o mesmo. Tem sido muito gratificante, muito interessante", garante.

Os primeiros produtos PDF começaram a ser vendidos no Natal de 2009. E rapidamente os acompanhamentos alimentares como pesto de urtigas, pesto de courgette, chetney de figos ou chetney de citrinos entraram no vocabulário dos apreciadores gourmet. Actualmente, estão à venda em lojas de todo o país e em dois espaços da marca, a Penhas Douradas Food & Factory (no Chiado, Lisboa), e a própria Casa das Penhas Douradas. "Temos produtos deliciosos, feitos com ingredientes da zona. Muitos não existiam no mercado, têm uma qualidade fora do comum e, além disso, são multifuncionais: podem ser usadas para acompanhar muitos pratos diferentes", descreve Isabel Dias da Costa.

Mas isso não impede que o mundo do gourmet sofra dores de crescimento - agravadas pela crise. "O mercado nacional depende 90% do Natal. O nosso principal objectivo é criar postos de trabalho e ser rentável, mas não é possível manter empregos quando se está tão dependente de uma época do ano", lamenta a responsável da marca, enquanto aponta a única via para garantir essa "estabilidade": as exportações (a exemplo da marca Burel, que já ao Japão).

Assim, no próximo ano, o estrangeiro deverá ser o caminho da PDF. "Queremos estabilizar produtos e perceber onde temos mais qualidade, para depois partir para Inglaterra, Alemanha, Dinamarca...", aponta Isabel Dias da Costa, lembrando que "aquilo que para nós é gourmet não é gourmet [mas sim algo natural] no estrangeiro". Entretanto, enquanto não chega o crescimento fora de porta, a PDF vai continuar a viver do "voluntariado de amigos" que ajudam o casal fundador (como Cristina Vasconcelos, que entretanto já se tornou sócia da Saberes e Fazeres da Vila).

Afinal, o espírito de entreajuda continua a ser uma das chave do projecto - como quando, em 2009, "abdicaram todos das férias para fazer experiências e criar os produtos incríveis da PDF", recorda Isabel Dias da Costa. Ainda hoje, muitas vezes, são os amigos a ajudar a levar os produtos para as lojas gourmet. E assim todos vão ajudando aos primeiros passos do projecto do casal que não teve medo de mudar de vida.

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Romy

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MensagemAssunto: "O pão atravessa a nossa história": este museu prova-o   Dom Nov 13, 2011 5:08 pm

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"O pão atravessa a nossa história": este museu prova-o

por RUI MARQUES SIMÕES
Hoje




Na Serra da Estrela vive o único museu nacional dedicado ao pão. Está à beira do 10.º aniversário e domilhão de visitantes

O pão, base da alimentação nacional, pode também ser um tema cultural. E não lhe basta uma exposição: é a personagem principal de um museu. Em Seia, da união de um grupo de professores e investidores, nasceu o Museu Nacional do Pão. Foi em 2002. E, de lá para cá, a cidade beirã (do distrito da Guarda) tornou-se local de romaria.

No princípio, já era o pão. "O museu abriu ao público em 2002. Mas a empresa Bamaq, que está por trás da marca, já tinha aberto antes e produzia produtos regionais, incluindo o pão, a broa e o centeio da região. Paralelamente a essa produção, iniciou o sonho de criar um museu dedicado ao pão, algo que não existia em toda a Península Ibérica", lembra a directora do espaço, Laura Quaresma, em declarações ao DN.

O museu lá nasceu, estendendo-se por 3500 metros quadrados de um edifício característico da região. E foi cativando cada vez mais visitas. Já vai nas 970 mil (média de cerca de 110 mil por ano) e, a este ritmo, espera receber o histórico visitante "um milhão" lá para Fevereiro de 2012 - uma maneira diferente de começar a celebrar o 10.º aniversário.

Contudo, como se justifica a ideia de ter um museu exclusivamente dedicado ao pão? Simples, explica Laura Quaresma: "O pão atravessa a história. Não há região que não o tenha nem país onde não seja importante. O pão faz parte de todos os portugueses."

Ora, para perceber a importância do pão - nas mais diversas áreas -, nada como visitar o museu. Há quatro salas. No início, está a do Ciclo do Pão, onde três mós recebem o visitantes, mostrando a fase inicial - a moagem do cereal - e depois todo o processo de feitura do alimento. Depois, salta-se para a Sala do Pão Político, Social e Religioso, onde - com documentos e artefactos antigos - se conta a relevância do cereal para a evolução do país, desde 1640 até ao 25 de Abril de 1974. Segue-se a Sala da Arte do Pão, onde ele serve de molde para as mais variadas expressões artísticas. Há ainda exemplares de pão de todas as regiões do país. E, até final do mês, andarão por lá os bustos de todos os Presidentes da república desenhados em massa-pão.

