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 O Rei da Madeira

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Fantômas

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MensagemAssunto: O Rei da Madeira   Seg Jun 28, 2010 10:05 am

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Investigação ao 'Rei da Madeira'

por JOÃO CÉU E SILVA
Hoje


A jornalista Maria Henrique Espada contrariou a proibição de Alberto João Jardim e escreveu a sua história

É biografia ou ficção? Esta pode ser a primeira pergunta para quem ler O Rei da Madeira - claro que é Alberto João Jardim -, a investigação que a jornalista Maria Henrique Espada vai publicar em livro esta semana. A resposta certa é a primeira, mas o universo ficcional que o biografado criou à sua volta nas últimas três décadas poderia até, para quem não conhece o presidente do Governo Regional da Madeira, enganar o leitor e fazê-lo pensar que estamos perante um bem elaborado romance político.

Não é por acaso que a autora consegue ocupar 363 páginas com o único português que ninguém cala e que faz tremer o PSD sempre que tem uma ideia, através de uma biografia não autorizada, já que, quando pediu para falar com o governante, a resposta foi directa: "Ainda não é tempo para biografia." Como Espada responde, é "tempo para biografia", e foi isso que fez, entrevistando mais de cinquenta colaboradores, familiares e adversários, quase sempre em depoimento registado, que torna a ampla recolha de testemunhos numa validação das teses da biógrafa.

O percurso de João Jardim é pela primeira vez escrutinado, pois a primeira biografia que existe é resultado de uma entrevista em que o próprio Governo Regional pagou a edição em livro - e que bem pode ser uma curiosidade para a Casa- -Museu sobre o líder madeirense que a Fundação Social-Democrata pôs em marcha há dois anos.

Desta vez é a sério, e a autora parte de uma premissa, a de que "Jardim não soube reinventar-se politicamente". Explica : "Como a estratégia inicial resultou, nunca viu razões para a alterar e repetiu-a incessantemente, exacerbando mais e mais a espiral de retórica provocatória, acabando por tornar-se prisioneira dela."

Descreve o governante como um homem que só avança após estar certo da vitória e, no caso de um cargo de líder no PSD nacional, nunca o ter tido porque pretende ter "caminho aberto, sem espinhos nem luta pelo poder". Já no PSD/Madeira, os passos iniciais foram calculados, mas, a partir do momento em que é entronizado, a sua governação é de galope sem rédeas, sempre em prol do desenvolvimento da ilha e à custa dos cofres do Governo central.

É muito curiosa a descoberta desse momento em que Jardim decide que é preciso é fazer obra e até admite que, quando o PS chegar ao poder, que pague as contas. Como os socialistas nunca governarão a Madeira, o problema dos custos da modernização será sempre seu, sendo essa a espinha dorsal das três décadas de uma polémica constante.

Esta biografia proporciona ao leitor uma sucessão de histórias que tornam o livro bem apetecível. É o caso da chegada de Jardim à liderança do PPD/M; o seu quase saneamento como professor; a utilização do Jornal da Madeira e da Igreja Católica da ilha como pilar da carreira; as reuniões estratégicas no café Golden Gate; o aproveitamento político do movimento independentista Flama; a gestão de bastidores com os líderes do PSD nacional em função dos interesses regionais; as colagens a Mário Soares e as rivalidades com Cavaco Silva; a gestão política do voto dos representantes da Madeira na Assembleia da República e a sedução ao apoio popular.

Entre os muitos depoimentos, há um que desmonta o líder madeirense de político a cidadão: "Quem convive com Jardim de perto nota--lhe uma propensão para tentar apaziguar diferendos, mesmo depois de guerras feias. Ele tem um coração de ouro (…) Acaba sempre de bem com toda a gente."

O retrato que se retira desta biografia, no entanto, é que a vida política de Alberto João Jardim é bastante longa mas que fica reduzida ao seu reino. A Madeira teve de chegar para os seus projectos pessoais porque não cedeu aos interesses do Continente, nem vergou à disciplina partidária que permite voos mais altos. A sua sucessão ficou alterada com o temporal de 20 de Fevereiro deste ano e o bem orquestrado assalto ao poder de Pedro Passos Coelho suplantou-o numa possível presidência salvadora do PSD este ano. Como João Jardim não está preparado para não ser olhado como o "escolhido", retira-se para cumprir a recta final da vida política na Quinta da Vigia.

Desta biografia, o único lado que se sente falta é o lado mais pessoal de Alberto João Jardim. Os primeiros capítulos narram a sua vida pessoal, os antepassados, a Madeira da juventude, Coimbra, as diatribes adolescentes e a formação, mas a partir do momento em que passa a deter o poder essa intimidade perde-se. Mas fica bem retratado o lado político, e esse é que fazia falta, pois o resto é história.

'Alberto João Jardim - O Rei da Madeira'

Maria Henrique Espada

A Esfera dos Livros

In DN

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