A visita fecha com a Sala Pedagógica, a preferida das crianças - público mais apaixonado pelo museu. Lá podem brincar, viver de perto a cozedura do pão e até criar e levar para casa uma recordação de massa-pão. Em volta há todo o núcleo comercial que dá sustentabilidade económica ao museu: bar/biblioteca, restaurante, padaria e mercearia antiga.

De resto, acima de tudo, o museu é dos visitantes, o "público bastante heterogéneo" que lhe dá vida e movimento. Laura Quaresma lembra, emocionada, como é bom sentir que aquele local "toca as pessoas": faz os mais idosos sentirem nostalgia de outros tempos e os mais novos - "que querem sempre voltar para uma nova visita" - terem vontade aprender. E recorda até como alguns oferecem peças que vêm completar as diversas colecções do museu.

Hoje, até já há outro espaço semelhante na Península Ibérica (em Valladolid, Espanha), mas continuam a ser poucos os núcleos museulógicos do género no espaço europeu. Por isso, o de Seia ainda faz a diferença. Ainda para mais, na região serrana, "onde é uma importante mais-valia", frisa Laura Quaresma.

Assim, a direcção vai continuar a investir no melhoramento do espaço. "Tudo o que conseguimos é reinvestido", garante a responsável. E o próximo objectivo "é alargar e melhorar a sala pedagógica", para cativar ainda mais as crianças. A razão é a mesma de há quase 10 anos: "É sempre a pensar no público que trabalhamos todos os dias", remata Laura Quaresma.

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MensagemAssunto: Uma água que se tornou "património nacional"   Qua Nov 16, 2011 11:29 pm

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Uma água que se tornou "património nacional"

por CARLOS DIOGO SANTOS
Hoje


A Água das Pedras nasce em Pedras Salgadas, onde a realeza passava férias, e é considerada uma das melhores gaseificadas do mundo

Há poucas marcas que dão nome ao produto que comercializam. Mas a Água das Pedras é um desses exemplos. Em Portugal, quase ninguém pede uma água com gás, mesmo que o produto apresentado pelo comerciante seja de outra marca. Para Bruno Albuquerque, director de marketing da Água das Pedras, esse é o ponto que distingue a marca no mercado nacional.

"Em Portugal há poucos ícones como nós. Nem mesmo dentro do mercado das cervejas se vê uma ligação tão forte entre uma marca e o produto, como acontece na Água das Pedras. Ninguém pede, no nosso País, uma água com gás", frisou.

Mas ainda que no dia-a-dia se chame água das pedras a "tudo o que tenha gás" a verdade é que há muitas diferenças. "A nossa água não é alterada, ela sai assim da terra e nós só a engarrafamos isso faz com que tenha características únicas. O facto de ser gasocarbónica reflecte-se no seu agradável sabor", explicou, ao DN, Bruno Albuquerque.

O sucesso desta marca começou há já muitos anos, ainda não era engarrafada, quando a família real escolheu a localidade de Pedras Salgadas como destino de férias. D. Maria Pia, o rei D. Fernando e até D. Carlos descobriram o que poucos conheciam. Uma pequena localidade no interior norte de Portugal a 1263 metros de altitude que conserva um microclima especial e dá origem a uma "água com vida".

Mas só mais tarde, em 1871, se iniciou a exploração deste recurso tão escasso quanto natural, que começou logo a ganhar prémios internacionais. Destes, destaca-se a distinção que alcançou logo dois anos depois em Viena de Áustria.

Mas, apesar do reconhecimento internacional, a exportação é muito complexa. "Há muitos especialistas que afirmam que a Água das Pedras está uns furos acima das grandes águas com gás do mundo. Mas nós não podemos iniciar uma grande expansão do produto, uma vez que é um bem natural e por isso limitado. Ao contrário das outras marcas que existem no mercado português nós não podemos carregar num botão e fabricar mais água para exportar", disse Bruno Albuquerque, soltando um sorriso.

Até há pouco tempo vista como uma solução para a indisposição, a Água das Pedras quer agora desligar-se desse uso, uma vez que o seu consumo pode ir muito além dessas situações. "Actualmente queremos que os portugueses percebam que este produto é excelente para acompanhar uma refeição, alias como acontece em países como a Alemanha", salienta o responsável, que garante que aos poucos os portugueses começam a fugir a este "preconceito".

Mas não é só. Dadas as suas características esta água é exotónica, ou seja ajuda a repor os sais minerais para quem pratica muito desporto.

A Água das Pedras faz parte da empresa Unicer, que detém outras importantes marcas de relevo como as cervejas Super Bock, Carlsberg e Cristal, as águas Vitalis e Caramulo e refrigerantes como o Guaraná Brasil e o Frutea.

A empresa sediada no Norte de País está a crescer no mercado português, e para isso contribui o sucesso da Água das Pedras. Esta marca histórica, além de estar cada vez mais dominante no mercado nacional, já conseguiu, "dentro das limitações das fontes", chegar a parte do território espanhol.

"Apesar das restrições nós estamos já há alguns anos presentes em alguns países, mas sem que isso implique um consumo massificado deste bem. Espanha foi dos últimos países a que chegámos e o Brasil é o destino por que mais ansiamos neste momento. Mas acima de tudo o que queremos é uma expansão responsável que não ponha em causa esta água, que considero ser uma parte importante do património nacional", concluiu Bruno Albuquerque.

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MensagemAssunto: Mestres vinagreiros querem mudar hábitos de consumo   Sab Nov 19, 2011 6:09 pm

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Mestres vinagreiros querem mudar hábitos de consumo

por SÓNIA SIMÕES
Hoje


A empresa Mendes Gonçalves apostou em vinagres de sabores que até podem ser usados em sobremesas. Já exporta para todos os continentes

Já pensou em preparar uma entrada de queijo de cabra com vinagre? E uma sobremesa, um crepe ou uma panqueca? A empresa que nasceu há 30 anos na terra dos cavalos, na Golegã, criou recentemente uma série de novos sabores e texturas de vinagre e reduções de vinagre que promete mudar os hábitos dos portugueses. A ideia é que os vários sabores em embalagens apelativas sejam levados para a mesa e possam ser escolhidos por qualquer convidado, conforme o gosto.

A inovação - que passa por uma linha de produtos de redução de vinagres com sabores tão diversos como o figo, a manga ou os frutos silvestres, e por uma outra linha de vinagres em spray, com sabores como o champanhe - é a mais recente aposta desta empresa familiar, pensada pelo pai de Carlos Gonçalves. A experiência por conta de outrem e em sociedades de produção de vinagre levou-o a criar o negócio por conta própria. Carlos tinha na altura 15 anos e começou logo a trabalhar. Hoje, aos 45, está à frente da empresa, ainda com a mãe e com a irmã. Começaram por ser eles nos serviços administrativos, com apenas mais dois funcionários a cargo. Hoje, a Mendes Gonçalves é a única empresa promotora de postos de trabalho do concelho.

Tudo começou nas instalações em que ainda agora se produz vinagre de figo de forma artesanal. "É uma matéria-prima que existe no concelho de Torres Novas. Alguns pequenos produtores só saem de casa para vir aqui entregar os frutos", explica Carlos, que apesar do desenvolvimento da empresa quer manter a tradição que a fundou. Prova disso é o pequeno espaço na fábrica dedicada ao embalamento manual. Neste canto embalam-se e colam-se etiquetas a centenas de garrafas por dia (500 a 1000).

Antes de surgirem as grandes superfícies em Portugal, o pai de Carlos vendia de norte a sul do País para o comércio tradicional e para pequenas cadeias de supermercado. Vendia também às comunidades portuguesas emigradas e para as antigas colónias. O aparecimento dos hipermercados obrigou a uma evolução no negócio e nas instalações. Por um lado, produziam-se as marcas próprias, como a Peninsular, por outro começou-se a produzir para as empresas de distribuição. Fazia-se vinagre de vinho e de figo, mais tarde de sidra e agora uma panóplia de sabores e texturas.

Mas Carlos não ficou por aqui. Apesar de alterações introduzidas no comércio do vinagre, decidiu em 2004 expandir a oferta e colmatar uma falha no mercado português: a produção de molhos. "Começamos a fabricar maionese, mostarda e ketchup, até porque o vinagre é matéria-prima desses produtos." Nesta altura, mais de 90% destes molhos eram importados, não se faziam em Portugal (quer para as empresas de distribuição quer para as marcas). "Hoje produzimos para praticamente todas as marcas. Metade da nossa facturação refere-se aos molhos outra aos vinagres É importante para o País exportar, mas se evitarmos importações, criamos mais trabalho e riqueza."

Ainda assim, algumas matérias-primas que usa nos molhos têm de ser importadas por não existirem dentro de fronteiras, como é o caso do ovo em pó. Compensa com as vendas para o estrangeiro, actualmente exporta para 21 países, em todos os continentes, e tem rótulos em várias línguas, do inglês ao árabe. "Por cá o consumo é reduzido, não há massa crítica. Temos de nos virar lá para fora."

Na fábrica há já uma equipa de investigação para analisar produtos e tendências. Os únicos produtos não produzidos aqui, apesar de comercializados pela Mendes Gonçalves, são os vinagres de champagne e o balsâmico. O primeiro vem de França, o outro de Itália (onde a empresa está registada e tem licença para o embalar). "São produtos típicos desta região e não vale a pena imitar", justifica.

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